My Problem, My Solution

1 My problem and solution


Notas iniciais
Bom, minha primeira fic de SuJu, estou bem feliz com ela e ao mesmo tempo com medinho.. Se eu errei alguma expressão ou coisas do tipo, por favor me perdoem, mas não foi por mal. Ficou grande como sempre, mas eu gostei. Clichê e bem bobinha, mas ainda assim querida. Ah! Foi betada por mim, então perdoem qualquer erro de português :3
Espero que vocês gostem!
Bao Leitura!

-Arg HyukJae! Tá dormindo porra? -E pela vigésima vez naquela manhã, nós fomos interrompidos pelos berros de Heechul-hyung, que me fitava de uma forma nada amigável.

-Desculpe hyung, eu... Não vai mais acontecer... -Respondi encabulado, sem saber aonde enfiar meu rosto diante do olhar furioso dele.

-Yah yah! Você já falou isso um monte de vezes e nada! Se concentre! Que merda! -Suspirei novamente, sentindo todos os olhares grudados em mim enquanto Heechul gritava furioso, coisas que eu me recusei a ouvir. Estava prestes a respondê-lo novamente quando a voz -não muito calma- de LeeTeuk interrompeu.

-Aish, chega dessa gritaria toda, Heechul! Vamos dar uma pausa! -Anunciou, vendo todos se jogarem no chão cansados e Heechul-hyung sair da sala de ensaios batendo o pé.

As coisas não estavam sendo muito fáceis para nós. Tínhamos muitos compromissos a cumprir e o tempo parecia cada vez menor. Principalmente o tempo que tínhamos para nós mesmos. Esse então tinha se tornado quase inexistente. Essa soma de fatores nos deixava tensos e muito mais propícios a erros e a brigas e bem... Desde que HangGeng saiu, Heechul-hyung nunca mais foi o mesmo.

Todos nós sabíamos que ali acontecia algo mais que amizade. Não que eles não fossem discretos, mas nós não somos tão idiotas assim também e, incrivelmente, ninguém havia se incomodado. Que mal havia se o que eles tinham os fazia feliz? Ainda me lembro do dia em que o manager havia nos dito da saída. HanKyung havia nos deixado silencioso e sutil como um gato, mas havia deixado marcas de arranhões profundos no coração de Heechul. Marcas que haviam transformado o hyung e que nenhum de nós, por mais que quisesse, podia apagar.

Não que ele fosse a pessoa mais carinhosa e generosa do mundo, mas nunca seu mau-humor fora tão grande! E nós, que apenas não sabíamos lidar muito bem com esse temperamento ainda mais explosivo, apenas ficávamos quietos.

Tão logo Heechul saiu, eu senti vários olhares grudando em mim novamente, não podendo impedir que as bochechas corassem quando reparei que ele estava me olhando fixamente com aqueles olhos profundos feito o mar e ainda assim extremamente inocentes.

Mas que merda, DongHae!

Felizmente, meus pensamentos foram cortados antes que minhas bochechas pudessem corar ainda mais com pensamentos sobre DongHae. LeeTeuk parou do meu lado com uma expressão séria e nada contente, de alguém que já bateu na mesma tecla algumas vezes e não agüenta mais os mesmos erros sendo cometidos. De certa forma, ele tinha razão, mas o que mais eu podia fazer?

-Você está com algum problema, HyukJae? –Ele falou com um tom sério, mas que ainda assim não era acusatório. Agradeci mentalmente a gentileza dele não jogar a culpa nas minhas costas ainda mais.

-Não... É que eu... Estou muito cansado! –Cocei a nuca ouvindo-o suspirar. Ele não acreditava em nada do que eu estava dizendo. –Juro que vou me concentrar mais!

-Tem certeza? Porque das três outras vezes você me disse a mesma coisa e não pareceu ter nenhum resultado... –Ele falou com o mesmo tom monótono de antes, mas eu senti o peso do mundo caindo sobre as minhas costas. Teuk tinha esse dom, ele sabia dar um bom esporro gritando e um melhor ainda sem sequer elevar um tom de sua voz. E o pior sabe qual é? Ele tava certo! Eu tinha prometido concentração, mas só tinha dado mais erros.

Suspirei envergonhado, fitando-o mais uma vez, reparando nas olheiras escuras que apareciam embaixo de seus olhos amigáveis. Todos nós estávamos muito cansados e eu só estava piorando isso o tempo todo!

-Desculpe Teukie, eu... Vou me esforçar ainda mais... Juro! –Falei com a voz agoniada e senti sua mão em meu ombro.

-Aproveite a pausa. Não é muito tempo, mas deve dar para descansar um pouco. –E com um sorriso fraco ele voltou para perto de DongHae e SungMin, que conversavam sobre uma alteração na coreografia.

Teuk também sentia falta de Kangin... Os dois eram muito amigos e por mais que soubéssemos que ele ia voltar, LeeTeuk sabia que não ia poder ficar muito tempo com ele pois logo seria sua vez de ir ao exército. Eu temia pela saúde do grupo quando isso acontecesse, mas só podia rezar para que tudo desse certo e que para Heechul-hyung e LeeTeuk-hyung voltassem para nós, mais velhos, carecas mas ainda assim felizes!

Suspirei pesadamente –pela milionésima vez no dia- quando me joguei no chão, me arrepiando ao senti-lo, gelado, em contato com a minha pele. Quando as coisas tinham ficado assim mesmo? Eu mal conseguia cumprir as minhas obrigações dentro do grupo! Eu estava atrasando todo mundo e por quê? Porque eu não conseguia mais controlar as minhas reações!

Que inferno!

Fechei meus olhos, mesmo sabendo que ele ainda estava olhando para mim. E eu tinha tão pouco controle sobre mim mesmo que até evitava olhá-lo. Coisa mais ridícula! Eu parecia uma menininha e isso me deixava com tanta raiva que eu ficava com vontade de socar a parede até quebrar minha mão em duas e liberar tudo que eu estava carregando.

Se o meu eu de anos atrás, que fez aquela brincadeira na gravação do drama, visse o meu estado eu acho que ele cairia nas gargalhadas. Quanta ironia! E o que era brincadeira se tornou algo tão sério, mas tão sério que começava a me consumir. E o que sempre voltava a minha mente era a reação dele às minhas palavras...

“-Ahm.. A um tempo atrás eu meio que comecei a gostar de DongHae...

-O QUE?!?”¹

E aquele “O que?” quase gritando sempre voltava a minha mente quando eu pensava nele. Ou melhor, quando eu pensava naquilo que sentia por ele e que eu sabia que nunca seria aceito. DongHae era um homem bonito, acostumado a ser chamado de “Oppa” por meninas lindas de sorrisos adoráveis, nunca que ele ia entender o meu amor. Para ele eu seria no máximo como um irmão a quem ele quer muito bem e nada mais.

No começo, eu havia negado para mim mesmo, desviado meus pensamentos dos belos olhos do Hae e ignorado completamente o quanto eu achava seu corpo atraente. O quando gostava do seu sorriso de criança, radiante e iluminado, e o quanto a expressão EunHae me fazia feliz. Mas sempre dizem que não existe mentira contada para si mesmo não é? E comigo não seria diferente... Porque lá no fundo eu sabia que no final de todas as minhas negações sempre existia uma espécie de dedos cruzados atrás das costas.

E depois da descoberta e da aceitação — Sim, eu não era gay até então... Quer dizer, eu não sei se sou gay porque afinal só me interessava por um homem e esse era DongHae, mas isso ia fazer de mim homo e esse assunto é um tanto complicado, então vou voltar ao anterior- eu decidi que ia guardar esse sentimento e ia continuar a viver normalmente. Uma decisão ótima né?

Claro, se desse certo ajudava.

