My dear new neighbor...
4 Perigo em potencial
Notas iniciais
My dear new neighbor...
Capitulo 4: Perigo em potencial
xXx
“VOCÊ FEZ O QUE?!” Perguntou a voz feminina incrédula do outro lado da linha.
–Não me faça repetir! –Digo exasperado, mas ele continua calada a espera de uma resposta, suspiro. –Eu vi o Vini trocando de roupa e ele me pegou no flagra.
É mundo a exatamente uma hora atrás eu acabei vendo (sem querer!) o meu querido vizinho novo trocando de roupa ele percebeu BEM na hora e ainda teve a coragem de me mandar uma mensagem com quintas intenções depois.
Sabe por que?
Por que eu tenho um PUTA azar filho da puta que adora me foder toda hora.
“E depois ele te mandou uma mensagem...?” Questionou Ju do outro lado da linha tentando acompanhar o raciocínio.
–É... –Resmungo envergonhado.
“Ho, ho, ho...” Ela da uma risadinha tosca e depois pergunta. “E o que você respondeu? ”
–Primeiro, que merda de risadinha de Papai Noel tarado foi essa? Segundo, o que você queria que eu respondesse? Eu fiquei assustado porra!
“Ficou de besta! ” Exclamou Juliana. “Afe Vick você é um caso perdido, hein? O cara tava praticamente se convidando para comer essa bundinha virgem e tu age desse jeito?! Não foi essa educação que eu te dei, não! ”
–Que porra de educação tu me deu Juliana? Eu não vou ficar dando pro primeiro que aparecer igual a uma putinha, não!
“ENTÃO MORRA SOLTEIRO!” Grita ela, me fazendo ter que afastar o celular do meu ouvido protegendo os meus tímpanos. “Ai, ai, ai viu? Quer saber? É nessas horas que uma fujoshi tem que se meter! Tô indo aí pra resolver isso agora! ”
–Juliana, espera! Não precisa nã...! “ Nem termino a frase e já escuto os famosos “tu...tu...tu...” que deixaram bem claro que a filha de uma quenga desligou na minha cara! –Vadia...
Respiro fundo e jogo o celular na cama, em seguida me jogando também, fecho os olhos com força esperando que tudo não tenha passado de um sonho e que logo, logo meu despertador toque e dê a hora de eu ir para a escola e que não tenha nenhuma porra de garoto estuprador de cabelos azuis lá. Porém, tudo o que eu consigo é ter aquela imagem de Vini sem camisa sorrindo daquele jeito estranho invadindo a minha mente, me fazendo cobrir meu rosto vermelho com o travesseiro.
–Maldito vizinho... –Resmungo baixinho com a voz abafada pelo travesseiro.
Fico uns sei ou sete segundos naquela posição, até que ouço a campainha tocar e tiro imediatamente o travesseiro da cara.
–Mas já?! – Me pergunto surpreso. A casa da Juliana é tipo do outro lado da cidade, como ela chegou tão rápido? –Aquela maluca veio de unicórnio, é?!
Me levanto rapidamente e saio do quarto, a campainha toca de novo.
–Já vai! –Grito.
Desço as escadas quase correndo ouvindo a campainha tocar mais uma vez.
–Já vai cacete! –Como se me desafiasse a pessoa tocou mais duas vezes seguidas, me deixando puto de verdade.
Fui pisando duro até a porta, destranco a mesma e a merda da campainha toca mais uma vez.
–EU DISSE QUE JÁ VAI! –Grito abrindo a porta de uma vez, pronto pra arrebentar a cara da Juliana.
Só que a pessoa que está no outro lado da porta não é a Juliana.
E sim um garoto da minha idade, um pouco mais alto que eu e de cabelos tingidos.
–Oi. –Diz Vini sorrindo.
Meus olhos se arregalam igual a dois pratos, meu coração dispara e meu rosto se esquenta. O que diabos ele veio fazer aqui?!
“Não interessa! ” Penso. “Fecha essa porta antes que seja tarde demais! ”
E eu tento, só que Vini me impede pondo o pé e as mão no caminho.
Fodeu.
–Hey, hey, hey calma aí cara! –Diz o desgraçado aparentemente se divertindo com essa situação. –Eu só vim aqui devolver a sua caneta, eu havia esquecido.
Ele me mostra a caneta e eu fico mais calmo.
–E-er valeu... –Digo pegando a caneta –E-então, a gente se vê amanhã na escola, ok? tchau! – Tento fechar a porta de novo, mas a porra do pé de Vini ainda estava bloqueando o caminho.
–Nossa só isso? Eu venho aqui na maior boa vontade devolver a sua caneta e é assim que você me trata? Nem sequer me convida pra entrar?
É impressão ou esse moleque é um baita de um folgado?
