My New Life
18 Fada Demônio VS Fada Demônio
Notas iniciais
Mirajane
Erza lançou o machado em minha direção e este voou até mim em uma velocidade incrível. Abaixei-me no último segundo e a arma passou voando sobre minha cabeça, fincando-se de forma inofensiva na parede atrás de mim, mas ainda assim, o objeto cortou alguns centímetros do meu cabelo.
Eu ainda estava agachada no chão e de cabeça baixa, e por isso não vi a ruiva se lançando em minha direção e desferindo um forte chute em meu rosto, fazendo-me voar alguns metros até a parede atrás de mim e chocando minhas costas com força no cabo do machado, que ainda estava preso à parede.
Meu corpo ficou imóvel alguns minutos, até que eu deslizei pela parede até o chão.
Gemi de dor. Uma sensação horrível passou pelo meu corpo, como se minha coluna fosse se partir. Eu sabia que com o Demon Halphas ativo eu estava protegida deste tipo de dano, mas ainda assim, o Take Over não era suficiente para me fazer imune à dor.
Levantei-me com dificuldade, apoiando as mãos nos joelhos, mas um soco no rosto me fez voltar ao chão, o que eu fiz gemendo de dor.
Ergui a cabeça e vi Erza me olhando de forma superior.
— Bem, pode ser que você não possa me derrotar mesmo. Talvez o que você disse seja mesmo verdade: eu sou a mais forte – disse ela.
Droga. Desferi, ou melhor, tentei desferir um soco no queixo dela, mas Erza simplesmente segurou meu punho, exatamente como eu previa.
Tentei acertar outro soco, o qual também foi bloqueado por ela, porém desta vez com a outra mão. Tomei apoio nas mãos dela e lhe desferi uma voadora dupla, acertando-lhe bem no queixo. Ela cambaleou para trás com o rosto sangrando, enquanto que eu me colocava de pé após o golpe.
— Vadia – ralhou Erza.
— Aprendi com a melhor – retruquei, entrando no jogo de provocações.
Ela rosnou e ergueu a mão em minha direção. Eu não entendi o que ela queria fazer com aquilo, mas logo em seguida o machado preso à parede se desprendeu desta e voltou à mão da ruiva, batendo com o cabo na minha cabeça durante o trajeto.
Suprimi um grito de dor e foquei meus olhos na oponente, e vi Erza vindo em minha direção com o machado erguido. Posicionei-me e bloqueei o golpe dela. A segurei firme e produzi uma esfera de energia azul em minha mão livre. Em seguida, soquei a barriga de Erza com a esfera, a qual se transformou em uma rajada de energia extremamente concentrada que destruiu todo o recinto e fez uma passagem direta entre o que uma vez foi a sala e o corredor.
Fiquei de pé e parada, observando os destroços residuais do meu último ataque, até que uma movimentação nos escombros chamou minha atenção.
Uma grande rocha no corredor, do lado de fora da sala, se ergueu e de baixo desta saiu um figura. Erza. Ela estava com um ferimento na barriga, um grande hematoma arroxeado, e diversos arranhões pelo corpo.
Ela cambaleou até a parte do quarto onde estávamos, ou melhor definindo, ela passou dos destroços do muro que delimitavam o cômodo.
— Sua… desgraçada. Vadia mal… dita – disse Erza enfurecida – Eu vou te matar – completou gritando.
Uma incrível onda de poder emanou de seu corpo, podendo ser sentida por mim com extrema facilidade. Este poder parecia queimar minha pele, e isso apenas por senti-lo à distância.
— Eu vou usar isso para matar você – disse ela, enquanto suas roupas começavam a sumir, dando lugar a um traje diferente – Você morre hoje.
As roupas de Erza terminaram de sumir e uma armadura absolutamente negra surgiu em seu lugar. Ela era basicamente uma malha negra de ferro, a qual cobria o corpo da ruiva do pescoço aos pés. Além destas, ela usava luvas, botas e um peitoral feminino e negro. Em suas mãos surgiram duas espadas também negras, as quais começaram a arder em chamas escarlates.
— Armadura da Condenação.
Lucy
Como ele se atreveu a interferir? É um assunto meu, e por isso ele não tinha o direito. Não importa o que ele soubesse, as fadas mereciam aquele ataque. Elas mereciam sofrer a dor que eu sofri e, quem sabe, a morte. Marcus não devia ter se intrometido.
— Marcus, para o seu próprio bem, não entre no meu caminho de novo – ameacei-o e tornei a carregar mais um ataque, e desta vez ele não poderia ser parado por nenhum escudo.
