My Heart In Your Eyes
12 Quando chegam as decepções
Notas iniciais
Desde a chegada de Junho, Yoochun e Junsu se dedicaram apenas ao pequeno. O visitavam todos os dias e sempre tentavam o levar para passear tentando burlar as restrições de Jae. Por isso começaram a passar menos tempo sozinhos. Yoochun estava sentindo falta de um tempo só com Junsu, mas a alegria do namorado perto da criança era tanta que não conseguia reclamar.
Junsu passou a semana toda pensando em conversar com Yoochun, mas sempre perdia a coragem quando o namorado chegava. Não podia negar que estava com uma pontinha de inveja de Jae, também tinha vontade de ter um filho, mas nunca revelou esse desejo ao namorado. Depois de algumas noites em claro, Junsu resolveu conversar com seu melhor amigo, pois somente este sempre sabia o que dizer nos momentos de dificuldade.
– Jae, eu não sei como conversar sobre isso com ele. – Junsu conchichava com Jae na cozinha enquanto Yunho brincava com Junho na sala e Yoochun estava em uma reunião de trabalho.
– Ai Su, primeiro eu acho que vocês tinham que conversar mais e ficarem mais tempo juntos. Não é que eu não goste, mas vocês tem passado muito tempo com o Junho e me parece que não estão se dedicando ao relacionamento de vocês. Que tal passarem mais tempo juntos, conversarem mais sobre vocês dois? Acho que à partir daí chegarão ao ponto em que o assunto sobre filhos entrará em pauta. – Jae disse enquanto picava alguns legumes para preparar uma sopa para o jantar.
– Eu sei Jae, mas eu tenho medo de que ele não queira filhos. Sei lá, ele nunca me falou nada sobre ele, sobre antes de me conhecer, sobre seus sonhos ou algo desse tipo. Tenho medo de estar querendo demais.
– Eu acho que você deve fazer o que eu falei. Vai com calma, vocês precisam se conhecer mais. Estão juntos há tanto tempo como Yunho e eu, mas mal se conhecem.
– É, você tem razão. – Junsu admitiu derrotado. Realmente a relação com Yoochun sempre foi um pouco superficial, apesar do grande sentimento compartilhado entre eles.
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Na semana seguinte, Junsu preparou um jantar especial para o namorado. Precisava se aproximar de alguma forma e decidiu se dedicar mais àquele relacionamento.
– Ué, achei que nós iríamos visitar o Junho. – Yoochun disse espantado ao entrar em casa e encontrar a mesa de jantar arrumada.
– É que hoje eu quis ficar com você, só nós dois. – Junsu disse com seu sorriso angelical que ainda fazia o coração de Yoochun disparar toda vez que o via.
– É mesmo? – Yoochun disse passando as mãos pela cintura do namorado e o puxando para si. – Eu posso saber o por que disso?
– Nada demais. Só achei que nós estamos muito distantes um do outro. Sinto sua falta. – Junsu admitiu baixando o olhar envergonahdo.
– Eu também sinto sua falta meu amor. E então? O que temos para o nosso jantar? – Yoochun disse sorrindo fazendo toda a tensão se dissipar.
Os dois jantaram e conversaram por um longo tempo. O assunto pirncipal era Junho, mas Junsu ao perceber que Yoo estava distraído demais falando da criança sentiu se coração apertar. Como queria ter coragem de dizer que queria muito um filho e que queria ter uma família também assim como Yunho e Jae. Levantou-se da mesa para levar os pratos para cozinha, mas Yoochun o puxou o fazendo sentar em seu colo.
– Não vá. Quero que fique aqui comigo. – Yoochun disse passando a mão pelo rosto de Junsu.
– Mas eu só vou tirar os pratos... – Junsu foi interrompido por um beijo ansiooso do outro.
– Yoo... – Junsu tentou falar, mas não obteve sucesso. Não tinha como resistir, sempre que Yoochun se aproximava daquela forma, não tinha outra opção a não ser se entregar.
