My Real Dream
1 Capítulo Único
A iluminação baixa do abajur fazia com que as formas dos objetos – algumas estranhas – decorassem de forma peculiar as paredes brancas do quarto. Este, se encontrava em um silêncio profundo, o qual permitia que as duas respirações que ressoavam baixas fossem ouvidas. Os donos destas se encontravam deitados na cama de casal que havia no centro do quarto, completamente enrolados nos lençóis escuros.
Porém todo o espaço que o móvel tinha parecia ser desconhecido por aqueles que o ocupavam. Mas a verdade é que eles ignoravam tal detalhe por algo muito melhor; Nem que a cama tivesse o triplo do tamanho faria com que um saísse dos braços do outro. Para eles nada poderia ser mais gostoso do que o calor aconchegante que os corpos unidos emanavam. Nada poderia ser melhor do que dormir agarrado com quem se ama.
As pernas estavam entrelaçadas de um modo que se alguém de fora visse ficariam intrigados em como eles conseguiram ficar de tal forma, mas para ambos era normal. Como o mais velho dizia, eles eram perfeitos um para o outro e com a convivência até mesmo os atos coincidiam em uma harmonia igualmente perfeita. Os lençóis bagunçados cobriam até a cintura deles, permitindo que o abdômen desnudo do oriental ficasse a mostra. Pelo menos parte dele, já que o menor estava muito bem aconchegado ali.
Este estava trajando uma camiseta fina, mas não se importava nem um pouco com a mania do namorado de dormir quase nu. Particularmente, amava isso. Assim podia sentir toda a macies da pele alva que o maior possuía, algo que desejava sentir desde o tempo que ambos só se comunicavam através da tela do computador. E tal desejo nunca foi embora, mesmo conhecendo todos os caminhos do corpo dele.
Tal fato, quando mencionado, sempre o deixava corado e sem graça e isso sempre deixava o japonês extasiado. Sentia-se completamente bobo quando podia fitar a face do namorado avermelhada, e não continha seus impulsos de agarra-lo e aperta-lo. Não que o outro se importasse. Essas demonstrações de carinho sempre lhe arrancavam suspiros discretos, sempre lhe era deveras prazeroso.
O menor se mexeu um pouco e a respiração do outro cessou por alguns segundos, mas voltou a ressoar tranquila quando percebeu que o namorado não acordara. Já fazia algum tempo que Yuki estava observando o seu bebê dormir. Em seus olhos havia o brilho apaixonado, em sua face o semblante abobado predominava. Mas para ele era impossível ficar passível ao fato de ter o amor da sua vida ali, dormindo em seus braços, como sempre deveria ter sido.
Enquanto o observava, uma de suas mãos havia se esgueirado por debaixo da camiseta do adormecido, e com a pontas dos dedos acariciava toda a extensão de suas costas. Tal carícia provocou um suave sorriso no mais novo, e o oriental teve que se controlar para não aperta-lo. Não queria acorda-lo de forma alguma. Mas em reação à ação dele, intensificou um pouco a carícia.
Depois de algum tempo as ações do mais velho acabaram por acordar Victor. Não que ele tivesse feito algo que o acorda-se, mas o corpo mesmo adormecido reagia ao toque do namorado, e isso o levou a despertar. Porém, continuava com os olhos fechados, assim aproveitando ainda mais daquele momento. Não que se abrisse os olhos o carinho iria cessar. Provavelmente seria acompanhado de abraços e beijos deliciosos, é só Deus sabe como iriam acabar.
Mas gostava de fazer isso as vezes; Fingir que dormia para assim refletir enquanto sentia o toque gostoso sobre si. De repente, sentiu algo macio e quente tocar seus lábios. Sua respiração falhou e teve que se controlar para não passar ambos os braços em volta do pescoço do namorado e dar continuidade ao selo que ganhara. Sorriu internamente, desde quando ele tinha tal efeito sobre si? Ah é, desde sempre.
Aos olhos das pessoas de fora, poderia parecer extremamente repetitivo o fato de sempre pensar em como tudo aconteceu, mas o menor não se importava. Até porque, por vezes ainda não acreditava que tudo isso estava acontecendo, que não era um sonho do qual ele podia acordar a qualquer momento. Ainda lhe parecia surreal o fato de que Yuki estivesse ali, ao seu lado. E mais surreal ainda era o fato que ele o amava na mesma intensidade que amava-o.
