My Rebel Heart
22 Revelações, tratos, acordos e prazos. (Emma)
Notas iniciais
Tremaine.
Eu tenho certeza que tinha ouvido aquele sobrenome, porém não lembrava onde.
Talvez tenha sido em alguma história no orfanato, ou em um filme infantil, ou até em um trabalho escolar. Mas a única certeza que eu tinha era que, apenas aquele sobrenome tinha feito minha cabeça girar.
Assim que eu tive certeza que ela não voltaria, fui em direção ao Henry que olhava bobo para seu novo cordão.
“Hey” – disse receosa, afinal ele estava chateado comigo a algumas horas atrás e nós ainda não tínhamos tido uma conversa desde que tudo aquilo aconteceu.
“Oi mãe...” – Ele disse inacreditavelmente baixo – “Você conhece ela?” – ele questionou meio acanhado apontando para a porta, fazendo menção a mulher que tinha acabado de sair.
“Tremaine, né?” – eu disse com uma expressão de plena confusão mostrando que não me lembrava de onde conhecia seu sobrenome, fazendo com que meu filho explodisse em uma gostosa gargalhada.
“Você não lembra dela?” – ele disse, aparentando choque. – “Ela é a Lady Tremaine... Dona do Lucifer....”
Então ele esperou, durante pouco mais de um minuto a minha reação, que não apareceu, fazendo com que ele soltasse um suspiro frustrado e continuasse:
“Ela é a madrasta da Cinderela!!!”
Então, eu me lembrei do filme e do livro infantil sobre uma garota que vivia com sua madrasta e duas meias-irmãs, Anastácia e Drizela.
Foquei na história da personagem que realmente importava, a tal Lady Tremaine. Alguns flashes da história se mostravam em minha mente, mas a única informação que eu conseguia colocar em ordem era o fato de que, as três maltratavam Cinderela fazendo-a limpar, costurar e cozinhar o dia todo. Me esforcei durante mais um tempo, trazendo lembranças de minha infância para que as características dessa madrasta entrarem em minha mente... Fria, cruel e tinha inveja do charme e beleza da enteada.
Inveja da beleza da enteada.
Uma imagem involuntária veio a minha mente. Afinal, seria impossível não ligar uma história a outra.
Lady Tremaine e Regina tinham muito em comum.
Desde o casamento, a viuvez precoce.
Desde a falta de seu nome principal em sua historia, até o inacreditável brilho dos olhos.
O brilho dos olhos de ambas era inacreditável de tão belo. O castanho chocolate de Regina invoca todas as atenções de todos a seu redor para eles, porém os cinza dessa mulher eram tão incríveis quanto.
Como num clique, eu me lembrei que continuava sem saber muita coisa sobre ela.
Desde seu nome principal, até sua história real. Afinal, em todo esse tempo que vivo aqui, eu não ouvi uma história fiel a sua versão aqui nesse mundo.
E quando isso tudo entrou em ordem na minha cabeça, muitos pontos ficaram claros em minha mente e outros escureceram.
“A madrasta da Cinderela...!” – eu sussurrei ainda presa em pensamentos.
“Mãe, você está bem?” – meu filho disse, fitando meus olhos.
“Sim, estou sim!!”
“Oh.. ok!” – ele disse não acreditando muito. – “Bom, eu vou dormir em minha mãe... Ok?”
“Claro Kid, fique com ela!” – eu disse enquanto dava um beijo em sua festa – “Até amanhã!”
“Até!” – ele disse levando sua mão novamente ao novo pingente enquanto seguia em direção a porta do Grannys.
Não demorou nem 2min, e minha fome tinha sumido novamente. Ao menos a fome que eu tinha quando cheguei aqui, porque agora eu tinha uma fome muito maior.
Eu estava absurdamente faminta por informação.
E Gold iria me ajudar.
Segui correndo pelas ruas de Storybrook, até que uma mulher loira se materializou na minha frente.
