My New Life
13 No Coração do Inferno
Notas iniciais
Marcus
Seilah lançou uma verdadeira tempestade de livros em cima de nós. Eu desviei sem dar muita importância para a forma de ataque dela, afinal, eram apenas livros. A menos que ela jogasse uma enciclopédia na minha cabeça e na de Mira, não seríamos feridos. Mas eu estava enganado. Os livros que ela arremessou contra nós passaram a emitir círculos mágicos. Uma grande bíblia demoníaca, da qual eu havia desviado antes, se abriu e passou a lançar grandes bolas de fogo contra mim. Rapidamente levantei um escudo que absorveu o dano e em seguida lancei minha própria torrente de chamas do inferno, a qual consumiu diversos exemplares de “Como Ganhar o Coração de Um Demônio: Um Guia de Cinco Volumes Práticos e Rápidos”.
− Aposto que esta saga não vendeu muito bem – disse para mim mesmo.
Olhei de relance para Mira. Ela aparentava estar com dificuldades, pois mesmo com sua Satan Soul ativa, a fada tinha alguns ferimentos pelo corpo. Os livros arremessados contra ela disparavam tornados de água e rajadas elétricas, uma combinação muito prejudicial, mesmo para o Take Over dela aguentar.
Em um momento de distração, um dos livros disparou estilhaços de rocha em mim. Um deles passou raspando pela minha bochecha, causando um corte na mesma. Seilah não aparentava expressão nenhuma.
− Maldita – amaldiçoei a membro da Tartaros.
Saltei para cima da inimiga e acertei um chute, o qual foi defendido pelos braços de Seilah, mas ainda assim a força foi mais do que o suficiente para fazê-la recuar alguns metros.
A inimiga rosnou e invocou outra série de livros, lançando-os rapidamente contra mim. Desviei da maioria, porém um bateu na minha cabeça e em seguida explodiu.
A força da explosão fez com que eu fosse lançado para o outro lado do recinto. Cai com um baque surdo no chão. Não ouvia nada a não ser um zumbido no meu cérebro o qual fez com que tudo ficasse em câmera lenta.
De longe eu via Mirajane atacando Seilah diretamente, mas falhando. A integrante da Tartaros era forte demais. Tanto que mesmo uma transformação poderosa como o Satan Soul, não parecia ser capaz de causar muito dano.
O zumbido no meu cérebro cessou, mas eu senti um líquido quente escorrer pela minha testa, percorrendo pela minha bochecha e pingando pelo meu queixo. Sangue.
— Quer brigar sério? Então vamos brigar sério – disse para mim mesmo.
Direcionei magia por todo meu corpo, fortalecendo-o e obrigando o sangramento na minha testa a parar. Quando senti que já estava melhor, foquei energia nas minhas pernas e corri em uma velocidade surpreendente. Rapidamente acertei Seilah na barriga, fazendo-a cuspir sangue.
Em seguida, usei uma magia gravitacional simples, arremessando a mulher contra um dos tubos de vidro, o qual se estilhaçou com o impacto. Seilah estava estatelada no chão.
— Desgraçado – disse ela com ódio no olhar, enquanto se levantava.
Agora a inimiga se encontrava por diversos cortes e arranhões pelos braços e pernas, por causa dos cacos de vidro, consequentes do impacto anterior, enquanto Mira e eu nos posicionávamos frente à mulher.
— O que são vocês? – questionou a inimiga, parando os ataques de livros.
— Magos – disse Mira – Magos orgulhosos que vão te derrotar.
— Não. Vocês têm algo a mais. Algo que me impede de usar a minha maldição.
— Maldição? – perguntou Mira sem baixar o seu Satan Soul ou sua guarda.
— Ela é uma Etherious, Mira – disse o garoto surpreendendo tanto sua aliada quanto sua inimiga – Um demônio criado por Zeref. E eles usam maldições ao invés de magia. E, se eu não estiver enganado, este é o Hell’s Core, não é? Seilah?
— Como você…? – ela tentou perguntar mesmo que de forma nervosa, mas Mira a interrompeu.
— Hell's Core? Maldição? – perguntou a albina – O que são essas coisas, Marcus?
O garoto inspirou profundamente e em seguida soltou o ar de forma rápida.
