My complicated love

3 capítulo 2 - Apenas um "Até logo"


Notas iniciais
E aí pessoal? como vão? Aqu venho eu com o segundo capítulo de MCL!! Espero que gostem!! Lucy: 24 anos Natsu: 25 anos Levy: 24 anos Erza: 25 anos Gerard: 26 anos Gageel: 26 anos. Boa leitura!

Meu coração bateu forte no peito quando nossos olhares se encontraram. Pude ver seus olhos se arregalarem e sua face se contorcer numa expressão de surpresa. Toda a sala ficou em silêncio, apenas observando o clima pesado que se instalara. Natsu me encarava estupefato e eu não estava diferente.

A nostalgia me atingiu como um soco certeiro em minha face e eu senti uma enorme vontade de desabar aos prantos na frente de todos. Mas, segurei o choro, não era mais uma criança e não iria agir como tal. Respirei fundo, me recompondo rapidamente, desviando o olhar daqueles orbes escuros, que me chamavam para si a todo momento. Apertei mais o minhas mãos na cadeira, olhando de relance para Levy, constatando que ela estava no mesmo estado que eu.

Makarov pigarreou, chamando a atenção de todos para si.

– Sente-se Natsu. — Natsu engoliu em seco e sentou na cadeira ao lado da de Mystogan, que era bem a minha frente. Estava ficando tonta e sabia que minha pressão estava baixando.

– Conte-nos sobre você, Natsu. — A voz de Gildarts soou como um trovão, de tão grossa que era.

– Eu...eu morei sete anos fora, mas nasci e passei toda minha infância e adolescência aqui. — Ele falava com o olhar fixo em mim, deixando-me desconcertada. — Fiz faculdade de história e tenho especialização na área. — Seus cabelos ruivo salmão estavam mais claros e um pouco mais espetado que da última vez que o vira. A face possuía feições mais maduras e a voz havia engrossado. Estava bem mais alto e mais bonito. Demasiado diferente, mas reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar.

– Está nervoso? — Perguntou Makarov, com divertimento. — Não fique. Pelo o que o Mystogan disse, você já lecionou antes, não é mesmo? — Ele assentiu positivamente e voltou seu olhar para cada professor, provavelmente tentando decorar os rostos.

– Você é bem jovem. — Comentou Macao. — Vejo que estudou muito. Quantos anos você tem, Dragneel? — Um arrepio se apossou de todo o meu corpo ao escutar seu sobrenome. Encolhi-me na cadeira, pedindo para os céus para sumir.

–tenho vinte e cinco anos, senhor. — Macao riu com o pronome de tratamento. — Me chame de Macao. — Ele assentiu, sorrindo de lado.

– Por favor, vamos todos nos apresentar. — Makarov colocou um sorriso no rosto, deixando aparente suas marcas de idade. — Sou Makarov, o diretor da Fairy Tail. – Antes de algum outro educador se dar ao trabalho de se apresentar, eu chamei a atenção de todos com um pequeno aceno de mão.

– Desculpem, mas, não estou me sentindo bem. Será que poderia sair para respirar um pouco? — Minha voz saíra tremida e baixa, como um murmúrio.

– O que está sentindo, Lucy? – Perguntou-me Mirajane, com seu sorriso delicado.

– Só estou um pouco tonta... – Natsu tinha um olhar preocupado. Suas orbes cor de ônix me observavam com atenção, captando todos os detalhes que lhe passaram despercebidos quando chegara.

– Oh! Desculpe Lucy! – Disse Levy, encenando. – Acabamos não comendo quando estávamos vindo para cá, sua hipoglicemia deve estar atacando! – Todos os olhares da mesa se voltaram para mim.

– Tudo bem, só preciso comer alguma coisa. – Estava tão nervosa que poderia desmaiar ali mesmo.

– Eu lhe acompanho. – Arrepiei-me com sua voz rouca.

– Não precisa, continuem a reunião, não quero atrapalhar. – Sorri amarelo e levantei-me rápido demais, aumentando a tontura que sentia, cambaleando de leve para o lado.

