My life or your life?
3 3 - Eu que agradeço.
Notas iniciais
POV Jace
Acordei as três da tarde com uma ressaca de matar qualquer um. Eu tinha dormido no sofá, minha mãe não se deu ao menos o trabalho de me levar pro quarto. Levantei daquele sofá e um silvo de dor escapou. Fui direto para a cozinha tomar um copo de água e procurar algum remédio. Izzy estava comendo seu lanche da tarde, parte de dieta. Passei por ela e fui até a geladeira peguei uma garrafa de água e bebi. Depois fui pegar um remédio, tomei um comprimido e sentei perto de Izzy.
– Como foi a festa maninho? — Ela perguntou com um sorriso de lado.
– Boa. Pela ressaca que estou sentindo foi maravilhosa.
– Mamãe me disse que você chegou carregado por uma garota. Pegou ela?
– Não, ela trabalha lá.
– Vai agradecer a gentileza dela?
– Eu lá tenho cara de quem agradece alguma coisa? — Perguntei e ela arqueou as sobrancelhas.
– Tem razão, tenho que sair. Amanhã você vai aparecer na empresa?
– Trabalho lá não é? Vou sim. — Ela sorriu saindo da cozinha.
Subi as escadas e fui pro meu quarto, o remédio já estava começando a fazer efeito, peguei uma roupa qualquer e fui pro banheiro, tomei um bom banho gelado e me vesti, voltei a deitar mas dessa vez com o celular na mão, fiquei twitando por um bom tempo. Conversei com algumas garotas, mas nenhuma me interessou, hoje eu só queria dormir.
Pov Clary
Depois de deixar aquele filhinho de papai em casa, eu tive que andar um bom caminho para conseguir achar um ponto de ônibus, eu poderia ir de táxi, mas prefiro guardar dinheiro para o enxoval do meu filho, a única pessoa que eu tenho agora. Não pensem que fiz o favor de levar o bonitinho pra casa dele por que eu simplesmente gostei dele. Meu chefe me obrigou a fazer aquilo, de acordo com ele, era preciso para mantê-lo vivo para a próxima noite.
Assim que cheguei no pequeno hotel, já passava das dez da manhã, eu tenho apenas suas horas para ir trabalhar novamente, eu tenho dois empregos, um a noite naquela boate e outro a partir da uma da tarde em uma lanchonete aqui perto, eu apenas entrei no meu quarto e me joguei na cama, estava morta de cansaço, mas pelo menos a noite valeu a pena, ganhei uma boa gorjeta e no fim do mês meu salário vai sobrar.
Ao meio dia eu me levantei, tomei um bom banho frio e preparei minha comida, depois de comer e escovar os dentes eu vesti meu uniforme, que é uma saia na metade da coxa, uma camiseta com o logotipo da lanchonete, o Taki's. Eu já tinha vendido meu carro, mas guardei uma boa parte do dinheiro para comprar as coisas para o meu filho, que ainda nem sei se é menino ou menina, só sei que o amo mais que tudo nesse mundo, e mesmo que o desgraçado do Sebastian não o queira, eu quero. Passei uma maquiagem bem leve e um gloss rosinha. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e peguei minha bolsa. Em alguns minutos eu já estava na frente do meu emprego.
– Olá Josh. — Cumprimentei meu chefe, ele sabe que estou grávida, diferente do meu outro patrão. ?
– Olá ruiva. Como se sente hoje?
– Bem obrigado.
Peguei meu avental e fui atender alguns clientes, o dia estava bem tranquilo, fiquei boa parte do tempo sentada. A porta se abriu e uma garota de cabelos negros e longos entrou acompanhada de uma garoto de óculos, os dois se sentaram na mesa mais afastada. Peguei o bloco de pedidos e fui até eles.
– Sejam bem vindos, o que vão querer? — A garota olhou para mim e sorriu.
– Um milk shake diet e um sanduíche natural.
– Pra mim uma coca e um hambúrguer. — O garoto pediu.
– Entendi. Em alguns minutos eu volto. — Disse antes de sair.