— Um Etherious é um demônio criado por Zeref. São poderosos e suas habilidades superam a da maioria dos humanos, pois eles utilizam maldições ao invés de magia como nós. Você Seilah... Eu estava me perguntando de onde eu conhecia seu nome. Você é o Etherious usuário de Macro, não é? Uma maldição que permite que você controle outros seres?
Seilah olhou para o garoto de forma psicótica.
— Como você sabe de tudo isso? Diga-me.
— Isso foi uma ordem, senhora? – perguntei de forma cínica – Lamento lhe dar esta informação, mas você não encontrará vitória nesta batalha. Seu Macro é um fraco rival contra dois magos que utilizam magia vinda do poder de demônios.
— Maldito – rosnou Seilah.
— Mira me escute, o nosso foco principal tem que ser destruir esse lugar – expliquei à fada.
— Por quê? – perguntou a garota sem tirar os olhos do inimigo.
— Enquanto este local, Hell's Core, existir, qualquer Etherious pode ser ressuscitado um número infinito de vezes. Apenas quando destruirmos esse lugar poderemos eliminar a Tartaros de uma vez – disse.
— Acha que consegue fazer isso? Comigo aqui? – perguntou Seilah de maneira irônica.
Mira deu um passo à frente.
— Eu a distraio. Destrua esse lugar – disse Mira ativando um Take Over diferente do anterior.
Este tinha cores predominantemente azuis. Sitri, se eu não me engano.
— Sem ofensas, mas você não é páreo para ela – disse avançando – Mas eu por outro lado… Pode vir com tudo que você tiver demônio.
Seilah me mandou um olhar mais frio do que qualquer outro que já tenha dado antes. O corpo dela começou a emanar uma luz azul, que fez com que seus cabelos flutuassem no ar.
— Eu ordeno… – começou a proferir.
— Isso não vai funcionar – disse Mira.
— Quieta – repreendi a maga.
— Libere meu limitador.
Uma onda de energia azul emanou fortemente de Seilah, mudando completamente sua aparência. Seus chifres estavam mais pontiagudos e apontavam para cima. Sua pele escureceu, e estava repleta de símbolos. Suas pernas possuíam algo semelhante a asas em suas laterais.
— O que é isso? – perguntou Mirajane.
— Forma Etherious – expliquei rapidamente.
Seilah saltou em minha direção e eu me preparei para receber o impacto. Visualizei meu corpo e o imaginei forte e resistente, e quando eu notei minha pele já havia se tornado diamante. Uma técnica de defesa impenetrável, ensinada a mim por Cristália.
A Etherious socou minha barriga. Acho que ela esperava me mandar para a parede, tanto é que seu rosto foi tomado por uma expressão de surpresa. Mas eu apenas segurei os antebraços dela, e a arremessei para cima. Ela se chocou contra o teto e soltou um urro de dor.
Uma vez no teto, Seilah se posicionou e saltou de volta em minha direção, mas desta vez sua mão direita estava coberta por energia azul. Na palma de sua mão se abriu um olho. A Etherious lançou uma rajada de energia em mim, a qual me acertou em cheio.
O ataque anterior fez com que minha defesa de diamante se desfizesse e o chão sob meus pés fosse destruído, fazendo assim, eu cair no andar inferior.
Meu corpo caiu fortemente entre os escombros. Ela é forte. Talvez mais forte que eu. Talvez eu deva desistir. Quem sabe aceitar a morte seja a melhor coisa a fazer agora. Talvez eu devesse…
— Que merda é essa?! – gritou uma voz no fundo da minha mente – Isso não é você. É o Macro penetrando na sua mente, não se deixe enganar, moleque.
A voz era grave e rouca. Quase como se não fosse de um ser humano.
— Não fode, porra – tornou a gritar – Não ouse deixar essa vadia vencer você. Nos vencer. Mostre a essa “Etherious”, o verdadeiro poder, de um verdadeiro demônio.
— Sim! – gritei em concordância.
Um estalo ocorreu no fundo do meu cérebro. Minha consciência, minha humanidade e minha alma se esvaíram do meu corpo. É como se algo arrancasse de mim tudo que me fizesse humano, e pusesse algo diferente no lugar. Algo sombrio.
Meu corpo foi tomado por um poder que eu não sentia há muito tempo. Toda a dor e cansaço do meu corpo desapareceram em um piscar de olhos. Meu corpo se levantou e saltou, voltando pelo buraco pelo qual eu caí anteriormente.