– Acompanhe-a Natsu, não posso deixá-la nesse estado sozinha. – Makarov falou e olhou atentamente para Natsu, quando este se levantou e segurou delicadamente em minha mão, guiando-me para fora da sala.

Sentir seus braços rodeando-me depois de tantos anos me passou certo conforto. Ele estava ali e tê-lo tão perto acordou um sentimento que estava adormecido desde que ele não dera mais notícias.

Quando saímos da sala, eu me soltei de seus braços, sentando no banco que estava a nossa frente. Mergulhei minha cabeça no meio de minhas mãos trêmulas e chorei baixinho, sentindo o peso de seu olhar sobre mim. Natsu tocou de leve meus fios loiros, que estavam soltos e sentou-se ao meu lado.

– Você... – Tocou de leve em minhas mãos, tirando-as do meu rosto, observando a face levemente avermelhada pelo recente choro. – Você mudou. – Não conseguia responde-lo. Minha garganta parecia que havia se fechado por inteiro, impedindo a passagem das palavras.

Ele não disse mais nada. Enxuguei o rastro úmido das lágrimas e respirei fundo, ainda com seus olhos profundos observando-me cautelosamente.

– Vamos voltar. – Seu rosto foi uma mistura de confusão e irritação. –

– Precisamos conversar. – Disse puxando de leve a minha mão.

– Precisamos voltar. Depois conversamos, Natsu. – Minha voz saíra apática. Não queria que soasse como se eu não ligasse, mas minha irritação e meu desconforto com toda aquela situação me fizeram proferi-las de imediato, sem ao menos pensar duas vezes.

– Certo. – Respondeu ríspido, com certa irritação. Ele abriu a porta e apontou para dentro, incentivando-me a entrar.

Adentrei a sala vagarosamente, sentindo o olhar de todos os outros lecionadores sobre mim, novamente. Natsu entrou logo em seguida, sentando-se desajeitadamente em sua cadeira.

Levy olhava-me com expectativa, esperando receber alguma resposta, mas não me dei ao trabalho de dar-lhe atenção. Sim, estava sendo egoísta, mas precisava ser racional. Não estava em condições psicológicas para acompanhar a reunião e muito menos compartilhar o fiasco de conversa que tive com Natsu.

As lembranças e emoções atacavam-me a mente todo o tempo, impedindo-me de prestar atenção na reunião, que se seguia repleta de indagações dirigidas a Natsu. Afinal, estávamos aqui para conhecer o professor novo.

Meus olhos mudavam de foco a todo o tempo, tentava não olhá-lo, mas esta tarefa estava sendo quase impossível. Éramos como ímãs, querendo ou não, nossos olhares sempre se encontravam.

Depois de duas horas de indagações e apresentações de todos, a reunião teve seu fim. Os professores se despediram entre si, perguntando se eu estava bem mesmo e depois indo embora.

Saí da sala com Levy e Natsu logo atrás de mim. Estava confusa e não conseguia raciocinar direito. Sentei no mesmo banco de antes, vendo-os se aproximar tendo uma curta conversação entre si.

– Lucy, precisamos conversar. – Natsu tinha um olhar desesperado, ele parecia ansioso.

– Ela não vai conversar coisa nenhuma! – Intrometeu-se Levy.

– Não se meta Levy. – O ruivo trincou os dentes irritadiço.

– Eu... – Levy me interrompeu novamente, olhando-o com as sobrancelhas unidas e a mão posta na cintura. Aquilo não iria acabar bem.

– Você sumiu por sete anos, Natsu! Não deu nem ao menos uma notícia nesse meio tempo! Não me venha com “não se meta”, pois o único intrometido aqui é você! – Levy terminou seu discurso apontando o dedo indicador para o rosto de Natsu, fazendo-o bufar irritado.

– Você não sabe as minhas razões! Eu só quero conversar com a Lucy, esclarecer as coisas! – A baixinha revirou os olhos e apontou para mim.

– Isso fica por conta dela. – Olhei-o com o coração palpitando fortemente no peito. As palavras ditas por Levy anteriormente haviam me doído muito. Não só pela agressividade com que foram ditas, mas pela veracidade dos fatos.

