My Little Star
2 Capítulo 2 – Tirando o Lacre
Notas iniciais
Espero que gostem =3
Hoshi’s POV
O vento estava especialmente familiar naquela manhã. No dia anterior, Sesshoumaru-sama pediu-me um tempo para ele e Jaken, provavelmente ele não queria uma “raça totalmente inferior” interferindo em sua vida. Hai hai, ele me deixou ficar em sua companhia e chegava a conversar comigo (de vez em quando milagres acontecem), até já me ajudou com alguns ataques... Seria amor fraterno?
Enfim, isso não é realmente importante no momento. Estou seguindo um cheiro familiar e intrigante... É impossível esse cheiro estar no ar, simplesmente impossível.
As vestimentas de sacerdotisa melhoravam ainda mais a sensação que o vento daquela manhã estava causando... Já era possível ver um vilarejo e...
O vilarejo da Kaede-dono?!
Estranhei, aumentando a velocidade. Minha orelha direita mexia de curiosidade. Pude ver uma pequena multidão – que não me percebeu – em volta de cabelos negros que...:
– Kikyou-sensei?
Perguntei um tanto alto demais. O cabelo e o cheiro eram dela, mas... Não. Não podia ser a minha sensei. Kaede-dono olhou para mim, algo que provavelmente despertou a curiosidade da garota amarrada no chão, pois ela fez o mesmo. Ao olhar nos seus olhos, senti minha cabeça pulsar... Algo está errado... Algo que não estava aqui, que não deveria estar aqui, está...:
– Quem é você? – perguntei, ríspida.
– Etto... Sou Kagome Higurashi.
Certo, não é mesmo a Kikyou-sensei. Podem ser muito parecidas, terem um cheiro idêntico... Entretanto, ela tinha um tom de inocência na voz enjoativo, utilizava um kimono estranho e dizia ter outro nome:
– Está certo. Venha Hoshi-sama, vamos levar Kagome para dentro. Suponho que uma experiência com a mulher-centopéia não seja algo agradável.
Obedeci o pedido de Kaede-dono, soltando a garota e acompanhando-a até a moradia da sacerdotisa. Enquanto andávamos, coloquei as mãos dentro das mangas do kimono, olhando sempre para o caminho. Recebi um olhar questionador de Kaede-dono, e sussurrei: “cheiro da Kikyou-sensei, somente”.
Kagome espirrou.
Quando estávamos entrando na moradia, Kagome tropeçou. Por instinto, segurei-a. Senti novamente minha cabeça pulsar e meus olhos foram obrigados a olhar para as costelas da humana... Alguma coisa brilhava:
– Shi... Shikon no Tama!
Eu devo ter berrado, já que Kagome estava assustada e Kaede-dono, surpresa:
– O que você disse, Hoshi-sama?! – perguntou a velha.
– Eu vi, Kaede-dono... – meus olhos estavam arregalados – Está nas costelas de Kagome! Kaede-dono, as semelhanças só comprovam que o que está dentro dela é a Shikon no Tama – eu arfava. Com um movimento da mão, pedi para a garota sentar e ela, assustada, obedeceu – Ela é a reencarnação da Kikyou-sensei!
– Hoshi-sama... Não duvido de sua palavra, mas deixe a Kagome explicar de onde veio.
Realmente, ela estava assustada. Kaede-dono iniciou o preparo de alguma comida e encarou-me, pedindo para que eu fizesse um pequeno interrogatório com Kagome:
– Bom... Tenho quinze anos, sou de Tóquio, no Japão. E... Nunca imaginei que teria uma... Jóia, dentro de mim.
– Nunca ouvi falar de Tóquio, muito menos do Japão – falei. Kaede-dono concordou – Isso só é mais uma prova de que você não é dessa época, Kagome. Aliás, – virei-me para Kaede-dono – onde vocês a encontraram?
