My Sugar Daddy
11 Encontros
Cristian disse que iria me levar para o seu triplex para comermos uma pizza, alegando que estava cansado demais para ir em um restaurante, pois tinha gravado cenas o dia inteiro para a nova novela.
— Vai querer perguntar sobre a minha vida ou vai continuar calada? Dei uma risadinha sem graça pelo jeito um tanto grosso que Cristian usou para falar, mas um segundo depois dei-lhe um desconto porque — como já havia me dito — ele estava cansado. Reuni toda a doçura na voz e disse:— Vou perguntar.— Ótimo, mas não me venha com perguntas do tipo "Quais as famosas que você já pegou?" Droga! Era exatamente isso que eu estava querendo saber! Ainda bem que ele avisou antes.— Bem... qual era o seu sonho de criança?— Boa pergunta. É estranho, mas eu queria ser engenheiro agrônomo.— Difícil olhar para você e te imaginar nessa profissão.— Pois é, é o que meus pais também achavam e exatamente por isso não dei continuidade com esse sonho. Durante o caminho Cristian me contou um pouco da sua história e disse que desde criança ele sempre foi uma pessoa bonita — nada modesto e nem convencido. Aproveitando a sua beleza os pais o levaram para uma agência de modelos infantis. Ele começou tirando algumas fotos para publicidade, logo depois foi convidado para fazer comerciais e passou a infância sendo o rostinho mais cobiçado para representar marcas famosas em valiosas propagandas. Antes dos treze anos Cristian já ganhava dinheiro suficiente para comprar uma casa na metrópole e quando os pais realmente decidiram se mudar para um bairro nobre da capital, pela primeira vez na vida — segundo ele — o ator mirim protestou contra, pois a vida na pequena casa numa parte rural da cidade era para ele melhor que tudo. Foi exatamente aquela pequena casa no meio do pasto, dos cavalos, das galinhas, das vacas e das plantaçôes que surgiu nele a vontade de trabalhar com engenharia agronôma. Mesmo que Cristian não tivesse se tornado um ator, eu tinha certeza que ele seria um excelente trabalhador do meio rural, e que sorte teriam as lindas e tímidas mocinhas da roça em conhecer ele, assim como eu estava conhecendo. Chegamos no triplex e fiquei muito impressionada com o tamanho do apartamento que deixava qualquer cenário de "melhor novela do ano" no chinelo. Parei em frente de um quadro do Salvador Dali num canto da sala e enquanto observava a pintura, Cristian ligou para a pizzaria e pediu uma pizza com o dobro de queijo. Em silêncio eu observava cada detalhe dele e já tinha aprendido três coisas: 1- Ele gostava da vida rural, 2- Ele era um admirador da arte, 3- Ele gostava de queijo. Cris se esparramou no sofá e com os olhos fechados disse:— Estou com dor de cabeça, me distraia. Distrair? Ora, eu não era um bobo da corte, a única coisa que eu podia fazer era conversar. Sugeri contar sobre a minha vida e ele aceitou. Envergonhada sentei-me ao seu lado e iniciei uma breve narrativa da minha infância, dizendo-lhe quais eram as minhas brincadeiras preferidas, porém Cristian não se conteve só com a minha fase de criança e fez perguntas mais profundas sobre meu passado provavelmente por conta de tudo o que eu já tinha dito da minha vida para Otaviano. E mesmo que tudo fosse verdade, eu estava com muita vergonha de admitir pessoalmente para ele toda a bagunça que foi o casamento dos meus pais e sobre a minha dificuldade e pobreza. Fui salva pelo gongo e as minhas respostas foram silenciadas quando a pizza finalmente chegou. Cristian foi pagar a pizza e quando voltou, imediatamente se sentou à mesa e começou a comer. Eu estava estática no sofá esperando que ele me chamasse para comer e puxasse a cadeira para mim, no entanto eu havia aprendido a quarta característica de Cristian Bee: Ele não era cavalheiro. "Não há problema, afinal, ele já havia dito que estava cansado". O jeito foi levantar-me e me servir sozinha. Comemos em silêncio e depois que ele estava satisfeito, disse:— Já é hora de você ir embora. Vou chamar um táxi. Cristian se levantou, foi até o telefone e chamou um táxi para me levar para casa e quando retornou à mesa, disse em tom bem enérgico:— Preste atenção, não quero que você saia espalhando sobre nossos encontros por aí igual panfleto de pŕomoção de loja. Eu vou odiar muito se a mídia souber de você, então tome cuidado. E outra coisa, não crie esperanças em seu coração, porque você é uma sugar e sugars são somente uma distração de companhia para mim. Entendeu?— Sim, entendi.— Ótimo.
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