Notas iniciais
Hey! Voltei com mais um capítulo! Quero agradecer aos comentários, que mesmo poucos, me ajudaram a continuar! O nome do narrador de agora em diante vai vir centralizado antes do texto. Boa Leitura!

“Ontem

Todos os meus problemas pareciam tão distantes

Agora parece que eles vieram pra ficar”

Elena

Damon e eu seguíamos em silêncio em seu Toyota em direção ao centro de Mystic Falls. Quando me encontrou, eu senti que ele estava angustiado, mais agora ele já parecia sereno e tranquilo. Durante o tempo que passei no cemitério, refleti sobre muitas coisas e a principal delas era o que a minha vida tinha se tornado. Quando deixei essa cidade, eu era uma ingênua jovem adulta órfã de 19 anos, com sonhos, um irmão punk e um coração partido. Agora eu tinha um emprego fixo, um apartamento, um roteiro de filme pra escrever e tinha um irmão do qual eu não sabia nada. Me senti mal por isso, minha única família era Jeremy e eu o procuraria, não agora, mais em breve.

Estar na casa de Stefan não fazia mal só pra mim, fazia mal para o Damon também, mesmo ele sendo sempre tão durão e não admitindo, porque Katherine parecia ter se instalado lá, mais eu conclui que não havia tempo para confusões se nos dedicássemos ao trabalho que estávamos em Mystic Falls pra fazer. Além disso, a ideia de ir para a pensão da Sra. Fell me causava arrepios e aparentemente não tínhamos outro lugar para onde ir, então eu tive uma ideia.

– Damon, não vamos sair da casa do Stefan... – Ele me olhou confuso e me lançou uma careta.

– O que, Elena? – Perguntou aturdido – Fala sério, não podemos ficar lá...

– É claro que podemos – respondi prontamente e ele voltou a desviar os olhos da estrada para mim – Além disso, estamos bem estalados na casa da sua família e não temos mais pra onde ir.

– Elena – ele recomeçou – Stefan foi um idiota hoje, você teve raiva... Eu sai do sério e até Caroline foi atingida pela Katherine. Nós temos que sair de lá. Fora que a casa não é mais da minha família, é só do Stefan.

– Não vamos ter mais problemas com eles...

– A não? – ele perguntou descrente.

– Você tem que fingir namorar comigo – Damon me encarou como se aquilo que eu disse fosse a coisa mais idiota do mundo. Depois de uns cinco segundos em silêncio, ele riu como um condenado.

– Mais você só pode estar de brincadeira! – gritou sem controle do volume da sua voz, estava vermelho e eu me preocupei com sua capacidade de dirigir naquele momento, já que ainda ria.

– Para de rir e olha a merda da estrada, Damon – ele respirou fundo e eu esperei que ele se concentrasse novamente – Damon... Pensa comigo... O seu irmão já acha que eu e você... – Me perdi nas palavras... Aquilo era complicado de se dizer... – Sabe... E você disse que me levou pra cama...

– Elena, o Stefan não acreditou nisso... Eu disse que te levaria pra cama quando vocês tinham quinze anos e ele sabe que foi só pra irritar ele...

– Levou o maior soco na cara da sua vida de um menino de quinze anos? – Eu tive que perguntar e ele revirou os olhos visivelmente sem graça.

– Eu não tenho orgulho disso...

– Só finja que somos um casal – falei rindo.

– E quanto a Katherine? – Ele perguntou bufando.

– Não está com medo da Katherine, está? – debochei.

– Não estou com medo, não seja ridícula – Ele disse duro e eu debochei revirando os olhos – Só que eu conheço a Kath e se ela já era problema quando era minha amiga, imagina agora depois do nosso café da manhã...

– Pra começar, se quer ser meu namorado, Damon Salvatore, não a chame de Kath – disse firme e ele arqueou as sobrancelhas — Você só esquece de mencionar que eu tenho experiência na arte da inimizade com Katherine.

– Quem disse que eu quero ser seu namorado, pequena Gilbert?

– Ha ha ha – fiz careta. Aquela parecia ser a melhor alternativa pra mim, faria Stefan para de pegar no meu pé e Katherine no de Damon e Caroline, mais ele só fazia parecer que era uma ideia idiota e sem cabimento.

