My Own Hero
1 Capítulo Único: My Own Hero
Notas iniciais
Boa leitura. :)

Kara provavelmente nunca sofreu com uma batalha interna tão feroz. Revelar-se para Winn, esconder-se de Cat, adaptar-se ao DEO, aceitar a perda de Astra, perder-se na kryptonita vermelha, culpar-se pelas supressões de Alex, desvanecer-se de James, confiar em Lucy Lane, independer de Clark, assegurar Eliza, afligir-se com Jeremiah, temer por Maggie, acreditar em Mon-El, o Daxamita. Cada batalha vencida em sua consciência torna-se pequena com o que seus olhos alcançam agora.
A mão fantasmagórica de Lilian acaricia um dos ombros de Lena. Ela olha para Lilian com a cabeça inclinada para cima e um largo sorriso, como uma criança confortada pelo seu maior herói. E quando Kara pousa com J’onn nas docas para confrontá-las e os olhos de Lena Luthor encontram os seus, a estranha batalha interna começa com uma explosão.
Ela, feita de aço, sente-se fraca e trêmula.
A batalha desdobra-se com dois notórios inimigos: O que Kara vê e o que Kara sente. Vê uma mulher magoada e solitária, vilipendiada pela própria família. Manipulada por Lilian, amedrontada por Lionel, devastada por Lex. O que vê é um desejo desesperado de demonstrar força e invencibilidade.
Kara queria que Lena soubesse o quão forte e admirável ela é sem precisar provar nada a ninguém.
O outro inimigo, o que está massacrando seu opositor de uma forma que Kara é incapaz de controlar, é o que sente. Contra todas as circunstâncias, ela acredita em Lena Luthor. Ela acredita que mesmo quando tudo parecer sombrio e noturno, Lena acenderá uma luz e fará todos cabisbaixos e tolos por duvidarem de sua integridade.
É exatamente o que Kara acredita que Lena seja. Íntegra.
Incorruptivelmente íntegra. Nem mesmo por sua própria mãe.
— Prove-me. – A voz de Lilian dita gélida e desafiadora. – Prove-me agora, Lena.
Os olhos de Lena ainda estão em Kara e o vislumbre de terror no rosto da jovem Luthor ameaça quebrar de vez as pernas da heroína. Kara quer usar sua velocidade sobrenatural para alcançá-la, cuidá-la e garantir que ela é muito mais valiosa do que uma estrelinha dourada que Lilian poderia lhe dar como recompensa por genocídio. Quer carregá-la e voar para longe dali, longe da L-Corp, longe do DEO, da Catco, longe dos Luthors, Danvers e Els e experimentar com ela a sensação inédita de libertação. O rosnado de J’onn ao seu lado, porém, a desperta para as rochas verdejantes que se tornaram os olhos de Lena enquanto Lilian sussurra suas atrocidades em seu ouvido.
— Lena... – Kara quase assovia, tamanha sua fraqueza. – Não faça isso...
Seu coração alegre, feito de aço, feito de Sol, quebra quando Lena esquadrinha os ombros e sorri cruelmente, quase com desdém. Os combatentes de testemunha e crença estão ainda mais ferozes guerreando dentro de Kara, porque tudo lhe é tão óbvio, tudo lhe diz que não pode tocar, salvar ou proteger Lena, tudo aponta para ela nesse exato momento como uma exímia Luthor. Mas Kara não consegue acreditar, não consegue aceitar que Lena não é quem ela acreditava ser desde que esteve pela primeira vez em seu escritório. Que Lena não é gentil, bondosa, justa.
Nada a faz duvidar de sua integridade.
— Por que não? – O riso desliza na voz de Lena com incredulidade e autoritarismo ácidos. – Eu sou uma Luthor.
