My Rebel Heart
9 Desesperada pelo amor dela - PARTE 3 (Emma)
Notas iniciais
Feitiços, ingredientes, poções.
Nada que eu lia nessa loja fazia sentido.
Livros e livros que eu abri, mas a única coisa que eles fizeram foi alimentar a lacuna de dúvidas que já existia em minha cabeça. Tudo dependia da minha interpretação e ela estava incrivelmente falha naquela manhã.
Eu precisava daquele feitiço.
Eu preciso daquele feitiço.
Eu preciso dela.
Quando o cansaço se fez presente, notei que tinha ficado longas quatro horas lendo livros sobre encantamentos, e ainda assim continuava sem nenhum progresso. Meu coração gritava o nome dela como o corpo humano grita por oxigênio.
Tudo que vinha a minha mente eram as suas galáxias castanhas, cheias de sentimentos que eu adoraria desvendar. Eu simplesmente a amo tanto.
Meu estômago cortou meus devaneios exigindo algum alimento então prontamente me dirigi ao Grannys. Chegando lá simplesmente pedi algo para me saciar momentaneamente, apenas para me deixar apta para voltar ao meu objetivo inicial.
O feitiço.
Enquanto saboreava um hambúrguer, ouvi os sinos da porta tocarem e saltos tão conhecidos e inesquecíveis adentraram ao recinto fazendo uma sinfonia repetitiva e embriagante.
Era ela.
Quando levantei o meu olhar, Regina estava lá. Perfeita e impecável, porem algo estava diferente.
Ela sorria gloriosamente como se hoje fosse o dia mais feliz de sua vida. Aquele sorriso que arrebentava todas as minha barreiras. Eu faria de tudo para acordar todos os dias ao lado dela e faze-la sorrir daquele jeito.
Quando ela me viu seus olhos cintilaram e a mesma veio ao meu encontro como se nada mais existisse naquela lanchonete. Assim que Regina chegou a minha mesa, ela abaixou e deu um beijo em minha bochecha antes de se sentar em minha frente.
Eu não estava nem acreditando que aquilo estava acontecendo, seus lábios tão sensíveis e doces em contato com a minha pele me transmitiu uma corrente elétrica quase mágica que arrepiou todos os pelos do meu corpo.
“Boa Tarde Swan” – ela soltou continuando com o belo e embriagante sorriso.
“Boa tarde Mills, posso saber o motivo da felicidade?” – eu realmente queria saber, pois faria, seja o que for, acontecer todos os dias apenas para vê-la tão radiante assim.
“Eu não sei, apenas estou feliz... Você... Você quer jantar lá em casa hoje?”
Eu quase cuspi. Eu já tinha sido chamada para jantar na casa dela, mas o motivo era sempre Henry, claro.
Porem Henry ficaria em minha casa naquela noite, então não seria para ver o nosso filho. Eu acho que com o choque, meu rosto se contorceu em surpresa. O fato de ser um jantar apenas entre nós duas foi muito inesperado e acredito que ela concluiu isso também, consequentemente seu rosto mostrou uma breve decepção e ela disse:
“Ok! Eu sei, foi uma ideia estupida, você quer ficar o nosso filho... Apenas ignore. E boa tarde Emma.”
Quando me dei conta, ela já estava na metade do caminho até a porta, então com um impulso indescritível, apenas me levantei e gritei:
“REGINA, SIM.” – então ela se virou com uma surpresa explícita em seu rosto.
“Sim o que?”
“SIM, EU QUERO JANTAR COM VOCÊ HOJE.”- eu gritei o mais empolgada que consegui com um sorriso genuíno no rosto. Eu não poderia perder essa oportunidade de ficar mais um tempo com ela. Ainda mais sozinhas. Eu não poderia me apaixonar mais por ela mesmo.
Errado.
Naquele momento eu pensei que não poderia me apaixonar mais por ela, uma vermelhidão de apossou das suas bochechas e ela abaixou a cabeça sorrindo.
Eu estava absolutamente errada.
Ela estava corando e essa foi a coisa mais adorável que eu já presenciei. Quando o meu coração já estava transbordando de tanto amor ela cochichou com a voz mais doce que eu já ouvi:
“Obrigada Emma, mais você não precisa gritar. Ate hoje a noite.” – e então saiu do Grannys.
Agora quem estava com um sorriso no rosto era eu.
Eu iria jantar com ela. Pouco me importava o assunto que iríamos falar, qualquer assunto virava o mais interessante saindo dos lábios dela.
Porque eu a amo.
E então como num flash, me lembrei do feitiço. Eu tinha que faze-lo ainda hoje.
Corri o mais rápido possível de volta para a loja do Gold, e achei estranho o fato de ele não me questionar ou se opor em minhas horas lá “aprendendo magia”, mesmo estando, de fato aprendendo magia, porem não do jeito que contei a ele.
Mais algumas horas de leituras frustradas e então eu o achei. Achei o feitiço que mudaria a minha vida. Reuni os ingredientes necessários, incluindo a Canela, mas eu ainda precisava do mais difícil deles.
A maçã de Regina.
