Notas iniciais
Gente, eu ainda não sei mexer nesse site então eu coloquei em Originais, mas como já mostra na foto nós temos os meninos do BIGBANG ^^ sejam bonzinhos comigo ^^

Está tudo escuro, sinto cheiro de sangue, tateio os móveis perto de mim para conseguir andar. Ouço ruídos vindos da escada, alguém está subindo, meu coração dispara, o desespero começa a tomar conta de mim. Um estrondo, um grito de socorro sai de minha garganta, sinto meu cabelo ser puxado e meu corpo é arremessado na parede gélida, percebo que estou sem roupa. Uma mão começa a me tocar e meu corpo se debate com o homem a minha frente, não consigo ver seu rosto, ainda está tudo muito escuro. Mais um grito arranha minha garganta por dentro e sinto um golpe em minha barriga. Um ardor se expande e coloco a mão onde sinto dor, seguro em algo que parece ser uma faca. Engasgo com o sangue na minha boca. Estou ficando sem forças. Já não sinto mais dor, só vontade de fechar meus olhos.....

–-Julia! – dou um grito pelo susto. Gabriel chama meu nome e abro meus olhos completamente. Ainda estou no avião.- Você estava se debatendo, estava tendo pesadelos?- Ele me olha preocupado, não é para menos, várias outras pessoas estão olhando para nós.

–S-sim – minha voz sai arrastada. – Dormi lendo o relatório da polícia ontem, acho que sonhei com o homicídio. — disse recuperando minha respiração.

–Você nunca disse que tinha pesadelos por causa do trabalho.- ele ainda me olha preocupado.

–E-eu não tinha, essa foi a primeira vez. Não entendo, mas foi só um sonho ruim, eu vou esquecer isso, já vi coisas piores não é...- dei um meio sorriso. –Já chegamos?

–Não, ainda faltam algumas horas. Eles vão servir o lanche – ele sorri contente, Gabriel adora comer. Nos conhecemos no trabalho, não éramos parceiros, mas sei que ele é uma pessoa bacana. Vamos passar mais tempo juntos agora que fomos transferidos para o 2° DP de Seul. Fiquei sabendo que estavam recrutando pessoas especializadas em homicídios hediondos e me fiz de voluntária. Meu chefe não gostou muito, mas acabou aceitando. Eu morava com meu pai nos Estados Unidos, ele faleceu recentemente, na verdade faz mais de um mês que isso aconteceu, ele era um bom homem, mas eu não tinha o carinho especial que as filhas normalmente têm por seus pais. Talvez seja porque eu já era adolescente quando fui morar com ele.

Meu pai também ficou muito chocado com o que aconteceu com mamãe, mas digamos que aquilo mexeu muito comigo do que com ele claro, foi isso que me fez ter o trabalho que tenho hoje. Eu prometi para mim mesma que iria descobrir o assassino. Na época, como eu era muito nova não quiseram me dar muitas respostas, a única coisa que sei é que eles tiveram que fechar o caso por falta de provas, eles não tinham nenhum suspeito, mas isso não existe. Tem que haver um suspeito e eu vou descobrir!

A aeromoça serviu nossos lanches, Gabriel parecia com muita fome e aquela coisa melequenta que estavam servindo não me pareceu muito apetitoso. Deixei que ele pegasse a minha parte. Pobre Gabriel, pode ter uma bela de indigestão por comer porcarias.

Alcancei meu celular no bolso detrás de calça, eu sei que não se pode usar, mas eu preciso me comunicar com Lira, minha amiga. Ela se ofereceu para me dar abrigo, nós estudamos juntas por alguns anos e ela sabe da minha história, e sabe muito bem que mesmo que minha casa esteja desocupada eu não teria coragem de morar lá. Não por que eu tenha medo de fantasmas, nada disso, é só que não me sinto bem voltando ao lugar onde minha pobre mãe foi cruelmente assassinada.