– Ela estava na Floresta do InuYasha, mexendo em suas orelhas – respondeu, terminando a comida.
Voltei a olhar para a garota, pedindo explicações. InuYasha era uma criatura suja, que jurou tornar-se humano para ficar com Kikyou e depois a matou, somente para ter a Shikon. Hunf, mereceu ser lacrado:
– E de onde você veio, Kagome?
– A mulher-centopéia me puxou para dentro do poço, que faz a ligação com o poço daqui – ela respondeu, porém parecia muito confusa.
– O Poço Come-Ossos? – Kaede-dono começou a nos servir – Você sabia que ele era um tipo de portal, Hoshi-sama?
Neguei com a cabeça. Dissemos “Itadakimasu” em uníssono, iniciando a refeição. Conversamos por mais um tempo, com assuntos como Shikon no Tama, portais, InuYasha, Kikyou...
CRASH! CRASH! CRASH!
Os aldeões gritavam. Nós três saímos da cabana, dando de cara com a mulher-centopéia:
– Entreguem-me a Shikon no Tama! – ordenou, com aquele bafo de inseto.
Rosnei e fiquei na frente das duas. Kagome falou algo sobre seguir uma luz e saiu correndo. Virei-me, levantando as sobrancelhas:
– É A FLORESTA DO INUYASHA, SUA GRANDE BAKA!
Com isso, a mulher-centopéia já estava correndo atrás dela. Mas que...! Pelo menos, ela pareceu poupar o vilarejo, o que era ótimo e...
“Sinto o cheiro da mulher que me matou...”
Essa frase ecoou na minha cabeça, acelerando meu coração... Eu sabia que poderia acorda-lo, que poderia ouvir sua voz a qualquer momento...
Saí correndo em direção dele. Kusou... Ele teve de acordar com o cheiro dela, cachorro sarnento! E, olha só, estava me fazendo correr devagar! Ao chegar, vi uma cena em câmera lenta: Kagome e InuYasha presos pela mulher-centopéia, Kagome esticando a mão para segurar a flecha da Kikyou-sensei...
Eu e InuYasha começamos a pulsar ao mesmo tempo... Sentia falta de ar. Nos entreolhamos e ele parecia estranhar... A mim. A Shikon no Tama brilhava no corpo da youkai – que, por sinal, soltara ambos. InuYasha sorria, vitorioso, afinal, estava livre do selo da minha sensei:
– Sankon Tessou!
Kagome pareceu assustada com o poder do meu aniki. Eu rosnava para ele:
– Estou de volta, Hoshi-imouto – disse ele, rindo.
– Percebi, InuYasha-nii-baka! – respondi, pegando a Shikon.
– Hah, nem pense, imouto.
InuYasha já havia pego a jóia da minha mão. Continua obcecado como sempre! Dei-lhe um soco, recuperando-a e joguei-a para Kagome, mandando-a sair correndo. Esta assentiu, e foi.
Minhas garras brilharam em roxo:
– Jōka Tsume!
– Sankon Tessou!
Ambos os ataques passaram de raspão. Nos entreolhamos e ele saiu correndo atrás de Kagome. Será que... A influencia continua?
Tomei o mesmo rumo que eles, encontrando Kagome no chão:
– Onde está aquele baka?!
– Hoshi-sama, gomen nasai... Eu deixei a Shikon no Tama cair e o InuYasha... Está atrás dela...
– Mas que! Etto... Não tenho muita escolha – “onde deixei... Ah, aqui.”
Retirei um rosário de dentro do meu kimono e lancei-o para o pescoço de InuYasha. Respirei fundo, gritando:
– OSUWARI!
Ouvi um alto baque, ajudei a Kagome se levantar e, juntas, encontramos InuYasha estatelado em uma ponte. Pedi para ela pegar, enquanto eu encarava o meu irmão, sussurrando “osuwari”. Dei impulso, ficando em cima dele:
– Bem vindo de volta, nii-baka.
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