My Only Hope
1 Unic
Notas iniciais
Como eu já disse antes, eu reino nas ones. Beijo pra você -q
Naah eu não gostei muito dessa e tals... Mas não deve ter ficado tão ruim assim.
Escrevi no meio da aula de inglês, porque terminei a prova antes de todo mundo e não tinha nada pra fazer, é.
Enjoy!
Afundando.
É assim que eu me sinto.
Afundando.
Afundando em minha própria depressão. Meus próprios pensamentos. Minhas próprias lágrimas. Meus próprios problemas. Minhas próprias discussões.
Tudo isso começou alguns meses atrás, quando a turma toda se voltou contra mim. Eu sempre fui um garoto excluído, mas nunca fui alvo de risos ou zoações. Sempre fui o cara quieto no meu canto, que não apanhava, mas também não era o popular. Porém, alguns meses atrás, eu virei o alvo da turma, por algum motivo. Começaram a rir de mim, a apontar minhas falhas, a me chamar de nomes não muito inofensivos... Desde então, minha vida se tornou um inferno. E isso tudo só ficou pior após a morte de minha avó. Ela era a única que me encorajava, seja com a arte, seja com a música. Após o falecimento dela... Eu perdi tudo. Perdi todo o impulso que eu tinha para fazer qualquer uma das duas coisas, perdi a vontade de viver.
Foi assim que vim parar nesse bar sujo e particularmente sombrio. Vez ou outra, eu pegava uma mulher qualquer me olhando desejosamente, mas simplesmente as ignorava. Eu não estava com cabeça para sexo ou qualquer coisa do gênero, eu tinha problemas muito mais importantes para enfrentar.
Senti um movimento ao meu lado. Não me virei para olhar quem era. Para que me importar, afinal?
A figura pediu uma bebida qualquer, não prestei atenção em qual. Apenas concentrei meu olhar no copo meio cheio na minha frente. Senti a tal figura falar comigo.
-Ei, por que está com essa cara?
-E te interessa? – sua voz era amarga. O outro fez cara de ofendido, mas insistiu.
-Sim, interessa. O que aconteceu?
Eu nunca soube como ou por que, mas comecei a me abrir com o menino estranho ao meu lado. Devia ser da minha idade. Ele era baixinho, olhos cor de avelã, cabelos pretos e razoavelmente compridos. Vestia uma jaqueta de couro com uma camisa vermelha, calça jeans e tênis. Era particularmente bonito com a sua aparência infantil e fofa.
Disse a ele o que acontecia comigo em minha escola e sobre a morte de minha avó. Como eu disse antes, não sei por que fiz isso. Acho que senti uma boa aura ao redor dele. Ou eu simplesmente estava desesperado. Vai saber.
-Então é isso? – perguntou ele após eu terminar meu relato.
Assenti amargamente. Ele suspirou e disse:
-Sinto muito por... Por tudo o que está acontecendo na sua vida e tudo o mais. E meus pêsames pela sua avó.
-Não é culpa sua. – respondi, com a voz rouca. Ele deu de ombros e sorriu.
-Talvez não seja, mas isso não quer dizer que eu não me sinta mal por você. Escuta, tem algum jeito de eu fazer você se animar um pouco?
-Creio que não.
Ele mordeu o lábio. Tinha que admitir que aquele gesto era um pouco... Bonito.
Balancei a cabeça, tentando me livrar desses pensamentos. Ele se levantou e tratou de puxar meu pulso.
-Vamos. Eu vou arranjar um jeito de melhorar o seu humor.
-Mas...
-Não quero saber. Você vem comigo.
O tal menino me arrastou até o seu carro (quem diria, ele tem idade para dirigir!) e fomos até um cemitério. Considerando que já era quase meia-noite, fiquei surpreso pela sua escolha. Tantos lugares para visitar, ele escolhe um cemitério?
Escolha perfeita, em minha opinião.
Passamos pelos portões de ferro e entramos no lugar. Nas linhas a seguir, tentarei descrever como eu, Gerard Way, vejo um cemitério:
Para mim, cemitérios são lugares melancólicos, isso é um fato. Porém, ao mesmo tempo em que o sentimento de melancolia me possui, um sentimento de certa felicidade também entra em mim. Sei que pode parecer estranho ficar feliz em volta de pessoas mortas, mas eu me sentia bem em um cemitério. Meus pensamentos se organizavam automaticamente e eu conseguia raciocinar melhor do que em qualquer outro lugar.
