My Sweet Illusion
4 Capítulo 4
Notas iniciais

Na terça-feira da semana seguinte, lá estava eu no castigo dado por causa do show no refeitório. A pintura da arquibancada foi marcada para iniciar nesse dia e por enquanto nada de Madison chegar.
A inspetora me entregou os baldes de tinta verde clara e me passou as instruções por dez minutos de como tudo devia ser feito.
— Você não pode deixar o pincel jogado no chão de concreto , a não ser que queira ajudar a retocá-lo de cinza! -afirmo com a cabeça.- outra coisa é que as tintas devem ser guardadas naquela dispensa ali.-Ela aponta para a mini salinha ao lado da sala de bolas.
Para minha alegria, ou raiva por ficar com mais trabalho, Madison não apareceu no primeiro dia. Notifiquei isso a mulher que me instruiu na entrada da escola assim que acabei meu serviço. Ela deveria ficar me vigiando... em vez disso estava num bate papo sem fim com o vigia da escola.
Cheguei em casa um pouco afasta pela longa caminhada, já que tinha esquecido o dinheiro do ônibus.
— Owen, eu tô vindo do castigo. Já estou indo fazer o almoço ok?-grito da sala.- Espero que tenha tomado banho e começado a fazer suas tarefas, se não eu conto pro papai.
Era assim todos os dias: Meu pai levava eu e Owen para escola antes de ir para seu trabalho. Nas segundas e quartas eu treinava futebol após a aula, por isso, Owen saia direto com o amigo Zeke para a aula de judô e passava a tarde na sua casa. Eu ou meu pai ou só o buscávamos a noite. No resto dos dias, meu irmão vinha com o ônibus escolar para casa. Estudamos em escolas diferentes,logo, eu não o trazia andando.
— Caroline!- Franzo as sobrancelhas e vou para a cozinha.
—Pai? O que faz aqui?- Me surpreendo ao vê-lo encostado na pia com um prato de macarrão nas mãos.
—A empresa toda foi liberada do serviços da tarde.
Eu me aproximo já preparando meu prato.
— Owen já comeu?
— Eu deixei ele na piscina da casa do Zeke. Queria ter uma conversa importante com você...
— Ah,o quê?
— Vamos para o terraço.-Ele sai da cozinha e eu o sigo. Às vezes gostamos de ir até lá para fazermos as refeições. Minha mãe o convenceu de colocar uma laje com mesa e cadeiras junto a uma churrasqueira.
Gosto de vir aqui para pintar ou pensar sobre meus problemas. O local me lembra ela, pois passava muito tempo aqui planejando suas roupas de confecção.
Meu pai e eu trocamos um olhar já sentados frente à frente.
— Como está indo o processo da entrada na faculdade?
— Bem. — Dou de ombros.-O professor Joan me explicou que esse ano as audições são em grupo e que depois fazemos a prova final sozinhos. Ele disse estou dentro da seleção.
Ele sorri e segura minha mão.
— Você não tem ideia do quanto fico feliz em você seguir os passos de sua mãe.
— Mas ela fez moda.
— Sim-ele confirma com a cabeça-Mas sonho dela era mesmo artes plásticas. Os pais dela não apoiaram e, para não sair do ramo artístico, ela escolheu moda.
Ergo as sobrancelhas.
— Agora faz todo o sentido o tempo em que ela passava pintando.
— Ela gostava mais disso. Com certeza. Nós..- Ele sorri.-fizemos um ateliê para ela no centro da cidade. Íamos inaugurá-lo antes, você sabe, do acidente...
Sua expressão murcha e ele desvia os olhos para o lado. É tudo bem pior para ele, porque viu tudo acontecer.
—Aqui em Londres? — digo depois de um tempo.- Por que não me mostrou?
—Era uma surpresa.-ele sorri fraco.- Mas sinto que está na hora de mostrá-lo a você já que vai seguir o ramo. Ele, com certeza, é seu.
Me levanto na mesma hora para abraçá-lo.
—Obrigada, Obrigada,Obrigada, pai!
— Por nada. Mas,por favor, sente-se. Tem mais uma coisa que quero falar com você.
Volto a cadeira e espero. Ele mexe um pouco os dedos e começa a estalar. Isso é uma de suas manias para se acalmar.
—Pai, seja o que for, pode falar.
Ele suspira e me olha com uma cara culpada.
— Você se apaixonou de novo?-cruzo os braços sorrindo e vejo seus olhos arregalarem.
— Como você...? Está tão na cara assim?
Reviro os olhos rindo.
— Um pouco. Você disse que era uma conversa séria, está aí todo nervoso para falar e por qual outro motivo você deixaria Owen ir se divertir na casa de um amigo em plena semana de provas?