— Lucy… – chamou ele, se aproximando de mim – Você precisa escutar o que eu tenho a dizer. Você não entende o que está acontecendo aqui.
— E você entende? – perguntei a ele, parando de carregar meu ataque e o encarando frente a frente. Meus olhos estavam cheios de lágrimas – Você entende o que aconteceu comigo? Você entende o sofrimento pelo qual eu passei? Você entende toda a dor que eu senti? Toda a solidão e o vazio? – fiz todas estas perguntas aos berros.
Eu não me importava se os demônios da Tartaros ouviriam, ou os seus soldados, e muito menos me importava se a Fairy Tail estava vendo meu estado naquele momento. Eu apenas precisava colocar tudo aquilo para fora.
— Lucy… – John tentou dizer algo, mas Marcus o interrompeu.
— Você realmente acha que foi a única que sofreu? Você realmente acha que apenas você teve um passado doloroso? – perguntou ele, em um tom quase tão descontrolado quanto o meu – Meu pai não é meu pai. Eu matei mais gente na minha vida do que qualquer Etherious da Tartaros e isso me assombra Lucy. Isso me destrói por dentro dia após dia. Você sabe o que é acordar gritando no meio da noite, porque os rostos dos mortos te perseguem? Rostos manchados de sangue? – ele questionou gritando alto.
Seus olhos estavam levemente molhados. Ele estava extremamente descontrolado.
As perguntas feitas por ele borbulhavam em minha mente. Apenas pela expressão dele eu podia ver que todos os questionamentos eram reais, mesmo que eu não soubesse quais eram exatamente. Erik não era seu pai? Eu desejava me colocar no lugar dele, mas a raiva dentro de mim crescia de uma forma que eu não podia controlar.
— Vai por mim, você não quer o peso da vida deles nas suas costas – explicou ele.
— O peso da vida deles? – questionei – Você realmente acha que eu me importaria com a morte deles? Você acha que faria alguma diferença na minha vida se eles morressem pelas minhas mãos? Pois eu te respondo aqui e agora Marcus. Não. Não faria diferença, porque eles não são dignos de pena ou de misericórdia, tanto a minha quanto a sua – concluí aos berros.
Não faria diferença, não é? Quero dizer, não importa está motivação a que Marcus se refere, eles são culpados não são? Não são?
Sim. Um silvo passou pela minha cabeça. Sombrio e arrepiante, e ele não parou.
Mate-os. Eles tentaram te matar. Eles merecem. Eles são culpados por toda a sua dor. O que você fará será mais misericordioso do que eles merecem.
Uma energia sombria circulou pelo meu corpo, fazendo com que um poder mágico obscuro se acumulasse em minhas mãos.
Espere. Pare. Isso não sou eu. Eu quero que eles paguem, mas não sou eu quem está usando esse poder negro. Eu tentava ao máximo para-lo, mas não conseguia. Era como se meu corpo agisse por vontade própria.
Minhas mãos se ergueram acima da minha cabeça sem o meu consentimento, e delas começou a emanar uma enorme quantidade de energia.
— Lucy? – chamou Marcus – O que você está fazendo?
Nada, tentei dizer, mas meus lábios não se moviam. Era como se meu corpo estivesse sendo controlado por outra pessoa.
Destrua...
Não.
Todos…
Não.
Eles.
Não!
A partir das minhas mãos começou a se formar uma enorme esfera negra. Eu sabia exatamente que magia era aquela, afinal era uma das minhas habilidades. E a julgar pelo nível de poder desta técnica, eu iria matar tanto as fadas quanto Marcus e John.
— Lucy, o que está havendo? – foi a vez de John perguntar, fazendo meu rosto se voltar para ele – Mas o que…? – questionou em tom de surpresa, olhando para algo a minha frente.
Natsu e Laxus, os quais apenas observaram quietos os últimos minutos, vinham em minha direção com os punhos carregados de fogo e raios, respectivamente. Mas antes que eles pudessem se aproximar muito de mim, John surgiu a minha frente e interceptou as ações de ambos com sua espada e seu machado. Em seguida, utilizando de uma força mínima, ele lançou os dois magos para trás com seu armamento.
— Atrás – gritou John.
Atrás? O que há atrás de mim?
— Macro – gritou John em resposta ao amigo.
Virei meu rosto, o qual era um dos poucos movimentos que eu podia fazer por vontade própria, e olhei para Marcus a tempo de o ver atacando, com punhais de cristal, uma sombra que estava alguns metros atrás de nós.