Lógico que não deu certo! É mais fácil o KyuHyun perder no Starcraft para algum de nós do que eu conseguir esconder alguma coisa do Fishy. Ele era meu melhor amigo no final das contas! Me conhecia melhor que muitas pessoas! E tinha uma teimosia infinita! Do tipo que não se dá satisfeito enquanto não é convencido e por esses e outros eu acabei me afastando dele, mesmo que de forma inconsciente.

Eu não queria me afastar dele, nunca quis. Hae era uma figura quase indispensável nos meus dias, alguém que só de ficar perto já me fazia bem. O problema era que, ultimamente, o mínimo roçar da pele dele na minha já deixava meu corpo febril e plantava pensamentos nada castos em minha mente. Bem como fazia minhas mãos criaram vida própria e, portanto, me incitava e muito a fazer uma besteira.

Eu não podia botar tudo a perder, em respeito a ele, a mim e a todos os outros.

Já imaginaram o escândalo? O clima ruim em nossos ensaios e tudo mais? Eu não queria transformar o que nós tínhamos em uma guerra fria aonde nós nem tocássemos olhares sem esbarrar em ressentimentos. Eu tinha que trancar isso no fundo de mim e não deixar sair. Ou melhor, eu tinha que sufocar esse sentimento antes que ele me trouxesse mais problemas, antes que ele ameaçasse aflorar mais.

Droga de drama que me encheu de memórias que eu não devia ter, além de ter ensinado para DongHae que eu era um ótimo travesseiro –Sim, depois da gravação daquele programa ele passou a sair da cama dele só para aproveitar minha cama por mais alguns minutos, o que sempre terminava nos gritos de LeeTeuk, mas era uma proximidade agradável- e maldita mulherzinha com quem ele saiu semana passada! Aquela infeliz só faltava colocar uma roupa escrita “Eat me” viu!

Quase tive um ataque de ciúmes.

Essas também eram partes complicadas. Tanto a de controlar o meu ciúme quanto a de aprender a acordar sem sentir o calorzinho de DongHae próximo de mim. Perdi a conta de quantas vezes eu gritei nas almofadas para não berrar com o fishy sobre alguma mulher que estivesse se jogando em cima dele! Ele sempre se defendia dizendo que muitas se jogavam em cima de mim, mas quem disse que eu reparava em alguma coisa do lado dele? E a parte dele se agarrar em mim toda manhã eu tive que vetar porque se não EU é quem ia agarrar ele e no final nos terminaríamos rolando no chão.

Entre socos.

E isso definitivamente não seria legal.

(...)

Tentei mais uma vez fazer aquele movimento, sorrindo feliz ao final conseguir pular sem me desequilibrar. Aquele era um dos passos que eu não estava conseguindo fazer de manhã, e o fato da sala de ensaios estar vazia, me encorajava mais do que nunca a tentar fazê-lo. Após mais alguns minutos, quando o movimento já estava praticamente perfeito, eu me joguei no chão, plenamente satisfeito, gemendo com o contato do chão gelado com as minhas costas.

Fechei os olhos respirando fundo para recuperar o fôlego e mais uma vez fui traído pela minha mente fértil que gostava de lutar contra mim fazendo questão de projetar a imagem de DongHae na minha cabeça, só para atentar contra a minha sanidade. Mas que inferno! Nem com ele longe eu conseguia paz?!

DongHae e alguns outros haviam saído para cumprir a agenda designada por LeeTeuk. Ele e SiWon tinha umas fotos para tirar, e bem... Eu só sabia o que ele tinha para fazer. O resto eu não sei por que havia sumido. Sei que só estávamos eu, SungMin e ShinDong em casa. ShinDong deveria estar pendurado no telefone com sua namorada, como já era de costume. Eu não podia culpá-lo, mas também não tinha como não sentir inveja da facilidade e da felicidade que se estendiam diante dele.

Comigo podia ser assim também né?

Se a vida fosse fácil assim, eu não teria tanto ódio dela! Me levantei do chão antes que pensasse mais alguma besteira e resolvi voltar ao dormitório. Talvez dormir fosse a melhor solução. Isso se ele não me perseguisse em sonhos também. Acham que eu estou dramatizando? Não brinco quando digo que meu auto-controle está no limite. Estou muito, muito perto mesmo de explodir.

Eu precisava falar com alguém, botar um pouco para fora, mas quem? Eu não queria ninguém que fosse me julgar ou até mesmo me mandar ler a bíblia –Como SiWon certamente faria- e também não queria ser expulso ou até mesmo apanhar –Não duvido nada que HeeChul-hyung metesse a mão na minha cara-. Foi aí que uma luz se acendeu na minha cabeça, junto com um nome. SungMin! É claro! Lee SungMin era uma das criaturas mais doces do universo! Do tipo que jamais seria capaz de julgar ou de abandonar alguém! Talvez... Só talvez ele não fosse me olhar de um jeito estranho nem gritar ou coisas do tipo. Sorri brevemente, uma esperança pequena nascendo no peito, junto com um nervosismo extremo. Como eu ia falar isso com ele? Como chegar naquele assunto?

Ultimamente, tudo que envolvia DongHae era seguido da palavra “complicado”, quando não seguido de um palavrão, é claro...

Voltei ao dormitório, ainda hesitante, sendo logo capaz de ouvir a risada espontânea de ShinDong, que passara por mim com o telefone pregado ao ouvido, exatamente como eu havia previsto. Sorri para ele e ele me devolveu o sorriso. No fundo era uma boa pessoa e só de pensar que eu poderia perder tudo aquilo se a história se espalhasse, era acometido por um calafrio. Havia coisa demais em jogo. A banda, meus amigos e principalmente DongHae. Mesmo que estivéssemos afastados, sua presença ainda estava ali. Se fosse para me afastar de todos de uma vez só, eu nem sei o que seria de mim!

Balancei a cabeça, me livrando dos pensamentos negativos que perigavam me engolir e resolvi ir até o quarto que Sungmin dividia com o evil maknae, que por motivos subliminares, só não era evil com o próprio Minnie. Acho que nem ele era imune a fofura do aegyo-king, apelido dado carinhosamente por ShinDong e que acabara pegando. Bati na porta uma vez e não obtive resposta, bati mais duas e nada, apenas ouvi o som de uma música que não consegui distinguir vindo de dentro.

Deuses, será que aconteceu alguma coisa a SungMin? Era só o que faltava! Bati mais algumas vezes e depois de não receber resposta nenhuma, decidi abrir a porta. Meu coração se acelerando e se enchendo de possibilidades ruins que se esvaíram como fumaça quando eu me deparei com uma cena no mínimo adorável.

SungMin repousava tranquilamente sobre sua cama, as mãos jogadas para o lado enquanto uma revista repousava sobre seu peito. Ele havia dormido lendo?Seus olhos fechados e a respiração escapando serena pela boca entreaberta. Com cuidado, puxei a revista e me surpreendi ao me deparar com uma foto de KyuHyun na página aberta. Mas hein? Com o espanto, acabei deixando a revista cair no chão, acordando a Bela Adormecida.

-YAH KYUHYUNNIE! NÃO FAZ ASSIM! –Mas hein? KyuHyunnie? Fazer? Com o que ele estava sonhando?!

-Se o maknae ouvir você chamando ele assim em público ele vai te matar! –Ri divertido, enquanto ele apenas coçava os olhos, confuso.

-Hyuk? –Perguntou piscando levemente. Nem parecia que era mais velho que eu! –O que você ta fazendo aqui? Que horas são? Cadê o resto do povo? –Perguntou num fôlego só e eu me senti penalizado por tê-lo acordado de forma tão brusca.

