My Little Robot-o

4 4 - Por favor, Tente novamente


Naito não era burro nem nada, mas May ficava preocupada ao imaginar Naito indo para o exterior sozinho.Se ele fosse como uma pessoa convencional causaria a maior bagunça no aeroporto quando fosse passar pelo detector de metais. Repentinamente ela teve a idéia de criar um novo programa para o Naito. O computador da Khronos estava ali, bem na sua cara, e ela não perderia a oportunidade de descobrir se ela realmente tirara proveito nos seus seis meses de curso e mais algumas atividades extras.

Chegava ao fim sua semana de fechamento de notas. Ela, agora, gastava seu tempo trabalhando no novo programa de Naito, no qual passou madrugadas acordada na casa de sua avó, fazendo isto. Ela terminou nove dias antes do natal. Foi à casa do pai, buscou Naito e o deixou na laje coberta de sua avó. Lá ela executou o programa a partir do computador da Khronos.

"Installation has been canceled! Please try again."

Várias e várias tentativas inúteis de executar o programa em Naito. “Deve estar protegido contra gravações no Disco Rígido”, foi tudo que ela conseguira pensar. Provavelmente seu programa não funcionasse, mesmo em um radinho de pilha. Faltava quatro dias para o Natal e Naito finalmente iria atrás de Riiko.

-Arigato nee, May-Chan!

-Imagine, acho que eu só atormentei a sua vida!

-Iee, você me fez lembrar da Riiko, e isso foi muito bom.

-Riiko-Chan tem mesmo sorte de te ter como namorado.

-Você também pode fazer isso, May-Chan.

-Iee, você foi comprado pela Riiko-Chan. Não posso fazer isso. Eu adoraria ter alguém tão gentil como você que me suportasse desse jeito estúpido que eu sou, Naito. Mas que seja alguém que eu também ame de verdade de modo que eu seja a única amada dele e ele o meu único. Eu quero, na verdade, encontrar aquele que o destino escolheu para mim.

-May-Chan, posso te dar um beijo?Como forma de agradecer seus cuidados.

-Se te deixa feliz a sensação de estar agradecido, terei o maior orgulho.

O robô inclinou-se em direção a menina, de forma sutil e doce lhe selou nos lábios um beijo. May sentiu os lábios do robô quentes e vivos. Ela pensou estar romantizando demais.

-Vá, Tenjou Naito. Seja feliz com sua amada, e ela com você.

Ele apenas sacudiu a cabeça positivamente e saiu correndo pela saída dos fundos do prédio. May continuou intrigada com o programa que criara para Naito e falhou. Ele não aparentava erro nenhum. Tirando o fato de que serviria apenas para robôs, ela não via nenhum outro motivo que causasse a falha no teste feito no computador. Decidiu ir até a escola, aproveitando que seu professor de programação havia feito um grupo de estudo para as férias, e levou em seu pen-drive o seu teste.

-Infelizmente, é improvável que um programa execute isso que você pede. Cientificamente isso é inexplicável, tanto que o programa falhou ao ser executado.

-Mas, professor, há ao menos uma mínima chance de que isso aconteça?

O professor ficou em silencio, sem dizer mais nada. ”Droga, eu tenho certeza que esse programa dará certo se a instalação funcionar, mas caso não funcione, o Naito não pode ir para o aeroporto fora da caixa...”, subitamente ela saiu da sala correndo indo em direção ao conhecidíssimo Congonhas, que ficava a quarenta minutos da escola. Ela chegou lá e os autifalantes anunciavam o vôo em direção à França que, posteriormente, iria se dirigir para o Japão. Dois coelhos com uma cajadada só para Naito. Isso a fez pensar que ele já estaria atravessando o detector de metais.

May corria pelo saguão do aeroporto quando viu Naito à frente, ajeitando seu passaporte e sua passagem para passar pelo detector de metais.

-Naito!-o grito ecoou pelo salão e fez o robô se virar em direção a menina.

-May-Chan... O que faz aqui?-ele perguntou ao se aproximar dela.

-Você não pode passar por ali, eles vão descobrir que você é...-ela se abaixou e sussurrando disse- um robô!

-Mas, May-Chan, se eu não passar por ali eu, talvez nunca mais encontre a Riiko.

-É... Então, boa sorte. -May sorriu a contragosto com medo da confusão-Espero que encontre a Riiko logo.

-Arigato, May-Chan!-ele se virou novamente para o aparelho.