Kara não estremece. Kara não quebra. Dessa vez, com a sentença de Lena, Kara cai. Está ciente da queda, conhece a sensação. Impotente. Fraca. Letárgica. Aqueles olhos verdes cintilam ainda profundamente contra os seus azuis e Kara sabe que, nos milésimos de segundo daquele olhar, poderia, num instante, impedi-la. Mas não consegue se mover. Nem mesmo um único músculo de aço. Sente-se perder o equilíbrio, prestes a cair de joelhos diante dela. Por causa dela.
Como se Lena Luthor fosse uma espécie de legítima e indomável kryptonita.
Como se ela fosse sua maior fraqueza simplesmente por ser a única capaz de tirar-lhe todas as forças.
O giro da chave, o lançamento do vírus, a explosão no céu noturno, todos os estrondos são, para Kara, com sua audição aguçada, sussurros distantes. O grito de J’onn, a gargalhada de Lilian, o suspiro de Lena. As sirenes ao longe, os murmúrios de todos os alienígenas da cidade, mesmo o som suave do mar ela não capta.
J’onn range os dentes em fúria e corre na direção de Lilian. Se ele irá morrer, não será sem abatê-la primeiro. O Cyborg surge para protege-la e lança-se contra o marciano, iniciando uma luta desenfreada. Kara não interfere. Kara não ouve.
Kara somente caminha, ignorando completamente o olhar superior de Lilian. Para ela, tudo o que importa agora é o olhar frágil de Lena. Sua batalha interna é vencida da forma mais surpreendente e dolorosa possível. E agora ela sabe a razão.
Kara venceu a si mesma. Ela venceu a menina de aço e todos os seus princípios. Ela venceu a Supergirl.
O sentimento humano a domina, como se involuntariamente fosse tomada pelo egoísmo e por seus próprios sentimentos, incapaz de pensar no fato de que todos os alienígenas estão há alguns instantes da morte iminente. Ela só pensa em como os lábios de Lena estão tremendo e em como seus batimentos cardíacos estão gritando.
Lena não recua. Observa Kara ir em sua direção enquanto sua mãe dá passos vacilantes para trás. Espera um golpe, uma punição. Mas os braços de Kara a trazem contra ela com uma amabilidade e cuidado tão grandes que agora é a sua vez de quebrar. De quebrar de dentro para fora. O corpo de Kara é quente e seu peito está disparado. Faz tanto frio nas docas.
— Eu não sei porque você fez o que fez. Eu não entendo. – Kara sussurra. – Mas eu prometo que não vou deixar ninguém machucar você.
Se Kara não fosse de aço, o aperto teria torcido seu pescoço. Lena finalmente retribui seu abraço e o modo como seu corpo se expande e se contrai denuncia seus soluços, denuncia que ela chora compulsivamente nos braços de Kara.
O vírus, como brasas de um incêndio, cai lentamente do céu. Kara fecha os olhos. Não pode soltar Lena, mas também não pode ouvir. Deseja não poder ouvir nenhuma dor expressa em grito, mas sabe que não pode. Somente espera. Somente espera pelo fim.
Silêncio.
O único som é do coração de Lena se acalmando.
De repente, quando abre os olhos, percebe que J’onn está de braços abertos, olhando para si próprio completamente perdido e confuso, tocando-se como se para verificar-se intacto. O vírus se espalha, mas seus ouvidos não captam corpos tombando, guinchos feridos ou lamentações. Apenas um riso incrédulo e desconfiado de Lilian.
— Os alienígenas... – Seu olhar furioso encontra Kara e Lena afasta-se em seu abraço apenas o suficiente para encarar a mãe, desejando não perder o calor de Kara e inspirando o ar ruidosamente.
— O vírus falhou...? – J’onn murmura, suspirando.
— Você. – Lilian sibila entredentes, perfurando Lena com os olhos. – Você isolou o isótopo. Você neutralizou o vírus.
