My Sweet Teacher
23 Dia normal na escola (Capitulo bônus 3)
Notas iniciais
Lilly POV
Eu cheguei à escola apertando minhas mãos umas nas outras, fui em linha reta até o pátio, e me encostei em um canto qualquer, e fiquei de cabeça baixa olhando pros meus pés. Não demorou muito pra começarem a passarem por mim e me empurrarem.
–– Bom dia, aberração! – um grupinho de meninas disse em coro.
O sinal tocou, respirei fundo e fui andando, alguém me puxou pela mochila e foram me empurrando até eu ficar lá pra trás, engoli o choro, como Joe me disse pra fazer, o ano estava acabando, eu só preciso aguentar mais um pouquinho. Deixei todo mundo passar na minha frente fui logo depois, me sentei no meu lugar de sempre. No fundo. Não por que eu gosto de sentar aqui atrás, mas o mapeamento me jogou para o pior canto da sala. Eu gosto do inicio das aulas, todos ficam com seus grupinhos, e me deixam sozinha, não é tão legal. A agonia de ser excluída é grande, mas a de ser humilhada é bem pior. Principalmente quando começa a aula, as mais chatas, são as que mais me perturbam, como se descontassem em mim, como se eu fosse a pessoa mais feliz, e eles quisessem acabar com isso. O segundo sinal tocou, e o professor entrou na sala, era aula de matemática, respirei fundo. Todos começaram a ir pros seus lugares. Acomodei-me na cadeira.
–– Bom dia, crianças! – o professor falou alegre.
–– Bom dia – respondemos em coro.
–– Página 45, das questões 01 á 16. Em dupla. – ele avisou, se sentando.
–– Professor? – levantei a mão receosa.
–– Sim, Lovato? – ele esticou o pescoço pra me olhar.
–– Posso fazer sozinha o dever? –
–– Nem se não pudesse, ninguém ia querer fazer contigo mesmo – algum menino no outro lado da sala gritou, e todos começaram a rir.
–– Podem parar com isso – o professor gritou, a turma foi se calando aos poucos – Sim, Emilly podes fazer sozinha. Mas não quero conversinhas.
–– E quem ia querer conversar com ela? – uma menina ao meu lado falou me olhando com desprezo, as amiguinhas dela começaram a rir.
Abaixei a cabeça e abri o livro, tentei começar a fazer os exercícios, mas ficavam falando no meu ouvido coisas do tipo: “Burra!” “Não vais conseguir fazer, não sabes nem contar” eu me obriguei a ignorar aquilo. Consegui fazer duas questões até pegarem meu livro, e começaram a passar de mão em mão pela sala. Todos rindo, eu pedia de volta e ninguém fazia nada, jogaram no chão meu livro, e começaram a chutar e pisotear até ele chegar até mim. Comecei a lagrimar por puro extinto, limpei o livro, ou melhor, o que eu podia limpar, e me obriguei a parar de chorar mais não consegui. Fiquei de cabeça baixa, tentando resolver, mas ainda não me deixaram em paz. Nunca era o suficiente pra eles.
–– Ih, o neném já ta chorando de novo? – o menino na minha frente comentou.
–– Não aguenta nenhuma brincadeira, que frescura – o garoto ao lado dele falou e depois revirou os olhos.
–– Ah, mais agora a gente pegou pesado. – a menina ao meu lado falou, olhei pra ela assustada, mas ela explodiu em gargalhadas depois – Nem se anima eu tava zoando.
–– Credo, tua mão é feia – uma dessas meninas nojentas apontou pra mim – tão estranha quanto você não é?
[N/A: pra quem não sabe como é, procurem na internet a mão de pessoas com síndrome de down]
Eles continuaram rindo, e continuaram com algumas “brincadeiras”, mas tentei me segurar ao máximo. Ao final da aula, todos saíram para o pátio, de novo. Aproveitei quando vi o caminho livre, e fui para o banheiro, me tranquei em um Box e comecei a lanchar ali. É nojento, e anti-higiênico eu sei. Mas pelo ao menos não jogam meu lanche em mim, como já cansaram de fazer. Quando acabei fiquei jogando no meu celular, até o sinal tocar de novo. Quando tentei abrir a porta, não dava pra abrir. Fiquei batendo ali, mas eu sabia que ninguém iria me soltar. Me sentei no chão e abracei meus joelhos. Comecei a chorar, eu queria sair dali, eu odiava ficar trancada. Não era medo, mas só não gosto. Gosto de lugares abertos e amplos. As horas passavam e eu não conseguia sair dali, nem ao menos uma funcionária apareceu ali pra me tirar. Depois de um tempo, ouvi passos no banheiro.
–– Ei! – me levantei e bati na porta – Me tira daqui.
Ouvi uma risada, depois algo sendo passado na porta do Box. Ouvi mais uns cochichos, e a porta abriu, não vi muita coisa. Só começaram a me bater, fiquei de cabeça baixa o tempo todo, comecei a chorar, tentei pedir pra elas pararem, mas só ouvia mais e mais risadas, eu tava sufocada. O sinal da saída bateu e elas correram pra fora do banheiro. Eu me joguei no chão e ali fiquei chorando. Quando levantei a cabeça, tava escrito com um batom vermelho vibrante na porta do Box, em letras bem grandes: Emilly, a aberração. Chorei mais ainda, me abracei com cada vez mais força, como se eu pudesse me apertar até sufocar completamente. Eu só queria, ou melhor, quero desaparecer. Quero que o ano acabe, quero sair dessa escola. Eu levantei dolorida pelas tapas e chutes que levei, lavei meu rosto e fui pra sala pegar as minhas coisas, que estavam todas espalhadas e jogadas em cantos diferentes da sala. Ajuntei tudo com calma, na verdade, tentando me manter calma. Alguém passou por mim rápido me empurrando no chão, depois o garoto saiu da sala se exibindo pros amiguinhos dele. Terminei de arrumar tudo, e fui lá para o pátio esperar minha mãe. Eu sabia que ali no portão ninguém ia mexer comigo, pelo fato de ter vários funcionários por ali, e por que minha mãe poderia chegar á qualquer momento. Rezei pra eu estar em bom estado, minha mãe não gostaria nada de me ver roxa, ou com cara de choro. Muito menos a Demi e o Joe quando eu chegasse em casa. Fiquei quietinha até minha mãe aparecer, o que não demorou muito, quando ela apareceu na minha frente, abracei ela com força, por um momento tudo desapareceu, qualquer dor. Virei meu rosto e vi algumas pessoas da minha sala silabando “Aberração” me apertei mais á minha mãe e fui pro carro. Eu preciso sair dessa escola.
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