My dear angel
10 Capítulo 10
Notas iniciais

POV DAWN
Ao chegar em casa, vi minha mãe correr em minha direção e me abraçar. Ela aparentava estar desesperada, não sei ao certo o motivo. Abracei-a, fazendo uma careta, afinal, queria entender o que se passava com ela. Após o abraço, mamãe enxugou algumas lágrimas e sorriu de leve.
– Ainda bem que voltou minha filha… Estava desesperada…
– O que houve? — Perguntei.
– Tirando o fato de que já são 23:30 e você saiu lá pelas 20:00… — Disse meu irmão, descendo as escadas de casa.
Baixei minha cabeça, andei em direção ao meu quarto, mas antes, minha mãe me parou, andando até mim com um rosto estranho, como se eu tivesse algo de diferente. Logo percebi, era o cheiro do perfume de Ash, que agora estava em mim.
– Dawn, saiu com algum menino?
– Não senhora. — Respondi rápido e voei para meu quarto.
Tranquei a porta e fiquei lembrando de meu primeiro beijo. Ah, aquilo havia sido maravilhoso, sim senhor! Olhei para fora, a galáxia parecia muito interessante pela primeira vez. Conseguia ver a constelação de Andrômeda de minha casa, o que me deixava contente.
Senti algo me cutucando, era Piplup, que sorria alegremente para mim. Retribui o sorriso, peguei-o no colo e o abracei fortemente, quase o sufocando. Ri baixinho, peguei um CD e coloquei baixinho no rádio, onde tocava Anna Julia.
– Ah Piplup… Foi tão mágico…
– Pip-pip-piplup! (Eu imagino, meu primeiro beijo também foi!)
– Peraí, VOCÊ já beijou?
E foi aí que descobri que meu pinguinzinho havia beijado há alguns anos atrás. Dizia ele que era uma belíssima Piplup, ambos namoraram por um tempo, mas agora ele nem sabia onde ela estava. Fiz uma expressão triste, mas depois coloquei um sorriso na cara e o animei.
Alguns minutos mais tarde resolvi que era melhor ir dormir, assim fiz. Acordei lá pelas 08:30 com o despertador tocando, espreguicei-me e fui me vestir, coloquei uma camiseta com listras azuis e brancas, uma saia azul escura e um All Star vermelho.
– Bom dia. — Disse ao descer.
– Bom dia Dawn! — Mamãe exclamou, sorrindo falsamente.
Fingi não estar alegre, senão iriam estranhar. Olhei em volta e não vi Paul, acho que porque ele deveria de estar com Úrsula. Encarei dona Johanna com uma expressão de estranheza, que logo foi retribuído com uma cara de interrogação dela.
– Cadê o Paul?
– Acho que ainda não acordou…
Estranhei, geralmente meu irmão roncava alto e isso não estava acontecendo no momento. Subi diretamente para o quarto dele, bati na porta e não obtive resposta. Não me importei, abri a mesma e não o vi lá. Arregalei meus olhos, fui direto para baixo contar à minha mãe que ele não estava lá.
– O-o que?
– VEM VER A SENHORA COM OS PRÓPRIOS OLHOS!
Subimos de volta para o quarto, mamãe olhava em volta atrás de alguma pista sobre o paradeiro de Paul, o que não resultava em nada. Encarei a escrivaninha do de cabelos roxos e notei uma carta lá. Fui ler, porém, não havia nada de demais, apenas alguns desenhos que meu irmão fizera.
Ouvimos a campainha tocar, descemos rapidamente e vimos Úrsula lá, chorando. Ela entrou, desta vez não a julgaria, já que seu choro aparentava ser mais do que real.
– Úrsula, o-o que ouve? — Perguntava minha mãe com os olhos cheios d’água.
– O protegido do Paul… Mo-morreu… Ou seja…
Arregalei meus olhos e comecei a tremer, senti as lágrimas descerem de meus olhos e de minhas bochechas, eu não conseguia acreditar que meu irmão estava morto. Mas a culpa também era dele, mal e mal ele dava bola para seu protegido. Corri para meu quarto, chorando, decidi que iria visitar Ash, para eu ver se eu me acalmava.
– A-Ash? — Questionei ao me sentar no parapeito da janela.
Olhei para dentro e o vi saindo do banheiro. Ele andou até mim, me abraçou ao ver que eu chorava. Contei o ocorrido e o moreno disse que conhecia Pearl, já que o mesmo estudava em sua escola. Ele havia falecido de câncer.
– A culpa é do meu irmão… Mil perdões pelo seu amigo Ash…
– Calma, a culpa não é sua Dawn… Entra…
Me sentei na cama dele e o abracei fortemente, comecei a chorar freneticamente e como eu estava encostada em seu peitoral acabei o molhando. Tentava enxugar minhas lágrimas, mas as mesmas não paravam de descer pelas minhas bochechas.
– A-acho que vou voltar… Mamãe precisa de companhia agora… Ele era o filho favorito dela…
– Não diga isso, a sua mãe também te ama…
– Sei… Vou indo, obrigada por ficar comigo.
Ele me deu um rápido selinho e logo me despedi, voltando para minha casa e abraçando minha mãe. Ela chorava descontroladamente e eu tentava acalmá-la, porém isso não seria fácil, já que dona Johanna era difícil de se lidar nessas situações.
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