My complicated love
10 Capítulo 9 - Descoberta
Notas iniciais
Natsu
A água morna caía como uma cascata por minhas costas, enquanto eu refletia sobre meu longo dia. A conversa com Lucy não fora nada agradável, ao menos a meu ver. Decerto que falamos sobre tudo, mesmo que superficialmente, mas não me senti totalmente confortável em contar de Lisanna.
Desliguei a ducha e me enxuguei rapidamente, colocando uma calça folgada. Pus-me em frente ao espelho, observando os cabelos ruivos mais bagunçados que o normal. Passei o desodorante e o perfume amadeirado, para logo depois pegar a escova de dente.
Enquanto fazia minha higiene bucal pensava sobre o que Lucy estaria pensando agora. Talvez em mim, talvez em nosso relacionamento complicado ou no que ela comeu hoje de tarde. Ri internamente. Do jeito que é gorda, o mais provável é a última opção.
Saí do banheiro, encontrando o quarto vazio.
– Lucy? – Chamei-a, sem resposta. Ela deve estar na cozinha. – Lucy? – Chamei novamente, andando pelo quarto, procurando-a.
Observei melhor o local onde ela estava e vi meu celular aberto numa mensagem de texto. Estranhei. Quase ninguém me mandava mensagens, e quando mandavam era algo do trabalho, ou coisas relacionadas a isso.
Aproximei-me do celular, desbloqueando-o. Paralisei assim que li toda a mensagem. Lisanna me encontrou, e nada a impediria de vir me encontrar.
Pus as mãos sobre a cabeça, num ato de desespero. Corri em direção ao elevador o mais rápido que pude, não poderia deixa-la ir. Não poderia abandona-la novamente. Apertei insistentemente o botão de descer, mas de nada adiantava. Resolvi então descer de escadas, sem ligar se estava descalço ou seminu.
Chegando ao térreo, vi-a conversar com o porteiro, provavelmente pedindo um táxi. Meus olhos se encheram de lágrimas quando a vi aos prantos, segurando sua bolsa com força, tamanha sua indignação. Corri até ela, puxando-a para mim.
– Lucy, por favor, me escute. – Pedi com a voz embargada.
– Eu lhe dei a oportunidade de falar, Natsu. Eu já escutei demais. – Falou, empurrando-me para longe dela. Seus olhos já estavam vermelhos, junto ao seu nariz e bochechas.
– Por favor! Eu te imploro Lucy... – Ela parecia não se importar. Eu não me importaria.
– Diga Natsu! Diga-me qualquer que seja sua desculpa para aquilo! – Gritou, suspirando logo depois.
– Eu sou casado! – Soltei, chocando-a. – Lembra-se dos negócios conturbados? Esse era o único jeito de ajudar Igneel. – Lucy pareceu aliviada, mas ainda assim assustada.
Fui em sua direção vagarosamente, aproximando-me de seu corpo. Abracei-a, sem resposta. Sua única reação fora o pranto. Segurei-a como uma princesa, e voltei para o apartamento.
~♥ ~
– Desculpe. – Soltei em seu ouvido, ouvindo-a chorar cada vez mais. – Eu sei que devia ter contado, mas... Não pareceu certo. – Senti um formigamento quando sua mão alcançou minha face.
– Não pareceu certo? – Balbuciou. – Não pareceu certo, Natsu?! – Gritou dessa vez jogando sua bolsa em minha direção. – Você sabe o que é um casamento?! Acho que é um detalhe muito importante para não ser considerado certo. – Ironizou.
– Para mim não foi para valer. – Falei segurando suas mãos afoitas. – E sabe por quê? Porque não foi com você! – A loira arregalou os olhos com minha afirmação. – Eu te amo, Lucy. Isso só não basta? – Questionei-a cansado de discutir.