-Todos que saíram ainda não voltaram e o ShinDong tá passeando pelo dormitório com o telefone colado na orelha. –SungMin sorriu levemente, provavelmente imaginando como o nosso gordinho favorito estaria feliz após aquela ligação. Não era para menos né? –Desculpe ter te acordado assim hyung, não foi intencional.

-Eu nem reparei que eu dormi... –Ele sorriu tranqüilo, até que pareceu se lembrar da revista que estava em cima de seu peito. –Eu estava lendo e... Guardei ela e não sei?

-O que, está revista aqui? –Ergui a revista e ele assentiu ainda tranqüilo. –Tava na página com o KyuHyun na hora em que eu cheguei. –Comentei casual e não esperava mesmo pela reação que se seguiu. Habilmente, ele puxou a revista e a guardou no gaveteiro ao lado de sua cama, com as bochechas extremamente vermelhas.

-I-Isso é! Eu posso explicar! –Ele se atropelou com as palavras e por alguns instantes se calou, me fitando como uma criança pega em flagrante. Suspirou e logo em seguida recobrou seu foco, ajeitando o cabelo bagunçado com as mãos antes de me perguntar. –Mas é... O que você quer comigo? –E na hora que ele perguntou aquilo, eu me senti atirado de volta à tempestade de sentimentos que estavam tentando me deixar maluco.

-Ah... É que eu... Sabe como é, hyung... Eu queria conversar... Com você. –Falei da forma menos enrolada que consegui, sentindo a vergonha embolar minha frase.

SungMin, agora totalmente recuperado do choque pós sono de beleza, me sorriu amigável e compreensivo, dando dois tapinhas leves no espaço que havia em sua cama agora bagunçada. Sorri amarelo de volta e me sentei, ainda sem conseguir fitá-lo e logo ouvi sua voz mansa novamente.

-Você está com algum problema, Hyuk? –Aish droga, maldita frase que eu já ouvi trilhões de vezes essa semana!

-É, pode-se dizer que sim, hyung...

-Não precisa me chamar de hyung, nós somos da mesma idade quase! –Ele riu do rubor que se apoderou de minhas bochechas.

-Ah, mas é que... Sei lá, é esquisito não chamar de hyung... Parece falta de respeito... –Comentei, absorto em minhas idéias, sendo trazido de volta a realidade pelo carinho desajeitado que ele fazia no meu cabelo, agora loiro.

-Pabo! Mas me diga, o que tem de errado com você? Esses dias você anda bem maluquinho! –Ele fez um de seus aegyos involuntários e eu teria apertado suas bochechas se não estivesse tão ferrado.

-Ah... –Como começar? Ou melhor, por onde começar? –É que sabe, hyung... Eu e DongHae estamos meio...

-AHÁ! Eu sabia! Eu sabia que tinha a ver com o DongHae! Heenim me deve uns wons! –Ele se levantou e fez uma pequena dancinha só parando ao se lembrar que eu ainda estava ali. –Oh, quero dizer, é mesmo?! O que aconteceu entre vocês dois!? –Me olhou com a cara mais inocente do mundo.

Foi impossível não rir.

-É sério hyung! –Eu disse ainda entre risos. –Não fique apostando sobre a minha vida! –Disse-lhe ainda brincando e fingindo que lhe dava um soco. SungMin ainda riu por alguns segundos, até que se acalmou.

-Desculpe! Desculpe! Aonde estávamos mesmo? Você tá se afastando do DongHae e... –Espera aí! Eu não tinha dito nada e ele já estava adivinhando! Como assim? Será que...?

-Tá tão na cara assim? –Suspirei derrotado e ele me fitou um pouco mais sério.

-Totalmente. Até uma criancinha de cinco anos nota um clima estranho entre vocês... E bem... Hae também veio falar comigo nessa semana... –O nome “Hae” fez meus sentidos ficaram totalmente alertas. –Ele me disse que você está estranho faz um tempo, que seus olhares são esquisitos e... –Não! Ele percebeu?! Como!? Interrompi SungMin antes que ele pudesse terminar.

-Alguém mais percebeu esses olhares?! Alguém comentou algo com você, hyung? Por favor, me diga se tiverem te falado algo! Eu preciso saber! –Nem pensei muito bem no que estava dizendo e quando terminei a enxurrada de palavras, só pude ver que ele sorria como um menino travesso.

-Hyuk-ah Hyuk-ah! –Ele falou em tom de reprovação. –Você deveria saber disfarçar melhor...

-O que?

-Você entrega o outro fácil de mais, monkey. –Disse-me em um tom brincalhão. –Eu já tinha percebido essas coisas aí, mas a tua reação entregou tudo!

-Desculpe hyung, mas eu me perdi no seu raciocínio!

-Não se faça de sonso agora, HyukJae! Tá na cara que você ta apaixonado pelo fishy! –E bem, nesse momento eu engasguei com ar. E é lógico que só serviu para afirmar mais ainda que ele estava correto. –Tá vendo? É esse tipo de coisa que entrega alguém! Hyuk, seu danadinho! Tava bem querendo pescar um peixe né! –Ele riu alto, da forma escandalosa tão típica dele enquanto eu sentia minhas bochechas esquentarem.

Como eu podia ser tão fácil de pressionar?

-A-A-Alguém mais... Comentou alguma coisa? Quer dizer, alguém mais sabe?–Ele me fitou com um quê de pena antes de falar novamente.

-Ninguém falou nada comigo, mas eu não me surpreenderia se o Heechul ou o Yesung soubessem... –Ele apoiou o queixo nas mãos, enquanto eu engolia seco. Que merda!

-Todos esses? –Gemi agoniado e ele deu dois tapinhas amigáveis nas minhas costas. –E o Heechul-hyung? Não podia ser pior! –Escondi meu rosto entre as mãos.

-Ignorando eles... E você? –Por um momento eu o fitei curioso. Como assim?

-Como assim, hyung...? Eu?

-É pabo! –Ele riu novamente, como uma criança feliz. –Se veio me contar é porque deve estar explodindo! Você nunca foi de errar passos com tanta freqüência!

-Nem me fale... –Finalmente havíamos chegado aonde eu pretendia. –Eu não sei mais quanto eu sou capaz de agüentar! –Fitei as minhas próprias mãos. –Se você soubesse o quanto elas coçam de vontade de tocar nele toda vez que o Hae chega perto... –Eu sei, eu estava meio que monologando, mas eu precisava colocar tudo pra fora. –O quanto queima manter tudo isso dentro de mim... Ta ficando insuportável hyung! Eu tenho medo de sei lá, surtar do nada e sair agarrando ele!

-Hyuk... –SungMin segurou minha mão, me fitando com certa compaixão.

-Eu to enlouquecendo, hyung. –Ri, embora não achasse a mínima graça. –Não sei quanto tempo mais meu auto-controle vai me segurar e tenho medo do que pode acontecer caso ele falhe... –Suspirei. Aish, que vida mais difícil.

-Você já pensou em... Contar? –Quem foi que deu álcool para essa criatura?

-Yah! Ta doido!? DongHae nunca mais olha na minha cara se souber!

-Não sei disso não. –Ele me fitou sério, ponderando sobre o assunto.

-Como é? Você bebeu, hyung?

-DongHae-ah nunca deixaria de falar com você, Hyukkie! Vocês são como duas metades que não se separam! –Sua voz subiu um tom, se tornando mais fina. Aish, ele ta maluco mesmo!

-Eu não quero apanhar, hyung. Não parece não, mas ele tem a mão pesada! Aqueles braços dele não só figuração não! –SungMin riu da minha careta emburrada ao se lembrar da pequena brincadeira construtiva em que eu e Hae havíamos nos envolvido.

Soquinhos.