Como de praxe, ao pisar dentro da área, automaticamente senti que minha capacidade de pensar estava bem maior do que antes. O menino me levou até uma área ao lado do mausoléu, onde havia um banco de madeira escura, e se sentou ali. Sentei-me ao seu lado e o menino me observou.
-Você está com uma cara melhor. – disse ele, com sua voz infantil e divertida.
Dei de ombros.
-Cemitérios fazem eu me sentir melhor.
-Que coisa irônica a se dizer... – comentou ele, distraído – Aliás, nem sei seu nome. Sou Frank Iero. E você?
-Gerard Way.
-Muito prazer. – ele abriu um sorriso que, por alguma razão, me deu um arrepio. Devolvi-lhe o sorriso fracamente e ele deve ter notado isso, porque bufou.
-Anime-se, homem! Você não pode viver na depressão pra sempre!
-E quem é você pra dizer isso? – sua voz era irônica.
Frank levantou a manga esquerda de sua jaqueta, revelando uma série de cicatrizes. Pude ler as palavras “Die, you useless” escritas em seu braço, aparentemente escritas por uma lâmina bem afiada, anos atrás. Arregalei os olhos.
-C-como...
-Eu também sofri de bullying. Faz poucos meses, na verdade. – ele suspirou – Começaram a rir da minha cara, me chamar de idiota, punk, gótico, excluído... E quando o meu próprio pai me disse “Morra, seu inútil”... Foi a gota d’água. Tentei me matar, mas tudo o que eu consegui foi uma passagem de ida e volta para o hospital. Passei vários dias desacordado e, quando finalmente acordei, o médico disse que minha mãe estava mais que desesperada, chorando na sala de espera. Recusei-me a vê-la por puro medo. Eu não sabia qual seria sua reação, se ela brigaria comigo ou se ela ficaria feliz em me ver vivo. Simplesmente me escondi entre as cobertas do hospital. Quando finalmente concordei em deixá-la entrar, ela correu e disse que tinha terminado com meu pai por minha causa e... Aquilo não podia ter me deixado menos feliz. Ela não brigou comigo, muito pelo contrário, ficou extremamente feliz em saber que eu estava viva. Desde então... Minha vida melhorou bastante... – ele abriu um sorrisinho – Claro, eu ainda carrego essas cicatrizes comigo e, provavelmente, vou carregá-las para sempre. Mas isso não é necessariamente uma coisa ruim. Serve como lembrete.
-Lembrete de que?
-De ser forte. – ele sorriu – De continuar seguindo em frente mesmo apesar do que as pessoas falam sobre você. – Frank se levantou – Espero que tenha aprendido alguma lição disso, Gerard... Vamos?
Voltamos para o carro em silêncio. Eu ainda refletia sobre as palavras do menor. Foram sábias, não posso mentir, mas será que eu realmente estava preparado para aceitar isso tudo?
Fui dando as direções até a minha casa. Quando chegamos lá, eu ainda me perguntava por que havia deixado aquele estranho me ajudar.
-Então... É aqui, suponho. – disse ele. Fiz que sim com a cabeça.
-Obrigado por... Tentar me animar.
-Não há de que. E... Gerard...
-Sim?
-Posso tentar uma coisa?
-Claro. – franzi a testa. Ele suspirou fundo e se aproximou, colando nossos lábios. Arregalei os olhos, mas logo notei que eu estava gostando daquilo. Fechei-os e movimentei minha boca junto com a dele. Era uma sensação... Ótima.
Nos separamos minutos depois pela falta de ar. Eu ofegava e ele corava cada vez mais. Senti um sorriso brincar em meus lábios. Roubei-lhe o celular e digitei meu próprio número, salvando-o logo depois. Enquanto isso, ele ainda viajava nos próprios pensamentos, chocado demais para dizer qualquer coisa. Ri baixinho e me aproximei, beijando-lhe o rosto e sorrindo.
-Até depois, Frankie... – murmurei roucamente, abrindo a porta do carro e entrando em casa.
Obrigado, Frank Iero, por ser minha única esperança.
Notas finais
Tantos anos escrevendo fics e eu ainda odeio tudo o que eu escrevo... '-'
Enfim... É. Beijo '-'
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