Owen é super aversivo a ter outra mãe. Já disse isso uma vez na mesa de casa quando eu sugeri que meu pai namorasse de novo.
—Falar nisso: Preciso buscá-lo para estudar daqui a pouco.-ele coça a cabeça.
—Certo,mas agora me diz! Qual o nome dela?
— Ok.. Seu nome é Kim. Ela é minha chefe. Sempre nos tratamos como amigos, mas ultimamente...- ele para de narrar meio sem graça.- Tem certeza não se importa com isso?
— Não tanto. -dou de ombros.- Acho que você merece alguma companhia. Mamãe ia gostar de saber que você não ficou sozinho e que estamos com a família completa de novo. Por mim, contanto que não traga uma megera que odeie a gente e nos afaste como acontece o tempo inteiro nos filmes,eu estou bem.
Ele ri.
—Pode ter certeza que ela não é assim.
Meu pai fala que os dois tiveram um encontro há três dias e que ele pretende levar o relacionamento a algo mais firme. Ele me conta que Kim é viúva e mora com a sobrinha que tem a mesma idade que eu. Essa informação me fez ficar com o pé um pouco atrás. De repente, bateu um medo da garota ser um inferno e meu pai acabar se casando com a sua tia. Ignoro esse sentimento estranho e tento lhe passar segurança falando que ajudaria a dar conta de Owen e que era a favor de um jantar com Kim aqui em casa na hora que quisesse. Afinal, meu pai mereceria ser feliz.
......
Desde o dia em que Aaron, Chloe e eu fomos a enfermaria, tenho andado pelos corredores sem tentar olhar muito para os dois. Essa minha teoria deles se gostarem estava me matando por dentro. Foi inevitável, no entanto, que eu presenciasse um momento um tanto deprimente.
Eu estava indo para a sala de gramática inglesa quando vi ambos conversando do lado de um armário no corredor. Aaron segurava uma pilha de livros enorme enquanto Chloe estava com um aberto lhe explicando uma coisa. Ela estava toda concentrada, mas algo que ele disse fez com que Chloe parasse e risse com ele.
Passei do lado deles meio que correndo e fui para a sala.
— Que cara é essa de que vai matar alguém?- Peter me diz enquanto tira um caderno da mesa que ele reservou para mim. Jessica não faz essa aula com a gente.
—Nada. Deve ser a proximidade das provas. Você sabe que meu ânimo vai lá em cima nessa época.
Ele me olha desconfiado, mas eu logo desconverso perguntando se ele copiou a matéria da última aula toda. Peter é muito organizado em qualquer matéria. Ele quer fazer medicina, por isso se dedica que nem um louco estudando.
Começo a copiar o que não anotei do seu caderno, até que a sala barulhenta silencia um pouco. Levanto a cabeça para olhar e ,sinceramente, preferia não ter levantado. Aaron está entrando na sala com um dos braços em volta do ombro de Chloe. Essa segura um caderno de maneira forte contra o corpo e olha por chão por saber que tal ato do atleta chama muito a atenção.
Engulo o seco olhando para Aaron que está com uma expressão calma no rosto. Ele fala algo no ouvido de Chloe e vai para seu lugar. Essa passa como um raio por nós para o fundo da sala.
—O que foi isso?-alguém do meu lado esquerdo diz.
— Isso foi o Aaron sendo mulherengo, como sempre.
— É muito estranho ele e Chloe.
— Acho que são só amigos.
— Ele deve estar usando ela para estudar. Só pode.
— Que Isso? Aaron é um amor de pessoa.
O grupinho ao meu lado fala tudo isso descaradamente. Continuo a escrever no meu caderno.
— Caroline...- Peet me chama.
—Sim.-digo sem o olhar.
— Não liga pra o que esse povo fala, não. Isso não deve ser verdade.
— Não ligo.- o encaro.-Ele pode sair com quem ele quiser. A vida é dele.
Peet tenta falar mais alguma coisa, no entanto, a professora chega.
O restante da manhã se arrasta para mim. A todo momento aquilo vem a minha cabeça.
— Está tudo bem com você?- Jessica pergunta enquanto colocamos nossos tênis sentadas no campo.-Peet disse que...
— Não estou muito afim de falar sobre isso Jess. -A corto tentando ser educada e me levanto para o treino.
Meu desempenho estava sendo um fiasco total naquele dia. Eu errei lances fáceis durante o jogo e fui chamada a atenção de Paige por errar alguns pênaltis que andamos treinando. Por sorte, Madison e Lindsay só jogam na educação física com a gente. Elas ficaram o tempo inteiro na parte reservada para elas com suas piruetas e dancinhas inúteis. Não que eu achasse Líderes de Torcida uma coisa sem graça. Até que é interessante,porém, Madison e Lindsay... elas conseguem estragar toda a animação com suas coreografias 99% sensuais.