Acontece que aquele peixe sem cérebro esqueceu de dosar a força e deu uma senhora porrada no meu braço. Ficou latejando por vários dias! E ele só soube pedir desculpas enquanto ficava extremamente vermelho. Naquela ocasião eu deveria ter me irritado, mas quem disse que eu consigo? Um sorriso dele e eu desarmo sem nem precisar de mais. Sou ou não sou um graaande idiota?

-O que você pretende fazer então?

-Você acha que eu sei? Se eu soubesse não estava com tantos problemas! Eu juro que tentei esquecer esse sentimento com todas as minhas forças, mas... Eu não consigo arrancar isso de mim! Não sai! –Choraminguei e me senti puxado para o colo alheio.

SungMin era assim, uma pessoa extremamente carinhosa. Sempre atento às reações alheias, pronto para ajudar. Eu só podia agradecer por ele ter ouvido tudo que tinha a dizer. Não havia mudado muita coisa, mas a sensação de que eu ia explodir a qualquer momento amenizou um pouco.

-O pior... –Continuei, ainda sentindo seus dedos no meio dos meus fios claros. –É que eu sei que não vai demorar para ele vir me perguntar o que está acontecendo... E o que eu vou dizer? Eu não vou conseguir mentir! Eu não sei mentir!

-Isso é uma virtude, Hyuk-ah!

-Ah claro! Ta me ajudando tanto ela... –Murmurei zangado e ouvi sua risada soprada. –O que eu vou dizer pra ele, hyung? Como eu vou explicar o inexplicável? Aish! –Suspirei pesadamente, querendo simplesmente abrir um buraco no chão e sumir como se fosse mágica.

-Eu continuo dizendo que ele nunca te julgaria! DongHae-ah não é assim! Vocês são amigos, Hyuk-shi! E amigos de muito tempo! –Era exatamente o problema. Nós éramos amigos a tanto tempo que eu simplesmente preferia morrer afogado no meu próprio sentimento do que perder a amizade ele!

-Eu não quero perder a amizade dele, é tudo que eu menos quero... Mas que droga, hyung! Que droga!-Senti as lágrimas de frustração se acumulando em meus olhos e apenas as fiz voltar, fechando de leve os olhos, apreciando o carinho delicado que me era dispensado.

Nem percebi quando adormeci.

Arrisco dizer que fazia muito tempo que eu não tinha um sono tão bom quanto aquele. Adormeci ali mesmo, no colo de SungMin, vencido pelo cansaço, aproveitando a brecha que havia me sido dada por mim mesmo.

Quando acordei, o céu já tinha aquele tom alaranjado, indicando que a tarde estava no fim. Não pude impedir o calafrio que subiu pelas minhas costas quando me toquei do que aquilo realmente significava. Se já era de noite, significava que logo eles estariam de volta. Eles estarem de volta, só significava uma coisinha: O peixe estava nadando de volta pra casa.

E excepcionalmente teria macaco no jantar.

Me ergui piscando levemente ao encontrar um SungMin mexendo compenetrado no computador de KyuHyun -já comentei que o maknae mata qualquer um que se aproxima do seu precioso? Só com o SungMin que a coisa muda de figura-. Parecia até que ele estava pesquisando alguma coisa e pelo nível de concentração, era de fato muito importante. Talvez fosse algum acorde ou alguma coisa do tipo. SungMin vivia com seu violão cor de rosa, compondo melodias e tocando suas músicas favoritas. Era um de seus múltiplos talentos.

-Hyung? –Perguntei sonolento e ele se virou sorrindo.

-Pensei que não fosse mais acordar, você é o Peter Pan, e não a Bela Adormecida! –SungMin riu novamente e dessa vez eu o acompanhei, mesmo que de forma contida. Após o pequeno comentário, ele se voltou para o computador e desligou a tela virando novamente na minha direção. –Descansou ao menos? Está com uma cara bem melhor!

-Uhum! –Assenti timidamente enquanto estalava os dedos e novamente ouvi sua voz.

-Já sabe o que vai fazer com relação à DongHae? –E novamente eu me via numa rua sem saída. Eu não podia contar a ele, mas também não saberia mentir para acobertar meus sentimentos... Aish! O que me resta?! Estava pronto para responder quando ambos fomos surpreendidos pelo barulho da porta.

-Oh! Uma reunião de menininhas e nem me chamaram?!

-HeeChul? –Perguntamos no mesmo instante. O que raios ele estava fazendo ali?! Será que os outros chegaram e nos não havíamos ouvido? Não, isso é impossível! Aquele bando de gente não chegaria em silêncio!

-Mas o que você...? Os outros! Os outros já chegaram?! –Se ele tinha chegado e os outros juntos, eu tinha que sair correndo e me esconder porque eu tinha total certeza que DongHae ia me procurar.

E aí ia ser impossível evitar a tragédia.

-Não, eu fugi antes, aquele povo todo estava cansando a minha beleza. –Disse piscando um olho, narcisista como sempre. Nada muito diferente do HeeChul de sempre. –Mas então, posso participar da reuniãozinha? Sobre o que vocês falavam? –Ele sorriu de uma forma diferente quase como se soubesse exatamente que o assunto era DongHae. De qualquer forma, eu achei melhor sair dali antes que a situação piorasse.

-Ah, na verdade eu já estava voltando para o meu quarto... –Comentei e cocei a nuca me virando para SungMin. –Muito obrigado por me ouvir, hyung. –Estava prestes sair do quarto quando a voz de HeeChul voltou as meus ouvidos.

-Ahh, então o nosso pequeno Hyukkie resolveu o que fazer sobre o Fishy? –Estaquei, largando a porta e ouvindo aquele barulho tão característico que ela fazia ao fechar.

-HeeChul-hyung! –SungMin ralhou diante de sua atitude.

-O que foi? Não vou mais fingir que não sei daonde vem todos os problemas dele!

-O que você quer? –Perguntei baixinho, imaginando que ele fosse me ameaçar, mas sua atitude me surpreendeu.

-O que eu quero? Quero seu bem sua mula! –Ele disse, delicado como sempre. –Eu sei o quanto dói essa sua situação! –Seu olhar se tornou distante por alguns segundos, mas logo estava de volta com seu brilho habitual. –A de vocês dois, aliás. –Comentou casualmente e eu me virei para SungMin, que tossia compulsivamente.

-Vocês... Dois...? –Perguntei incerto e HeeChul bateu na própria testa de leve.

-Yah Hyuk! Como você pode ser tão lento?! Não ta na cara que o Minnie gosta do...

-NINGUÉM! Não é ninguém! Fecha essa boca, Chullie-hyung! –SungMin aumentou o tom, tampando a voz de HeeChul enquanto eu os fitava interrogativamente. Foi aí que uma luzinha se acendeu na minha mente. E a revista, a reação de SungMin e suas palavras passaram a apontar para uma só palavra.

KyuHyun.

-KyuHyun. –Falei e os dois me olharam espantados. HeeChul surpreso por eu ter entendido alguma coisa e SungMin por eu ter descoberto. –Por que você não me disse nada, hyung? –Seus olhos se viraram para o chão e eu voltei a me sentar em sua cama, ao seu lado.

-Como eu ia dar conselhos que eu não sigo a você? –Ele riu, fazendo um aegyo natural. –Eu jamais me declararia ao KyuHyunie porque se não ele nunca mais fala comigo! –Ele disse agoniado e eu ia protestar, quando novamente ele voltou a falar. –O seu caso é diferente! Eu aposto que o DongHae... –Fomo interrompidos por HeeChul.

-Os dois são duas bestinhas hein. -Nossos olhares foram atraídos até ele, que sorria de canto. –Prestem atenção, os dois. Você –Apontou para SungMin –Antes de mais nada, só pode ser masoquista, porque KyuHyun é um capetinha disfarçado de anjo. Ele é um dos seres mais insuportáveis que eu já vi na minha vida! –Ah claro porque você é uma pessoa super fácil de lidar hyung. HeeChul e o mesmo defeito de nunca olhar para si mesmo... –Mas analisemos um detalhe... Ele só não é evil com uma pessoa nesse mundo e essa pessoa é você.