Mandei uma mensagem avisando o horário que chegaríamos, ela nos esperaria, por mais que fosse um pouco tarde para ela. Lira deve trabalhar muito esses dias, ele me contou que agora tem uma nova equipe e que eles estão deixando ela de cabelo em pé. Não que ela não goste de sua profissão, na verdade ela adora, mas o problema é seu chefe, que provavelmente também será o meu. Ela faz parte da equipe Unidade de Vítimas Especiais, e é uma ótima promotora. Na verdade foi ela que me comunicou que estavam precisando de detetives, pelo que fiquei sabendo dois dos parceiros dela haviam falecido em um confronto com bandidos seguido de uma explosão. Não estou feliz por eles terem morrido, mas se não fosse por isso eu não estaria aqui.

Saímos do avião e fomos para a sala de desembarque, já com nossas malas que não estão muito cheias, esperamos pela presença de Lira.

Mais alguns minutos e eu escuto um grito agudo pelo saguão, me virei e pude ver minha amiga, sorri no mesmo estante e ela correu, eu fiz o mesmo e nos chocamos. Fazia muitos anos que não a via pessoalmente, nos falávamos por mensagens, mas era só isso. Vê-la depois de tanto tempo fazia meus olhos arderem pelas lágrimas.

–Julia como você está bonita, os anos só fizeram bem pra você. Se parece mais com sua mãe agora — ela hesitou um pouco por ter tocado no assunto da minha mãe, mas eu sorri para que ela não pensasse que aquilo me afetava.

–Você que ficou maravilhosa, olha esse cabelo – me exaltei pela emoção e a abracei novamente. Lira tinha uma boa aparência, muita boa na verdade. Um corpo magro porém com curvas, seu cabelo longo e liso batia próximo a sua cintura.

Depois de muito choro apresentei meu companheiro de trabalho para ela. Nós oferecemos a casa dela como um abrigo temporário para ele, mas ele preferiu ficar em um hotel.

Seguimos por mais uma hora até chegar a um hotel próximo à casa de lira. Já era por volta da meia noite quando finalmente chegamos em casa. Ela me mostrou meu quarto por mais que eu já soubesse o caminho, eu lembrava muito bem de algumas coisas, principalmente de sua casa, eu passava todas as sextas-feiras comendo pizza na sala com algum filme de terror. Por mais que estivéssemos cansadas, a euforia de nos reencontrarmos era maior, ficamos no meu quarto enquanto eu arrumava as minhas coisas dentro do guarda-roupa, e nós colocamos as fofocas em dia.

–Você precisa conhecer o delegado, nossa.... Ele é um pedaço de mau caminho. Pena que eu não posso fazer nada.

–Por que?

–Oras, de qualquer forma ele é ‘meu chefe’ estamos na mesma equipe. Não posso dar em cima do meu chefe. – ela fez biquinho.

–Conhecendo seu tipo de homem não creio que ele seja tudo isso. – provoquei.

–Bom, você vai conhecer ele e vai ver que estou falando a verdade, só não dê em cima dele, ele já é meu!

–Mas....—ela me aponta o dedo me impedindo de retrucar.

–Olha, amanha é sexta e eu combinei com algumas pessoas de sairmos e eles querem que você esteja junto. – Franzi a testa, não estava entendendo, por que me queriam junto? – É um encontro de classes entendeu? O pessoal do ano de 2003, lembra?!

–Mais ou menos, quem vai estar lá?

–Bom, eu deixei de convidar algumas pessoas sabe, lembra daquelas patricinhas? Então, elas não vão estar, somente alguns garotos.

–Entendi, bom se me der licença eu já estou morrendo, e preciso da cama em que você está deitada –Apontei para o colchão.

Ela saiu me mostrando a língua, mas sorriu ao fechar a porta. Minhas costas estavam doendo e eu precisava de um bom banho. Havia um pequeno banheiro dentro e me pus a tirar a roupa. Me olhei no espelho e retirei o pouco de maquiagem que ainda tinha em meu rosto pálido, amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e levei meu corpo até o chuveiro. Sentir a água caindo em minhas costas fazia meu corpo relaxar. Por mais que Lira esteja sendo gentil em me deixar aqui eu sinto que vou atrapalhar um pouco, ela mora sozinha, mas não gosto de incomodar.

