My strange world - 2° Temporada
12 Coma
Notas iniciais
Eu sentia o sangue escorrer pelo meu rosto. Tudo doía e doía muito. Tentei me levantar usando o apoio das mãos porém um salto 15 pisou minha mão direita sem pena. A força foi tão grande que ouvi um barulho que achei ser do meu osso se partindo. Gritei.
–Aprendeu a lição? Acho que você deveria parar de resistir. — disse Katy
–N- Não sou como você. Você não tinha motivos e se revoltou. Está matando todos que tentaram te ajudar — falei com dificuldade e ela me puxou pelo cabelo.
Senti minha visão embaçar um pouco e a chutei na canela, mas ela quase nem se abalou.
–Vamos ver até quando você aguenta! — ela disse e me arrastou por vários corredores me puxando pelo braço enquanto meu corpo era arrastado e minha cabeça batia diversas vezes em objetos que nem eram mais identificáveis pra mim.
Não tinha forças para fazer mais nada nem se quer pra ficar acordada. Por um momento tudo ficou preto logo clareou e na mesma velocidade escureceu de novo. A escuridão tomou conta e tudo eu que eu queria era poder ver a luz novamente.
Acordei com um toque suave em meu ombro. Não conseguia abrir os olhos, mas estava acordada enquanto um voz que parecia conhecida me chamava.
–Annabeth, Annabeth — Tentei responder, mas não conseguia falar, senti uma forte dor e um grande desespero quando ouvi a voz me chamar de novo — Annie
Eu não podia responder, não podia abrir os olhos. Só podia ficar lá pensando em silencio. Me desesperando por dentro e inerte por fora.
Senti outra pessoa se aproximar e a voz que eu conhecia parou por um instante.
–Porque ela não está acordada? — Disse a voz asperamente, acho que para a voz que eu achava que conhecia o dono.
–Ela não quer acordar — disse a voz que agora notei que era de Jimmy. Ele parecia estar bem, porém não deu pra identificar na voz dele nada mais que cansaço. Queria vê-lo, saber como ele estava. Só tínhamos um ao outro agora.
Mordi o lábio e tentei falar de novo só que da minha boca não saia som e novamente meus olhos não se abriam. O escuro estava começando a me cansar, só sentir a luz não bastava mais queria abrir meus olhos. Se não os abrisse eu iria voltar a dormir. Não era isso o que eu queria, mas nada funcionava. Eu não acordava, mesmo me esforçando.
–Vamos ver quem não vai acordar! — disse a voz e Jimmy gritou
–Não toque nela! — Ele parecia prestes a entrar em desespero
–E quem me impedira? — perguntou a voz desdenhosa
–Eu! — disse Jimmy e tive a impressão de que ele foi pra cima dela.
–GUARDAS! — Gritou ela — Torturem no, mas não o matem. Vou cuidar da garota, depois vou lá.
Queria gritar, acordar, bater naquela louca. Não queria deixar o Jimmy sofrendo, queria ser útil. Querendo ou não a culpa de tudo era minha. Eu ''comecei'' com aquilo e eu teria que acabar com essa situação, mas lá estava eu. Deitada, sem nem conseguir abrir os olhos ouvindo os passos da mulher cada vez mais altos e sentindo a minha cabeça latejar mais e mais. Gritando por dentro, mas de certa forma morta por fora. Só que se eu não acordasse não poderia ajudar. Eu tinha que acordar, mas não sabia como.
Senti a respiração da mulher bater em meu rosto e quis me afastar. A respiração dela trazia desespero e seu cheiro lembrava a morte.
–Vamos Princesinha — ela disse com falso afeto em um tom de voz que dava nojo e pavor — Acorde. Não de uma de covarde. Pare de ser infantil e se refugiar em um sono. Sei que tem capacidade.
Não respondi, nem poderia na verdade. Ela bufou nervosa.
–Não entendo por que precisamos de você! Uma garotinha frágil,medrosa, que se esconde atrás dos amigos e do namorado que logo estarão mortos, nem consegue se levantar e me encarar ou simplesmente abrir os olhos. Você é fraca Annabeth. Só ficou 2 dias aqui e já está inutilizada, em coma.
Coma? Calma ai! Como assim estou em coma? O que aconteceu comigo?!
EU QUERO ACORDAR — gritei mais nem minha boca abriu, nem o som saiu e lá ficou o grito dentro de mim e de meu coma.
Eu preciso acordar. Sou mais forte que isso, tenho que ser ou eles vão morrer por mim, mas sendo sincera acho que estou com medo de abrir os olhos, medo do que vou ver, medo da dor que vou sentir e pra acordar preciso superar e realmente querer acordar!
Não posso deixar pra decidir depois, sei que não, mas não saber o que fazer, não ter um plano me desespera e eu acabo caindo novamente no sono do qual não sei se acordarei.
Agora posso abrir os olhos, andar e falar. Me sinto poderosa e livre enquanto ando por ai. Sei que poderia enfrentar qualquer um agora, mas ninguém aparece enquanto caminho tranquilamente pelo jardim. Onde eu estou? Quem eu sou? sei que devia estar pensando nisso, mas tudo está tão bom que tenho medo que essas informações estraguem. Um som estranho tira minha calma e eu paro de repente
–Você não é assim! — diz uma voz — Você não se esquece dos problemas enquanto os outros morrem.
–Você não me conhece! — disse, mas sabia que a voz estava certa.
–Não, realmente não te conheço bem.- afirmou parecendo cansado — Mas meus filhos confiam em você. E todos dizem que você é muito corajosa. De um jeito de tirar meu filho Jimmy de lá. De um jeito de acordar que se ganharmos ou melhor quando ganharmos deixarei você trazer qualquer um de volta a vida. Juro pelo Rio Estige — disse a voz e eu afirmei
–Ok, como saio daqui? — perguntei
–Primeiro você tem que descobri o porque está ai. Não posso dizer mais nada. Não posso interferir. Boa sorte Annabeth.
–HADES — gritei
–Não posso fazer nada. Tenho que ir.
O sentimento de que posso fazer tudo de repente vai embora. Poder falar e andar agora só me faz me sentir mais impotente. Eu estou com medo, mas agora sei que posso superá-lo. Só preciso descobrir como sair daqui ou melhor só preciso descobrir o que vim fazer aqui, para assim acordar.
O tempo está correndo. É melhor eu me apressar.
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