SungMin fitou-o por alguns instantes, seus olhos brilhando da mesma forma doce de sempre. O que HeeChul falara era um fato e apresentado daquela forma fazia total sentido.

-Você acha mesmo que ele ia te poupar a troco de nada? Justo ele, que se diverte fazendo os outros sofrerem? –Adquiriu um tom falsamente dramático e eu reprimi uma risadinha.

-Eu não sei, hyung... KyuHyun é uma pessoa complicada e... –E antes que ele pudesse terminar o raciocínio, a Cinderella falou novamente.

-E você, meu pequeno macaco bobalhão. –Apontou para mim. –Você e DongHae são mais colados que marido e mulher! Até dormiam de conchinha! Acha que se o peixe fosse espada ele ia dormir de conchinha com você? Francamente!

-Mas, hyung...! –Ainda tentei argumentar, mas pouco expansivo como só ele, HeeChul me interrompeu –Acho que ele se diverte fazendo isso-

-E o melhor! Vocês dois estão próximos deles! Eles não estão lá na China fugindo de vocês faz séculos! –Nós sabíamos que ele falava de HanGeng. –Mas não pensem vocês que eu desisti! Esperem só até eu ir para o exército! Quando eu tiver uma folga, vou dar um jeito de ir até a China e vou caçar aquele pastel chinês medroso! E aí dele se colocar alguém no meu lugar! Quebro o sapatinho de cristal no meio da cara dele! –E depois de soltar uma risada alta, sorriu de forma paternal, se aproximando de nós dois, abaixando até estar na nossa altura. –Não deixem essas chances se perderem... Nunca se sabe o que vai acontecer amanhã.

HeeChul-hyung podia ser em 99,9% do tempo uma pessoa muito difícil de se conviver, mas aqueles 0,1% em que ele falava coisas doces e engraçadas, em que ele se despia de todo seu sarcasmo habitual e mostrava o seu coração bom é que realmente diziam quem ele era. Uma pessoa boa no final.

-Agora se vocês me dão licença, daqui a pouco a cambada ta aqui e eu preciso dormir porque minha beleza está muito cansada! Bye~ -E saiu do quarto cantarolando, nos deixando com cara de bunda pra trás.

-Isso me surpreendeu... –Murmurei e SungMin assentiu, ainda desnorteado. Fiquei alguns segundos em silêncio e logo me lembrei que devia me trancar no quarto antes que ele chegasse. Me ergui e antes que pudesse falar algo senti uma mãe gelada no meu pulso.

-EunHyuk... –Suas bochechas estavam coradas e eu sabia exatamente o que ele queria pedir.

-Relaxa, teu segredo ta seguro comigo. –E sorri, saindo do quarto.

O que eu não esperava era dar de cara com a porta do dormitório se abrindo, anunciando a chegada de todos os outros, que entravam cansados, mas ainda assim falantes, sendo encabeçados justamente pelo pequeno peixe que eu estava muito a fim de evitar.

Que ótimo.

Ainda tentei me virar e sair correndo para ele não me ver, mas era tarde demais. Quando dei por mim, DongHae já me vinha com um daqueles seus sorrisos irresistíveis de tão fofos. Aish!

-Hyuk! Espera! –Eu posso ainda correr e fingir que eu não vi né? Não. –Eu preciso conversar com você, será que tem como eu passar no seu quarto mais tarde? –O que responder? Eu posso dizer que não, mas se eu disser que não ele vai me perguntar o porquê e aí eu vou ter transformado um problema em dois!

-Ahn é que eu... Sabe... Eu... –Ótimo HyukJae! Assim mesmo, daqui a milênios ele acredita em você. –Eu acho que... Não vai dar... Porque eu tenho um... Compromisso! –Se eu fosse mais convincente, talvez um bebê que mal sabe andar acreditasse em mim. Lógico que ele sacou que era mentira! Nem eu consegui acreditar nisso aí!

-Compromisso, Hyukkie? –Não faz assim. Não me chame de Hyukkie, não atente contra a minha fraca sanidade! Ele arqueou uma sobrancelha, rindo de canto. Esperando a minha verdade. –Com quem? LeeTeuk disse que nós não temos mais nada hoje. –Ele disse sorrindo como uma criança travessa que desmoraliza um adulto. Recuei um passo, levemente intimidado. Eu sabia que ia ser assim, não dava pra fugir! Eu vou ter que dizer e...

-Aish Hyuk-ah! –Me virei ao ouvir uma voz vinda detrás de mim. Pisquei confuso diante de um Sungmin sorridente que se aproximou rapidamente, cumprimentando Hae com um aegyo involuntário, se virando para mim em seguida. –Não acredito que você ainda não trocou de roupa! Desse jeito nem vai dar para aproveitar!

-Aproveitar? –DongHae perguntou, levemente curioso.

-Oh! Nós vamos sair para beber algo! LeeTeuk-hyung disse que não temos nada amanhã de manhã e então e o Hyuk-shi vamos sair. Quer ir também, Hae? –Ele sorriu de uma forma tão inocente que se eu não estivesse com ele naquele quarto há minutos atrás, também acreditaria em sua mentirinha.

Deus! Quero ser assim quando crescer!

-Ah não... Obrigado hyung, eu estou meio cansado e... Preciso descansar. Divirtam-se! –Seu tom abaixou um pouco e eu tive que lutar para não sair correndo atrás. Era o melhor! Soltei o ar que nem notei que estava prendendo e fitei SungMin, que continuava olhando para o fishy até que ele sumisse por uma porta.

-Hyung! Você... Deus! Como você conseguiu mentir desse jeito!? –SungMin riu escandalosamente, e a nossa sorte era que todos estavam absortos demais em seu próprio cansaço para reparar.

-Quem disse que era mentira? Nós vamos sair mesmo! KyuHyun já sentou naquela porcaria de computador e não vai sair de lá tão cedo. Me recuso a ser trocado por um joguinho de aliens feios! –E fez uma careta, ressaltando quanto tinha raiva do jogo. –Vai trocar de roupa, vamos beber, dançar ou até mesmo andar por aí. Eu e você precisamos repensar certas coisas! –E eu assenti. Não dava pra voltar mesmo! Ou eu saía com ele ou enfrentava DongHae.

O que vocês acham que eu escolhi?

(...)

Os relógios na rua marcavam 1:00 da manhã. Não era muito tarde para as pessoas normais, mas para nós, pobres coitados que quase tinham que ter hora para respirar era absurdamente tarde. Se LeeTeuk nos pegasse a essa hora, trôpegos e levemente bêbados –É, eu não bebi tanto assim!-, com certeza a gente ia apanhar.

-LeeTeuk vai matar agente! –SungMin riu do meu comentário, se apoiando em mim, ao contrário de mim, ele havia entornado vários copos de drinks coloridos que eu não sabia nomear... Nem quero ver o tamanho da ressaca que ele vai ter amanhã.

-Ele é um chato! –E riu novamente. –Hyuuuuk, vucê ta tão buuunito! Você me ama Hyuk? –Aish! O que esse bêbado maluco está falando?!

-SungMin, você ta bêbado! –Tentei argumentar, mas todos sabemos que é impossível.

-Nem você me ama? O Kyu me troca por aquele-ic computador-ic id-ic-ota! –Sua fala era interrompida pelos soluços irregulares. –Ninguém me ama Hyukkie! Você me ama? –Ai puta que pariu!

-Amo hyung, eu amo você, agora vamos pra casa que você precisa de um banho de água gelada!

-Yah! Só tomo banho se o KyuHyunnie vier comigo! –E se jogou em cima de mim mais uma vez, nós dois quase caindo no meio da rua. Que bêbado trabalhoso viu!