– Mudando de assunto, temos que ir a prefeitura marcar um horário com o advogado deles – Damon falou rapidamente — Precisamos dos direitos de imagem da cidade.

– Direitos de imagem da cidade? Quem pede direitos de imagem a uma cidade pra registrar o passo a passo da criação de um roteiro?

– Quem quer filmar na menor e mais conservadora cidade da Virginia – ele disse como se fosse óbvio – É lei aqui... Não estamos mais em New York...

– Pare de me lembrar isso... – resmunguei, a saudade do ar poluído e da barulheira de New York já era grande pra mim, eu já estava completamente desacostumada com a monotonia de Mystic Falls – Mais já que tocou no assunto, vamos providenciar isso hoje a tarde após o almoço. Depois que estiver tudo certo, me leva até a casa da Jenna, tá?

– Jenna? Sua tia Jenna? A que você odeia?

– Cala a boca...

– Não devia tratar melhor seu namorado? – ele resmungou em tom de piada. A droga do sorriso lateral irritante no rosto.

– Já disseram o quanto você é um idiota?

– Fala sério... Eu nunca namoraria você, Elena – Sua voz era sincera e por algum motivo desconhecido, aquilo me atingiu em cheio. Não que eu, sei lá, tivesse ficado super magoada ou algo assim, era o Damon ao meu lado, o cara que puxava meu cabelo no colégio e que por alguma piada do destino, me acolheu e se tornou meu amigo anos depois, mais... Um “eu nunca namoraria você” deixa qualquer mulher pra baixo.

– Claro que não, você namorou a Katherine – eu tinha que dar o troco de alguma forma – O seu mal gosto me espanta, você não merece uma garota como eu – Ele não me respondeu e sua expressão se tornou indecifrável. Naquela hora, eu daria tudo pra saber o que estava pensando, seria bom se minhas palavras o atingissem da mesma forma que as dele atingiram a mim – Escuta... Onde vamos almoçar? – Mudei de assunto um tanto incomodada com seu silêncio.

– No Grill...

– Acho que ainda é a melhor opção dessa cidade – ele deu de ombros.

– Talvez a única...

Ele me deixou no Grill pra marcar lugar (por que o Grill amontoava de gente no almoço) e foi chamar Caroline na casa do irmão. Quando voltaram tive que dar uma desculpa qualquer a ela sobre meu sumiço, eu contaria no final o que aconteceu, mais no Mystic Grill lotado e barulhento não tinha como.

– Meu Deus! É você mesma?! – Aquela voz animada só podia ser de uma pessoa – Não acredito que voltou! Não acredito!

– Quem é essa? – ouvi Caroline cochichar a Damon não sei como.

– Amiga de infância – Ele respondeu. Me levantei para abraçá-la.

– Bonnie! – Sorri e a apertei em meus braços, sentindo sua alegria verdadeira por me ver – Senti tanto a sua falta!

– E eu! – ela respondeu me olhando nos olhos e sorrindo – Vim aqui só pra ver se te encontrava. Damon foi a minha casa e Matt me ligou depois. Vai na minha casa, ainda moro no mesmo lugar. Eu to super atrasada e temos muita coisa pra conversar...

– Eu vou, estou ocupada hoje mais vou quando tiver um tempo eu prometo.

– Ok – ela respondeu um pouco triste e eu acabei me sentindo mal por não ter priorizado mais ela – Você vai encontrar o Matt por aqui e... Seu irmão está de folga hoje... Até mais, Elena... Damon – ela acenou para ele e para Caroline também.

– Seu irmão trabalha aqui também? – Caroline perguntou.

– É... Pelo visto ele não conseguiu escapar... – Damon falou me olhando com cara de deboche. Eu sabia do que ele estava falando, mais não dei muita bola.

– Do que estão falando? – Caroline perguntou sem entender.

– Da sina dos homens de Mystic Falls em busca do primeiro emprego...

– Ou trabalham no Grill ou no cinema – Damon respondeu rindo.

– Você trabalhou aonde? – Ela perguntou.