Naito mostrou o passaporte e a passagem para o atendente.Se virou e acenou para May que devolveu o gesto.Ele passou pela maquina, que imediatamente apitou. Os seguranças do aeroporto o fizeram repetir o procedimento mais uma vez e desatou o alarme a apitar. Uma das aeromoças saiu de perto para chamar o gerente, que era tipicamente cobrado nesses momentos. May, aflita, com as mãos a boca, olhava para Naito sem ser percebida. O rosto singelo e carinhoso, tão inocente e puro, tão amável e perfeito.

-Senhor, acho que esta tocando por causa da sua pulseira. -Disse uma mulher que seguia atrás de Naito.

-Obrigado, senhora. -Respondeu Naito, polindo um sotaque brasileiro.

Ele retirou a pulseira da Khronos do braço e seguiu o comando dos policiais do aeroporto. Atravessou o detector que dessa vez não apitou. May arregalou os olhos, incrédula de que o detector não apontasse as ferragens de Naito. Naito seguiu pelo corredor que o levaria em direção ao avião e foi embora de vez.

May continuou no saguão, chorando, pois havia algo que ninguém alem dela e Naito conseguiriam entender.

2 anos depois.

No laboratório da Khronos estava Nami Kiri e o Presidente. Naito estava sendo guardado em sua caixa novamente. May irrompe pela porta.

-Abortem o desligamento imediatamente.

-Ahh, May-Hime, que honra tê-la conosco. -Disse o presidente formalmente.

-Obrigado senhor presidente, respondam-me, por favor, o motivo do desligamento. -May estava vestida com um avental branco e de mangas longas com uma prancheta nas mãos.

-Perdoe-me, senhorita, eu apenas me senti inseguro com a reinicialização do modelo 01.

-Protocolado. Pode deixar-nos a sós, senhor presidente?-May se referia a Gaku e a Naito ao mesmo tempo. O velho apenas fez reverencia e se retirou da sala.

A sala ficou acolhendo apenas Naito que estava em sua caixa, Nami Kiri que estava o velando. O plano inicial da Kronos era testar os modelos de seus robos no Brasil, mas, porfim, acabaram por contratar May, que foi quem deu total assistencia ao robo durante os dois meses que o produto permaneceu no país. May acabou por ser contratada pela Khronos Heaven como engenheira de AI.

-Eu esperava que houvesse alguma saída para ele. Eu sempre me dediquei a este robô da melhor forma que eu pude.

-Eu sei disso Nami Kiri-San. O criou como um filho.

-Sim... Esse é o meu robô dedicado a amar.

-Robô?-May deixou escapar um riso diante da afirmação do cientista.

May se aproximou da caixa e suavemente aliciou o rosto de Naito.

-Nee, musuko chan, acorde. Ou vai se atrasar... -Naito abria lentamente os olhos.

-aah, okaa-san, só mais cinco minutos. -Naito falava mole e sonolento.

-Haai, querido.

Nami Kiri olhava em meio a pensamentos perdidos e sem entender direito.

-Procure a entrada Usb dele, Nami Kiri-San. -O homem acatou a ordem mas ele se perdeu em seu próprio labirinto.

-Desculpe senhorita, mas, não encontro.

-Nem vai encontrar... Pense duas vezes agora antes de chamar meu pequeno de robô.

Nami Kiri deslisou a mão pelo braço de Naito e o sentiu quente, diferente do toque de dois anos antes. Não era armadilha, não era sonho, era Naito tão humano quanto ele sempre fora. Estranhamente de carne e osso, e um coração batendo. Nami Kiri olhou para May se questionando como ela teria feito isso, ela apenas colocou o dedo na frente dos labios indicando pra que ele guardasse segredo.

-Eu já apaguei aquele programa. A Khronos não pode começar a vender robos que viram pessoas.- ela sorriu para o homem se dirigindo a porta.

-Ei, acorde meu filho,- o homem berrava para Naito.- Vou te ajudar a curar esse coração abandonado...

Notas finais
Eu peço desculpas a quem não gostou do final. Ele não ficou desse jeito por pressa, pois eu já havia escrito essa Fan-fic há um bom tempo.
O único problema é que eu não sabia bem como dar um final a essa história que de certa forma é muito especial e prestigiosa pra mim.
Agradeço a todos que leram a história e peço coments pra que eu possa melhorar cada vez mais.

Obrigada e esperem por mais. Beijos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!