– Junsu... – Yoochun parou por um breve instante. – Eu amo você.
Junsu ficou por alguns segundos preso pelo olhar do outro. Sentiu seu coração ficar quente e disparado e seu corpo amolecer nos braços de Yoochun. Apenas o beijou.
Yoochun se levantou e apertou o corpo de Junsu contra si. O virou e ergueu, fazendo com que este ficasse sentado sobre a mesa. Não deixou seus lábios em nenhum momento, os fazendo ficarem ofegantes pelos movimentos bruscos. Deixou os lábios do menor e desceu para o pescoço, fazendo com que este soltasse um gemido alto e desejoso. Estavam loucos e sedentos um pelo outro, já não ficavam assim juntos há muitos dias.
Junsu não conseguiu mais se segurar e agarrou-se nos braços do outros devido ao toque daqueles lábios em sua pele. Yoochun ao perceber que o namorado estava se desmanchando em seus braços, apenas empurrou tudo o que estava sobre a mesa de jantar para trás, fazendo com que metade desta ficasse livre. Passou as mãos pelas costas do menor levando a camisa que este usava junto, se livrando desta rapidamente. Soltou seu peso sobre Junsu o fazendo deitar sobre a mesa. Beijava cada pedacinho daquela pele branca e gostosa, fazendo Junsu deixar escapar gemidos altos chamando por seu nome.
Yoochun tirou a própria roupa rapidamente e subiu sobre o corpo do outro, o enchendo de beijos e chupões enquanto tirava-lhe a calça e a boxer. Complatamente nus se amaram como há muito tempo não faziam, sobre a mesa de jantar. Junsu gemia alto e arranhava as costas e os braços do outro enquanto este se movimentava dentro dele. A saudade daqueles toques, daquelas sensações eram expressas a cada movimento, a cada gemido, a cada súplica silenciosa de seus corpos sedentos.
Quando finalmente chegaram ao ponto máximo, Yoochun se levantou e puxou o outro para o quarto. Deixaram as roupas, os pratos e outros itens do jantar sobre a mesa e pelo chão daquela sala.
Depois de um banho relaxante, os dois deitaram-se na cama. Junsu se acomodou nos braços do namorado e permaneceu em silêncio.
– Yoo?
– Oi.
– Posso te perguntar uma coisa? – Junsu disse baixinho, temendo invadir um espaço que achava que ainda não lhe pertencia.
– Pode meu amor, o que foi?
– Eu... É que eu... Eu tenho uma curiosidade. Nós nunca conversamos sobre nossas vidas antes de nos conhecermos. Sei lá. Sinto que não te conheço completamente, que não sei que você é ou o que você sonha, a não ser pelo homem que está ao meu lado todos os dias. – Junsu soltou cada palavra lentamente, temendo a resposta que teria do namorado. – Tenho tanto para falar, mas não consigo, é como se eu andasse por um lugar desconhecido, sem ver onde piso.
– E porque não me disse antes? Eu não tenho nada para esconder de você. Não disse nada porque você nunca perguntou. O que você quer saber? – Yoochun disse apertando Junsu em seus braços.
– Não é assim também, eu só gostaria de saber mais de você, sei lá... Como você vivia antes de me conhecer, se teve relacionametos anteriores, se tem sonhos, lugares que gostaria de ir ou estar, essas coisas sabe...
– Bem, minha vida não teve muita graça. Sempre fui muito solitário, sou filho único e quem me conheceu antes me chama de antisocial. Sempre fui muito preocupado com o trabalho, por isso não saía muito. Tive apenas uma namorada antes de te conhecer, mas já faz muitos anos isso. Namorei mais por insistência de meus pais que eram amigos dos pais dela. Até que nos demos bem, mas eu não suportei muito e depois de um ano terminei o namoro. Até hoje meu pai fica jogando na minha cara que fiz a escolha errada. Depois dela fiquei muito tempo sozinho, mas claro que tive outras pessoas, nada sério. Até que te conheci.