– Eu era rebelde e lindo de mais pra trabalhar nessa cidade... – ele deu de ombros e eu sorri.

Terminamos de almoçar e seguimos os três para a prefeitura. Como quase ninguém ia lá, não precisamos marca horário com o advogado e em menos de 5 minutos fomos atendidos.

– Stefan? Você é o advogado? – Damon perguntou quando o viu. Ele foi o primeiro a entrar e eu tive vontade de desistir logo em seguida, mais Caroline, sem saber sobre mais cedo, me empurrou porta a dentro.

– Não o único, mais estou atendendo hoje...

Damon e Caroline trataram de tudo, eu apenas fiquei sentada lá tentando não olhar para Stefan. Tudo seria tão mais fácil se ele, como um bom filho de família fundadora, tivesse ido embora de Mystic Falls também, mais pra nunca mais voltar...

Quando terminamos de assinar os papeis eu sai o mais rápido que consegui da sala dele. Nós três fomos até o Toyota de Damon e como eu pedi, ele me levou até a casa que eu morava e então saiu com Caroline para lhe mostrar a cidade.

Passei algum tempo só encarando a sacada daquela casa. Por diversas vezes eu corri feliz por aquele gramado ao lado, mais também sai batendo o pé com raiva de Jenna pela porta da frente. Não tinha certeza se devia tocar a campainha ou ligar pedindo pra Damon me tirar dali o mais rápido possível.

Jeremy. O nome do meu irmão soou involuntariamente na minha cabeça. Eu devia isso a ele e aos meus pais. Eu tinha que encontrar o Jeremy...

Nem Jenna e nem Jeremy costumavam fechar a porta da frente e eu pude ouvir risadas e um barulho de motor de carro de vídeo game vindos da sala. Pensei em entrar sem anunciar minha presença, mais me contive e toquei a campainha.

– Atende lá pra mim! – ouvi a voz animada de um garoto soar lá de dentro.

Depois de alguns passos vi uma garota branquinha, de rosto arredondado familiar e cabelos volumosos atender sorridente a porta.

– Ana? – Reconheci a melhor amiga do meu irmão e prima de Damon mais rápido do que Ana me reconheceu mais eu não a podia a culpar... Já fazia muito tempo...

– Meu Deus! Elena?! – Ela disse alto e em um salto me abraçou apertado – Elena! Eu re-li o seu livro semana passada! – Me saudou novamente e então percebi que o som que antes vinha alto da sala havia parado – Entra, pode entrar. Merda, eu to te convidando pra entrar na sua própria casa... Jeremy! Tyler!

Sentia-me feliz por ver Ana, mesmo preferindo que Jeremy estivesse a sós lá dentro, mais a receptividade dela me deixou muito feliz. Tudo ainda estava em seus antigos lugares e parecia que nada havia sido alterado ali. Viu Tyler sorrir involuntariamente quando me viu, éramos todos amigos, mesmos Jeremy e Ana sendo um ano mais novos.

– Elena, fala sério sua desgraçada sumida! – Ele foi o mais rápido que pode e me pegou nos braços. Aproveitei aquele abraço como havia feito com Ana e Bonnie mais cedo, livrando-me da preocupação que era encontrar o meu irmão e como consequência minha tia. Tyler me locomoveu e quando eu abriu os olhos viu pela primeira vez Jeremy.

Mais alto, com um corte de cabelo militar e malhado, Jeremy me encarava parado e não sorria como os outros e aquilo me preocupou. Quando Tyler me liberou eu dei dois passos para frente e como ele manteve a distancia, eu não se aproximei mais. Tyler e Ana decidiram manter o silêncio no cômodo, talvez sem ter certeza do que dizer.

– Jeremy... – Tentei falar mais ele balançou a cabeça em negação e ergueu um pouco a mão direita em minha direção.

– Não – ele disse me encarando sem acreditar – Não, Elena, nem vem!

– Jer... – Ana tentou falar mais ele a cortou.