-Quero ver você conseguir tirar ele do Starcraft! –Ri soprado, apoiando-o melhor. A pequena diferença de altura entre nós me dando uma ajuda.

-Se ele me amasse-ic! Ele saía-ic! Você me ama, Hyukkie? –É, a noite vai ser loooooonga.

Depois do vigésimo “Você me ama?” que o pequeno bêbado soltou, nós finalmente chegamos em casa e eu deixei SungMin apoiado na parede para conseguir abrir a porta sem fazer muito barulho. Claro que, como todo bom bêbado, o meu maravilhoso hyung tinha que sair correndo assim que a porta se abriu, só para tropeçar no tapete e cair de cara no chão.

-Shhhh! –Ele fez para mim e eu só pude suspirar, indo em seu encontro e ajudando-o a se levantar.

-Vem hyung, vou te botar no chuveiro.

-Yah! Não quero! Não vou! Quero dormiiiiiir! –Ele praticamente gritou, se debatendo como uma criança travessa. Deuses, permitam que o LeeTeuk esteja cansado o suficiente para não ouvir nada disso!

-Você tem que tomar banho antes! –Tentei ser firme como um pai e ele apenas me olhou daquele jeitinho. Quase me deixei levar, mas eu só ia dormir tranqüilo se soubesse que ele foi cheirosinho pra cama. SungMin abriu a boca para contestar mas o interrompi. –Sem, mas nem meio, mas mocinho! Você vai tomar banho e ponto final! –E para meu total espanto, ele assentiu como uma criança acanhada faria, parando de se debater.

Delicadamente, coloquei-o debaixo do chuveiro e liguei a água gelada, ouvindo seus gritinhos agudos e fechando rapidamente a porta na tentativa –Espero que ainda não tenha conseguido- de não acordar ninguém.

-YAH! TÁ GELADO! TÁ MACHUCANDO! PÁRA HYUKKIE!

-Shhhhh hyung! Vai acordar todo mundo assim! –Falei desesperado, tentando a todo custo fazê-lo se acalmar.

-Você não me ama, Hyuk. –Aish, alguém ai de cima me dê paciência, por favor.

-Amanhã quando você tiver de ressaca agente discute isso. –Entreguei-lhe a toalha e saí do banheiro, com a intenção de buscar o pijama de SungMin em seu quarto.

Foi aí que trombei em alguma coisa. Ou melhor, em alguém. A única pessoa acordada há essa hora, o nosso querido maknae, KyuHyun.

Me apoiei na porta para não cair de bunda no chão e acabei empurrando a mesma, revelando um SungMin nu, fazendo caretas para o espelho, nem se importando se a porta estava aberta ou não. Quando finalmente percebeu que a porta estava aberta SungMin empalideceu para em seguida corar. Não podia ser melhor né?

-AIISH KYUHYUNIE! SAI DAQUI! –Ele gritou batendo a porta enquanto um KyuHyun no chão, completamente estático apenas conseguia me fitar.

-EunHyuk, o que significa isso?! –O maknae, quando despertou de seu transe, se erguendo a limpando a calça antes de proferir em tom ameaçador. –O que você fez com ele?!

-Eu? Nada! Quem fez foi a bebida que ele ingeriu! –Falei meio sem saber o que dizer e KyuHyun me fitou sério. –Juro, eu só fui dar um banho gelado nele, para que ele pudesse ir dormir... Eu estava indo buscar o pijama dele quando...

-Sei bem! Deixa que eu levo o Minnie pro quarto, seu tarado! –E me fitou seriamente uma última vez antes de bater na porta do banheiro. –Minnie-ah? Você ta aí? Se enrola na toalha que eu vou te levar pro quarto!

Ambos ouvimos quando a porta foi aberta, mas nenhum de nós precisou acompanhar SungMin, pois ele simplesmente saiu correndo por nós, entrando no quarto e batendo a porta com força. Deixando tanto eu quanto KyuHyun estupefatos. Aish, nunca mais bebo com ele!

-Hmm.. Boa noite? –Sorri amarelo para KyuHyun que apenas resmungou alguma coisa sobre “Não chegue mais perto do Minnie” e me deixou sozinho. Eu e o banheiro.

Enfim.

Me alonguei levemente para então buscar meu pijama no meu quarto. Tomei banho de forma demorada, sentindo a água quente percorrer meus ombros, trazendo aquela sensação gostosa de alívio. Encostei minha testa no azulejo gelado pensando no que fazer. O mar negro de DongHae voltando a minha mente. Eu sabia melhor do que ninguém que ele não ia sossegar enquanto não arrancasse alguma coisa de mim. E sabia também que não ia dar para adiar para sempre. Aish, que merda!

Sai do banho e me vesti rapidamente, o sono já batendo e meus olhos já querendo se fechar. Passei o demaquilante, tirando o resto de lápis que ainda estava grudado no meu olho e me curvei para lavar o rosto.

O problema foi o vulto que eu vi quando ergui a cabeça de novo.

-AISH! –Falei alto, levando a mão ao peito em seguida. –Quer me matar de susto!? –Ele apenas riu leve, como uma criança travessa faz. E no fundo era isso que ele era, uma criança travessa.

-Achou que fosse quem? LeeTeuk-hyung? –Seus olhos negros grudaram em mim da mesma forma de sempre, mas havia algo de errado na sua voz. Havia uma certa... Raiva?

-Yah! Você só me assustou, só isso! Não chegue assim sem fazer barulho por trás das pessoas, fishy! –Ele cruzou os braços fortes na frente do peito, com uma expressão nada amigável. O que deu nele afinal?

-Foi boa sua noite? –Suas palavras cheias de raiva e ironia me assustaram. Desde quando ele é assim? Mexi no cabelo ajeitando-o da forma que podia e o fitei com um sorrisinho.

-Ah, se foi! Me diverti muito com SungMin-hyung! Verdade que eu tive que voltar carregando ele porque ele estava bêbado, mas...

-Então é por isso né? –Me interrompeu e continuou me olhando da mesma forma. –Por isso que você não tem falado comigo direito. Tem passado muito tempo com seu querido hyung! –O que? Quem foi que colocou álcool no aquário dele?

-Hã? Meu querido hyung? Do que você está falando, Hae?

-AH! AGORA EU SOU O HAE!

-Shhh! Vai acordar todos assim! Sungmin e Kyuh...!

-SungMin, SungMin, SungMin! Não sabe falar de outra coisa não?! –Alguém explica porque a princesa está surtando?

-DongHae eu não estou te entendendo... –Falei exatamente o que estava acontecendo. Eu não estava mesmo entendendo aquela situação toda.

-Ah não? Bem que o Chullie-hyung me disse que vocês não iam admitir! –HeeChul? HeeChul estava no meio dessa loucura toda? Aish, o que aquela Cinderella maluca havia dito ao Nemo? –Confessa que vocês dois saíram porque queriam ter privacidade pra se pegarem! –DongHae esbravejou, nervoso como poucas vezes eu havia visto. Tinha que ter dedo do HeeChul...

Heenim é única Cinderella que ao invés de arrumar as coisas, as bagunça.

-O que é isso? Eu que saio pra beber e você quem fica bêbado? Eu e SungMin não temos nada! Que idéia mais absurda!

-Ainda vai mentir pra mim? O que é? Ele pediu pra você se afastar de mim e você acatou como um cachorrinho? –Doido. É isso que ele está. Maluco, só pode. Que coisas mais absurdas!

-Sério, o que você bebeu, DongHae? Da onde você tirou isso tudo? Vou repetir pra ver se entra nessa sua cabecinha, eu e o hyung não temos nada entendeu? Nós saímos para beber e nos divertir, como qualquer pessoa normal faz! –Tentei argumentar, mas aquele lá estava decidido a apenas aceitar a própria opinião como correta.

