My Lovely Nanny
7 Capítulo 7 - O Escritorio
Notas iniciais
Durante aquela semana, Renji e Byakuya chegaram a ficar mais tranquilos pelo fato de não terem muito contato. Afinal o moreno saía cedo para trabalhar enquanto a filha estava na escola e o maior ficava com ela por todo o dia até chegar à noite, o único momento em que se viam, mas era uma questão de minutos para o ruivo ir embora para seu apartamento, devido ao fato de já ser bem tarde da noite e o Kuchiki colocava sua filha dormir e depois ele mesmo ia descansar. Com essa situação, eles não precisaram falar sobre o que tinha acontecido imediatamente, mas sabiam que não poderiam fugir por muito tempo.
Abarai estava quase subindo pelas paredes sem saber o que o menor estava pensando dele depois do quase beijo que tiveram. O Kuchiki não estava tratando-o de forma diferente nem nada assim e isso tranquilizava o mais novo, mas sentia que aqueles belos olhos azuis evitavam encara-lo na maior parte do tempo. Uma sensação de angustia estava devorando o maior pouco a pouco com a ideia de que assim que surgisse uma oportunidade, o mais velho diria que não o queria por perto pelo que aconteceu. Definitivamente enlouqueceria com isso.
Agora estava em pleno fim de semana, um sol maravilhoso na rua, convidando a todos a sair de suas casas e se divertirem, mas a única coisa que Renji queria era ficar jogado no sofá só com uma bermuda e tomando uma cerveja gelada. Volta e meia a lembrança daquele momento nas escadas da casa do Kuchiki invadia seus pensamentos, fazendo-o suspirar ao se lembrar de ter o corpo menor em seus braços. Mas logo estava se remoendo de novo em agonia com suposições que pareciam querer torturá-lo. Só saiu daquele inferno de pensamentos quando ouviu o telefone tocar e apenas esticou o braço para atender, o aparelho ficava ao lado do sofá.
– Alo?
– Caramba Renji, por onde você andou?! — a voz grossa e amigável do outro lado da linha logo fez o ruivo rir.
– Hisagi... Eu disse que estava trabalhando firme como babá agora.
– Pensei que não quisesse ficar nesse tipo de emprego pra sempre.
– E não quero, mas por enquanto é o que posso fazer. — o maior se sentou direito no sofá enquanto conversava com o amigo — E você, como está?
– Muito bem, eu recebi uma promoção nessa semana e subi de cargo, agora estou ganhando bem mais!
– Opa, veio esfregar o seu sucesso na minha cara então?
– Não idiota, vim te convidar para tomar algo pra comemorar. Tem outro compromisso hoje?
– Não, não tenho... — Abarai realmente não estava com muita disposição para sair, mas ficar em casa se remoendo também não era uma boa opção, então decidiu aceitar — Tudo bem então, eu só vou me arrumar e nos vemos. No bar de sempre?
– Isso, no bar de sempre... Ah, use aquela camisa azul com alguns botões abertos.
– Por que quer que eu use essa? — o ruivo já arqueava uma das sobrancelhas e já tinha uma ideia do que iria ouvir.
– Porque fui eu que te dei e por que você fica muito gostoso com ela. — seu amigo falava com uma tranquilidade que era impossível para Renji não rir da sua cara de pau.
– Ok, seu mandão... Nos vemos daqui a pouco.
O maior desligou o telefone e deu um longo suspiro, a ligação de Hisagi o havia deixado mais animado. Tratou de se levantar e ir para o banheiro, tomando um banho relaxante sem demorar muito. Quando foi para o quarto, vestiu uma boxer e pegou uma calça jeans com alguns rasgos na perna, por fim puxando a camisa azul que o amigo citou, vestindo-a. Hisagi lhe dera em um de seus aniversários e admitia que o moreno tinha um ótimo gosto para roupas, adorava aquela camisa afinal. Depois de ajeitar os cabelos no penteado de sempre, saiu de casa levando a chave e a carteira, desejando poder tirar toda aquela angustia enquanto se divertia com o outro.
... X ...