Maleficent.
Ela vestia um vestido comprido e preto, que contrastava com seus cabelos loiros e seu olhar azulado e repleto de raiva.
“DIGA QUE O QUE EU OUVI SOBRE O QUE VOCÊ SUPOSTAMENTE FEZ É MENTIRA!”
“Maleficent.. não foi bem assim... Eu...”
Nesse momento, a mulher a minha frente foi envolta por uma névoa tão escura que eu jurava que iria me cegar, até que ela se tornou um enorme dragão.
Isso não era bom, nem um pouco bom.
Seus olhos mudaram dramaticamente de tonalidade, mostrando a raiva que estava sentindo de mim.
Eu não tinha tido muitas aulas de magia, entretanto eu já tinha a matado uma vez, poderia fazer de volta.
No momento que a figura metamórfica em minha frente estufou o peito, se preparando para me atingir com fogo, um imprevisto aconteceu.
Zelena apareceu, sabe lá Deus de onde, e se enfiou na minha frente.
“Mal, pare e volte para sua forma!” – Zelena disse com um tom que não deixava espaço para uma resposta.
“O que você esta fazendo?” – eu cochichei para a mulher a minha frente.
“Salvando a mãe do meu sobrinho... você tem 3 segundos para sair de trás de mim, ou eu mesma mato você!” – ela cochichou de volta com um leve tom de irritação.
Nesse momento, Maleficent se envolveu novamente em sua névoa negra e eu apenas corri para longe de ambas.
Eu corri tão rápido que a única coisa que eu ouvi foram os gritos de Zelena:
“AS VEZES EU ACHO QUE VOCÊ NÃO AMA MESMO MINHA IRMÃ, VIU MAL?! O QUE ACHA QUE VAI ACONTECER SE ELA SOUBER QUE VOCÊ TENTOU MATAR A OUTRA MÃE DO FILHO DELA?”
E com essas palavras eu travei.
Como num gesto automático, olhei para trás e o que encontrei foi Maleficent chorando e pedindo desculpas enquanto abraçava Zelena.
Minha visão embaçou rápido.
E até mais rápido ainda, lágrimas começaram a manchar meu rosto enquanto eu já corria novamente.
Maleficent a amava.
A dor que eu sentia naquele momento era tão grande.
Eu acho que nunca tinha sentido tanta dor.
Eu até acho que nunca tinha sentido dor alguma até aquele momento.
Todos os sonhos que eu tenho com Regina, Maleficent também tinha.
Todas as vezes que eu olhava para Regina e meu coração acelerava, o de Maleficent também acelerava.
Todas as vezes que eu me perdia no sorriso magnífico dela, Maleficent também se perdia.
Maleficent amava Regina.
Esta conclusão simplesmente acabava com o resto de sanidade que eu ainda possuía.
Nesse momento eu vi onde estava.
Em frente a Casa da mulher que eu amo. O andar de baixo estava com as luzes acesas e as janelas da frente todas abertas, com uma visão perfeita de seu interior.
Infelizmente, a curiosidade é algo que eu nunca consegui controlar, então apenas me dirigi até a janela mais próxima e olhei para dentro.
E novamente, algo que eu não imaginava aconteceu.
Lá estava ela.
A Lady Tamaine segurando a mão direita de Regina enquanto a mesma chorava esboçando um sorriso genuíno.
Então eu me lembrei do porque eu tinha saído do Grannys.
Lady Tramaine.
A mulher que estava agora com a mulher que eu amava.
Antes que eu tivesse tempo para pensar em algo, eu vi a dona das Órbitas cinzas mostrar o número 5 com os dados para a morena a sua frente.
Isso só foi um gatilho para que eu fosse ainda mais rápido atrás de Gold.
Assim que cheguei em frente a sua casa.