— Eu fiz. – Sua voz soa como uma rachadura e Kara instintivamente aperta seus braços ao redor dela. Lena encolhe-se e espalma as mãos em seu peito, sobre o brasão da Casa de El, pousando a cabeça em seu ombro. – E eu acionei a polícia.
Agora Kara compreende as sirenes. Agora Kara compreende a dor nos olhos dela momentos atrás. Não era culpa, era medo. Lena estava com medo da sua reação imediata quando girasse a chave e ativasse o vírus. Lena estava com medo de vê-la decepcionada. As sirenes que se aproximam são como um alarme que a desperta com um susto: Ela estava certa. Sua batalha interna foi vencida pelo lado certo, pelo lado justo, pelo lado heroico. Ela confiou em Lena em inteira incompreensão. Lena conseguiu. Lena Luthor acabara de salvar todos os alienígenas da cidade. Lena sobrepujou o que os Luthor tentaram fazer dela ao longo de uma criação árdua e dolorosa por anos a fio.
A mão de Lena abriga seu rosto e Kara não contém as primeiras lágrimas que se acumulam em suas pálpebras. As pontas dos dedos compridos passeiam sobre sua pele com delicadeza, ignorando completamente que mesmo um tapa não feriria a menina feita de aço. Como se ela pudesse perder o toque de Kara a qualquer instante. Lena está sorrindo, seus olhos ainda aliviados derramando as últimas gotas do choro quando os lábios se esticam e os dentes se alinham perfeitamente.
Kara, que veio de outro planeta, que esteve em outros muitos e em lugares distantes na própria Terra, pode afirmar indolentemente que é a coisa mais bela que já viu em toda a sua vida.
De repente, as sobrancelhas de Lena se unem e seus olhos se estreitam em uma expressão dolorosa, trazendo um sussurro quase inaudível.
— Eu sinto muito...
Seu corpo afrouxa nos braços de Kara, que cai de joelhos e a segura firmemente, tateando-lhe o rosto, tentando encontrar seus olhos que, perdidos, vagam para todos os lados enquanto sua respiração torna-se fraca e agitada.
Quando Kara inclina-se para cima. Lilian Luthor tem um pequeno dispositivo nas mãos e um sorriso vitorioso. Ao mesmo tempo em que deduz do que se trata o botão vermelho pressionado, os policiais estão correndo para a mulher como se também soubessem. É Maggie quem estremece ao ver o corpo de Lena quase inerte nos braços de Kara e, com um grunhido raivoso, se joga sobre Lilian, largando as algemas e imobilizando-a no chão. Se não houvesse seus parceiros para contê-la, Maggie teria desfigurado o rosto da mulher de tanto esmurrá-la.
Kara volta-se para Lena outra vez. Ela está fria. Ela está trêmula. Ela chora novamente e Kara simplesmente não sabe o que fazer, aprisionada em uma dor que começa a consumi-la quando uma mancha vermelha começa a se espalhar na testa e nos pulsos de Lena, surgindo também vagarosamente na altura dos pulmões.
É uma dor que Kara reconhece.
É a mesma dor que sentiu quando era uma garotinha fugindo numa cápsula, observando seu planeta ser destruído. Assistindo o fim de Krypton.
É a dor de perder tudo que lhe é mais caro.
— O que... O que eu... J’onn... Alex... Eu... – Ela balbucia, desesperada.
Pode ouvir não muito longe Alex, os agentes do DEO e Mon-El se aproximando, assim como James e Winn em uma moto. Antes que possa ceder ao desespero de clamar pela sua irmã, que sempre fora sua heroína, a mão de Lena novamente toca seu rosto, quase cedendo.
— Está tudo bem. – Ela sorri fracamente. – Eu sabia que Lilian tinha uma garantia para me fazer pagar caso falhasse... Eu a deixei fazê-lo no laboratório do Cadmus.
— Por quê?! – Kara inunda-se de raiva e de lágrimas. – Se sabia desde o início o que faria, que a impediria, por quê?! Por quê, Lena?!