-Ah claro! Desculpe te informar, mas duas pessoas normais não saem se pegando por aí! –Apertaram o botão “replay” nele, não é possível. Já estou me enchendo dessa ladainha absurda. –E então, vai continuar sustentando essa mentira idiota? –E até quando eu não minto levo a culpa? Ah não, chega!

Segurei seus ombros com força, vendo seu olhar raivoso vacilar por um breve instante. Já estava farto de ouvir acusações totalmente idiotas e no mais, se eu tivesse realmente algo com o Hyung, o que ele teria a ver?

-Escute bem Lee DongHae, eu não tenho nada com SungMin e mesmo se tivesse, você não tem nada a ver com isso, por isso não fale comigo como se fosse a “esposa traída”. EunHae é só ficção e você bem sabe disso! E agora, se me dá licença eu preciso dormir e você devia ir também! –E então eu simplesmente dei costas a ele e saí andando em direção ao meu quarto.

Bati a porta do quarto com força, já irritado e decidido a dormir mesmo que o sono demorasse a voltar. A discussão mais do que idiota com DongHae havia conseguido me tirar do sério. Amanhã –ou hoje, tanto faz- eu certamente ia tirar satisfações com HeeChul e o que quer que ele tenha dito. Estava prestes a deitar na cama quando ouvi o barulho da porta sendo aberta na marra.

É, ele não queria me deixar dormir hoje.

-Não me deixe falando sozinho, Lee HyukJae!

-O que você ainda quer, DongHae? Já perdi meu sono e a minha paciência, feliz? –Devolvi o tom gentil com o qual ele estava me tratando e vi seu cenho se franzir ainda mais.

-Eu quero entender você! –Pela primeira vez o tom se mostrou realmente preocupado. –Porque não me contou que estava com o hyung? Eu sou seu amigo não sou?! Isso não é motivo pra ficar estranho comigo!

-Ai meu Deus! O que eu tenho que fazer pra te convencer hein?!

-Me contar a verdade, Hyuk! Qual o seu problema hein?! –E aquela pequena fração de insistência foi o suficiente para liquidar o resto de paciência que eu tinha.

Sem o mínimo cuidado, fui pra cima dele, empurrando-o grosseiramente contra a porta, ouvindo tanto o barulho da mesma quanto seu ofego de dor. Minhas unhas praticamente se cravando na pele branca do braço de DongHae que agora me olhava assustado.

-H-Hyuk! –Ele ofegou, tentando se livrar do meu aperto. –Tá ma-machucando!

-Você quer saber qual a porcaria do meu problema? –Apertei seus ombros com mais força, sentindo seus dedos frios sobre os meus numa falha tentativa de se soltar. –Você DongHae! Você é a merda do meu problema! –Foi só quando eu já tinha dito que eu percebi a idiotice que eu tinha feito.

Escondi tanto pra dar de bandeja assim!

DongHae me fitava intensamente, o mar de seus olhos confuso e ao mesmo tempo curioso. Afrouxei o aperto que meus dedos faziam, aturdido demais para dizer qualquer coisa. Eu tinha dito! Eu tinha acabado de dizer tudo que eu estava segurando! O que eu tinha feito?! Que merda!

Tentei me afastar, mas antes que pudesse dar um passo para trás, suas mãos agarraram as minhas de forma firme, impedindo-me de fazer qualquer movimento sem ter de levá-lo junto. O que ele queria? Piorar tudo?! Baixei meus olhos, com medo do que ia encontrar nos olhos negros de DongHae, com medo do meu pequeno barco acabar virando por não agüentar uma grande tempestade.

-Hyukkie...

E antes que eu pudesse dizê-lo para não me chamar daquela forma, senti-me puxado em direção ao seu abraço quente, o qual eu nem sequer tinha forças para repelir. DongHae me apertou contra si da forma carinhosa e carente que ele sempre fazia e eu esbocei um sorriso. Talvez... Só talvez, as coisas não mudassem entre agente. Um pequeno fragmento de esperança se acendia em mim. Ficamos abraçados por alguns segundos, até que eu pude sentir seu hálito quente rente ao meu ouvido, num sussurro quase rouco.

-Deixe-me ser solução ao invés de problema então. –E antes que eu pudesse perguntar o que aquele maluquinho queria dizer com aquilo, senti seus lábios sobre os meus.

E como num passe de mágica, tudo da minha mente se apagou.

Não demorou muito para que sua língua afoita pedisse a passagem que eu prontamente dei, suas mãos agora se agarrando no meu cabelo enquanto as minhas se firmavam na cintura dele, quase como se quisessem garantir que aquilo era real. Sonhara tantas vezes com aquilo que morria de medo de simplesmente ser mais um sonho.

Quando dei por mim, minhas costas batiam na parede e as mãos dele tocavam minha pele sob o tecido da blusa do pijama. Suspirei com o contato, sentindo cada vez mais o calor e o aroma dele me inebriarem. Eu estava rendido. Totalmente rendido por aquele ser adorável e extremamente expressivo, que dizia tudo com apenas um olhar.

Nossas bocas só se desgrudaram quando a necessidade de ar falou mais alto. Fechei meus olhos, completamente extasiado com o momento e logo que os abri me deparei com aquele sorriso perfeito de dentes retinhos e brancos, tão fofo que dava vontade de morder. Sorri-lhe da forma mais boba que consegui e senti vários beijos molhados sendo dados em meu rosto. Não demorou muito e eu senti uma mordida leve em minha jugular, não conseguindo evitar o gemido que subiu pela minha garganta.

-Eu sempre quis fazer isso Hyukkie! –Ele disse, o mar negro agora nublado por uma nuvem espessa de malícia. –Sua jugular é tão perfeita...! –Ele murmurou arrastado, lambendo e beijando mais o local, enquanto eu apenas conseguia me agarrar mais a sua cintura.

-Hae-ah! Eu quero você. –Falei sem rodeios, sentindo meu corpo inteiro pegar fogo como nunca antes. Então aquele era o efeito Lee DongHae. Ele apenas deu mais um sorriso cheio de malícia, me puxando para mais um beijo de tirar o fôlego.

Não sei bem quando nossas roupas foram parar no chão, nem quando a porta do meu quarto foi trancada. Naquele momento eu só conseguia me concentrar nele. Em seu corpo, em seu sorriso, em sua voz e principalmente em seus olhos, naquele mar que me levara para longe da costa e que me deixava totalmente sem proteção.

Nossas vozes se uniam em uma só enquanto a temperatura só fazia aumentar. Minhas mãos percorriam ávidas todos os pedaços dele, buscando memorizar cada um, por menor que fosse. Impressionante como ele conseguia ser adorável até mesmo quando seu rosto estava torcido em uma expressão de prazer. As bochechas rubras e os olhos cerrados, tão fofo! Beijei cada pedaço de seu rosto, mordendo as bochechas e o lobo da orelha, ouvindo-o ofegar baixinho. Apertei suas coxas contra mim deixando ali a marca das minhas mãos e provei tudo que pude de sua pele.

Se pudesse talvez me afogasse nele.

Suas mãos, tímidas para quem havia dado o primeiro passo, passeavam suaves pelas minhas costas e tocavam com delicadeza cada pequeno gominho do meu abdômen. O desejo entre nós aumentando cadê vez mais, se é que isso era possível, chegando a seu ápice, no momento que era impossível evitar.

-Hyuk eu... –Ele estava com medo, dava pra ver. Respirei fundo, me preparando para qualquer coisa, até mesmo para desistir. Jamais o forçaria!

-Quer p-parar? –Minha voz falhou, embolada por todo o prazer que fazia meu corpo pesar.

