My dear new neighbor...
7 Matando aula com dois idiotas. Parte III
Notas iniciais
“Ainda aborrecendo garotinhos? Você realmente não mudou nada, não é Vinicius?”
A voz era grossa e profunda meio arrastada, mas ainda assim firme, era de um cara mais velho com TODA a certeza, me lembrava um vocalista de uma banda japonesa que a Juliana escuta... Como era o nome mesmo? ... The cassette? ..The Gazeta?
Isso não importa agora Victor, FOCO.
Direciono meus olhos castanhos ao suposto dono da voz, de pé se segurando em um dos suportes do ônibus acompanhado de mais três amigos.
Ele é alto, BEM alto –Quase um puta de um cabideiro gigante- tem longos cabelos ruivos e lisos presos em um rabo-de-cavalo caído em seu ombro, usa uma camiseta regata (NESSE FRIO!) bem cavada preta dando pra ver praticamente todo o seu peito definido e músculos. –E que músculos porr... FOCO VICTOR. – além da regata, ele está vestindo uma calça jeans apertada cinza com uma blusa de frio amarrada preta na cintura (Sério, ele como ele não congela?!) e um coturno preto com a ponta metálica. Olho-o no geral de cima a baixo então encaro seu rosto, tem uma pequena tatuagem tribal no canto dos olhos azuis acinzentado, e ele está sorrindo sarcástico.
“Eu já vi esse sorriso em algum lugar...” Penso.
Imediatamente sinto os músculos de Vini ao meu redor ficarem tensos. Ele me aperta com mais força quase possessivamente, toda a sua postura demonstra raiva, mas, seu rosto exibe um sorriso cheio de odiosos dentes brancos, igualmente sarcástico e até um tanto perigoso.
“Ah então é aí...”
—E você? Ainda se metendo nos meus assuntos, “irmãozão”? -A palavra “irmãozão” saiu da boca do Vini estalada, quase como uma ofensa. –O que há com você? Está me seguindo? Já não basta o pai ter te expulsado de casa, huh?
“Eles são... irmãos?!”
Imediatamente troco olhares apreensivos com a Juliana, o clima realmente estava começando a ficar pesado.
—Uaau “maninho” isso é jeito de tratar o seu Irmão mais velho, heh? Não se iluda tanto caçula, eu peguei este ônibus por que era o meu caminho, entenda Vinicius você NÃO* é o centro do universo.
Vini me solta sem jeito, desviando o olhar, seu sorriso vacila por um instante.
Os amigos dele riem e por algum motivo isso me irrita profundamente.
Abri a boca para falar um baita desaforo pra o cara metido e o por no lugar dele, mas um grito me impediu me assustando de verdade.
—Escuta aqui seu--
—UOOOOOOOOOU –Gritou Juliana com sua boca formando um “O” completo desviando a atenção de nós e de mais alguns passageiros. –Vocês são IRMÃOS?!
Essa retardada... Só percebeu isso agora...?
—Heh, o que denunciou “gracinha”? –Disse o ruivo com deboche se inclinando à altura do rosto da Juliana... Estou gostando cada vez menos desse cara. –O fato de eu o chamar de maninho, ou os olhos iguais?
—Não. – Disse Ju com um sorriso sapeca. –A arrogância de vocês é i-dê-n-ti-ca.
Os amigos do ruivo se seguram para não rir.
Alô? É da radio? Então, eu preciso requisitar um “Turn down for watch” urgente por que acho que a minha amiga acaba de dar uma patada legal na cara de alguém, Ah não tem? Certeza?
Ok, eu me encarrego disso.
—Ai. –Digo para os dois ouvirem.
Ambos olham para mim meio incrédulos e então para a Juliana e arqueiam a sobrancelhas simultaneamente.
—O que disse? –Disseram em uníssono.
—Que ambos são farinha do mesmo saco, ué? Estão com problemas no ouvido? –Minha vez de alfinetar. –Uma baita idiotice ficarem discutindo se vocês são iguais, não? Sempre daria empate.
O ruivo me olha com uma pitada de indignação ainda, porém Vini apenas suspira com um sorriso já acostumado com nossas patadas diárias.
—Ouçam o Vick ele tem cara de idiota, mas sabe das coisas!
—Eh? Como assim cara de idiota?! –Me aborreço.
—Eu só disse a verdade!
—Ah é quero ver dizer a verdade quando eu arrancar a SUA LINGUA! –Digo tentando passar por cima de Vini para alcançar a Juliana.
—NÃO, VINI ME PROTEJA! –Ela se esconde atrás dele.
—Se acalmem vocês dois!
Ficamos nessa ceninha ridícula e o ruivo nos encara surpreso junto com seus amigos.