Eu não conseguia invocar aquela bendita fruta. Depois de umas 20 tentativa frustradas, eu simplesmente fui pega-la pessoalmente. Fui andando mesmo, tinha a plena certeza que Regina estaria trabalhando na Prefeitura e que pegar aquela fruta seria absurdamente fácil.
Assim que cheguei lá dei, literalmente, de cara com Zelena.
Ela estava tomando sol em uma cadeira de praia, com um biquíni verde ao lado da macieira de Regina enquanto a pequena Robin brincava com uma filhote de dálmata em uma espécie de “cercadinho” ao lado da mãe.
Assim que a Mills mais velha me viu dentro do “território ” de sua irmã acenou para mim e eu fui ao seu encontro:
“Olá Emma!” – ela disse com o sorriso de sempre – “Hmm, me deixe adivinhar...” – começou pensativa, entretanto ainda com um sorriso brincalhão no rosto – “Você deve estar querendo saber onde estão as pessoas desta casa, bom... Henry está com alguns amigos, Regina deve estar na prefeitura... Como você pode ver... meu feijãozinho verde aqui esta se divertindo com seu mascote e eu estou ficando mais bonita ainda.” – Ela completou com a gargalhada de sempre.
Conversamos durante alguns minutos e conclui algo que já estava claro a muito tempo, eu simplesmente adoro Zelena.
Ela é uma ótima pessoa. Sempre alegre e brincalhona, nem chega perto da primeira imagem que tivemos dela quando a mesma chegou aqui jurando que iria matar a minha Regina.
Regina.
Um gatilho me lembrou de Regina e eu foquei no que tinha ido fazer ali.
Pegar a maçã.
“Então... Regina quer falar com você.” – soltei rapidamente como uma criança quando arranca um band aid.
Ela franziu o cenho do mesmo jeito que Regina fazia, nesse momentos, era explícito os laços de sangue delas. E todo o meu corpo respondeu com um arrepio.
Será que eu conseguiria mentir pra ela? Então, sem retirar os seus olhos dos meus ou o seu cenho franzido, ela foi deslizando a sua mão em direção ao celular que estava próximo a mesma.
“Mas Regina não me ligou e nem me mandou mensagem nenhuma...” – Ela sussurrou ainda com os olhos grudados aos meus,como se lesse a minha alma.
“Ah eu não sei porque de ela não te ligas, mas ela quer te ver...”- mal tive tempo de completar a frase e ela pulou muito rápido da cadeira, assustando a pobre dálmata que estava quase dormindo junto a sua filha.
“A MAÇÃ!” – ela exclamou ainda mais alto que o natural se dirigindo para a macieira – “Eu quase esqueci... Obrigada Emma.”
Meu corpo ficou tenso.
Do que ela estava falando?
Antes que pudesse me martirizar mais ainda com perguntas, e com uma rapidez impressionante, ela já tinha arrancado uma maçã e estava envolta por uma névoa verde. Menos de meio minuto depois, ela apareceu com a bendita fruta em sua mão, um vestido simples, um salto verde e uma maquiagem clara.
“Wow, preciso aprender isso.” – disse realmente impressionada.
“Obrigada querida, eu posso ensinar a você. Mas agora eu preciso ir até Belle, ver se ela pode cuidar de Robin até que eu volte, e então ir até Regina entregar essa maçã a ela.”
“Eu posso olha-la pra você.”
“Oh, seria de grande ajuda, obrigada querida. Estarei aqui o mais rápido possível.” – e então olhou para sua filha – “A mamãe já volta minha querida.” – assim se dissipando em sua névoa verde.
Mais que rapidamente, eu corri em direção a macieira e retirei uma maçã e guardei no bolso do casaco. Fiquei ali brincando com Robin e a pequena dálmata durante pouco mais de três quartos de hora e Zelena já estava de volta.
Só que agora ela estava acompanhada de Regina, porem algo estava estranho.
Elas estavam com sorrisos sinceros e em uma órbita apenas das duas, Regina nem me viu e entrou rapidamente em sua casa.
Eu não me importei, até porque eu iria encontra-la hoje a noite.
Zelena agradeceu o fato de eu ter olhado Robin para ela e eu só assenti, disse que foram ótimos minutos e que sempre que precisasse estaria disposta. Voltei para o escritório do Gold e depois de mais algumas horas procurando em livros e pergaminhos para terminar o que comecei.
Eu o fiz.
O feitiço do amor verdadeiro.
Ele tinha uma coloração vermelha, apenas duas gotas daquilo na bebida dela e eu teria o seu amor.
Eu não sabia o que esperar de sua reação depois de beber aquilo, não estava escrito no livro, entretanto o meu interior não estava ligando.
Meu eu só precisava do amor dela.
Pensei durante um tempo onde poderia colocar o feitiço e, como um livro absurdamente pesado que cai no chão e faz um estrondo, a minha ficha caiu.
A cidra.
Ela sempre bebia a sua cidra de maçã e por sorte eu tinha uma de qualidade em minha casa, eu só precisava levar a cidra no jantar e esperar um momento em que ela estivesse distraída o bastante para pingar as duas gotas em sua taça.
E então ela será minha.
Eu sei.
Eu estou desesperada.
Estou desesperada pelo amor dela.
Mas os fins justificam os meios, e no final das contas, ela vai me amar e vai me amar essa noite.
Fale com o autor