Sequei meu corpo e coloquei um pijama confortável, amanha eu teria muita coisa para fazer. Preciso comprar um celular já que não tenho uma linha daqui. Deitei meu corpo sobre a cama e relaxei, era um bom lugar, a cama era confortável, o quarto não era tão grande, mas era aconchegante, havia em cima de mim uma pilha de livros. Devem ser todos de seu irmão, pelo que sei ele se mudou a pouco tempo e foi morar com a namorada, isso não é muito comum aqui, mas pelo que me lembro bem ele era um fanfarrão então juntar suas tralhas com alguém era quase como se fosse um milagre. Peguei um dos livros e me pus a ler, era um romance, não gosto muito de romances, são cheios de purpurina e sonhos impossíveis com algum drama no meio. Eles me entediam, mas me arrisquei a ler algumas páginas.

~~

Acordei com um solavanco, percebi que acordei com o livro no peito, acho que só li três páginas e dormir, eu devia estar cansada de verdade, mas claro que o livro com certeza não era tão interessante.

Tomei um belo banho tirando toda aquela preguiça, coloquei uma roupa solta para poder praticar meus exercícios matinais. Antes mesmo de tomar o café eu já estava fora da casa. Corri alguns quarteirões apreciando o ar fresco bater em meu rosto, o bairro por si só não mudou muito, só há mais prédios do que antigamente, mas só isso. Não creio que meus colegas ainda moram aqui no bairro, lembro-me de correr com eles por essas calçadas, já cai muitas vezes por aqui estourando meu joelho no asfalto quente. Passei por uma casa que me lembrei muito bem de quem era, Daesung!

Um velho amigo, ele sempre foi muito gentil e cuidadoso comigo, foi ele que me ajudou quando minha mãe faleceu. Ele ficou horas comigo enquanto velávamos seu corpo, mamãe não tinha muitos amigos e por isso não havia muitas pessoas no seu enterro. Tirando Lira, Daesung foi o que mais me deu seu ombro amigo, ele se preocupava muito comigo.

Parei na frente de sua casa, na verdade eu não sabia se ele ainda morava lá, cheguei perto da porta, mas não me atrevi a bater. Estava cedo demais para uma visita. Dei meia volta e corri mais um pouco pelo bairro.

Lira já não estava mais em casa quando voltei, ela havia deixado um bilhete na geladeira avisando que ela não almoçaria em casa e que tinha as sobras da janta na geladeira caso eu não quisesse cozinhar. Ela me conhece tão bem, eu não sou boa dona de casa e só cozinho se estiver morrendo de fome. Afinal, pra que servem os fast-food por ai?

Após o almoço eu sai apara encontrar Gabriel, o hotel onde ele estava hospedado não era tão longe assim e dava para ir a pé. Eu sei que iria ficar entediada sozinha dentro daquela casa, então me ofereci a mostrar um pouco da cidade para que ele não se perdesse.

~~

Escuto a porta da sala, e tiro meus olhos da Tv e dirijo minha atenção a ela.

–Pizzaaaaaaa- eu grito levando as mãos para o alto como uma criança.

–Não perdi o costume de comer pizza todas as sextas, lembra?

–Claro que me lembro, a gente ficava horas assistindo filmes de terror. Era engraçado, você sempre se assustava, ainda não sei por que assistia.

–Também não sei por que via esse tipo de filme, acho que era por que você estava comigo, eu morria de medo, até hoje eu não gosto disso- Ela senta ao meu lado no sofá e mordisca o pedaço de pizza.

–E como foi hoje? Você viu o bonitão?- disse cutucando seu braço.

–Sim eu vi, estava mais rabugento do que ontem. Mas isso não tem importância – ela suspira – ele é lindo.

–Como é mesmo o nome dele? É Choi?

–Sim, Choi Seunghyun. Você vai gostar dele, tem horas que ele é chato, mas é pelo trabalho. Você não vai se arrumar?

–Hã?

–O encontro lembra?! Vai se arrumar, vamos sair logo.

–E para onde vamos exatamente?

–Ah, vai ser em um barzinho que fica no centro. Ele fica aberto até bem tarde, na verdade quase a madrugada inteira, vai ser legal. Vai!!- ela me apressa. Na verdade eu não estava muito a fim de ir, mas eu vou por ela, por que eu sei que ela deve ter feito isso por mim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.