Bati, sem me importar com o horário, afinal Regina poderia estar em perigo. Até que Belle abriu e a única coisa que eu consegui falar foi:
“Eu sinto muito pelo horário, mas eu preciso muito falar com o Gold... Por favor” – eu disse já sentindo minha voz embargar.
“Ok, entre!” – ela disse com uma expressão preocupada me apontando uma sala afastada, mas eu recusei.
“Eu o espero naquele banco logo a frente... por favor o chame!” – eu disse apontando para um banco de praça Branco logo em frente a casa de ambos.
Belle apenas assentiu e fechou a porta, indo chamar o seu marido.
Fiquei alguns minutos esperando, até que Gold apareceu, mal humorado porem eu via uma pontinha de preocupação em sua face.
“Diga!” – ele disse sem rodeios se sentando no mesmo banco, ao meu lado.
Então eu recebi um lembrete um pouco mais antigo, uma dor de cabeça. Quando olhei para Gold, vi que o mesmo tinha os olhos fortemente fechados.
“Você também sente?” – eu disse suavemente
“Eu, você e Regina...”
“Essa dor, é do feitiço né?” – então ele apenas assentiu com a cabeça, e eu continuei – “ É a nova “moradora” da cidade?”
“Lady Tremaine? Ela não irá morar aqui!” – ele disse com absoluta convicção.
“Mas é ela né?” – eu perguntei olhando em seus olhos.
“Ou é ela, ou ela vai ajudar para que isso apareça mais rápido...” – ele disse olhando para o céu.
Então eu apenas organizei isso tudo na minha cabeça e lembrei que ainda tinha algo muito importante para perguntar.
“Quem é Lady Tremaine?”
“Algo me diz que você já faz essa pergunta hoje...” – Ele disse com um sorriso de lado.
“Sem jogos Gold! Apenas me responda!”
“Lady Tramaine é uma mulher boa, não gosta de fazer mal as pessoas! Ela gosta de todos, mas gosta mais dela! Se ela precisar fazer algo ruim para alguem, mesmo sem gostar, ela faz!” – ele disse dando de ombros – “Ela gosta de conseguir o que quer e não gosta de esperar para isso... Quanto mais rápido melhor!”
“Você está me dizendo que ela veio buscar algo aqui?”
“Claro, ninguém viajaria por reinos para vir aqui apenas passar férias Srta. Swan.” – ele disse, já sem paciência.
“Então não preciso me preocupar com ela?” – eu já disse com um sorriso no rosto.
“Eu não disse isso querida!” – ele disse, e vendo meu rosto, marcado pela confusão, tomou o que precisava para continuar — “Lady Tramaine já está a muito tempo a procura de uma coisa... mais tempo do que você imagina, entretanto, ela só irá conseguir esta coisa aqui.” – ele disse se levantando da minha frente – “E ela passará por cima de tudo e de todos para conseguir isso!”
“E o que ela quer?”
“Isso você tem que perguntar para ela, querida!” – ele disse enquanto me dava as costas e ia embora, mas no meio do caminho voltou e continuou – “Mas eu posso te dizer que ela gosta e faz ótimos tratos..”
Tratos.
Provavelmente ela queria um trato com Regina.
“Oh, eu quase esqueço! Ela também segue um minucioso prazo para todos eles, apenas 5 dias.” – ele concluiu recebendo meu silêncio.
5 dias.
O número 5 na mão da mesma.
Muitas coisas começavam a fazer sentido porem antes de concluir qualquer coisa, eu fui interrompida:
“Bom, vou te deixar com seus pensamentos!” – ele disse se levantando do Banco – “Já que, aparentemente, você tem apenas 5 dias para descobrir algo... e... bem... seu tempo está correndo!” – ele disse dando alguns passos para longe de mim.
“Ah... Regina e Maleficent, já tiveram algo?” – soltei a pergunta que estava me atormentando.
“Você tem alguma dúvida?” _ ele disse, agora me deixando como eu me sentia desde o começo, sozinha.
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