My Medical Mistake

2 Boa noite, doutoras.


Notas iniciais
Primeiro capítulo no ar, amigos! Eu sei que começo de história costuma ser meio morno e tal, mas eu preciso disso para que tudo flua direitinho, ok? Boa leitura!

[SEGUNDA FEIRA (10/07) — CLEVELAND CLINIC]

Cheryl estacionou seu carro na frente do hospital onde trabalhamos, desceu depressa para pegar um café na barraquinha que ficava em frente ao imenso prédio. Desafivelei o cinto. Só mais um dia. Peguei minha bolsa. Só mais um dia. Finalmente desci do carro e me deparei com o espelhado e incrivelmente grande hospital onde trabalho. Talvez não seja tão difícil assim.

Encarei Cheryl que esperava tranquila seu café. Pendurei o jaleco no ombro enquanto a morena vinha de encontro comigo para enfim, entrarmos.

Um passo de cada vez, ok?— Ela olhou pra mim e deu uma piscadinha enquanto atravessamos a -movimentada- rua.

[SEGUNDA-FEIRA (10/07) — ESCRITÓRIO DE JACK ANDRISH]

Bom dia, Dr. Andrish— Disse ao entrar na sala de Jack Andrish, o chefe de cirurgia do Cleveland Clinic, meu chefe. Sua sala toda em tons de marrom e vinho era tão elegante, lembrei-me do dia em que comecei minha residência aqui e só conseguia pensar que um dia queria ter um escritório como o de Jack e ter, ao menos, um terço de seu talento.

É bom te ter de volta, Dra. Mayers!— Ele disse com um sorriso simpático enquanto mantia os olhos fixos na papelada que estava assinando. — Espero que esteja bem.— Ele rolou os olhos por mim por milésimos de segundo.

Eu estou, obrigada por perguntar. Me desculpe por te deixar na mão.— Me desculpei pelas três semanas que fiquei fora, em consequência do meu repouso após ter sido agredida por meu ex.

Contanto que minha melhor cirurgiã cardiotorácica esteja pronta pra voltar ao trabalho, eu desculpo. — Jack olha pra mim rindo e me libera pra voltar ao trabalho.

[SEGUNDA-FEIRA (10/07) — URGÊNCIA E EMERGÊNCIA]

— Como foi?- Cheryl perguntou a mim assim que desci ao posto de urgência e emergência do hospital. A mesma analisava uma menininha loira que se contorcia de dor em sua barriga em um dos leitos. Respondi que foi tudo bem, enquanto ia ao seu encontro.

É um dia calmo. — Olhei em volta observando que tudo estava vazio. Apenas o leito onde a menina estava, estava ocupado. Sorri para a mesma que tentou me forçar um sorriso, mas pelo jeito, estava mesmo em dor.

Qual é o seu nome?— Me referi a paciente.

Anne......aí!— Ela disse enquanto soltava gemidos de dor com um olhar de piedade para a médica, que tocava em seu abdômen.

Cheryl apontou com uma das mãos para o prontuário de Anne, enquanto sua outra mão continuava a tocar no quadrante inferior da garota. O peguei e comecei a ler. Anne Jordan, 9 anos. Admitida esta manhã com abdômen sensível e rígido. 10mg de naproxeno aplicados.

Dra. Bayard?— A mãe de Anne chegou da recepção com a cara pálida, se referindo a Cheryl. — Ela vai ficar bem?

Vou fazer de tudo para que ela fique. Mas, precisaremos tirar umas fotos para vermos se não há nada de errado dentro da barriguinha dessa menininha aqui!— Cheryl disse tentando acalmar a mãe e brincar com Anne. — Me acompanha, Dra Mayers?— Cher perguntou pra mim enquanto soltava as rodinhas da maca onde Anne estava para levá-la a sala de tomografia.

[SEGUNDA-FEIRA (10/07) — SALA DE TOMOGRAFIA]

Já cedo, Dr. Portman?— Cheryl cumprimentou um médico, por mim desconhecido, que estava sentado em frente a um dos computadores da sala de tomografia. Era um rapaz alto, de cabelos bem pretos e olhos verdes.

No mesmo horário de sempre, Bayard.— Ele a respondeu enquanto pegava as imagens e saia da sala, esbarrando em mim, sem ao menos me cumprimentar.

— Adam Portman, nosso novo cirurgião do trauma— Cheryl desatou a falar sem eu nem precisar perguntar. Murmurei em resposta, concordando, e olhei para trás, vendo o passar pela passarela que ligava as salas de exame aos quartos privativos dos pacientes.

Pronta, Anne?— Perguntei à menina enquanto a transferia de maca. — É bem rapidinho, ok? Não precisa ter medo, não dói. Só tente ficar parada o máximo possível, combinado?— Levantei as mãos para um high five e as de Anne foram rapidamente de encontro às minhas.

***

[SEGUNDA-FEIRA (10/07) ALA LESTE, QUARTOS PRIVATIVOS]

Como imaginávamos, Sra. Jordan. Anne está com apendicectomia aguda. Precisará operar.— Cheryl contou a mãe da menina assim que a diagnosticamos.

Ela operou há menos de três meses seu coração!— Mary Jordan disse aflita – É muito perigoso! Não....— Cheryl olhou rápido para mim, espantada, essa notícia era nova para nós duas.

A senhora tinha de ter me contado isso assim que sua filha chegou!— Cheryl repreendeu, Mary abaixou a cabeça, envergonhada – Mas, vai ficar tudo bem. Sua filha precisa ser operada, se não continuará com muita dor. Não posso mentir que os riscos são maiores sim, mas a Dra. Mayers é uma de nossas cirurgiãs cardiotorácicas e ficará observando e cuidando de sua filha enquanto removo seu apêndice, ok?— Cheryl se referiu a mim, afirmei amigavelmente com a cabeça, já que não tinha mais nenhum paciente pra atender, era uma manhã estranhamente calma aqui.