Tudo parecia como um filme em sua cabeça. Quando foi adicionado por ele em um fake, quando começaram a conversar, o modo como ele o fez ficar encantado desde o primeiro momento. Depois de um tempo, começaram a namorar e a cada dia que se passava seu coração lhe falava que seu amor não era apenas do fake, mas sim do garoto que estava “por trás” deste. Quando percebeu, as declarações estavam mais intensas, e como em um sonho ele viu que não era o único que amava muito além de tal “brincadeira”.
E foi ai que seu conto de fadas pessoal começou.
Se remexeu um pouco e propositalmente escondeu o rosto na curva do pescoço do namorado. Já sabia que ele deveria estar desconfiado, achando que já estava acordado, mas não se importava. Se permitiu sentir o aroma que vinha da pele macia, se entorpecendo com ele. Já tinha perdido as contas de quantas noites, antes de tê-lo perto, desejou sentir o cheiro dele. E tal vontade o fez respirar fundo, ato que fez o corpo em baixo do seu tremer suavemente devido a risada baixa. Havia sido descoberto.
Sem resistir, acabou por rir também e só então abriu os olhos para dar de cara com duas orbes negras lhe fitando. Yuki de fato já desconfiava que o menor estava acordado, mas resolvera não fazer nada e ver quando ele abriria os olhos. Gostava quando ele ficava assim, até porque ele acordava um tanto manhoso e isso fazia sua vontade de mima-lo aumentar. Ao fitar os olhos castanhos, esboçou um largo sorriso. E sem saber, fez o menor se derreter por dentro.
Levou a mão que estava livre à face dele, e então a acariciou. O menor cerrou os olhos e sorriu, fazendo o coração do japonês disparar levemente. Não resistia ao sorriso do dele. E em um desejo subto, aproximou seu rosto do dele e assim colou os lábios do namorado aos seus. O selo foi correspondido prontamente, ao mesmo tempo que sentiu-se ser apertado. O sorriso após tal ato carinhoso era resplandecente.
Ficaram um tempo em silêncio enquanto se observavam. Não era aquele silêncios constrangedores, mas sim daquele tipo gostoso. Principalmente quando é com a pessoa amada. Sem perceber, eles haviam se aproximado mais ainda e agora ambos os braços do mais velho estavam em volta da cintura do outro. Yuki estava pensativo e a expressão que tinha fazia com que Victor quisesse aperta-lo. Mas como o menor não o fez, permaneceu imerso ao seus pensamentos.
Tentava lembrar de um dia, antes de conhecer seu bebê, que tivesse ficado tão feliz como era agora. Vasculhava toda sua mente a procura de tal lembrança mas era inútil. Ele não tinha. Não havia nada que superasse a felicidade que sentia toda vez que o sentia perto, toda vez que sentia seus lábios, toda vez que ele dizia que o amava. Perguntava-se como ninguém havia descoberto seu pequeno tesouro antes, pois lhe era impossível alguém não quere-lo.
Com toda sua timidez, que o fazia se envergonhar facilmente. Com o modo fofo que ele agia, que ele falava. Com os sorrisos lindos e as risadas gostosas. Não sabia como alguém podia não querer alguém tão perfeito. Mas gostava disso, afinal assim pode ter tal perfeição apenas para si. E sempre repetia para o menor e para si mesmo que nunca ia deixa-lo ir, pois ele havia se tornado sua vida agora. Acabou por esboçar um sorriso fino, o que fez Victor ficar curioso. Percebendo isso, o aconchegou melhor em seus braços e voltou a fita-lo.
— Desculpe se acabei te acordando. — A voz baixa e macia fez o mais novo sorrir.
— Não ligo de ser acordado dessa forma, sabe disso. — Estava sendo sincero. Amava quando acordava com as carícias do outro, não importando se ainda era de noite.
— Mas ainda está tarde bebê, pode voltar a dormir. — Roçou seus lábios nos dele, para então sela-los levemente.
