My Neko

20 "Todo vilão é um herói na sua cabeça."


Notas iniciais
Esqueci a fonte da frase do título :v kkk Subconciente: Nat, crie vergonha na cara! o_ó Você demorou de novo! Acho que nem tenho o direito de pedir desculpas T-T

Sayo

Fiquei surpresa e chocada com a situação. Quando parecia que eu jamais poderia encontrar Aoni de novo, Hideki falou sobre o Kuro. Poderia ser que Aoni estivesse com ele, mas Kuro foi encontrado numa caçamba de lixo?! O que será que aconteceu? Será que aconteceu algo que Kuro não esperava? Onde está Aoni? Será que esse tal de Kuro sabe?

Depois daquele momento no telefone, demos um jeito para ir o mais rápido possível para o endereço que aquela moça falou. Ela foi tão específica nas características do Kuro (principalmente o anel) que não podia ser trote. Descemos na parada de ônibus mais perto do endereço e fomos logo.

– Sayo. — Hideki me chamou.

– O quê?

– Não... Não existem garantias de que Kuro fale alguma coisa ou que ele saiba onde Aoni está nem se ele realmente estará onde aquela mulher falou no telefone. Tem certeza disso?

Eu não sei se estou chateada com Hideki ou não, mas não posso deixar de ver que ele disse isso por preocupação devido o fato de eu estar sendo tão esperançosa, tipo, ele teme que eu me decepcione e me sinta mal, mas eu preciso ver o Aoni, preciso encontrá-lo.

– Sim, está tudo bem.

Shussan

Sim, "está tudo bem" ela diz, mas se tudo isso nos levar a lugar nenhum só vai dar merda. Eu preferia que Sayo não tivesse acreditado nesse cara, mas, por outro lado, até que ela ficou mais disposta por ter "uma chance" de encontrar o duas caudas de novo. Ela está tão boba fazendo isso que não tem como duvidar que ela goste muito dele...

Bem que, claro que estou preocupado com a situação. Se tudo isso não der em nada Sayo vai só ficar pior. Que droga... Não posso nem fazer nada pra evitar isso.

De repente surgiu um cara correndo que quase foi pra cima da gente se não tivesse parado. Ele nos encarou com uma expressão que parecia de surpresa e depois mudou para frustração.

Hideki

Isso só pode ser brincadeira... A gente aqui e, de repente, olha quem o diabo trouxe!

– Kuro?! — exclamei

– Mas que merda... — ele falou

De repente ele colocou uma das mãos na cabeça e outra envolta do corpo e pôs-se de joelhos. Sua respiração parecia um pouco ofegante. O que aconteceu pra ele estar num estado tão deplorável?

– Então esse é o Kuro? Não parece alguém que consegue ser assustador como você diz. — Shussan falou.

– Vá se fuder, seu moleque de merda! — Kuro esbravejou

– Quem você tá chamando de moleque?! Quer que eu te chute?!

– Pare, Shussan! — Sayo interviu

De repente apareceu uma garota com um cabelo comprido e branco. Ela possuía uma tatuagem no braço esquerdo e um pircing preto na sobrancelha.

– Arf, arf (*tomando fôlego), eu disse pra não sair de lá, seu demônio do quinto dos infernos!

– Foda-se! "Merda... Essa tontura não passa..." — ele falou a última frase baixo. Seu tom de voz parecia de desespero.

– Você é o Kuro, não é? — Sayo perguntou.

– Do que isso importa...

– Ah! Então vocês devem ter a ver com a ligação mais cedo, não é? Qual de vocês me ligou?

– Fui eu — falei.

– Certo... Um dos cavalheiros poderia me ajudar a levantar esse gato arisco de volta.

"Gato arisco"? Então ela sabe que ele é um bakeneko? Tá, isso não tem tanta importância agora, mas, mesmo assim, não quero ajudar o Kuro. Não dessa vez.

– Desculpe, mas em relação a ele não faço mais nada.

– Hu hu, não o culpo... — ele falou.

Terminou que Shussan o ajudou a levantar e ele e a garota (aliás, ela é mais alta que ele, que tem pouco menos que minha altura) o levaram pelo ombro até um andar inferior de um prédio, que era acessível por umas escadas, então estava lá um lugar com um monte de fotografias, além de alguns quadros em que as pinturas até que eram interessantes. O local tinha um clima um tanto inspirador. Kuro foi conduzido até uma porta onde por trás dela estava um cômodo que parecia um "micro apartamento", praticamente todas as partes funcionais de uma casa estavam ali.

– Ignorem a bagunça. Tenho um pouco de preguiça de organizar. — a garota falou

– Beleza, já me levou até aqui, agora me larga. — falou Kuro grosseiramente se libertando dos braços dela e do Shussan.

– Simpático como sempre... — comentei.

– E pra quê está aqui, hum? Sentiu saudade?

– Não banque o durão que não fui eu quem foi encontrado numa caçamba de lixo.

– Hunf! Agora VOCÊ que quer bancar? Conta outra...