A sombra esquivou e saltou para o lado, ficando em segurança do mago, ou pelo menos era o que eu e a sombra pensávamos, pois Marcus lançou diversos fragmentos de cristal em direção ao ser, acertando pelo menos um na cabeça dele.
A sombra gemeu e caiu, e quando o fez, meu corpo, para a minha sorte e a de todos os presentes, voltou ao meu comando, permitindo assim que eu pudesse cancelar meu ataque, o qual se encontrava quase que totalmente carregado.
Cai de joelhos. O cansaço tomara conta de meu corpo. Mas não era o físico, pois eu me sentia capaz de destruir uma montanha. Não, era outro tipo de cansaço. Algo mais mental, ou espiritual, chame como quiser chamar ou como sua forma de pensar permitir, mas eu estava cansada. Cansada de me sentir tão impotente. Cansada de me sentir fraca.
Não importava quanto poder eu houvesse ganhado, eu continuava a mesma garota medrosa. E agora… Aqui… Eu continuo sendo a garotinha que teme os monstros que espreitam a noite. Eu não quero mais ser essa pessoa. Eu quero ser… Eu quero ser. Eu não estou dizendo que tenho todas as respostas sobre o que me aguarda no futuro, mas eu sei de uma coisa. Eu continuarei sendo um nada se continuar a agir dessa forma.
Levantei meu rosto e vi John lutando, com facilidade, contra todos os cinco magos da Fairy Tail. Olhei por cima do ombro e vi Marcus lutando contra ninguém menos do que Kyôka. Eu tinha certeza que Katherine a havia matado, então como ela está aqui? Mas ainda assim a pergunta principal que eu fazia a mim mesma, era como ela estava no estado atual, pois ela estava muito diferente de antes.
Seu corpo estava mais desenvolvido e a aura que ela emanava era de puro poder, tanto é que ela batalhava com facilidade contra Marcus, não que o mago estivesse perdendo, mas até agora ele só havia acertado um ataque. Mas logo em seguida a situação pareceu melhorar ainda mais para a Etherious, pois ela aproveitou-se de um momento de distração por parte do mago e arranhou o a região do peitoral dele, fazendo-o sufocar um grito de dor e cair no chão com as mãos sobre o ferimento.
Uma quantidade um tanto preocupante de sangue escorreu do peito dele, fazendo-me ficar preocupada, afinal, não importa se ele havia defendido as fadas, ele era meu amigo e era importante para mim.
Levantei-me no momento em que Kyôka levantou suas garras para atacá-lo novamente, e antes que ela sequer pudesse abaixar o braço e terminar o movimento, eu apareci a sua frente e parei o golpe com o meu antebraço, fazendo com que as garras dela ficassem fincadas a este. O rosto da Etherious se envolveu em puro deleite e sua face foi tomada por um sorriso.
— Lucy meu amor, que bom te ver. Deixe-me adivinhar, ficou com saudades e resolveu voltar a querer minha companhia? – perguntou ela irônica.
— Você já sabe a reposta – respondi séria.
A verdade é que eu já estava no limite. Limite do que? Paciência. Capacidade de tolerar pessoas, ou demônios, como Kyôka. Esse tipo de coisa. Mas eu estava cansada principalmente de sofrer e ver pessoas com quem eu me importo sofrerem. E agora, Marcus estava no chão com um enorme ferimento em seu peito e tudo isso graças a Kyôka, a mulher que torturou a mim e a Júpiter. Falta de paciência? Meus neurônios devem estar borbulhando.
Com a mão completamente nua, pois eu não precisaria de magia, eu soquei o queixo de Kyôka. Ela cambaleou para trás por causa do golpe repentino, removendo assim as garras do meu antebraço e levando-as a área atingida, a qual estava sangrando de forma contida.
— Sua… Sua putinha – ralhou ela – Como ousa me tocar novamente? – completou ela tornando a atacar, porém desta vez, suas garras emanavam um brilho esverdeado.
Desviei com facilidade dos golpes e, utilizando apenas da força concedida pelo Star Dress de Taurus, eu acertei uma voadora no rosto da Etherious, fazendo com que ela gemesse de dor e tornasse a se afastar de mim. Olhei fundo nos olhos dela.
— Como ouso te tocar? – questionei sua última pergunta – Como você ousa tocar em um dos meus amigos? – completei – Atacar alguém que eu ame, é basicamente um ato suicida. Agora, eu lhe farei provar da dor que apenas as estrelas podem proporcionar.