–Olha, minha mãe não tá em casa e eu não acho uma boa ideia deixar todo mundo vir entrando aqui assim, já não basta a doida da Juliana que tá vindo fazer não-sei-o-que aqui.
Por favor só vá embora!
–Espera aí – Diz Vini me interrompendo. –Você acha mais sensato, ficar sozinho em casa com uma garota do que com um amigo? É isso? Tem certeza?
Quando esse “amigo” manda mensagens perturbadoras e eu tenho medo de ficar sozinho numa casa com ele e acabar sem conseguir andar, sim.
Espera. Desde quando somos amigos?
É mundo eu adoraria responder isso a ele, mas eu simplesmente não consigo é vergonhoso demais! Respiro fundo e mordo meu lábio inferior pensando cuidadosamente no assunto.
–Eu deixo você entrar... –Digo por fim. -Se você não for fazer nada de estranho, como o “troco”, ou seja lá o que for.
Ele da uma risada me fazendo ficar mais vermelho do que eu já estou.
–Cara aquilo foi uma brincadeira, relaxa! –Ele diz divertido, mas algo em seus olhos claramente diz que ele não está brincando –Foi só uma punição por você ter agido como um pervertido!
–Cala a boca! –Respondo bravo e dou espaço para ele entrar –Vai entra ou não?!
Ele sorri e me obedece calado entrando e parando alguns centímetros ao meu lado.
–Bela casa... –Comenta ele após um tempo lá dentro, passando os olhos pelo lugar.
Eu fecho a porta em silêncio e o observo pelo canto do olho, ele está sem touca dessa vez deixando seus cabelos azuis a mostra, um casaco também azul está por cima de sua camiseta preta de alguma banda que eu desconheço e vestindo uma calça igual a outra só que mais escura.
–Obrigada.
–Vai ficar aí me olhando como um perigo em potencial? –diz ele me devolvendo o olhar de canto, o sorriso “estranho” voltou a sua face.
–Você é um perigo em potencial, ou ao menos aparenta.
Ele ri
–É talvez eu seja mesmo... um pouquinho. Mas aí –Eu olho diretamente para ele –Mesmo assim, você se importaria de jogar videogame com um perigo em potencial Vi.c.tor? Prometo não fazer nada que você não queira.
“Ele está mentindo! ” Uma parte de mim gritou.
“Eu sei. ” Respondi mentalmente. “Eu sou um idiota. ”
–Eu vou te dar uma surra nele.
xXx
Jogar videogame com Vini é como uma experiência de quase morte. Pois, ele além de ser extremamente foda em tal ato, decidiu descarregar aparentemente toda raiva que eu vi hoje à tarde no jogo e no controle, que eu juro que se fizermos silêncio o suficiente poderemos ouvir seus gritos de dor e clemencia ao sentir os dedos finos e fortes de Vini pressionando os seus botões com uma força quase animal.
Devo ter perdido umas dez vezes para ele, e tipo, eu nunca perco de ninguém nesse jogo nem mesmo para a Juliana. Sinto que a cada fatality* que eu levo, uma parte do meu orgulho é massacrada com uma bola de chumbo.
É decima primeira partida, Vini joga calado e com tamanha violência que chega a ser assustador, até por que ele está sorrindo o que piora tudo. Eu tento de todas as maneiras me defender e impedir os ataques dele mas é quase impossível, seus combos são perfeitamente calculados e seus dedos praticamente “dançam” no controle, ele está quase matando o meu personagem, quando aperta o botão com tanta força que o mesmo cai no chão fazendo um estardalhaço.
Como se despertasse de um transe, Vini olha para o controle no chão com os olhos arregalados se ajoelha imediatamente procurando as pilhas que caíram em algum lugar abaixo do sofá.
–Foi mal Vick, foi mal mesmo –ele diz nervoso procurando as pilhas.
“Ele tá agindo muito estranho...” Penso.
Eu me ajoelho também e toco delicadamente seu braço, ele olha pra mim.
–Não tem problema. –Digo olhando em seus olhos tentando transmitir algum tipo de segurança ou qualquer outra coisa que faça ele parar de agir feito um maníaco. –Vini o que aconteceu?
–Do que você...
–Por que você veio aqui? –Pergunto firmemente apertando levemente seu braço. -Eu sei que não foi pra entregar uma simples caneta.
Ele me olha por um tempo e depois vira o rosto, os cabelos cobrem parcialmente seus olhos.
–Eu só queria... ficar longe daquela casa. –Diz ele entre os dentes.
Fico surpreso mais uma vez, o mesmo rosto nervoso e cansado que eu vi mais cedo invadiu a sua face, em algum lugar do meu peito o meu coração se apertou.
–Vinicius...
–E também... – Sua boca rapidamente forma um sorriso perigoso, suas mãos seguram os meus pulsos e antes que eu me dê conta ele me empurra para o chão e fica por cima de mim, me prendendo no mesmo. –Era uma ótima oportunidade de ficar sozinho com você.