— Porque... – Ela vacila, sofrendo um espasmo violento. – Porque você é... L-literalmente minha única amiga em National City, Kara.
— Você... – Os olhos de Kara arregalam-se e seu abraço ao redor de Lena é mais firme do que nunca, como se pudesse retardar ou aplacar sua dor. – Você sabia? Como...? Desde quando...?
— Oh, Kara... – Lena ri. O movimento faz com que sangue acumulado escorra pelas extremidades de seus lábios. – Eu reconheceria o seu sorriso em qualquer lugar. Eu tinha que proteger você como pudesse...
Kara tenta a todo custo não derreter diante de suas palavras.
— Não pensou que poderia ter me contado, contado ao DEO? – Golpeia violentamente o chão, quase afundando o punho sob a terra, exteriorizando sua dor em raiva. – Não pensou que poderíamos trabalhar novamente juntas?!
— Eu sinto muito. – Repete dolorosamente. – Eu tentei ser meu próprio herói, Kara. Depois que minha mãe a sequestrou, eu não podia envolvê-la. Eu sinto muito, eu sinto...
— Você não pode morrer! – Kara rosna, recostando sua testa contra a dela, ouvindo os passos apressados de Alex exigindo uma maca aos agentes. – Eu não posso te perder! Eu... Gosto de você! Você compreende?! Eu gosto de você, eu acredito em você, eu preciso descobrir porque meu coração dispara, porque não consigo deixar de sorrir quando você está por perto! Eu preciso descobrir porque eu abandonaria o mundo para cuidar de você, Lena Luthor!
Com os olhos já fechados, a jovem Luthor deixa sua mão cair inerte sobre o colo e abre um sorriso com muito esforço.
— Foram as coisas mais bonitas que alguém já expressou por mim em toda a minha vida, Kara.
E sua cabeça tomba sobre o braço de Kara. Ela nunca ouviu seu coração pulsar tão fracamente. Alex corre ajoelhando-se e a toma pelas costas, abraçando-a, deixando que os médicos e agentes coloquem Lena na maca. Kara não impede ou consegue exteriorizar seu desejo de ir com ela. Está absorta na dor. Naquela dor de perder tudo.
Exausta, cede à escuridão.
Quando Kara desperta, há um silêncio esmagador na base do DEO. Poucos agentes circulam pelo local. Ela se levanta de sua maca, sentindo as energias renovadas, embora sinta-se irremediavelmente ferida por dentro. Winn, James e Mon-El compartilham uma pizza sem palavras, suspirando reflexivos. J’onn está tratando de seus ferimentos, informando à Vasquez sobre as medidas de segurança à respeito de Lilian Luthor.
Quando Kara sente-se prestes a cair em prantos novamente, Alex invade a sala e a aperta em seus braços, aliviada.
— Como sabia? – Questiona sussurrante.
— Maggie. – Alex acaricia seus cabelos. – Maggie estava em meu apartamento quando Lena fez a chamada. Tive que vir ao DEO me preparar, tínhamos que descobrir o que realmente estava acontecendo.
— Maggie... – Kara ilumina-se. – Então... Vocês...?
— Sim. – Alex sorri afetuosamente. – Mas não falaremos disso agora. Eu estou aqui com você.
— Lena... – Encolhe-se no abraço da irmã.
— Ela está viva, Kara.
— Ela vai sobreviver?
— Eu não sei. – Admite. – Mas ela está tentando. Conseguimos estabilizar seu corpo para mantê-la viva, mas os danos são muito graves. Não desistiremos, eu prometo. Winn veio com ela e... Ele disse que no caminho Lena acordava e perdia a consciência, chamando... Chamando por você.
— A culpa é minha. Eu sou a heroína. Eu deveria tê-la protegido, Alex!