Kyôka me olhou com uma expressão completamente raivosa.
Carol
Uma enxurrada de folhas cortantes foi lançada em direção a Keyes, ao mesmo tempo em que Katheri… Katrina lançava rajadas cortantes de água contra o esqueleto. Pois é, vou demorar a me acostumar a chama-la assim. Ambos os ataques atravessaram de forma inofensiva o corpo etério do demônio, fazendo este rir.
— Katrina, eu entendo a confusão desta jovem, mas você já não devia saber que ataques deste tipo são um tanto inúteis contra mim? – perguntou ele com a voz cheia de escárnio.
Tudo bem, pode ser que eu não conheça exatamente o passado da Kath, mas de uma coisa eu tenho certeza: esse cara é um grande cretino.
Conjurei uma espada de espinhos e avancei em direção a ele. Minha arma assumiu um brilho avermelhado.
— Carol, espere – gritou Kath.
Mas já era tarde demais para esperar, pois eu já me encontrava a um único metro de distância dele. Tentei desferir um arco com a espada, na tentativa de feri-lo, mas o corpo dele se tornou etério novamente.
Em seguida, o esqueleto veio em minha direção e eu vi que o corpo dele não se tornava etério, mas sim gasoso. Uma vez na forma de gás, ele avançou contra mim, me envolvendo naquele ar negro.
Eu tossi fortemente. Era como se ácido entrasse em meu sistema respiratório e derretesse meus pulmões.
Kath correu em meu socorro e lançou um ciclone de água, o qual afastou Keyes de mim e dissipou as partículas ao meu redor, mas mesmo assim eu já havia inalado uma grande quantidade delas.
Cai de joelhos, segurando minha barriga, na tentativa de parar a forte dor que se alojava em meu estômago. Tossi de forma muito mais intensa do que a anterior e por isso cobri a boca com a palma da mão. Tossi novamente e senti algo quente se espalhar pela minha mão. Olhei e vi que era sangue.
— Carol? – chamou Kath, enquanto minha visão começava a ficar turva – Responda.
— Kath… Eu… – fechei meus olhos com força e obriguei meu corpo a voltar ao normal – Eu estou… Vou ficar bem.
Minha visão normalizou, minha respiração se acalmou e eu consegui ignorar a dor gritante em meus pulmões e no meu estômago. Eu não poderia cair agora, não no meio de uma luta. Se ficasse incapacitada, Kath seria obrigada a me proteger, e convenhamos, ela não conseguiria derrotar este inimigo se tivesse que tomar conta de mim.
Levantei-me e fiquei ao lado de Katrina que ainda me olhava preocupada.
— Bem… – comecei – Essa erva com certeza não estava boa – completei abafando um riso forçado.
Kath me encarou profundamente.
— São partículas de barreira mágica. Elas poderiam ter te matado – explicou a morena séria – Mas se você está fazendo piadas sem graça, é sinal que você está bem – completou sorrindo.
Então, nós nos voltamos para Keyes. O esqueleto sorriu de forma macabra e repugnante.
— Que pena – lamentou ele ainda ostentando um sorriso, no mínimo, maligno – Achei que conseguiria matar esta jovem e assim eu voltaria a ter toda a sua atenção, jovem Katrina.
Eu o encarei com ódio, enquanto Kath envolvia suas mãos em uma poderosa energia azulada.
— Mas ao que parece… – continuou o esqueleto – Agora eu serei obrigado a trazer meu brinquedo favorito para o tabuleiro. Eu possuía planos diferentes e muito mais interessantes para ele, mas como vocês estão me obrigando a isto... – ele disse esta última parte em um tom quase que triste e decepcionado, mas logo se conteve – Silver, por que você não sai daí e vem conhecer as meninas? – disse Keyes, chamando algo, ou neste caso, alguém atrás de si.
E então, uma movimentação sombria ocorreu atrás do Etherious. Das sombras saiu um homem moreno com uma cicatriz em sua testa. Suas roupas eram basicamente pretas e pratas.
Como diabos ele chegou aqui? Eu não havia sentido a presença de mais ninguém e a julgar pela expressão de Kath, nem ela.
— Você sabe que eu odeio quando você me chama de brinquedo, não sabe? – perguntou o recém-chegado, parando ao lado do esqueleto – Mas em todo caso… Olá meninas.
Mirajane
Erza avançou de forma rápida, mas meticulosa contra mim, com as espadas brilhando por causa do fogo que emanava delas.