– Um “eu te amo” não vai desfazer um casamento. – Retrucou, enxugando as lágrimas. – Eu acho melhor nos afastarmos. – Sua última frase deixou-me sem chão. Segurei sua mão com força.
– Eu não vou te perder de novo. – Declarei, enxugando minhas lágrimas. – Vamos resolver isso. Não é no primeiro problema que vamos abandonar o barco, Lucy. Se vamos tentar, que pelo menos seja para valer. – Ela olhou-me chorosa.
– Eu... – Suspirou, abraçando-me. – É muita coisa pra mim. – Declarou, derramando seu pranto em meu peito.
– Eu sei, eu sei... – Disse, afagando suas madeixas desleixadas. – Só... vamos dormir, Okay? – Questionei-a, sem parar de afagar seu cabelo.
– Okay... – Sussurrou em resposta.
Coloquei-a em meus braços novamente, pondo-a na cama logo depois. Deitei ao seu lado, olhando-a. Nossos olhares se encontraram, como imãs. Puxei-a para mim, pondo sua cabeça em meu ombro, acariciando seus cabelos.
Passamos um bom tempo assim, apenas aproveitando da companhia um do outro. Sorri. Eu a amava, não tinha dúvidas. E mesmo nosso amor sendo complicado, eu não desistiria dela.
Lucy
– Está acordada? – Questionou-me com sua voz rouca.
– Quase dormindo... – Balbuciei em meio ao sono. Senti sua mão sobre a minha, esquentando o local. Senti-me segura ali, no seu abraço quente. Aconcheguei-me melhor em seu torso.
Adormeci ali, em seus braços.
~♥ ~
Lisanna
“Desculpe-me, mas Natsu está ocupado com outra coisa agora.
Sinta-se livre para ligar depois, eu já estou de saída.
Com amor,
Lucy Heart.”
Lucy. Não acredito que um nome como esse possa ser masculino, então com toda a certeza não é um homem. O desespero me abateu. Uma mulher. Com certeza uma mulher.
Lucy. Talvez uma colega de trabalho? Não. Nat não possui amiga alguma com esse nome. Rastreei a mensagem, vendo de onde ela havia sido mandada. Tóquio. Tóquio. Tóquio. Deixe-me ver, não conheço ninguém do Japão além de Nat e Igneel.
Lucy H. sobrenomes com H.
Heants
Heartfilia
Heainen
Heartinsh
Heart. Heart. Heart. Heart... Heartfilia empresariais.
Empresas Heartfilia.
Fundada por James Heartfilia no Japão, liderada por Jude Heartfilia.
Jude Heartfilia doente? O que será que seus filhos terão a dizer.
Qual o sucessor, Laxus ou Lucy Heartfilia?
Lucy Heartfilia.
Parece que você não deu sorte dear Heart.
~♥ ~
Lucy
Acordei com os dedos de Natsu me fazendo cócegas. Ri discretamente, tentando segurar o riso ao máximo. Mas, soltei-o assim que as cócegas se aprofundaram. Gargalhava alto, enquanto me remexia tentando fugir de suas mãos rápidas.
– P-para, Natsu! – Disse entre risos.
– Bom dia... – Disse, beijando-me na testa.
– Bom... Dia... – Recuperava o folego enquanto o ruivo ria baixinho. Desgraçado. Vai ter volta.
Ficamos nos olhando por alguns segundos. O suficiente para lembrar-me da noite conturbada que tivemos. Ele virou meu mundo de cabeça para baixo em apenas quatro dias. Céus! Isso é um recorde, Natsu Dragneel.
– No que você está pensando? – Indagou divertido, deitando de bruços rente a mim.
– Em como você mexeu com minha vida em apenas quatro dias. E você? – Retruquei, olhando-o travessa.
– Em como você fica linda pensando. – Ruborizei com seu comentário. – Ou corando. – riu após seu trocadilho. Escondi o rosto na palma das mãos.