– Eu... – A voz novamente se fez ausente e eu não sabia mais o que dizer ou fazer. Parecia que havia bebido a ponto de esquecer meu nome.

– Vamos conversar, por favor. – Desta vez sua voz saíra calma, serena como se nunca tivesse se irritado.

– Levy, eu te encontro no apartamento, okay? – Minha voz continuava baixa e falha. A azulada olhou-me com resistência. Sabia que ela estava demasiado chateada com Natsu, e eu também estava, mas precisava ouvir o que ele tem a me dizer.

– Te espero para o jantar? – Neguei com a cabeça e ela saiu, fuzilando o ruivo com os olhos.

Encarei o homem a minha frente com certo rubor na face, não estava preparada para vê-lo e nem para conversar com ele, precisava organizar meus pensamentos e meus sentimentos, mas o conhecia como ninguém e sabia que ele iria insistir até eu ceder. No final, estava apenas poupando saliva.

– Quer conversar no meu apartamento? – Anui positivamente com a cabeça e ele encaixou suas mãos nas minhas, entrelaçando-as.

Não fugi do toque, nem expressei qualquer reação, a apatia havia me abraçado nesses sete anos e se tornado minha armadura para qualquer tipo de situação. Natsu me guiou até um carro cor de ébano. O modelo era recente, mas ainda assim simples. Ele abriu a porta e eu adentrei o veículo, me aconchegando no confortável bando de couro. Natsu logo sentou-se no banco do motorista e ligou o motor, dando a partida no automóvel que começava a se locomover.

O caminho fora rápido, devido aos atalhos que o ruivo tomava, mas mesmo sem me localizar, pude ver o quão perto ele morava de meu apartamento assim que passamos por sua fachada. Durante todo o percurso, Natsu me observou de soslaio e só desviava o olhar quando via que o semáforo ia abrir. Estava me incomodando com seu olhar sobre mim, mesmo que não nos víssemos a anos, eu lembrava exatamente de todos os seus trejeitos, manias e humores. E ele estava nervoso com algo.

– Chegamos. – Observei o lugar que ele havia estacionado e me vi num estacionamento grande, sem muitas vagas vazias. Natsu pegou em minha mão de leve, numa carícia hesitante e apertou de leve. – Eu não sei por onde começar. – Olhei-o desafiadora. A raiva começava a voltar e em pouco tempo a apatia iria embora e iria dar lugar a mágoa.

– Talvez devesse começar do começo. Explicando-me o motivo da viagem ás pressas, ou o motivo de não ter ligado, telefonado ou mandado uma mensagem sequer. Ou o motivo por não ter nem a educação de terminar comigo! – Ele me mandou um olhar pesaroso. As lágrimas saíram sem minha permissão, mas teriam de sair uma hora e escolheram agora, na sua frente, enquanto eu lhe dizia tudo que senti todos esses anos. – Eu te esperei por sete anos, Natsu. Sete anos amando cegamente um homem que nem sequer mandava notícias! Você- fui interrompida pelo toque de seus lábios nos meus. E pela primeira vez, a apatia me deixou na mão.

O beijo saíra molhado, por conta das lágrimas que ainda insistiam em cair, mas fora tão carregado de tanto variados sentimentos, que quando se finalizou eu me senti embriagada. Os lábios dele nunca me pareceram tão doces, tão desejosos.

As palavras cessaram. Aquele beijo havia me calado de um jeito que me deixava entregue a todos os seus atos depois desse último. E ele sabia disso. Sabia que eu não ia resistir mais, eu estava entregue a ele. Sempre estive.

– Natsu... – Tentei ao máximo formular uma frase lógica, mas tudo o que queria dizer havia me fugido a mente depois daquele toque tão simples, mas tão íntimo. E sem nem ao menos deixá-lo responder a meu chamado, o abracei, segurando forte em sua camisa social e deixei mais lágrimas caírem, sentindo seus braços me apertarem num abraço caloroso. Passamos um bom tempo assim, grudados um ao outro num silêncio reconfortante.

– Precisamos mesmo ter essa conversa hoje? – Sussurrei perto de seu ouvido, vendo todos os seus pelos se arrepiarem com meu hálito em seu pescoço.