– Hum... – Foi tudo o que Junsu disse. Não gostou muito de saber que Yoochun teve uma namorada antes e que costumava sair com ouras pessoas por aí. Mas pelo menos não tinha amado ninguém tão seriamente.
– O que foi? Falei algo errado? Você ficou quietinho.
– Não, está tudo bem.
– E você?
– Eu o que?
– Me fale de você.
– Ah! Claro. Nada de grande, acho que você já sabe de tudo. Vim do interior junto com o Jae para estudar. Só estudei, estudei e depois trabalhei. Nunca saí muito, ficava mais em casa com o Jae. Nem namorada eu tive. Só beijei uma garota lá na minha cidade antes de vir para cá e saí algumas vezes com uma mulher quando já morava aqui, mas nada sério. – Junsu disse as últimas palavras envergonhado por ser tão inexperiente em relacionamentos.
Os dois permaneceram em silêncio por um longo tempo.
– Yoo...
– Sim?
– Você sonha em ter uma família um dia?
– Hum... Sabe que eu nunca pensei nisso? – Yoochun disse distraidamente, não percebeu a angústia que vinha por trás das palavras do namorado.
O silêncio imperou novamente. Depois de um tempo Yoochun adormeceu, mas Junsu ficou acordado remoendo as últimas palavras do outro. O aperto ruim no peito de Junsu, tanto que se levantou e saiu do quarto. Foi para a varanda e ficou olhando a cidade adormecida ao seu redor. O choro veio brutalmente e Junsu o deixou sair, sentindo toda a força de seu corpo se esvair. A dor no peito o consumia, pensamentos inseguros o dominaram. Desejou muito aquela conversa com Yoochun, mesmo sabendo que poderia ouvir o que não queria, mas não imaginou que a dor seria tão grande por receber aquelas simples palavras. Tinha tido esperanças que Yoochun quisessse ter filhos, mas isso não aconteceu naquela noite. Tinha certeza do amor do outro por ele, mas queria mais. Como? Junsu não sabia explicar. Não sabia se era um filho, se era um casamento, se eram palavras ou atitudes, ele apenas precisava de mais.
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A família Jung estava indo muito bem, tirando o fato de Junho acordar todas as noites chorando e pedindo pela mãe. Jae e Yun estavam fazendo todo o possível para que o pequeno não passasse por esse tipo de desgaste, mas só o tempo é que o faria melhorar. Apesar disso, casal estava muito feliz. Junho, mesmo que ainda tímido e sem chamá-los de pais, trazia muita alegria e diversão para aquela casa.
Yunho voltou ao médico para seu acompanhamento habitual, mesmo ainda sem notícias de um doador. Jae ficava o dia todo para lá e para cá para deixar a casa em ordem e fazer tudo para Junho e Yunho, mas ainda tinha tempo para se aventurar em suas novas receitas e para ir à livraria de vez em quando.
Naquela tarde Jae resolveu levar o pequeno Junho para conhecer a livraria, afinal já fazia dois meses que o tinham recebido e ainda não o levaram lá. Jae entrou sorridente segurando a mãozinha de Junho, que olhava tudo ao seu redor com curiosidade. Já não tinh amais medo de ir a lugares diferentes quando Jae ou Yun estavam com ele.
– Oi pessoal! – Jae chamou quando entrou e não avistou ninguém. – Cadê vocês?
– Aqui Jae, só um minuto! – Depois de segundos Chagmim veio sorridente ao encontro de Jae, explicando que estavam mudando um estante de lugar nos fundos e para isso precisavam da força de todos ali. Mas não viu a criança, pois esta sendo pequena era tampada pelo balcão que separava Changmin de Jae.