Cheryl e eu saímos do quarto 221, onde as duas se encontravam e fomos fazer as rondas, como era de rotina depois de atender os pacientes da urgência e emergência.

— Por que tudo tá tão calmo? - Perguntei já que meus dias costumavam ser muito cheios, talvez essa seja a manhã que menos trabalhei em toda a minha vida, pensei.

Amanhã chegam os novos residentes, Lex!— Cheryl me lembrou, já que sempre antes dos novos alunos chegarem, os pacientes eram encaminhados aos outros hospitais da cidade, era um costume do nosso chefe. Só deixar quem já tinha algo marcado.

***

Depois de fazer todas as rondas, conversar com outros médicos amigos meus, já estava me sentindo em casa. Depois de tanto tempo, eu me sentia feliz. Feliz comigo. Tinha acabado de sair de um puta relacionamento abusivo de 4 anos com Scott e só hoje eu entendo pelo que passei. Mas, ainda tinha uma merda de relação com meu corpo, com minhas roupas, com outros homens, tudo por culpa de Scott.

[SEGUNDA-FEIRA (10/07) — SALA DE CATETERISMO]

Depois de conversar com o antigo cirurgião cardiotorácico de Anne e entender por qual procedimento a pequena tinha passado, a levei a sala de cateterismo, para ver se seus vasos sanguíneos estavam fortes o suficiente para aguentar outra cirurgia.

Ok, Anne, isso vai doer um pouquinho, mas é rápido, ok? Você pode segurar a mão de Adisson enquanto isso.— Avisei Anne, enquanto me preparava para fazer um cateterismo em seu braço. A garota rapidamente agarrou a mão de Adi, a enfermeira que nos acompanhava.

Dra.... Mayers?— Alguém entrou na sala procurando por mim, sabia que conhecia a voz, mas não consegui reconhecer.

Hmm.. — Respondi concentrada com os olhos fixos no braço de Anne enquanto inseria o último cateter em um dos vasos sanguíneos da menina.

Eu preciso de uma consulta, pra amanhã de manhã.— Olhei para onde a voz vinha e encontrei com o olhar do Dr. Portman, com um prontuário na mão e sorrindo para mim. O avisei que seria a primeira coisa que faria no outro dia.

Vou ficar esperando.— Portman disse de forma carinhosa enquanto saía da sala e entregava o prontuário na mão de Adisson.

Adisson arqueou as sobrancelhas pra mim, como se desconfiasse de algo, voltando a apertar a mão da nossa paciente.

É seu namorado?— Anne perguntou docemente pra mim, senti um arrepio correr o meu corpo. Meu último namorado me agredia, cuspia em mim, me xingava. Só essa palavra fazia meu corpo tremer -de medo-.

Não é não! - Respondi rindo, tentando desacelerar meu coração.

Mas, já já vai ser.— Me respondeu ela, com um olhar sapeca.

Você é meio nova pra isso, não é, Anne?— Comentei com a menina, que deu de ombros.

— Acabei aqui, Ad, você pode tirar um último tubo de sangue dela pra mim?— Pedi, enquanto tirava as luvas e as jogava no lixo, saindo da sala acenei para Anne, que me mandou um beijo com a mão.

[SEGUNDA-FEIRA (10/07) RECEPÇÃO — CLEVELAND CLINIC]

Terminei todas as rondas noturnas e esperei encostada no balcão principal por Cheryl, que me levaria pra casa.

Portman se aproximou, entregando alguns papéis para a recepcionista e assinando outros, olhei para ele e voltei minha atenção aos leitos vazios que estavam em minha frente.

Lexie, não é?— O médico me perguntou, enquanto colocava uma caneta no bolso de seu jaleco.

Murmurei um “sim”, ainda olhando para frente.

Não quer saber o meu?— Perguntou novamente, entortando a cabeça e rindo levemente.

Adam.— O olhei séria.

Ah, então você já teve a curiosidade de procurar saber.— Ele continuava puxando assunto -e me deixando completamente desconfortável- .

Encontrei meu olhar em Cheryl, que vinha pronta para ir embora, em minha direção. Ainda bem; pensei aliviada.

Vamos? - Cheryl me perguntou enquanto pegava meu jaleco da minha mão e o juntava com o dela, sorrindo para Adam, que nos observava.

Afirmei com a cabeça, só querendo sair dali o mais rápido possível. Estava envergonhada e sem saber o que responder a Adam.

Boa noite, doutoras!— O filho da puta disse, enquanto saíamos do prédio.

***

Já dentro do carro, Cheryl liga o som, solta o cabelo que antes estava preso em um rabo de cavalo e abre as janelas. Deixa o vento bater em seu cabelo e diz pra mim que se sente livre. Em pouco tempo, meu cabelo também já voava pra fora do carro, começo a controlar minha respiração e sentir o meu corpo. Que sensação do caralho.

Gatinho, né?— Cheryl corta o clima, se referindo a Adam. Fecho a cara rapidamente e balanço negativamente a cabeça. — Muito cedo?— Ela torna a perguntar

Muito cedo, Cher.— Respondo de forma triste. - Será que vai ser sempre muito cedo? Claro que não Lex!— A morena põe a mão esquerda em minha coxa e me lança um olhar amigável. — Você vai encontrar alguém que te ame e te respeite do jeito que tu mereces! Scott não é a regra, é a exceção.- Concordei com a cabeça, pensativa.

Espero que ela esteja certa.

Notas finais
Não sejam leitores fantasmas! Comentem o que acharam desse episódio e o que esperam dos próximos. Até a próxima. Com amor, Lari.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.