Ela tentou me cortar em duas, mas eu me joguei para trás e o ataque errou por alguns centímetros, conseguindo assim apenas arranhar de leve minha barriga.
Porém, mesmo com o ferimento tendo sido mínimo, o pequeno corte ardeu do mesmo modo que o último ferimento causado pelas armas da ruiva, mesmo que de forma ligeiramente mais tolerável.
Pousei alguns metros afastada de Erza, com as mãos acima do corte. As lâminas também eram de Ferro Estígio, ou seja, se eu me ferisse o suficiente com aquilo, minha alma seria ceifada, assim como a de Erza, ou até mesmo destruída. Eu precisava tomar mais cuidado.
Acumulei todo meu poder mágico e ativei o Take Over que me faria derrotar Erza, ou pelo menos aquele que eu esperava que a derrotasse. Sitri. A ruiva riu.
— Você realmente acha que usando o Sitri vai me derrotar? – disse ela em um tom sarcástico e entre risos – Você é tão patética quanto eu pensava. Por isso eu irei lhe dar um presente: a morte.
Ela parou de rir e tornou a avançar contra mim. Bloqueei o ataque das espadas com as minha garras e utilizei de todo o cuidado possível para que o Ferro Estígio não tocasse minha pele. Em seguida, tentei eu mesma feri-la usando de punhos em chamas, porém ela bloqueava os golpes de forma semelhante a mim.
E assim ficamos por alguns minutos, trocando golpes e bloqueando os da oponente. Cada vez que nossos punhos se encontravam, uma onda de choque era produzida e destruía o que estivesse ao nosso redor.
Consegui, após algum tempo, desferir um soco no rosto de Erza, o qual era a única parte de seu corpo que não era protegida pela armadura. Ela foi pega se surpresa pelo ataque, o qual a lançou para trás e fez seu lábio sangrar.
Aproveitei enquanto ela ainda voava para longe de mim e surgi ao seu lado, no momento exato para que eu socasse sua barriga e a esmagasse contra o chão.
O solo rachou completamente em uma área de, no mínimo, dez metros. Uma grande quantidade de poeira subiu, fazendo com que eu não pudesse ver a ruiva, e por conseguinte, achar que a tivesse derrotado.
Bem, dizer que ela havia sido derrotado era uma expressão perigosa. Afinal, ela ainda estava sem sua alma e por isso ainda era uma ameaça. Eu teria de trazê-la de volta ao normal e apenas aí…
Argh.
Uma quantidade incalculável de dor se espalhou pelo meu abdômen, fazendo- me gritar. Olhei para baixo e vi uma lâmina negra, vinda de dentro da cortina de fumaça, atravessada na minha barriga. A poeira baixou e eu vi Erza completamente bem e empunhando a espada.
Ela puxou fortemente a arma para a fora de mim, e uma quantidade considerável de sangue jorrou para fora do ferimento. Meu Take Over se desfez. Minhas forças foram drenadas. Meu corpo já não me obedecia. Caí para frente. Meu corpo se chocou contra o chão em um baque surdo.
Eu tinha a sensação de que alguém havia me desmembrado, pois eu não sentia parte alguma do meu corpo. Minha visão se tornava cada vez mais negra e um cheiro repugnante tomava conta de meu nariz. Mas mesmo com todo o meu corpo dormente, eu sentia uma sensação de queimar sob a minha pele, a qual se espalhava a partir do que eu acho que é a minha barriga.
— Exatamente como eu disse: patética – exclamou Erza, ou pelo menos eu identifiquei como sendo Erza, já que não tinha forças para levantar o rosto – Se você tivesse aceitado minha proposta, eu teria usado um método absolutamente indolor para tirar fora a sua alma. Mas como você recusou, irá morrer sem ela.
Sobre o que ela estava? Morrer sem alma? Como seria possível?
— Lembra-se de quando você e seus irmãos chegaram a guilda? Bem, eu lembro e pelo que eu saiba você sempre se isolava de todos por se considerar a portadora de um poder maldito, não é mesmo? – ela começou a perguntar, mas eu não consegui responder de forma alguma – Você acha que aquilo era solidão? Que aquilo era, no uso mais simples da palavra, vazio? Porque se você achava, se enganou completamente.
Vazio. Solidão. Duas palavras com as quais eu já convivi ainda na infância. E para piorar, Erza tinha razão. Eu realmente me isolava por causa da minha magia e isto era uma coisa que me destruía de dentro para fora. Eu me odiava.