-N-Não! –Ele respondeu rápido, mordendo os lábios como sempre acontecia quando ficava nervoso. –Eu quero! Mas eu... Eu tenho medo... E se machucar...? –Sorri e puxei uma de suas mãos para mim, beijando-a e colocando-a em seguida sobre meu peito, na área do coração. DongHae me olhou assustado com a velocidade dos meus batimentos e eu ri soprado de sua reação.

-Vê? Tudo isso é por você. Tudo! Hae, você confia em mim? –Ele assentiu e eu enlacei minha mão na dele, me posicionando contra sua entrada. Forcei-me para dentro no mesmo momento em que comecei a distribuir beijos em seu rosto, sentindo as lágrimas tímidas que ele deixava escapar conforme meu corpo avançava sobre o seu.

Limpei suas lágrimas e mantive-me parado, segurando ao máximo a vontade louca que eu tinha de me mexer, até que ele finalmente começasse a se movimentar. Em pouco tempo, os gemidos roucos de dor foram substituídos pelos altos de prazer que se uniam ao barulho gostoso dos nossos corpos se chocando. DongHae mordia os dedos, tentando abafar seus gemidos altos enquanto eu apenas mordia os lábios, tentando fazer o mínimo de barulho possível.

Chegamos ao ápice juntos, um gritando o nome do outro.

Caí exausto sobre o corpo suado dele, sorrindo bobamente como uma criança que acaba de ganhar um presente. Com os últimos resquícios de força que eu tinha, chutei os lençóis sujos para o chão, pegando outros novos que por alguma intervenção divina se encontravam dobrados sobre a minha mesa de cabeceira. Sorri abertamente a um DongHae ofegante, ajeitando-me ao seu lado e puxando-o para mim enquanto cobria a nós dois.

-Seu bestinha. –Murmurei divertido e ele me olhou curioso. –Aquilo tudo foi uma cena de ciúmes? –Suas bochechas coraram de adoravelmente e eu ri soprado do bico que se formou em seus lábios rosados.

-Eu realmente achei que... Vocês tivessem algo...! –Seus olhos se desviaram dos meus por alguns instantes. –Quando HeeChul falou comigo, os sentimentos me subiram a cabeça e... O resto você já sabe... –Apertei-o contra mim e dei um beijo estalado em sua bochecha, vendo-o sorrir. Aquela maneira única que ele tinha de expor seus sentimentos era absolutamente encantadora.

Assim como ele todo.

-Hae? –As duas ônix se fixaram e mim e eu corei –Ah! Eu não sou muito bom com essas coisas ta bem? — antes de lhe dizer. –Saranghae. –O fishy só fez sorrir e se aconchegar mais ao meu peito, seus fios castanhos fazendo cócegas contra na minha pele nua.

-Saranghae monkey, meu monkey! –E então o silêncio se instalou no quarto, me fazendo acreditar que ele tinha pego no sono. Fechei meus olhos, na intenção de seguir o mesmo caminho quando ouvi sua voz novamente. –Hyuk? Ta dormindo?

-Pra sua sorte não! –Respondi bem humorado — Se você me acordasse nós íamos ter nossa primeira DR aqui! –E ele riu baixinho, as duas ônix me fitando mesmo na escuridão. Lá vem bomba...

-Desde quando? –O fitei sem entender e ele reformulou sua pergunta. –Desde quando você gosta de mim? –E a reação que eu tive não podia ser mais idiota. Sobressaltei-me com a pergunta e acabei por dar um pequeno “pulinho” na cama, acertando com tudo a cabeça na cabeceira. Também, como ele fazia uma pergunta dessas assim, a queima roupa!? –Hyukkie! Ta tudo bem? –Ele se ergueu um pouco, me fitando com total preocupação.

Aish, como eu sou idiota!

-Tá, ta sim! Eu só... Bati com a cabeça! Não foi nada! –Ri nervosamente e ele continuou me fitando em expectativa. Ele queria mesmo a resposta? Suspirei, tentando formular a melhor resposta que podia. Como eu havia dito, eu não era bom que nem ele em falar das minhas emoções. Nem mesmo em demonstrar! –Ah eu... Hae eu não sei... Quer dizer... –Seus olhos brilhavam mais a cada segundo. –Que pergunta complicada! Eu não sei! Não sei quando comecei a reparar bem mais do que devia... E nem como quando comecei a gostar dos fanservices e... Aish! Isso é constrangedor! –Ele riu e me deu um selinho.

-Porque não disse antes? –Sua voz era baixinha e eu agradeci ao fato de estar escuro o suficiente para ele não poder ver minhas bochechas coradas. Essas perguntinhas cretinas!

-Medo Hae. –Respondi sincero, apertando-o contra mim. –Medo de perder você, em todos os sentidos. –E antes que eu pudesse desviar os olhos dos dele, senti seus lábios novamente nos meus em um beijo apaixonado. DongHae agarrou meu cabelo com força de novo enquanto minhas mãos o puxavam pra mim.

-Pabo! Você achou o que, que tudo que eu havia dito era brincadeira? –Ele riu e eu cocei a nuca assentindo timidamente. –Seu lerdo! –Bateu de leve na minha testa para em seguida beijar o local e se aconchegar ao meu corpo de novo, voltando ao seu silêncio. Dessa vez eu sabia que ele não estava dormindo, mas sim matutando o que me perguntar em seguida. –Hyuk, como nós ficamos agora? –Eu não sabia responder.

-Não sei Hae... Você sabe né? Que não vai ser fácil! –Falei sério e ele assentiu. –Eu quero ficar com você, mas se... –Um selinho me interrompeu.

-Então pronto! Eu também quero e ninguém vai me fazer mudar de idéia. Eu te amo, HyukJae! Meu HyukJae! –Ri soprado.

-Te amo, Lee DongHae, meu fishy! –E depois de dar-lhe mais um beijo apaixonado, fitei seus olhos se fechando e fiquei zelando seu sono até que sua respiração estivesse tranqüila e me dissesse que ele havia dormido. Só então adormeci, sendo tragado para o melhor sono dos últimos tempos.

Eu sabia que as coisas não seriam fáceis, que nosso relacionamento não seria bem visto pela maioria das pessoas e talvez até mesmo por alguns companheiros. Sabia que íamos nos deparar com muitos olhares feios por aí e que a única coisa que íamos poder fazer é apertar forte a mão um do outro.

Também sabíamos que, como pessoas públicas, não dava para abrir simplesmente pro mundo o que estava acontecendo. Teríamos de esconder nosso relacionamento para preservá-lo, preservar a nós mesmos e a banda.

Os problemas que iam surgir não seriam poucos e nem tampouco fáceis de enfrentar, mas de uma coisa eu estava certo dentro de mim. Eu amava aquele fishy e por ele eu ia batalhar por todas as soluções porque, por mais que fosse ele fosse uma criança travessa, ciumenta, manhosa e teimosa, ele era a única pessoa no mundo que conseguia ser ao mesmo tempo, problema e solução para tudo.

Porque eu podia ter mil problemas, mas sem dúvida DongHae era a solução para todos.

¹- Para quem viu o drama do Super Junior, o Hyuk fala algo parecido com isso e o DongHae solta um "Bwo" bem alto com uma cara super incrédula, que eu achei na internet que é traduzido para "O que?" Para quem não viu, vejam porque é uma fofura ♥

Notas finais
E é isso aí. Como eu disse foi a minha primeira de k-pop que eu consegui terminar (Comecei uma de BIGBANG a uns tempos atrás e não consegui terminar :D), com um casal eu amo de paixão que é EunHae, espero não ter errado nada muito grotesco. Agradecendo a BeyondWall por ter apoiado a idéia e tudo mais :]
Espero que tenham gostado e obrigada a todos que leram. :3
Kisu ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!