Quando finalmente estou quase alcançando o cabelo longo de Juliana para puxa-lo –E quase subindo no colo de Vini – Uma risada grossa e divertida preenche o ambiente.
Nós três nos direcionamos a risada e lá está o Ruivo sentado no banco da frente de um jeito que nos observava entretido, um dos amigos, uma mulher peituda alta e de cabelos coloridos está ao seu lado sentado e os outros dois de pé.
Coro um pouco ao perceber o jeito estranho que os quatro me olham.
—Hehehe... Vocês são engraçados e malucos... Gostei de vocês! –Diz ele divertido, em seguida diz olhando diretamente para mim com desejo sem disfarce algum. –Arranjou uma boa companhia, heh maninho?
Vini passa o braço ao redor do meu ombro de maneira despreocupada, mas ainda cola bem nossos corpos me fazendo corar.
Esse merda está demarcando território?!
—Sempre fui bom em escolher amizades, né? –Diz ele casualmente sorrindo.
Ué eles não se odiavam?
Família doida.
—Enfim, o que te trás aqui com os seus mascotes particulares? –Pergunta Vini visivelmente irritando os amigos, que, porém não movem um musculo. –Hein Lucas?
xXx
Durante a viagem, descobri que o nome do ruivo é Lucas e o dos seus amigos é Leonardo, Daniel e Mia e eles basicamente formam uma banda cover e como a banda que ia se apresentar pegou uma epidemia de gripe eles iam tocar no lugar deles.
E imediatamente todo receio e aversão que eu tinha a eles sumiu feito pó, graças a minha fucking paixão por música e ficamos conversando sobre como é difícil compor uma musica, qual marca de guitarra era a melhor, qual microfone e onde vendia tais coisas, deixando uma Juliana e um Vini boiando legal nos assuntos. Saímos do ônibus praticamente melhores amigos, só faltava darmos as mãos e sairmos saltitando por aí.
Juliana ficou com ciúmes, já Vini achou engraçado.
Descemos do ônibus conversando sobre qual banda desconhecida era melhor (algo que pelo menos Vini e Juliana dominavam) quando eu olho ao redor e percebi algo.
Eu sinceramente não faço ideia de que porra de lugar eu estou e olha que eu moro nessa cidade desde que me saí do útero da minha mãe e é bem difícil de achar um lugar que eu não tenha visto
Paro de andar encarando o conjunto de prédios comerciais juntos, todos aparentemente vazios e sem vida, como os de uma cidade fantasma sendo “literalmente” apagados pelo prédio cercado por uma fila de pessoas querendo entrar. Ele é totalmente preto, só que com a frente grafitada o rosto super detalhado de uma mulher que parecia me encarar incessantemente, ela tinha um sorriso gentil, seu cabelo era preto e escorrido e seus olhos...
Seus olhos eram pintados com o azul mais frio que já vi na minha vida.
Isso me trouxe uma dor no peito
“Lembranças ruins, hein?” Penso dando um sorriso amargurado e levando a mão ao meu local onde fica meu coração e apertando com força fechando os olhos.
Quando uma mão pousa em meu ombro, levanto o rosto assustado e vejo os olhos azuis de Vini me encarando.
—Tá tudo bem? –Ele pergunta, parece mais sério do que nunca eu vi.
—Hãn eu...
—Hey, pombinhos!! –Grita uma voz mais a frente, olho para lá e vejo Lucas e sua banda junto de Ju nos chamando para a entrada enquanto cortam a fila. –Venham logo!!
—Vick? –Pergunta Vini novamente
—Eu... Estou bem foi só uma tontura passageira... –Minto forçando um sorriso, Vini não me parece convencido então eu agarro a mão dele e o puxo para a entrada correndo. –Vamos logo entrar garoto-Indie quero saber se você dança tão bem quanto falar merda!
xXx
Estamos dançando praticamente colados no meio da multidão, as nossas respirações quase unidas e nossos movimentos sincronizados. A música animada que o irmão de Vini está tocando no palco me hipnotiza controlando meu corpo o fazendo dançar de um jeito animado e louco como eu nunca dancei na vida, minha mente está nublada e eu quase não sinto meus pés tocarem o chão.
Eu devo ter bebido de mais.
Vini enlaça as mãos na minha cintura e eu literalmente não dou a mínima, ponho minhas mãos em seu pescoço e sorrio de um jeito safado o qual ele retribui encarando meus olhos com desejos.
Eu realmente devo ter bebido de mais.
Não faço a menor ideia de onde está a Juliana, não faço a menor ideia de que música é essa que eles estão tocando, não faço a menor ideia do que porra tinha na bebida com nome estranho que eu pedi no bar e nem quantas delas eu tomei pra estar agindo tão estranho.
Eu não consigo pensar ou saber de mais nada lógico.