Antes mesmo de aterrissar, meu punho socou algo frio e duro, produzindo um muito audível “crack” e melando minha mão com um líquido quente. Em seguida, um fluxo descomunal de energia mágica foi desferido da minha boca. Eu havia disparado um rugido, e pelo grito feminino que eu ouvira, o ataque acertou alguém em cheio.
Em seguida, algo rasgou a parte de trás da minha camisa e consequentemente minha jaqueta. A peça, agora retalhada, caiu do meu corpo, expondo meu tórax ao ar frio do local. Meus pés pararam de tocar o chão. Meu corpo mergulhou no ar e minha mão atravessou, completamente, algo quente. Uma concentração mágica se fez presente ao meu redor e o ambiente ao meu entorno mudou de frio, para quente, o qual gerava um calor sufocante, que não permitia uma respiração normal.
Após tudo isto, eu despertei. Pela primeira vez, após o ataque de Seilah, eu realmente passei a ter plena consciência do que eu estava fazendo. Eu estava sem camisa, pois asas brotaram nas minhas costas, retalhando minha roupa. Também estava imóvel no ar, com o meu antebraço atravessado no abdômen de Seilah, a qual já havia saído de sua forma Etherious.
O rosto da integrante da Tartaros estava inerte. Não possuía uma única expressão. Ela estava completamente morta. Seu maxilar estava deslocado, e por causa disso, pendurado de forma desajeitada. O chifre esquerdo da mulher fora decepado de seu crânio, pelo qual escorria uma grande quantidade de sangue.
Mas apesar da situação sangrenta na qual me encontrava, o fato mais perturbador era o local onde estávamos. O ar era quente, como eu senti anteriormente, e cheirava a enxofre, o que dificultava a respiração. Abaixo de mim corria um rio de lava, do qual seres que já foram humanos tentavam fugir, mas sem sucesso. Uma terra desolada e cheia de sofrimento se estendia até onde os olhos podiam ver.
E então, uma garra enorme e negra se ergueu do rio, levantando uma grande onda de lava. A garra veio em minha direção. Entrei em pânico e fechei os olhos com força. Novamente uma grande concentração mágica se fez presente ao meu redor.
O ambiente no qual eu me encontrava mudou de novo, mas ainda assim eu não ousei abrir os olhos. Flutuei vagarosamente até o chão e, uma vez nele, minhas asas tornaram a se acomodar abaixo da minha pele, a qual suava. Senti uma mão tocar meu ombro de forma gentil. Atrevi-me a abrir os olhos e vi Mira sorrindo gentilmente, mas certo medo se fazia presente em sua expressão.
— Vamos. Temos que sair daqui – disse ela tirando o meu braço do abdômen de Seilah.
Só aí eu notei o quão encharcado no sangue da inimiga eu estava. O líquido vermelho escorria pelos meus braços e se fazia presente no meu peito. Meu rosto tinha algumas gotas também.
— Tudo bem – disse, enquanto me levantava.
Olhei ao redor e constatei que o lugar havia sido destruído. Os tubos de vidro já não existiam, o chão estava completamente danificado e não existia mais um teto. Encarei Mira e reparei em algo que não havia visto antes. A maga possuía um sangramento no ombro esquerdo.
— Eu… Eu fiz isso? – perguntei à albina.
A fada ficou em silêncio por alguns instantes, mas respondeu prontamente:
— Sim, mas não foi nada. O ataque principal foi direcionado para Seilah. Apenas uma pequena parte me acertou. Eu estou bem.
Fechei os olhos e tentei me concentrar. Aquilo aconteceu de novo. Sinceramente, já estamos ocupados o suficiente enfrentando os Etherious da Tartaros, eu não precisava ser possuído para dificultar mais nossa situação.
− Aqui. Use isto para se limpar – disse Mira, me entregando um pano negro, semelhante a uma toalha.
− Obrigado – agradeci pegando o pano e usando-o para limpar o sangue em minha pele.
Após alguns minutos de esfrega-esfrega, eu finalmente me vi livre do sangue de Seilah, cujo corpo estava estatelado a minha frente. Joguei o pano fora e encarei Mira.
− Agora você vai me explicar exatamente o que aconteceu há quatro anos com a Lucy. Detalhe por detalhe – disse encarando-a com um olhar sério e frio.