— Agora eu quero ficar acordado com você. — Sorriu após o selo e logo o retribuiu de forma lenta.
— Eu posso acabar me aproveitando disso. — Disse de modo malicioso, mas era só brincadeira por parte do maior.
— E como você pretende fazer isso? — Esboçou um sorriso fino ao indaga-lo no mesmo tom malicioso.
— Você sabe bem como gosto de me aproveitar de você. — O tom baixo e rouco do oriental junto com o leve aperto em sua cintura fez com que Victor corasse suavemente.
— Safadinho. — Disse simplesmente, sua vergonha não o deixava formular uma frase.
— Só um pouquinho. — A resposta foi acompanhada de uma baixa risada por parte de Yuki.
— Eu sei e gosto disso. — Riu juntamente do maior para então selar seus lábios mais uma vez.
Mas desta vez seus lábios não se separaram tão cedo. O mais velho deu continuidade ao selo que recebera, para então tomar os lábios do menor em um beijo carinhoso. As mãos do menor subiram pelo peito alheio e pararam apenas quando envolveram o pescoço do namorado. O japonês aproveitou tal ato para puxa-lo pela cintura, deixando os corpos rentes. O beijo carinhoso aumentou seu ritmo gradativamente, mas então ambos tiveram que cessa-lo em busca de ar.
Se fitaram por um curto tempo, mas o suficiente para se entenderem. Não queriam falar agora. Então, mais uma vez os lábios se procuraram e deram início a outro beijo. Este mais lento e mais intenso. As mãos antes comportadas do maior começaram a vasculhar por debaixo da camisa do mais novo, acariciando e apertando toda lateral do outro. Logo suspiros eram abafados pelo beijo, o qual começou a ser mais caloroso.
A nuca do maior era acariciada com certa ânsia e isso provocava uma série de arrepio em todo seu corpo, ato que muito agradava ao menor. Sem perceberem seus corpos haviam rodado na cama e agora Yuki encontrava-se por cima de Victor. É claro que ele não deixava todo seu peso recair sobre o menor não queria machuca-lo. Mas era difícil manter a firmeza no braço que o apoiava quando tinha um par de mãos acariciando e arranhando suas costas.
Seus lábios separaram-se novamente em busca de ar, é só então perceberam o quão ofegantes estavam. O rosto vermelho do menor denunciava a timidez que sempre sentia quando iniciavam carícias mais intensas, porém ela não o impedia de retribui-las. E era essa imagem uma das que mais mexiam com a cabeça do oriental. Este voltou a aproximar seu rosto ao do namorado, mas desta vez apenas um leve roçar fora sentido. Os lábios rosados fizeram o caminho do maxilar do mais novo para então irem para o pescoço exposto. Ali ele depositou alguns beijos para então esconder a face na curva do mesmo.
Em meio a todos esses feitos, o menor mordia os próprios lábios enquanto esperava as carícias seguintes, mas tudo o que pode sentir foi a respiração quente do namorado contra a pele. Esperou mais algum tempo e então levou uma das mãos ao cabelo negro enquanto abria os olhos. Havia ficado receado com esse repentino cessar de carícias, mas resolveu esperar o outro falar algo. O que não sabia era que seu namorado estava imerso em pensamentos novamente.
Sabia que não era a hora mais oportuna para fazer isso, mas era inevitável. Sempre que o tocava lembra-se dos dias em que tal vontade não podia ser sanada. Lembrava-se das noites que passava imaginando como seria bom senti-lo perto, poder beija-lo e abraça-lo. Da época que podia demonstrar seu amor apenas com palavras sinceras de afeto. E ao pensar nisso uma pergunta tomou conta de seus pensamentos. No átimo seguinte havia levantado a cabeça para então fitar o garoto abaixo de si.
Ao ver a confusão nos olhos castanhos, sorriu um tanto envergonhado em um nítido pedido de desculpas para então retirar a mão que estava debaixo da camiseta dele. Mas fizera isso apenas para poder sentir a face do namorado sobre os dedos e então acaricia-lo. Viu o menor cerrar os olhos com seu feito, e não pode deixar de sorrir. Por mais repetitivo que fosse, sempre pensava a mesma coisa quando via tal cena. Como ele era perfeito.