— Evans, se continuar assim vai para o reserva.
— Desculpa, Paige.
— Quer carona para volta?- Jessica aparece.
— Quem dera... O castigo, lembra?
— Ah, é. Até mais.-ela me dá um abraço. Olho para Madison saindo do campo de conversa com as amigas. Se ela está achando que vou fazer o trabalho inteiro sozinha,está muito enganada.
—Madison, por que não apareceu ontem?
Ela revira os olhos ao ver que sou eu.
— Não ficou sabendo que troquei de castigo?
— Como? Que outra coisa vai fazer?
—E você acha que eu vou te contar.-ela ri me deixando para trás com cara de tacho. Vou à diretoria,na mesma hora, para reclamar e encontro apenas inspetora que me vigia.
— Com licença. Eu queria muito falar com a diretora.
—Ela não está. Mas pediu para te avisar que não trocaria seu castigo.-a mulher diz com rispidez.
— Tá brincando comigo,né?
— Não.
— Olha bem. Digamos que não é justo apenas a Madison escolher o castigo, sendo que foi ela que começou toda confusão.
—Se quer esclarecer fale com a diretora amanhã, mas enquanto isso, se eu fosse você voltava logo para o campo para terminar seu trabalho.
Respiro fundo para controlar a raiva e saio com pressa. Só não esperava esbarrar numa pessoa e amassar todo pedaço de papel que ela trazia.
— Desculpe! — minha mão vai para a cabeça. Ele tentava desamassar a folha, mas parecia que era impossível.
—Sem problemas.-Aaron suspira sem me olhar.
— Isso é um documento. Com certeza é problema. Me desculpa mesmo.-digo saindo sem graça.
Eu sou uma vergonha total. Repito isso mil vezes até quando estou fazendo o serviço.
—Ao menos pintar desestressa.- Falo enquanto molho o grande pincel e arrasto sobre o segundo degrau da arquibancada.
—Falando sozinha,artista?
Me viro incrédula para Aaron.
— Ah, talvez. — Ele sorri para mim e não diz nada e se aproxima para observar o que estou fazendo. Depois de uns 20 segundos, fui obrigada a parar para encará-lo.
— Que foi? Nunca viu tinta verde na vida?- Tentei soar um pouco brincalhona. Na verdade, eu estava meio sem graça com sua presença.
— Você tem que fazer a arquibancada inteira?- Ele pergunta olhando para os 10 patamares dela.
— Sim.- suspiro.- Estou começando a pensar se uma semana de detenção não seria melhor.
—A Madison devia estar aqui, não é?
— Ela trocou a tarefa. — Ele assente.
— Você não pode fazer isso tudo sozinha! É maldade.- diz colocando a mochila no chão e pegando um segundo pincel.
—Não, Aaron. Isso é tarefa minha.
Ele ignora e assume andar de cima da arquibancada.
—Aaron, é sério!
— Você tem razão, artista.- sorri para mim- Pintar desestressa.
— Você não tem coisa melhor para fazer do que ficar aqui?- cruzo os braços.
— Não gosta da minha companhia?
—Gosto, mas... você nem me conhece direito e está aqui me ajudando a fazer algo chato.
— Algo desestressante.- Aaron corrige.- E quanto a nós, podemos nos conhecer melhor se quiser.
Ele me lança um sorrisinho malicioso com as sobrancelhas erguidas que, sério, quase me fez morrer. Sua risada foi o que ouvi quando desviei o olhar.
— Olha só, já consegui uma coisa de você: cora muito fácil se é cantada.
— E você faz péssimos trocadilhos.- o encaro.
— Você é muito desastrada para qualquer tarefa.- Aponta para meu braço todo sujo de tinta que respingou.
Reviro os olhos.
— Isso qualquer um percebe.- digo tentando limpar.- No campo então...
—Hoje até que você não caiu muito. Só errou alguns chutes fáceis e não soube fazer bicicleta quando tentou.
— Você viu?- Abro a boca incrédula.
— Claro.- É a sua vez de revirar os olhos.- O que nos separa são grades e não paredes.
— Hum... é eu só estava meio sem foco e não sei bicicleta.
—Eu posso te ensinar assim que acabarmos por aqui. Não vai pintar a arquibancada toda de uma vez, certo?
— Não, são vários dias de trabalho, mas eu acho que você está me oferecendo ajuda demais por um dia.
— Eu preciso jogar futebol mesmo.- Dá de ombros.- Eu fiquei na escola porque meu pai pediu para a diretoria. Ele quer que eu jogue todos os dias mais um pouco após a aula ou o treino.
Levanto as sobrancelhas.