A fada encarou o chão de forma envergonhada e segurou o ombro ferido.
John
Jackal lançou novamente um bombardeio de explosivos em mim, os quais novamente me acertaram em cheio. Ele tornou a rir psicoticamente, porém tornou a parar quando me viu intacto, após o último ataque.
− Isto está começando a ficar repetitivo, não acha? – perguntei, me pondo em posição de ataque.
− O que é você? – questionou o inimigo.
− Eu já disse antes. O God Slayer da Guerra. E também sou um mago da Phoenix Sorciére – expliquei – Sua guilda machucou tantas pessoas, destruiu tantas cidades cheias de gente inocente. E agora, eu derrotarei você em nome de todos aqueles que foram prejudicados por esta guilda de demônios.
Um segundo após eu ter dito isso, eu já estava atrás de Jackal com a espada levantada. Desferi um golpe rápido nas costas dele, o qual causou um grande sangramento.
Jackal caiu no chão, gritando. Levou as mãos as costas em uma tentativa de parar o sangramento, que em breve o mataria.
Dei as costas a ele e me voltei ao ex-presidente do Conselho, o qual se encontrava atrás de uma dúzia de guardas. Estes tremiam.
− Bu.
Todos os soldados correram desesperados, deixando para trás o velho traidor. O homem caiu sentado no chão. Sua expressão transmitia pavor, mas sinceramente, se eu fosse obrigado a encarar a mim mesmo com raiva, eu também ficaria assustado.
− Você vai me dizer tudo sobre esse Face – ordenei – Isso é, se você deseja continuar vivo.
Crawford tremeu ainda mais, mas em seguida parou.
− Vou mesmo? – disse ele.
Não entendi a que ele se referia, mas em seguida algo rosnou atrás de mim. Olhei para trás e vi Jackal, mas com uma aparência completamente diferente. Ele estava muito mais animalesco.
O membro da Tartaros saltou em minha direção.
Katherine
Eu e Lucy corríamos rapidamente pelos corredores da sede as Tartaros. Nosso destino era a sala de controle, na qual John devia se encontrar, já que sua magia emanava de lá. Demos a curva rapidamente em um corredor e subimos um lance de escadas em caracol.
− Você sentiu também, não é? – perguntou Lucy a mim.
− Sim.
− Quer que eu fique e o enfrente? Você pode ir ajudar os outros.
− Não – respondi prontamente – Você vai à frente. Deve estar cansada após encarar a Kyoka. Isso sem falar da tortura.
− Claro que não... – ela interrompeu a própria frase assim que saímos da escada, lugar onde o inimigo que nos seguia poderia ouvir.
Segurei o braço de Lucy e a arremessei alguns metros à frente, onde ela caiu de pé, enquanto me virava violentamente para a saída da escada. Desta saiu uma sombra a qual eu imediatamente ataquei.
− Rugido do Dragão da Ruptura.
Um feixe rosa foi desferido da minha boca, destruindo a entrada da escada e impedindo que o inimigo recuasse.
− Pode ir Lucy. Eu me encontro com você e os outros depois – disse.
Lucy disse um rápido “Sim” e correu rumo ao lugar de onde vinha a magia de John.
− Revele-se, covarde.
A sombra se acumulou no chão, formando uma espiral de trevas. Uma risada maligna ecoou pelo corredor.
− Tem certeza? – perguntou, enquanto emanava das sombras.
Arrepiei-me como se um raio percorresse minha espinha. Os pelos de minha nuca se eriçaram.
− Essa voz...
− Olá, Katrina.
− Keyes?
E então o mundo se tornou negro.
De volta ao laboratório...
Mira e Marcus já haviam saído do recinto quando a mulher chegou. Ela andou pelo lugar destruído, mas parou próxima ao corpo de outra mulher. Esta estava completamente ferida, de uma forma brutal.
− Seilah... – disse a mulher se agachando e tomando a mão da outra na sua – Eu prometo que sua morte não será em vão. Face será ativado e nós retornaremos a Zeref. E eu, Kyoka, Deusa do Planeta da Servidão, juro destruir aqueles que te tiraram de mim.
Kyoka chorava sobre o corpo da amada.
− Eles pagarão pelo dia em que ousaram enfrentar a Tartaros.
Próximo capítulo: Dançando Sobre o Campo de Batalha.
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