— Eu já disse que te amo hoje? — A pergunta pegou Victor de surpresa, e como sempre, o fez sorrir largamente.
— Awwwn, eu também te amo bebê. Muito. — Subiu uma de suas mãos ao rosto do mais velho, e assim o acariciou igualmente. Fora a sua vez de sorrir ao vê-lo cerrar os olhos.
— Eu já te disse que você é tudo pra mim? — Lentamente o maior saiu de cima do namorado, deitando ao seu lado e então o puxou para os seus braços.
— Awwwwwwwwwn amor. Seu perfeito. — Sempre ficava sem jeito quando ele falava assim, mas não podia negar, amava isso.
— Você que é perfeito, pois você foi o único que me fez sentir assim. Foi o único que fez esse sentimento gostoso que sinto crescer absurdamente. A palavra amor já não parece ser o suficiente para descrevê-lo, mas como não consigo achar uma palavra melhor digo que te amo o tempo todo. — Conforme Yuki falava, o mais novo se encolhia entre seus braços e escondia o rosto corado em seu peito. Estava completamente derretido apenas com aquelas palavras. — Você é a pessoa que eu nunca achei que fosse encontrar. Já tinha perdido as esperanças de achar alguém tímido, fofo, alegre, divertido. E de repente você apareceu pra mim e eu me apaixonei perdidamente por você. Agora não fico mais sem ti meu amor, pois você é a minha vida. Agora, tudo o que eu quero é te fazer feliz e ficar ao seu lado pra sempre.
— Bebê.. por que tem que ser tão perfeito? — A voz que o maior ouviu era abafada e um pouco trêmula. O fato é que Victor estava completamente mexido com tudo que ouviu.
Estava acostumado a ouvir declarações , mas não adiantava, sempre ficava deste modo. Logo pode ouvir a risada baixa do namorado e então sentir ele lhe apertar entre os braços. Se aconchegou mais ainda e respirou fundo, se preparando para fita-lo. Quando encarou sua face, o que viu foram duas ônix brilhando em sua direção e um sorriso que atordoaria a qualquer um. E não pode evitar de sorrir quando pensou que tudo aquilo era pra ele, que era dele uma vez que eles se pertenciam.
— Bebê.. eu preciso te perguntar uma coisa.. e é sério. — Victor se sentiu confuso por um instante. Estavam em um momento tão fofo, porque será que o assunto se tornou sério de repente?
— Ain amor, fiquei aflito agora. Pergunta. — O menor mordiscou o lábio inferior, ato que fez o outro sorrir.
— Não precisa se preocupar. Mas enfim... Vic, você quer ficar comigo pra sempre? — Os olhos brilhantes agora estavam intensos o confundiu o menor uma segunda vez.
— Mas é claro que eu quero bobo! Tudo o que eu mais quero é ficar para sempre ao seu lado. — Achava que era uma coisa óbvia, até porque sempre falara isso para ele. Porém algo dizia que desta vez havia um sentido diferente.
— Então é melhor você começar a guardar as coisas que mais gosta. — Yuki disse simplesmente enquanto em um subto movimento voltou a ficar por cima do mais novo.
— Por que está dizendo isso? — Franziu o cenho enquanto o olhava, tentando entender o que ele dizia.
— Porque acho que já está mais do que na hora de morarmos juntos, como um casal. — De início Victor achou que havia imaginado o que o outro havia dito, mas ao ver o modo como ele sorria, não se conteve.
Em um impulso envolveu ambos os braços em volta do pescoço do namorado, o puxando para si e assim selando demoradamente seus lábios. O selo foi retribuído e logo se tornou um beijo intenso, apaixonado, sufocante. Pois tanto um como outro tentava transmitir naquele gesto toda a felicidade que sentiam ao estarem dando um passo tão importante na relação. Agora que já sabiam o que seria o futuro próximo deles, mal podiam esperar para começarem a preparar as coisas para viverem juntos.
As carícias recomeçaram, e os dois perceberam que não dormiriam tão cedo. Afinal teriam uma prévia do que aconteceria constantemente durante o resto da vida deles, morando juntos como um verdadeiro casal apaixonado.
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