— Culpar-se não vai fazê-la se curar, Kara. – Afaga seu rosto novamente consumido pelas lágrimas, dando-lhe um sorriso encorajador. – Você ainda precisa se recuperar, por isso, volte a deitar. Eu a manterei informada.
— Não! – Agarra seus braços, aflita. – Eu preciso ir, Alex, preciso estar com ela. Se ela se for, se ela ficar, eu preciso... – Soluça. – Preciso estar lá...
— Kara, Kara, me ouça. – A contém, mantendo seus ombros para baixo. – Lena está tentando. Você também precisa tentar. Não deveria dizer nada agora, mas Maggie foi ao meu apartamento para dizer que quase morrer a fez despertar para seus sentimentos, sua coragem. E eu entendi, Kara, eu entendi, porque vê-la correndo o risco de morrer foi a coisa mais terrível e assustadora que já esteve em meu coração. Eu sei o que está sentindo, eu juro que sei. – Beija sua testa, tranquilizando-a. – Eu ainda não sei o que há entre você e Lena, o que significa tudo isso. Mas eu sei que não sairei daquela sala até trazê-la de volta. Você confia em mim?
— Eu... – Hesita...
— Você confia em mim, Kara?
— Sim... – Assente, deixando-se cair novamente sobre a maca de lado, frustrada. – Eu confio em você. Sempre.
— Ótimo. Fique aqui. – Aperta suavemente sua mão e a deixa. Kara acredita e confia nela. Kara sabe que Alex não se permitirá ter um segundo de descanso antes de cumprir sua promessa.
O dia se transforma em noite e Kara não consegue dormir. O DEO é inabitado na madrugada e, apesar de saber-se restaurada finalmente, a menina de aço sente-se mais frágil do que nunca, como se o menor sopro de vento pudesse desabá-la outra vez.
Caminha pelos corredores escuros e sabe onde precisa ir. Precisa encontrar sua força. A plenitude dela. O significado. Adentra o breu do quarto e sua visão capta facilmente os aparelhos conectados a ela e o monitor cardíaco mostrando-a estável. Ao lado da porta, com a arma quase escorregando entre os dedos frouxos, Maggie dorme tranquilamente. Na poltrona próxima à cama, Alex está largada como se não dormisse há dias e isso enche seu coração de uma esperança inexperimentada. Sua irmã a havia salvo, como sempre fazia.
Desliza com toda delicadeza possível para perto. Precisa estar perto dela para que possa vê-la acordar. E mesmo que possa vê-la adormecer para sempre. Segura sua mão com uma cautela que expõe o quanto ela é preciosa. Sim, Kara pensa, Lena Luthor é preciosa. Lena é rara. Lena é todas as coisas boas nas quais Kara acreditou o tempo todo fazerem parte dela, excedendo a todas as expectativas.
— Eu estou aqui, Lena. – Sussurra. – Você vai ficar boa e voltará para National City com todas as honras que você merece. Nenhum deles nunca mais ousará duvidar ou julgar. Você salvou a todos e eu preciso que você volte para perceber a grandeza de tudo isso. – Toma e beija suavemente as costas de sua mão e os nós de seus dedos. – Eu preciso que volte para poder contar que, apesar de ter dito para que fosse seu próprio herói, essa noite você não salvou apenas os alienígenas e não apenas se salvou da tirania de sua mãe. Essa noite você me salvou. Me salvou da forma mais maravilhosa e humana que alguém pode ser salvo.
Kara não percebe que Maggie e Alex acordaram e a observam discretamente com sorrisos tocados e abertos, o de Alex demonstrando orgulho.
— Eu me apaixonei por você, Lena Luthor. E pela primeira vez em muito tempo, entre combates mortíferos, um chefe rabugento, uma saudade de Krypton e todas as adversidades que Supergirl e Kara Danvers enfrentam todos os dias...
Inclinando-se com cuidado, beija sua testa gentilmente, quase sem tocar os lábios.
— Pela primeira vez, Kara Zor-El não está com medo.
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