Na casa do Kuchiki, Rukia tinha chamado duas amigas da escola para irem até sua casa e pretendiam passar o dia todo brincando. O pai da menina aproveitou para ir numa doceria próxima de casa e comprou um bolo de chocolate trufado delicioso que vendiam apenas naquele lugar, sabia que a filha ia ficar feliz e que suas amigas também iriam gostar. Ao voltar pra casa, avisou Rukia sobre o bolo e pediu que quando quisessem come-lo, deviam avisa-lo para ir cortá-lo. Sabia como uma faca poderia ser perigosa na mão de crianças e de modo algum era um adulto irresponsável.
Quando as meninas chegaram, Rukia estava mais do que animada e tratou de apresentar seu pai para as duas. Depois das apresentações, as crianças correram escada à cima para brincarem no quarto da pequena Kuchiki, fazendo o moreno dar um longo suspiro. Adorava ver sua filha tão feliz, só esperava que a bagunça no quarto não se tornasse gigantesca e com riscos de sobrar para si à tarefa de arruma-la. Mesmo que a menor tivesse aprendido a cuidar de suas próprias coisas, provavelmente esqueceria disso no meio de tanta agitação com as amigas.
Byakuya foi até a cozinha e preparou um café forte para si, ouvindo ao longe as risadas das meninas. No inicio, quando se viu sozinho tendo que cuidar de Rukia, duvidou que conseguiria criar uma menina sem uma figura materna por perto. Se esforçou ao máximo, quis dar tudo de si pela filha para que não lhe faltasse nada e que aquele buraco pudesse ser preenchido sem maiores problemas. Claro, como resultado acabou deixando a menina bem minada, mas ela estava aprendendo a deixar esse lado pra trás e apesar de tudo, tinha um bom coração. O Kuchiki tinha orgulho dela e de seu próprio esforço.
Porem, o moreno sabia que não podia ter o credito sobre a mudança de comportamento de sua filha em relação ao seus defeitos, como a correção de seu jeito mimado e o entendimento sobre cuidar de suas coisas. Isso se devia a Renji, o ruivo realmente conseguiu ensinar outros valores a Rukia e estava lhe mostrando uma visão diferente das coisas pouco a pouco. O apego que a filha tinha pelo maior era algo que nunca tinha visto ela ter, a não ser consigo. Era como se a menina considerasse Abarai como parte da família e sabia que o mais novo também se sentia assim.
Pensar em Renji logo fez com que o menor se lembrasse do dia em que ficou doente e foi cuidado por ele, podendo ver uma grande preocupação em seus olhos castanhos que sempre o observavam com tanta atenção. Também se lembrou de quando estava no banho e pode ouvir a voz do ruivo da porta, tão perto que se sentiu até arrepiado. E por fim, como não se lembrar do quase beijo em frente às escadas que deixou as pernas do Kuchiki bambas só de sentir a respiração dele se chocando contra sua. Não dava para ignorar ou esquecer o que aconteceu, a sensação das mãos fortes do ruivo envolvendo sua cintura o deixava inquieto e agora tinha certeza que Abarai o desejava como ele também se sentia atraído.
O moreno saiu de seus pensamentos quando ouviu o barulho da cafeteira, avisando que o café estava pronto. Encheu uma caneca com o liquido quentinho e escuro e partiu para seu escritório que ficava no corredor. Somente ele podia entrar ali e muito raramente, Rukia também entrava para poder falar com o pai quando este estava ali. Assim que entrou no local, fechou a porta novamente e encarou aquele que era seu canto particular, caminhando diretamente para a escrivaninha em um dos cantos da sala.
O escritório era num tamanho mediano, em uma das paredes havia uma estante de livros que tomava toda a extensão, na outra ponta havia dois arquivos e um armário, ali costumava guardar documentos papeis importantes, assim como algumas cartas e lembranças preciosas que tinha de sua época de casado. No canto perto da porta havia um móvel mais baixo onde uma impressora estava colocada, uns três quadros estavam pendurados também para enfeitar as paredes vazias e por fim a escrivaninha perto da estante de livros, bem no meio. Ali se encontrava um notebook, agenda e um bloco para anotações, um porta canetas e um porta retrato. A foto era de Byakuya com Hisana ao seu lado e Rukia ainda bebê no colo da falecida esposa.