E enquanto Erza falava, meu estado piorava. Minha visão já sumirá. Meu corpo estava quase completamente tomado pela sensação agonizante de queimar.
— O verdadeiro vazio será o limbo para onde você vai. Um lugar sombrio e infinitamente grande onde você passará o resto de sua existência imortal, e tudo isto, pelo fato de eu estar me livrando de sua alma agora – explicou Erza com um de satisfação desumano.
Vazio eterno? Não pode ser. Eu tentava gritar, implorar para alguém me salvasse de tão horrível destino, mas eu mal tinha controle sobre meu corpo, e por isso nenhum som saiu de minha boca.
— Eu usarei o poder de sua alma para me fortalecer, usando-a para forjar uma armadura imbatível – completou ela – Consegue imaginar? Uma armadura feita da energia da alma? Eu seria invencível com ela, assim como eu sou invencível com esta armadura, a qual eu devo dizer que foi feita da minha alma. Mas afinal de contas, porque eu estou me dando o trabalho de lhe dizer isso? Você nem deve estar conseguindo me ouvir, então vamos direto ao ponto: agora você morre.
Senti uma segunda sensação de queimar surgir nas minhas costas. Em seguida, uma dor excruciante começou a partir dela. Eu desejava gritar, chorar, enfim, qualquer coisa que talvez me permitisse diminuir aquela dor infernal, mas não conseguia. Eu era obrigada a estar ali e a suportar aquela agonia sem nenhum tipo de reação.
Um milhão de pensamentos circulavam pra minha cabeça, neste que, ao que parecia, seria meu último momento viva. Os rostos sorridentes de meus irmãos. O choro deles quando descobrissem sobre a minha morte. Lucy, e a dor que eu sentia ao ver que morreria sem o seu perdão. Porém, um pensamento se destacou acima de todos os outros: uma ideia.
Poder da alma, Erza dissera? Bem, talvez se eu absorvesse o poder da minha alma, Erza não poderia arranca-la de mim, já que eu já a teria consumido para conseguir o poder, além disto eu poderia usar este poder para remover a essência da alma de Erza da Armadura da Condenação e inseri-la de volta na ruiva. Mas ao mesmo tempo, isso significaria sacrificar minha humanidade e por perdê-la, pode ser que eu me torne um monstro pior do que Erza. Mas eu não tenho escolha.
Já me decidi, e se eu tiver de morrer e ir para o vazio para salvar minha amiga, que assim seja.
Foquei cada gota da minha concentração e de meu foco para que eu pudesse acessar o pouco poder mágico que me restava. Consegui alcançá-lo e ele seria o suficiente para que eu fizesse o que planejava. E eu o fiz. Usei o Take Over em minha própria alma, absorvendo todo o seu poder e sua energia.
A sensação de ter o poder da minha alma sendo absorvido, mesmo que por mim, não era mais agradável do que as demais sensações que eu sentia, como por exemplo, o ferimento causado pelo Ferro Estígio, mas ainda assim o poder que eu ganhava fazia com que eu me sentisse cada vez melhor.
A sensação era tão agradável, que eu mal notei quando Erza me feriu ainda mais em busca da minha alma. Mas já era tarde, pois eu já absorvera toda a energia.
Quando dei por mim, um surto de poder absolutamente descomunal emanou de mim, liberando uma onde de poder que regenerou completamente meu corpo e destruiu tudo ao meu redor, lançando Erza para longe de mim entre gritos de susto e dor.
Levantei-me, pois agora eu já possuía controle total sobre meu corpo. A quantidade de energia era tão vasta, que eu superava com facilidade o poder que Marcus e Lucy demonstraram antes. E com este poder, eu poderia fazer qualquer coisa e, para ser sincera, eu já possuía algo em mente.
— Take Over… – conjurei minha magia, e uma onda de poder emanou novamente de mim – Satan Soul...
Erza me olhava completamente apavorada. Ao que parecia, julgando-a pela sua expressão, meu poder atual superava o dela. E sua face demonstrou ainda mais medo quando meu corpo mudou. Minhas vestes se tornaram um kimono rosa e preto. Meu cabelo ficou quase que completamente solto, sendo segurado apenas por uma faixa. Em minha cabeça surgiram dois chifres que apontavam para frente e meus calçados agora eram uma espécie de meia calça, as quais deixavam os dedos e o calcanhar à mostra, e cobriam até a metade da minha coxa.
— Mirajane Seilah.
Próximo capítulo: Aqueles Que Não Têm Alma.
Fale com o autor