My Immortal
1 Único.
Notas iniciais
Acontece que eu talvez vá no show do Evanescence (cm abertura do The Used!) em outubro. Pra isso eu preciso de dinheiro, e pra ter dinheiro preciso recebê-lo, e pra recebê-lo preciso esperar, e até lá os ingressos podem ter acabado. Sacou o drama?
Então comecei a ouvir Evanescence na esperança de isso ser uma força telepática musicalmente mágica que vai fazer eu conseguir os ingressos. Só que eles têm muitas músicas depressivas e tals e eu acabei me deixando enfiar na depressão um pouquinho. Como na long não tá na hora da tristeza ainda, melhor fazer uma one de uma vez, mesmo que seja absurdamente pessoal e que vá me dar uma crise de pânico assim que eu me tocar que eu a postei na internet.
Mas foda-se.
Comecem a tocar a música na hora que a letra aparecer (em itálico), tentei sincronizar dessa vez.
Acabou.
É irônico que essa seja a primeira palavra em um texto, não? Como um início pode ser um fim?
Bem, já começamos assim. Nosso nascimento é o término da gravidez; a gravidez é o término da concepção. Algo sempre tem que acabar para outra coisa começar.
O único problema vem quando você não quer que acabe; e, pior ainda, quando não sabe o que virá depois. Existe algo mais assustador que o imprevisível, afinal?
Talvez exista. Mas quando um medo é grande o bastante, ele sempre dá a impressão de ser tudo o que você sentirá para sempre, o que cria um novo medo, e assim consecutivamente até que a previsão se torne realidade. Porque é, sim, possível ficar parado no mesmo lugar. É possível que um coração bata no mesmo ritmo até parar, sem diminuir ou acelerar por anos sem fim. Em outras palavras, é possível morrer por dentro.
Mas o que isso interessa? Se já estou morto, não deveria me preocupar, deveria? Não, e nem deveria estar escrevendo isso para você. Então leve como uma esperança. É, Gerard... não precisa se culpar como eu sei que está fazendo. Não precisa destruir também a sua vida. Você não é um assassino.
Ainda assim, eu preciso ter certeza de que você sabe como eu me sinto. Preciso disso para seguir em frente, e acredito que você também. Não será bonito, mas o que aconteceu conosco também não foi. Necessário, não foi o que você disse?
Então sente-se, ignore o que estiver ao seu redor e leia. Chore se quiser; essa carta não terá nenhum valor depois de lida, e a tinta borrada talvez a dê um ar mais poético. Será mais legal guardá-la assim, para que quando você contar nossa história, seus ouvintes se sintam emocionados também.
Então, como eu me sinto? Para começar, cansado.
Estou tão cansado de estar aqui, reprimido por todos os meus medos infantis.
E se você tiver que ir, eu queria que você fosse logo; porque sua presença ainda permanece aqui, e isso não vai me deixar em paz.
Essas feridas parecem não cicatrizar; essa dor é real demais! Há tantas coisas que o tempo não pode apagar, Gerard.
Quando você chorou, eu enxuguei todas as suas lágrimas. Quando você gritou, eu lutei contra todos os seus medos. E eu segurei sua mão por todos estes anos!
Mas você ainda tem tudo de mim.
E isso é o que mais me destrói, sabia? Que você ainda me domine, mesmo que você não queira, mesmo que eu não queira, mesmo que nem Deus queira.
Você costumava me cativar com a sua luz ressonante; agora sou limitado pela vida que você deixou para trás. Seu rosto assombra todos os meus sonhos que já foram agradáveis; sua voz expulsou toda a sanidade em mim.
Eu nunca havia entendido bem o que todos queriam dizer com “o amor machuca”. Você nunca havia me deixado entender. E eu era tão feliz... quer dizer, poderia ter sido. Eu perdi tanto, tanto, por não conseguir aproveitar direito o que eu tinha. Por que eu insistia em ver o lado ruim? Por que meu pessimismo constante me impediu de sentir tudo o que você tinha para me oferecer? Eu fiquei tão obcecado em ver o mundo em preto e branco que imperceptivelmente recuei quando você me mostrou suas cores. Eu tinha o arco-íris, mas não vi o violeta. E agora nunca mais verei.
Eu tentei tanto dizer à mim mesmo que você se foi; mas embora você ainda esteja comigo, eu tenho estado sozinho por todo esse tempo...
Gerard parou de ler. Não tinha mais nenhum interesse em saber como aquela carta terminava. Amassou-a e a abandonou ao chão, mas não saiu da poltrona em que se encontrava.
— Eu sinto muito.
— Não sinta — Frank falou, de costas para ele, parado displicentemente à uma janela. — Era o único jeito.
— Podemos tentar de novo...
— Não, Gee. Já fizemos isso. Mais de uma vez. Eu não aguento mais. Simplesmente não aguento.
Gerard se calou. Abaixou a cabeça e deixou que as lágrimas caíssem, sem se dar conta de quanto tempo passava. Percebeu subitamente os dedos de Frank limpando seu rosto e olhou para ele, tão perto, tão longe.
— Você tem outra pessoa agora — Frank disse, calmo. — Não precisa chorar.
— Eu ainda te amo.
— Eu também. Não é o bastante.
— Me desculpa...
— Shh. Eu nunca sairei do seu lado. Quero que você seja feliz, e você será. Nem que eu tenha que desenhar seu sorriso com uma faca.
Gerard riu.
— Você não existe.
— Eu sei.
Frank se inclinou e beijou a testa do outro.
— Não deveria ser eu o consolador? — Gerard perguntou. — O mais velho, o que terminou com você, o que sabe o que está fazendo. Supostamente.
Frank deu de ombros.
— Isso não importa. Quando eu cair, você me levanta, e vice-versa. Eu só queria que você entendesse que não vai ser fácil. Que dói, dói pra caralho, mas que eu vou aguentar se é o que devemos fazer.
Gerard não soube o que responder. Frank suspirou e foi até a porta.
— Eu te ligo essa semana.
Ele abriu a porta e sorriu fracamente para Gerard.
— Espero que ela te faça feliz.
— … também espero. Mas ela nunca será você.
Frank abaixou o olhar e saiu. Ele sabia que aguentaria... sabia?
Não, ele não tinha certeza de nada. Ele queria poder sair dali com passos firmes; mas o que é amor sem o vacilo?
Notas finais
Mas isso é preocupação pra depois. Vou tentar me animar agora.
Espero que tenham gostado!
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