—Por causa do lance da bolsa de estudos?- Ele assente.- Nossa. Você realmente leva a sério isso. Vai se dar bem, com certeza.
— Obrigado.- suspira.=Então, você quer minha ajuda?
—Não, eu estou bem, não quero te atrapalhar.- Ele fica mais um tempo tentando me convencer de que não, até que eu cedo. Trocamos umas ideias sobre os jogos e treinos até terminarmos tudo.
—Agora, vamos lá. — Ele pede para me seguir até o campo. Aaron me entrega a bola é pede para que eu lance para ele fazer o movimento.
—Você é muito bom nisso.- Elogio quando ele repete a bicicleta me ensinando mais detalhes de como fazê-la.
—Valeu. Sua vez.- Ele pede para que eu tome o seu lugar. Fico meio desnorteada e caio no chão de costas ao tentar. Aaron foi obrigado a rir na oitava vez.
—Eu desisto.- Coloco a mão na cabeça.
— De jeito nenhum! Vamos tentar até você acertar;- Ele estende a mão me fazendo levantar.
— Tá, só que agora eu tenho que ir, Aaron, e você precisa treinar. Perdeu muito tempo comigo. Obrigada por tudo mesmo assim.
—OK.
Vou para a saída.
— Até amanhã, artista.- ouço ele gritar quando estou quase no portão.
...
No dia seguinte e durante duas semanas Aaron me ajudou após a aula, tanto na pintura, quanto em algumas dicas de futebol. Nas aulas que fazíamos juntos ele sempre me cumprimentava ou dava um aceno ao me ver. Jessica e Peter ficaram me enchendo o saco para saber porque aquela mudança repentina. Quando falei do período que passamos pintando e jogando após a aula, foi o estopim para Jessica dar um surto shipper e querer saber de tudo. Peter me olhou com seu sorriso sacana e disse um " se cuidem, hein", recebendo na hora um tapa no braço.
Descobri mais coisas sobre Aaron... Ele mora com a madrasta e uma irmã e um irmão caçulas do segundo casamento do pai; Sua irmã mais velha mora na Itália, pois é arquiteta lá; Sua mãe morreu quando ele tinha 9 anos e seu pai abandonou a família para casar com outra mulher, porém, sempre aparece para verificar o andamento dos estudos do filho. Percebi que esse assunto o chateia bastante, por isso, não quis perguntar mais. Desviamos a conversas para asssuntos mais banais, como filmes, séries, faculdades que estamos tentando.
Contei a ele sobre o
adiantando cena
Aaron me lançou um olhar desafiador e passou as mãos de graxa da minha bochecha até meu ombro.
Eu soltei um grito histérico e o empurrei. Corri para sujar minhas mãos nas peças do carro, mas ele segurou meus braços por trás.
— Acho que não, artista.-sussurou no meu ouvido. Isso me faz arrepiar. Ah, tomara que ele não tenha reparado... pensei tentando pisar em seu pé. Ele me segurou mais e ria enquanto eu me debatia.
— Não é justo!- digo recuperando o fôlego.
Dei uma cotovelada nele e libertei um braço, o suficiente para sujar minha mão e revidar em seu lindo rosto.
—Haha. E agora príncipe encantado?
— Espera, por favor, eu engoli -Me solta pigarreando. Soquei minha cara mentalmente. Tinha estragado tudo.
— Desculpa, Aaron. Eu não queria ter feito isso.- Ele encosta no capô do carro e limpa um pouco o rosto com a camisa.
Seu sorriso sacana vem seguido de uma nova chuva de óleo e graxa na minha roupa.
—Ei.
— Você se assusta muito fácil.-Ri
—E isso é ser bom cavalheiro?-digo batendo em seu peito.- Vai aprender que comigo não se brinca, vacilão.
De repente, Aaron segura minha mão firme ali. Franzo as sobrancelhas para tal gesto.
— Que foi?
Sua boca seu abre, mas logo depois se fecha. Fico um pouco sem jeito. Nossos olhares não se desviam um do outro por vários segundos.
— Que foi, Aaron?
— Caroline...-Me encara por um tempo...-Você está muito horrível.- Aaron faz um sorriso brincalhão.
Reviro os olhos e o empurro.
— Você é um imprestável mesmo.-rio. Ele dá de ombros e volta a mexer no carro de forma concentrada.
—Tenho que terminar isso logo se não meu pai me mata.- o tom descontraído da conversa se tornou sério novamente.
— Então acho melhor chamar o mecânico.-digo no automático tentando limpar meu rosto de graxa. Por um instante, eu realmente pensei que... Mas não! Ele não me beijaria se estivesse apaixonado por Chloe. Uma pergunta invade minha mente: e se ele não estiver? Se for tudo coisa da minha cabeça ciumenta?
Fale com o autor