–Ei! Que brincadeira é essa? Me solta agora mesmo porra! –Digo me debatendo nervoso, meu rosto se torna praticamente um tomate.
–Você realmente fica fofo vermelho, fica ainda mais se preocupando comigo. –Diz ele calmamente se aproximando de mim, eu viro o rosto vermelho instintivamente e ele desce o rosto passando o nariz em meu pescoço me fazendo arrepiar. –Tão fofo...
–Você prometeu que não ia tentar nada embaraçoso! –Digo entre os dentes tentando, sem sucesso, normalizar minha respiração.
–Eu prometi que não ia fazer nada que você não queira... –Ele murmura calmamente lambendo o meu pescoço e eu suspiro baixo em resposta. – Me diz que você não quer isso... hum... –mais uma lambida. – Me diz Vi.c.tor... –E outra. –Diz... –E mais outra.
Mordo meu lábio inferior abafando um gemido.
–Seu... filho... da puta... –Rosno.
Ele se afasta e sorri ainda mais, seus olhos brilham em provocação quando ele pressiona seu joelho em meu membro levemente excitado por cima da calça, me fazendo fechar os olhos com força e dar um gemido em alto e bom som.
–A-ah...
–Você dizia...?
Fuzilo ele com olhar, mas não consigo dar nenhuma resposta além de gemidos enquanto ele esfrega o joelho em meu pênis desse jeito.
–Foi o que eu pensei... –Ele sussurra baixinho aproximando sua boca da minha, eu viro o rosto a princípio, mas, ele solta uma das mãos do meu pulso e segura levemente meu queixo forçando-o delicadamente em sua direção. –Vamos Victor... eu sei que você quer, custa facilitar as coisas um pouco?
–E-eu... –Murmuro fechando os olhos e me dando por vencido.
Sua boca deveria estar no máximo alguns centímetros longe de minha quando a porta de entrada da minha casa foi arreganhada com um estrondo, me assuntando e fazendo Vini me soltar e olhar na direção do barulho com a expressão de um serial killer.
–VICTOR DA SILVA LIMA! –Esbravejou Juliana adentrando a minha casa pisando forte o suficiente para abrir crateras no chão, ela caminha até o sofá e imediatamente para quando vê a cena de Vini em cima de mim no chão. Toda a raiva dela aparenta ir embora, seu rosto fica vermelho como um tomate e um liquido vermelho escorre pelo seu nariz. –Ai... Meu... Yaoi-sama...
–Puta que pariu –digo baixinho tentando esconder o meu rosto nas mãos.
–Ah, não se preocupem comigo, podem continuar como se eu não estivesse aqui! Vamos, vamos –Incentivou ela balançando as mãos rapidamente.
–Acho que o Vick irá ficar incomodado, não?
Espera...
–Ah, que isso! Ele não liga realmente?
Que porra é essa? Eles tão decidindo se ela vai assistir eu ser abusado ou não?
Ah, isso é demais até pra mim.
–Já chega... –Sussurro assustadoramente.
–Oh-oh... –Sussurra Juliana. –Fodeu...
–Quê foi? –Diz Vini sem entender
–Já... CHEGA DESSA PORRA! –Grito empurrando o Vini de cima de mim fazendo ele cair de bunda no chã com uma expressão nada mais nada menos que surpresa. –Eu já suportei muita coisa agora...CHEGA! –Pego uma almofada do sofá e jogo com toda a força na Juliana a fazendo cair no chão. –EU NÃO SOU UM PERSONAGEM DE UM YAOI PRA VOCÊ FICAR AGINDO ASSIM SUA TARADA. –Jogo mais uma almofada nela enquanto ela sai correndo pra porta. –FORA DA MINHA CASA!
–SEU ASSASSINO EU VOU TE DENUNCIAR NA DELEGACIA DA MULHER! –Gritou ela do lado de fora, jogo mais uma almofada, mas ela desvia.
–Tarada... –Resmungo e então olho pro Vini que está mais surpreso que nunca. Bom, ninguém mandou cutucar a onça né? –E quanto a você... –Falo baixinho enquanto seguro ele pela barra da camiseta o olhando bem nos olhos. –Eu não sou uma das suas putas pra você me tratar daquele jeito, ouviu? Você me pegou despreparado daquela vez, mas da próxima... Eu corto o seu pau fora.
Puxo a barra com força o fazendo se levantar, e o arrasto para fora da minha casa.
–Obrigado por ter trago a minha caneta. –Digo antes de bater a porta na sua cara. –Filho da puta.
Me viro para subir para o meu quarto quando ouço uma voz atrás da porta.
–Você fica fofo bravo também! Assustador, mais fofo.
Mesmo não vendo, consigo imaginar aquele sorriso odioso em seu rosto.
Esse moleque definitivamente é um perigo em potencial.
Fale com o autor