O Kuchiki se sentou na confortável cadeira depois de tomar um gole do café e mirou diretamente aquela fotografia, soltando um longo suspiro. Assim como disse para Renji no parque, ele não sentia nenhuma dor ao pensar na mulher, apenas saudade dos tempos felizes que viveram juntos. Hisana era uma mulher magnifica, duvidava que existia outra como ela no mundo. Sempre tão gentil e deixava todo o ambiente agradável ao seu redor. Era educada, inteligente e prendada, um sonho de esposa para qualquer um. Eles combinavam em muitas coisas, tinham ideias parecidas às vezes e compartilhavam alguns gostos. O amor sincero e aconchegante que viveram ainda era um tesouro muito precioso para si.
Porem as coisas tinham mudado um pouco... Agora se via atraído por um homem, mais novo e totalmente diferente de si, sem muitas coisas ou gostos em comum. Estava viúvo a mais de quatro anos, nunca imaginou que poderia se interessar por alguém novamente e menos ainda por um rapaz. Se sentia travado com toda aquela situação, mesmo agora sabendo que Renji também estava interessado nele. Nunca foi bom em expressar seus sentimentos, mesmo quando estava apaixonado por Hisana, foi difícil se declarar para a mulher. E agora se sentia de mãos atadas novamente, como um adolescente. Riu de si mesmo e pegou o porta retrato depois de tomar mais um pouco do café, aproximando-o de seu rosto.
– O que eu faço, Hisana? Você era tão boa em me aconselhar em momentos difíceis ou quando eu me sentia perdido... — sussurrava enquanto olhava para a foto, o rosto tranquilo da mulher — Eu não sei se posso chegar nele e simplesmente dizer que também o quero. Isso é tão... Estranho. Nunca me imaginei passar por isso de novo... Somos tão diferentes e ele... Não sei, acho que merecia alguém melhor e mais jovem do que eu.
Sabia que a foto não iria lhe responder nenhuma de suas duvidas, mesmo assim era bom falar e deixar que seus sentimentos fluíssem assim. Hisana sempre foi sua amiga, independente de qualquer outra coisa, então pensar nela e em seus conselhos geralmente o acalmava. Decidiu colocar o porta retrato no lugar e ligou o notebook, iria revisar algumas coisas para passar o tempo. Enquanto o aparelho ligava, apoiou o cotovelo sobre a escrivaninha e deixou o rosto apoiado na mão, ainda olhando a foto.
– Sabe, você ia gostar dele... Renji é muito carinhoso com nossa filha. Ele é esforçado, cuida dela como ninguém e está ajudando em sua parte mais difícil. Rukia o adora... Você sabe que eu nunca desejei por ninguém no seu lugar, para mim você será sempre única. — abriu um pequeno sorriso, por fim virando para o notebook enquanto ainda falava — Mas acho que ele... Também é muito especial e único. E não acho que ele poderá sair da minha vida e da de Rukia agora.
Concluiu seu pensamento e logo se focou apenas na tela iluminada, abrindo alguns arquivos e começando a trabalhar. Estava com a mente e o peito mais leves depois que conversou com a mulher, por mais que isso parecesse loucura. Hisana não o condenaria, sabia disso e também tinha chances de começar um novo amor, isso era realmente algo bom apesar de inesperado. Byakuya só precisaria ter a coragem necessária para demonstrar o que sentia pelo ruivo e assim, talvez... Poderiam começar uma relação. Não queria pensar na reação de Rukia sobre isso por enquanto, deixaria isso para depois.
Um pouco mais tarde, a filha bateu na porta do escritório, dizendo que ela e as amigas queriam comer o bolo. O Kuchiki concordou, salvando seu trabalho feito e desligando o notebook, saindo do escritório e indo para a cozinha com as meninas. Cortou fatias generosas do bolo para cada uma delas e serviu com uma bola de sorvete do lado, mais um copo de refrigerante para cada uma. Não é preciso dizer que as amigas de Rukia elegeram o moreno como um pai incrível e as três se lambuzaram felizes com o doce. Byakuya apenas assistiu, comendo um pedaço menor do doce encostado no balcão. Sentia que agora estava mais tranquilo e não precisaria desviar o olhar daquele rapaz de quem tanto gostava.
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