My Tiger
58 ESPECIAL - KELSEY, ONDE ESTÁ VOCÊ rawwr!!
Notas iniciais
— Ren – chamei o “Belo Adormecido”, que estava caído ao lado do sofá, chutando seu braço. – Imbecil, anda, levanta. Será que você só sabe dormir?
— Cala… A… Boca… — respondeu tropeçando nas palavras. – Cade… A… Kells?
Não acreditei que estava perguntando aquilo novamente. Será que não dava para entender que Kelsey viajara por 45 dias e que chegaria hoje? Pior, será que não dava para entender que beber todo o whisky e toda a vodka do Sr. Kadam não traria ela de volta? Cara, como meu irmão é babaca. Não precisava ficar todo deprimido… Na verdade, ele deveria ficar feliz, afinal Kells está viajando, divertindo-se em um spa-resort com Nilima.
— Kishan… Pega mais uma garrafa no barzinho, por favor – murmurou puxando minha perna.
— Não tem como eu pegar outra garrafa com você me segurando – pausei olhando para os seus olhos de cachorro mal-amado. – Quer saber? Não vou pegar nada, se quiser vai você… Sozinho, com as próprias pernas.
— Oh, Kishan… — Lamentou com uma voz manhosa e me encarando — … Você é meu irmão… Meu querido… I-R-M-Ã-O. Os irmãos se ajudam, você não quer me ajudar?
Não acreditei que estava fazendo aquilo. Estava usando comigo o mesmo truque que usa com Kells quando ela não quer fazer alguma coisa. Acredito que tenha se esquecido que sou seu irmão e que lhe conheço de trás para frente, de cima para baixo, de todos os ângulos possíveis. Sendo assim, nunca que eu cairia em um truque tão baixo.
— Não. Não. Não. Não. Não. Não – cantarolei, virando o rosto, e repeti o que o Sr. Kadam me fala sempre quando quero dormir o dia inteiro. – Vire homem, rapaz! Não é só porque Kells viajou que você tem que se fazer de coitado e beber todo o álcool da casa e… Trate de soltar minha perna, estou sentindo ela “formigar”.
— Oh, Kishan – murmurou enchendo os olhos de lágrimas -, Kelsey me abandonou e agora você vai fazer o mesmo? – uma lágrima escorreu do seu olho direito. – Eu te amo meu irmão, eu te amo…
Tinha desmaiado novamente. Estava repetindo essa mesma cena desde quando Kells e Nilima viajaram. Era muita falta do que fazer.
Desgrudei suas mãos de minha perna e subi para o meu quarto. Imaginei na cena que Kelsey iria ver quando chegasse: Dhiren no chão com várias garrafas de whisky a sua volta… Seria bem engraçado. Entretanto, será que seria maldade minha deixá-lo naquele situação tão deplorável? Não… Mas, será que seria “meeesmoooo” maldade minha se ela o visse daquele forma e eu achasse bom? Porque, bem… Ela sabe que eu sinto algo diferente por ela. Kells sabe, não sabe? Como sou imbecil… Ela sabe e colocaria a culpa em mim.
Levantei da cama em um pulo e olhei para o relógio… Faltava uma hora para o voo delas chegarem. Corri até a escada e a desci pelo corrimão. Nossa! Tinha mais sujeira em volta de Ren do que pensei. Como bom irmão que sou, peguei os seus pés e o arrastei até a cozinha. Fiz de tudo para que a sua cabeça não batesse nos móveis com pontas finas, todavia não pude evitar de colidir seu corpo com as cadeiras que estavam espalhadas pelo corredor. Voltei para a sala e peguei todas as garrafas, colocando-as em seguida em saco plástico para jogar fora. Quantas garrafas! Nem Shiva conseguiria beber vinte e cinco garrafas de whisky em dois dias seguidos. Peguei a vassoura e passei no tapete para tirar a marca do corpo de Dhiren, foi bem difícil… Levando em consideração que tinha 45 dias seguidos que ele estava deitado ali, levantando-se somente para tomar banho – o que acorreu duas vezes nesses 45 dias -, jogar garrafas no lixo – o que era feito com raridade – e ir no banheiro.
Encarei o relógio… Trinta minutos para Kelsey chegar. Trinta minutos? Enrolei o tapete, porque a marca não queria sair e o levei, junto com o saco plástico para o latão de lixo que tinha atrás da casa. Voltei para a cozinha, peguei os pés de Dhiren e o arrastei até o seu quarto.
Creio que a bacadas de sua cabeça com os degraus da escada o daria uma bela de uma dor de cabeça quando acordasse.
Abri a porta do banheiro e fazendo muito esforço, porque o imbecil pesava muito, o joguei na banheira. Liguei a torneira e esperei que a banheira se enchesse até o seu ombro. Tirei sua roupa e o deixei por dez minutos “curtindo” em uma água com todos os sabões de jasmim da casa para tirar o mal cheiro de suor e bebida alcoólica.
Dei um “tapinha” no seu rosto, para acordá-lo, mas a anta nem se moveu. Cheguei a pensar que tinha morrido.
Tirei-o da banheira e coloquei um pijama. Estava perfeito. Um novo Dhiren.
Segundo após sair do quarto do meu irmão, escutei a campainha tocar. Olhei para mim… Oh, céus! Como estava sujo, meu banho de uma hora atrás tinha ido para o ralo. Minha vontade era de voltar para o banheiro e tomar outro banho, mas a campainha tocou novamente.
Corri até a porta e abri-a… Como Kelsey estava deslumbrante. Seu rosto estava corado e seu cabelo brilhava com a luz do sol. Como ela estava….
— Nossa Kishan, não podia ao menos tomar um banho para nossa chegada! – Ela disse em um tom misto de brincadeira com seriedade. – Aposto que Dhiren pensou nisso.
…. Linda.
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