– Não estamos aqui pra isso. — Sayo falou — Você é realmente irmão do Aoni, não é? Por que você fez tudo o que fez? Onde ele está?

– Por que eu responderia perguntas de uma mísera humana? Tsc, vocês são tão desprezíveis, um bando de lixo! Malditos...

Ele cerrou as mãos. Parece até que ele guarda certo rancor, sei lá.

– Pra quê? — ele continuou — Pra que vocês fingem que se importam?

– Por que tanto ódio? — a expressão da Sayo ficou séria.

Kuro fez uma cara emburrada e apenas ficou calado. Pelo visto ele não vai querer ajudar de jeito nenhum...

– Ok, esse clima tá bem tenso! — a garota de cabelos brancos falou enquanto tirava umas bebidas de uma pequena geladeira que havia ali — Vamos lá pro meu studio, onde o clima é mais leve, e deixar esse gato ranzinza aí.

Saímos e deixamos Kuro no cômodo. Como lá não tem janelas não tem como ele tentar fugir de novo.

Kuro

Agora que eles me deixam em paz, né? Mas que merda! Mas merda! Aquele humano repugnante filho da puta! Por quê? Por que fui tão idiota e ingênuo em acreditar nele? Droga! Droga! Droga!

Me sentei numa cama que havia ali e coloquei as mãos sobre a cabeça. Merda... Por que os humanos são tão repugnantes? Não se importam com nada, só querem tirar vantagem, quando algo "não é mais útil", jogam fora! Eu fui idiota em deixar a raiva que sempre tive dos humanos de lado só por que um lixo garantiu que tinha como conseguir o que eu queria. Por que sou tão fraco? Por que ainda tento algo que nunca vou conseguir? Não adianta... Desde quando deixamos de ser meros gatos comuns não dá pra voltar atrás.

Eu só queria o meu irmão de volta! Só queria que ele parasse de me esquecer! Só queria que ele parasse de sofrer por causa do nível do seu poder! Só queria não ficar mais sozinho...

Sayo

Nos acomodamos em cada canto de studio. Agora posso notar como os quadros e fotos aqui são bonitos... Devem ser dessa garota que encontrou o Kuro. Aliás, nunca vi alguém com tanto ódio. O que o aflige assim? Ok, sei que no fim das contas foi por causa dele que Aoni sumiu (e usando Hideki como "cúmplice"), mas, de qualquer forma, parecia que ele estava aflito.

– Ufa... Aqui é bem melhor — a moça falou nos dando as bebidas — Oh! Nessa confusão toda nem pude me apresentar. Chamo-me Tayo Yuri.

– Okada Hideki. E eles Akemi Sayo e Akemi Shussan, ambos irmãos.

– Prazer. Hum, desculpem-me por isso, mas sou muito curiosa, o que aconteceu? Por que vocês vieram aqui atrás do "senho-gente-fina"? Não se preocupem, não vou contar pra ninguém.

– Mais cedo você o chamou de gato duas vezes — falei — Então... Você...

– Sim, eu sei que ele é um, como é o nome, bakeneko. Ele inconscientemente assumiu algumas vezes forma nekomimi enquanto dormia, hu hu. Parecia estar tendo pesadelos, a criatura até arranhou a minha cama.

– Você não parece alguém que ficou tipo "Eita, porra! Tem um youkai na minha casa!" — Shussan falou.

– Desde quando vi uma amigo morrer lendo o poema "O inferno de Tomino" não duvido de mais nada sobrenatural.

– Quê?! — Shussan quase teve um troço. "O inferno de Tomino" é um poema amaldiçoado do qual se uma pessoa o lê em voz alta morre. Sim, sei dessa lenda sinistra por que Shussan curte terror.

– Tou brincando, hu hu. Então, podem me resumir a ópera?

Houve um pouco de receio em contar tudo o que aconteceu pra uma completa estranha, mas na situação atual não havia nada a perder. Eu resumi tudo da melhor maneira possível e ela ouviu atentamente enquanto os garotos ficavam em silêncio. Acho que, tímida do jeito que sou, nunca falei tanto na minha vida. Realmente devo estar muito desesperada pra encontrar o Aoni, pois sei que ele está em perigo.

– Hum... Entendi tudo.

– Só lamento ele não estar querendo dizer nada — Hideki falou — Bem que pra mim não é novidade.

– Na minha opinião ele age como um tigre mas é tão fofinho como um gato de pelúcia, no meu maior exagero. Quando ele saiu daqui correndo, não foi por que descobriu que vocês estavam vindo e queria fugir, não teria pra quê. Posso estar me precipitando, mas acho que ele fugiu mais por que tinha algo que o estava afligindo, como se tivesse algo urgente que ele precisava fazer.

– Onde quer chegar? — eu não estava entendendo.

– Bom, o jeito pra descobrir na verdade é fazer ele soltar a língua.

Todos concordamos, mas, do jeito que Kuro reagiu às minhas perguntas antes, pelo visto não será fácil. Fomos de volta ao cômodo em que ele estava. De repente Kuro estava lá, com as mãos sobre a cabeça e, devo dizer, parecia que ele ia rachar a qualquer momento. Há algo errado nessa história...