– Você não quer? – Não o olhava nos olhos, mas tinha a certeza de que ele estava olhando diretamente para mim, como um predador olha para a presa.

– Não. – Abracei-o mais forte. – Estou confusa. – Ele passou suas mãos por toda a extensão de minhas costas, fazendo com que um arrepio passasse por todo o meu corpo.

– Tudo bem. – Deslizou as mãos por meus cabelos e ali ficou, acariciando minhas madeixas loiras.

Não sabia ao certo quanto tempo se passara, mas já estava ficando com fome e apostava que Natsu também. Ele sempre fora esfomeado.

– Quer almoçar comigo? – Pronunciou-se, antes mesmo que eu dissesse que estava cansada e iria para casa.

– Não sei se é uma boa ideia... – Ele puxou-me pelo queixo, inclinando-o para cima, fazendo-me olhá-lo nos olhos.

– Iremos apenas almoçar. – Assenti desconcertada. Aqueles olhos me envergonhavam pelo simples motivo de me hipnotizarem.

Saímos do carro e rumamos para o elevador, Natsu ainda estava com suas mãos entrelaçadas as minhas e tinha um sorriso quase imperceptível no rosto másculo.

Ao adentrarmos o elevador ele apertou o botão do sétimo andar e voltou a olhar para mim, mas desta vez não desviei o olhar.

– Desculpe-me por não dar notícias. – Meu âmago voltou a doer, não queria tocar nesse assunto tão cedo e tudo estava acontecendo rápido demais. Num impulso, larguei sua mão e me encolhi no lado oposto ao seu.

– Não quero tocar nesse assunto... – Natsu tinha uma dor indecifrável no olhar. Não parecia que estava chateado comigo, mas mesmo assim, me sentia culpada por cobrá-lo tanto um coisa que aconteceu a tanto tempo.

– Eu sei. Eu só queria... Me desculpar. – Olhei-o novamente e uma vontade imensa de beijá-lo me ocorreu. Não podia. Não devia nem ter aceitado seu convite.

– Natsu... Eu tenho de ir. – Antes mesmo de chegar no seu andar, eu apertei o botão da portaria duas vezes.

– Mas, não íamos almoçar? – Sua voz era doce e parecia implorar para que eu ficasse, com aquele timbre rouco que fazia-me arrepiar dos pés à cabeça.

– Acho melhor não. Não precisa se preocupar, eu moro aqui perto. – Ele olhou-me com tanta súplica, que tive que fechar os olhos para não ceder.

– Deixe-me ao menos te levar em casa. – Apertou o botão do estacionamento antes mesmo de eu responde-lo.

Os minutos dentro do elevados se passaram num silêncio incômodo, ambos evitando o contato visual. Quando a porta se abriu, saímos vagarosamente, ele na frente e eu em seu encalço. Adentramos o carro e eu suspirei, pensando em como foi doloroso o nosso reencontro.

– Endereço? – Olhei-o e suspirei pesadamente, vendo como sua irritação era palpável.

– Rua magnólia, prédio Hargeon, número 777. – Ele nada disse. Apenas seguiu com o carro pelas coordenadas dadas e parou ao encarar o prédio branco, que não passava de seus nove andares.

– Está entregue. – Sorriu forçado, me fazendo sentir ainda pior que antes.

– Adeus, Natsu. – Ia abrindo a porta quando fui puxada de encontro a ele, que me beijou sem pudor. Expressando todo o seu desejo, num beijo selvagem. Sorriu ao final, olhando minha face ruborizada.

– Isso é apenas um “até logo”, Lucy. -

Notas finais
hipoglicemia - Hipoglicemia significa baixo nível de glicose no sangue. Quando a glicemia está abaixo de 60 mg%, com grandes variações de pessoa a pessoa, podem ocorrer sintomas de uma reação hipoglicêmica: sensação de fome aguda, dificuldade para raciocinar, sensação de fraqueza com um cansaço muito grande, sudorese exagerada, tremores finos ou grosseiros de extremidades, bocejamento, sonolência, visão dupla, confusão que pode caminhar para a perda total da consciência, ou seja, coma.