Dei os pedidos para a Julie, nossa cozinheira e olhei novamente para a mesa da garota, ela me era familiar, a parecida com alguém que eu tenha visto. Ela estava com o celular nas mãos, discando provavelmente uma mensagem. Logo os pedidos deles ficaram prontos e eu fui levar até a mesa deles, mas o cheiro daquele hambúrguer estava embrulhando meu estômago.
POV Jace
Eu não tinha conseguido dormir mesmo então resolvi dar uma volta por ai, meu celular apitou indicando uma mensagem, era Izzy marcando um lanche no Taki's, como eu não estava longe, não demorei a chegar.
Assim que abri a porta vi cabelos ruivos e brilhantes passando, fui até a mesa de Izzy e a garçonete era a mesma garota da noite passada, a que me ajudou a chegar em casa hoje mais cedo, mas ela estava pálida, com cara de quem ia vomitar.
– Aqui seus lanches. — Ela disse colocando a bandeja na frente deles.
– Veja se não é a ruiva. — Eu disse me sentando.
– Você já a conhece? — Izzy perguntou.
– Ela me ajudou a chegar em casa hoje. — Dei de ombros.
– Você está bem? Parece pálida. — Simon perguntou a ruiva.
– Desculpe. Eu tenho... — Ela disse se afastando. O homem que estava no caixa foi até ela e a ajudou a se sentar.
– Clary, você está bem? — Ele perguntou a ruiva que agora tem nome.
– Foi só o cheiro do hambúrguer. — Ela sorriu amarelo.
– Entendo. Vou buscar um copo de água pra você beber. — Ela concordou enquanto ele ia até a cozinha.
– Tem certeza que está bem? Um hambúrguer não faz tudo isso com uma pessoa. — Izzy disse.
– Estou bem sim, obrigado.
Eu a fiquei observando enquanto respirava fundo e fechava os olhos, seu rosto já estava ganhando cor, soltei um suspiro aliviado, mas me arrependi, eu não sinto pena de ninguém, muito menos de uma garota. Logo o rapaz voltou com um copo de água para ela, que bebeu e sorriu em agradecimento a ele, um sorriso sincero e muito lindo."Jace, não pense assim". Briguei comigo mesmo mentalmente.
– Vá para casa Clary, durma um pouco. Você precisa descansar.
– Estou bem Josh, foi só um... mal estar.
– Não é um pedido, sou seu chefe e estou mandando você ir para casa, amanhã você vem trabalhar.
– Mas nem tem ônibus a essa hora. — Ela tentou, mas pela expressão do rapaz ele não estava brincando, resolvi ajuda-lo.
– Vem, eu te levo. Pode levar como um agradecimento por hoje mais cedo. — Sorri. O rapaz sorriu para mim e ela bufou.
– Tudo bem, mas amanhã eu volto.
Izzy me olhou maliciosa enquanto eu levantava, apenas revirei os olhos segui a ruiva até meu carro, ela já sabia qual era então não foi difícil para ela achar, abri a porta do carona para que ela entrasse, entrei do lado do motorista e liguei o carro.
– Onde mora? — Perguntei.
– Em um hotel na Sete.
– Tem certeza que está bem? Você está meio pálida de novo. — Disse assim que paramos no semáforo.
– É o cheiro do seu perfume, será que eu posso abrir a janela? — Franzi o cenho, mas concordei. Ela abriu a janela e respirou fundo o ar que entrou.
– Seu nome é Clary não é?
– Clarissa na verdade, mas todos me chamam de Clary.
– Quantos anos tem?
– 19. E você?
– 22. Você trabalha aos dezenove anos? O que seus pais acham disso?
– Eles não se importam. — Ela respondeu me encarando.
– Claro que se importam, são seus pais.
– Eles me expulsaram de casa a uma semana. — Seus olhos se encheram de água. — Nem sei por que te disse isso. Mal te conheço.
– Mas eu gostaria de conhecer. — As palavras saíram da minha boca sem permissão.
– Quer ser meu amigo ou quer me levar pra cama?
– Gostaria de te levar pra cama, mas vou me contentar com a sua amizade. — Ela sorriu.
– Acho que chegamos. — Ela disse assim que parei o carro. — Antes que eu esqueça, qual seu nome?
– Jace. — Respondi.
– Obrigado pela carona Jace. — Ela disse saindo do carro.
– Eu que agradeço. — Respondi baixinho a observando ir embora.
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