Suspirei. Terça-feira, dia de visitar meu pai e jantar com Sting. Sting! Pus as mãos na cabeça, em desespero. Porra! Oh, não. Não fale palavrões, Lucy. Eles são um afronto a língua portuguesa.
– Oh, merda! – Exclamei lamuriada. Esqueci-me totalmente de Sting.
– O que houve? – Perguntou um Natsu confuso.
– Eu esqueci de te contar uma coisa. – O ruivo respirou fundo.
– Vá em frente. – A face levemente morena se mostrava nervosa. A minha não poderia estar diferente.
– Eu tenho um encontro. – Soltei, baixinho. As sobrancelhas franzidas e os olhos arregalados deixavam visível a sua irritação. – Hoje à noite. – Completei, sorrindo amarelo.
– Sem problemas. – Disse, calmamente. Céus! Tem algo errado nessa reação. – Eu vou com você e explico a situação para o filho da puta, ele vai entender. – Repreendi-o com o olhar.
– Não o chame desse jeito! – Exclamei irritada. – Eu vou sozinha. – Completei, vendo-o fazer uma expressão debochada.
– Eu estava sendo irônico, Lucy! – Gritou em meio à raiva. – Você não vai a lugar algum! – Olhei-o sem acreditar.
– É claro que vou! Vai ser como um encontro de amigos, Natsu. – Vi-o rir, debochado. – Vou deixar claro que não quero nada. Não tem nada do que se preocupar. – Terminei.
– Claro, porque ele vai parar de tentar te comer só porque você disse que não está afim! – Olhei-o descrente.
– Não use essa palavra comigo! Isso é nojento! – Repreendi-o, saindo do quarto. – Eu vou e ponto final! Aliás, eu vou para minha casa agora mesmo! – Ouvi-o bufar atrás de mim.
– Não fuja da conversa! – Disse, seguindo-me. – Lucy, volte aqui. – Segurou meu braço. – Não vá agora, Okay? Vamos conversar. – Disse mais calmamente.
– Se você parar de usar esse linguajar comigo eu agradeceria! – O ruivo suspirou, largando meu braço assim que observou o roxo que aquilo deixaria.
– Desculpe, desculpe. Eu só... – Respirou fundo. – Eu não vou deixar você ir sozinha. – Olhei-o raivosa.
– Okay, você vai. – Ele sorriu, aliviado. – Você vai me deixar na porta do restaurante. Ponto final. – Novamente as sobrancelhas se uniram.
– Não. Não, não e não! – Contrariou-me. – Não é você que decide isso! – Protestou.
– Nem é você que decide se eu vou ou não. – Sorri irônica. – Estamos quites. – Voltei-me para o banheiro, deixando-o contrariado no corredor.
Senti meu braço ser puxado com força, para logo depois me chocar contra seus lábios macios. Natsu apertava minha cintura com força, beijando-me com fervor. Ele segurou minhas pernas pela parte inferior de minhas cochas, levantando-me. Puxei de leve os seus cabelos, acompanhando-o. E quando pensava que ele iria aprofundar o beijo, ele retira sua boca da minha rapidamente. Fazendo-me inclinar em sua direção, pedindo por mais.
– Você continua submissa. – Sussurrou roucamente em meu ouvido. – Vamos esquecer isso e fazer outra coisa? – Questionou- me divertido. Submissa? Acho que não.
Desci de seu colo, beijando seu pescoço, puxando-o para o banheiro. Abri a porta e sorri travessa. Adentrei o pequeno cômodo e beijei-o fervorosamente, dando uma joelhada em seu membro "acordado".
Natsu soltou um gemido sôfrego e olhou-me descrente.
– Acho que não tão submissa assim. – Pisquei o olho para ele, que já estava no chão lamentando-se. – Tente não ficar duro com apenas um beijo, isso enche meu ego. – Completei, gargalhando enquanto fechava a porta do banheiro.
Acho que não faz mal falar palavras chulas de vez em quando.
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