Eu não consigo mais nem pensar em ter vergonha por estar agindo feito uma puta.
Eu só consigo sentir agora.
Eu só sinto que meu interior está quente, sinto que meu corpo queima ao toque de Vini, pedindo implorando por mais contato, mais proximidade, mais toques, mais de seus olhares, mais dele.
Eu preciso dele.
Inconscientemente danço de maneira mais sensual de acordo com a música animada, movo mais meus quadris me impulsionando pra frente roçando nossos peitos e Vini sorri.
Eu preciso dele.
Ele aperta minha cintura com força e ao mesmo tempo aproximando o rosto do meu rosto, nossas respirações se misturam e eu fecho os olhos imediatamente ficando na ponta dos pés.
Oh, deus eu realmente preciso dele.
Vini ri baixo de minha reação e para, abro os olhos manhoso por não ter o beijado e ele ri mais ainda, então de surpresa ataca o meu pescoço o lambendo e me fazendo arfar, me agarro ao pescoço dele então ele vai fazendo uma trilha de beijos e lambidas do meu pescoço a minha bochecha.
—Viniciiuus... –Imploro.
E então ele finalmente me beija com vontade, colando os nossos lábios. Não me dá tempo nem de eu me acostumar com o novo contato e simplesmente invade minha boca com sua língua acariciando a minha, enquanto tira uma mão de minha cintura e puxa firmemente o meu cabelo, gemo durante o beijo e reparo que sua boca tem um gosto de chatilly mesmo ele tendo bebido tanto quanto eu.
No meio do beijo me movimento um pouco e sinto seu membro duro por cima das calças roçar no meu, gemo abafado novamente.
“Então ele estava se segurando tanto, assim?” penso.
Vini continua me beijando ainda com mais vontade estimulado tanto pelo toque quanto pelo meu gemido, mas eu não aguento tanto tempo assim sem ar e me separo sem folego. Tento recuperar a respiração com pouco sucesso, então olho para Vini, por um momento sinto um tanto de medo. Ele está arfando como eu, mas ao invés de estar surpreso, ou sorrindo convencido como sempre ele fica normalmente em momentos assim, ele está me encarando como um predador olha para a presa, no escuro do local onde nos encontramos seus olhos azuis parecem reluzirem encarando os meus.
Pela a primeira vez me sinto constrangido, tendo um lampejo de lucidez.
“Que porra eu tô fazendo?!” penso pondo as mãos na boca.
Me afasto de Vini sem jeito desviando o olhar, o deixando surpreso.
—Desculpa... –Digo o encarando. –Eu estou um pouco bêbado e me excedi... Eu não devia... Eu... Não vai acontecer novamente.
Vini me encara de volta por um segundo completamente sério, e então agarra o meu pulso me puxando perigosamente pra perto dele, nossos lábios a centímetros de distância.
—E se eu quiser que aconteça? –Diz ele com a voz rouca.
Coro feito um pimentão, minha mente dá voltas, eu o quero e ao mesmo tempo não quero, o que eu deveria fazer? Ele nem se importa comigo não é? Ele só quer me comer, não é? Tem algum problema nisso? Eu deveria deixar? Eu deveria o bater?
O que eu devo fazer?!
—Por que você foge tanto de mim?
“Homens só se importam com você enquanto você ainda consegue satisfazer os seus desejosos pessoais, é assim que as pessoas são então aprenda logo e aceite Victor.”
Ressoa na minha cabeça...
“Seres humanos usam e são usados é assim que funciona o mundo, apenas escolhemos qual lado devemos ser, e você escolheu o lado errado ué...Sinto muito”.
Essas palavras...
“Você sabe que é a verdade.”
Não.
“Aceite Victor.”
NÃO.
—Não... Não... –Murmuro tapando os ouvidos.
—Hey, você está chorando...? –Diz Vini assustado. -Victor?! Você tá chorando? Meu Deus VICTOR! –Ele me sacode me trazendo a realidade.
Abro os olhos assustado, sinto que meu rosto está molhado, lagrimas escorrem por ele. Tapo a boca assustado tentando conter os soluços que estou soltando, minha vista está quase embaçando. Não consigo respirar direito, me sinto sufocando em meio aquela gente, a musica alta antes agradável agora zuni irritantemente em meu ouvido.
—Victo, tá tudo bem?! –Pergunta Vinicius preocupado. –Meu Deus o que eu fiz... Vick?!
Me agarro a ele feito uma criança assustada ainda chorando.
—Não você não fez nada... Só... Só me tira daqui... Me tira daqui por favor... –Sussurro desesperado em seu ouvido.
Vini assente com a cabeça e me abraça com força, escondendo a minha cabeça em seu corpo de forma protetora enquanto abria espaço em meio às pessoas para a saída.
Meu coração está doendo tanto...
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