No segundo que ele percebeu nossa presença ele levantou a cabeça e era possível ver que seus olhos estavam vermelhos.

– Me deixem em paz... — sua voz saiu falha — Vão pra merda!!

Na última frase ele se levantou rapidamente e avançou em nossa direção, mas especificamente pra mim, já que eu estava na frente. De repente Shussan se colocou na frente e os dois caíram. Kuro só não fez nenhum estrago na cara do meu irmão por que Hideki o segurou.

– Me solta! Me solta!

– Nem fudendo!

Ele deu um chute pra trás acertando a canela do Hideki e o fazendo soltá-lo devido a dor (ele quase acertou o joelho). Ele me encarou com um olhar selvagem, senti um pouco de medo, mas não saí do lugar. Não posso deixá-lo ir! Só ele sabe onde Aoni está e, além disso, Yuri-san está certa. Não parece que ele quer fugir por causa da gente, parece que ele quer por que algo o está afligindo. Será que tem a ver com Aoni?

– Saia. Da. Minha. Frente.

– N-não!

– Hey! — Yuri falou espirrando algo, com um spray, em cima do Kuro — Pare com isso seu gato de rua!

– Que porra é essa?!

– Água. — Espirro na cara dele.

Apareceu sobre a cabeça do Kuro orelhas de gato e ele fez um "fssss" pra ela, mas Yuri continuou espirrando na cara dele. Ai meu Deus, isso é cômico, hi hi.

– Para com isso, cacete!

– Tá calminho? ♥

Ele bufou. Hideki e Shussan quase riram com a situação, mas Kuro os fuzilou e então eles acharam que rir não seria uma boa ideia.

– Eu não tenho tempo pra perder com vocês...

– Por quê? — perguntei

– Sai da minha frete.

– Mas nem minhas perguntas você responde.

– E por que se importa?

– Porque me importo com o Aoni. Por favor.

– Mentira. Vocês nunca se importam...

Será que ele tem essa atitude por não gostar de humanos? Qual será o motivo disso?

– Olha — Hideki interviu — não adianta insistir ou continuar calado que não vamos deixar você sair até nos contar tudo!

– Espere, Hideki ( não piore as coisas). Kuro, por favor, nos responda nossas perguntas, por favor.

– Não. Não vou deixar que nenhum de vocês atrapalhe a vida do meu irmão. Em qualquer situação ele estará melhor se for longe de lixos como vocês.

– E por acaso ele está "bem" agora? — Shussan falou.

Kuro se calou e após uns segundos apenas disse "se vocês me deixarem ir..."

– Aoni está em risco, não está? Não queremos atrapalhar a vida dele, só queremos ajudar.

– Não interessa, eu resolvo sozinho.

Kuro

Eles não entendem! Não entendem! Se eu continuar enrolando aqui vou só perder tempo. Meu irmão não terá mais tempo, isso se no período que fiquem inconsciente aquele humano repugnante não tiver feito nada com ele!

– Não sabemos a situação atual já que você não diz nada, mas é claro que você não conseguirá sozinho.

– Por favor, nos conte tudo e deixe-nos ajudar. Se não quer fazer por você ou por nós, faça pelo Aoni, por favor. Você se importa com o seu irmão, não é?

Quer me provocar fazendo uma pergunta tão besta? Claro que me importo com ele. Por isso fiz tudo que fiz. Sei que tive que deixar ele sofrer um pouco por causa da separação dessa humana, mas "aquela pessoa" garantiu que ele iria esquecer. Ele me prometeu que eu o teria de volta, que depois dessa ele não sofreria mais, que ele esqueceria as mortes que ele causou acidentalmente por causa do poder, mas não esqueceria de mim, não teria mais as crises... Por quê? Por que os humanos gostam tanto de enganar e explorar?

Quanto a esses humanos. A primeira aparência parecem se importar, mas até quando? Hideki e o irmão da humana só estão aqui por causa dela, pra começo de conversa. Bem que... No tempo que observei tudo, a humana não só o tratou bem como um animal, mas também como alguém, como se a diferença de raça não importasse. O irmão dela, mesmo detestando gatos, o ajudou quando teve uma de suas crises e Hideki, apesar de tudo, me aturou, mesmo sendo pela humana.

Será que devo considerar isso? Será que devo confiar em algum humano mais uma vez?Aquela situação com aquele humano só deu merda, pra mim já basta, não quero cometer um erro novamente, não quero fazer meu irmão sofrer mais, porém, não tenho escolha. Nas condições que estou, não posso recusar uma ajuda.

Notas finais
Então, galera? O que será que Kuro dirá? Reconheço que demorei muito de novo, acho que nada que eu disser poderá servir de justificativa pra demora, mas, se serve de consolo, a partir da parte que Kuro tenta fugir (na segunda vez) me veio um branco na narrativa '-' (Adianto que o próximo poderá demorar também, pois o conteúdo terei que pensar MUUUUUITO em como vou escrever x_x)