– Não! – ele repetiu fazendo com que ela recuasse – Pra vocês dois tudo bem a Elena sumir do nada porque brigou com o namorado e voltar aqui cinco anos depois? Pra vocês tudo bem ela não dar notícias, não ligar, não usar nenhuma rede social ou mandar uma mensagem de fim de ano pra ninguém? Isso é normal pra vocês? Isso é normal pra você, Elena?

– Jeremy eu... – Tentei recomeçar, mais ele me impediu novamente.

– Se acha que eu vou pular de alegria Elena você tá enganada, eu não vou.

Jeremy pegou as chaves de um carro que estavam na mesinha da sala e saiu de cara fechada sem nem olhar novamente em minha direção. Coloquei as mãos sobre o meu rosto e logo em seguida massageei minhas têmporas.

– Elena, o Jeremy...

– Não Ana, ele ta certo... Eu... Eu fui uma idiota, uma irresponsável com o meu irmão...

– Elena... – Tyler tentou argumentar – Só... Dê um tempo a ele...

Eu assenti diante as feições preocupadas de Tyler e Ana, peguei o celular do bolso e digitei uma mensagem para Damon ir me buscar. Após o Ok dele, lembrei de outra pessoa que devia esta ali reclamando do barulho do vídeo game e daquela molecada na sala. Jenna...

– Sua tia não mora mais em Mystic Falls – Ana começou fazendo-me erguer a sobrancelha – Se casou com o Sr. Mikaelson e eles se mudaram para o Kansas.

– Mikaelson? – Elena perguntou lembrando da família.

– Sim, o pai da Rebekah, do Niklaus, Elijah, Kol, você deve se lembrar... Dono da Fazenda Sun depois da ponte Walkere no inicio da cidade... Jeremy tinha o emprego no Mystic Grill, a pensão dos seus pais pagava a faculdade dele então ele decidiu ficar aqui e morar sozinho.

– Foi o dia mais feliz da vida dele quando a Jenna se mudou – Tyler lembrou me fazendo esboçar um sorriso.

– Todos sabíamos que vocês não se davam bem com ela...

Quando Damon e Caroline chegaram para me buscar contei do reencontro fracassado com meu irmão e da tia que já não morava mais aqui. Como não tinham ideia do que fazer, sugeri que comprássemos bebida e nos trancássemos em um dos quartos. Nem Damon e muito menos Caroline se mostraram contra e assim eles fizeram. Quando chegaram, não havia nem sinal de Stefan ou Katherine e Damon já tomava a quinta dose de Bourbon.

– Em qual dos quartos? – Caroline perguntou quando chegaram a sala.

– Que tal no do Stefan? Podemos derramar bebida em tudo por lá – sorri com a ideia.

– Que quarto o quê! – Damon disse fechando a porta – Liga esse Hometiter ai e põe no volume mais alto.

– Ta falando sério? – perguntei sem acreditar.

– Eu sou o mais velho. Se alguém tem direito a alguma coisa aqui, sou eu!

Caroline seguiu para o quarto correndo e voltou com um pen drive em mãos. Ela mesma ligou o som e eu ergui a garrafa quando reconheci a musica que tocava. Dancei e cantei alto sem medo de nada.

– Mais que diabos vocês…? – A voz de Stefan ecoou pela sala por volta das 20 horas da noite, com Katherine em seu encalço. Nós três dançávamos enquanto ele abaixava o volume do som.

– Cala boca Stefan! – Gritou, a voz tremula por conta da bebida — Porque não faz um favor a todos nós e enfia essa sua cara em um buraco?

Não só Stefan, mais Damon, Caroline e Katherine encaram-me sem entender.

– Você, Stefan, é o maior idiota da face da terra! – gritei e logo em seguida ergui a garrafa de Bourbon tomando mais um gole. Senti-me livre depois de ter gritado com ele.

(Continua)

Notas finais
Gente, como certa quantidade de capítulos já estão prontos e eu não estou deixando um intervalo de tempo regular para postar. Normalmente o intervalo de tempo é de 1 semana, mais dependendo do número dos comentários eu estou decidindo quando postarei, então, só depende de vocês! E então? Me falem o que estão achando! Seus comentários são muito importantes, eu gosto muito e respondo todos o mais rápido possível. Se estiver gostando, não custa nada favoritar! Até o próximo! Xx