– Hum, vocês estão fazendo mudanças? Isso é bom, ando tão sem tempo de vir aqui, preciso tirar pelo menos dois dias na semana para ficar aqui um pouquinho.
– Não se preocupe Jae, nós damos um jeito. Mas falando nisso, fiquei sabendo que vocês adotaram uma criança, deve estar sem tempo mesmo.
– É mesmo. – Jae disse sorridente. – E hoje eu o trouxe para conhecer a livraria. Olha ele aqui. – disse erguendo o filho nos braços o deixando à vista de Changmin. – Olha meu anjo, esse é o tio Changmin.
– Junho? – Foi a única coisa que saiu da boca do outro. O pequeno apenas deu um sorriso ao ver o conhecido à sua frente.
– O que? Vocês se conhecem? – Jae não entendeu nada.
– Jae... Ele... Ele é o filho da minha irmã. – Changmin não conseguiu falar mais que isso, ainda assimilava o que estava vendo. Não sabia se ficava alegre por finalmente encontrar a criança ou se ficava bravo por saber que seu sobrinho havia sido adotado.
– Como assim Changmin? – Jae ainda não acreditava no que acabara de ouvir. – Ele é o seu sobrinho que sumiu? Não é possível, não pode ser... – Jae sentiu uma pontada no coração.
Depois de alguns minutos olhando um para o outro, Changmin saiu de seu lugar e foi até o menino o pegando no colo e o apertando em seus braços.
– Junho, meu querido, eu estava quase morrendo de preocupação, achei que tinha acontecido alguma coisa com você. – Chagmin falava baixinho enquanto abraçava a criança.
– Tio Chang... — Junho retribui o abraço timidamente. Jae quis morrer naquele momento. O menino se lembrava perfeitamente do tio e Jae perdeu o chão, achando que perderia seu filho para sempre.
– Nós temos que conversar Jae. – Chang disse depois de um tempo.
Os outros funcionários vieram e levaram Junho para passear dentro da livraria e tomar um lanche gostoso no café do estabelecimento, deixando Jae e Chang se encarando assentados um em frente ao outro na mesa do canto da livraria.
– Jae, eu nem sei o que dizer...
– Mas eu sei. – Jae disse de uma vez, queria deixar bem clara a sua posição em todo aquilo. – Eu sei que você é tio dele, mas nós o adotamos sem saber. Não encontraram a família dele.
– Tudo bem, mas agora sabemos que ele tem família e eu posso cuidar dele. – Chang disse com a voz firme, fazendo o peito de Jae explodir em agonia. Então estava certo. Chang queria mesmo a guarda da criança.
– Olha Chang, me desculpe, mas não abriremos mão dele. Eu vou até o fim, ele agora é nosso filho, meu e de Yunho, e não vamos voltar atrás. – Jae disse se levantando bruscamente da mesa.
– Jaejoong, não seja ingênuo, você acha que a justiça vai deixar o Junho com o tio, que ajudou a cria-lo até pouco tempo atrás, ou vai deixa-lo com um casal gay? Faça-me o favor né... – Chang se levantou com um sorriso irônico nos lábios.
– Isso não importa. Todos sabiam que Yunho morava comigo quando o adotamos, inclusive a assistente social e o juiz que nos concedeu a adoção. Nunca escondemos isso de ninguém e passamos por todos os tipos de acompanhamentos para podermos ficar com ele. Se essa for a questão, então estamos empatados, pois você é solteirão que mora sozinho e eu sou um gay. E aí? E aliás, não me venha com esses comentários homofóbicos, pois eu sei muito bem que quando você ainda era um simples atendente teve um caso com o Kyuhyun. – Jae estava muito alterado, ficando frente a frente com Changmin e sem papas na língua. Acabou confessando o que vira à muito tempo atrás quando flagrou os seus dois funcionários se beijando no depósito.
Changmin vendo que atraíram a atenção de todos que se encontravam no recinto, inclusive dos outros funcionários, pegou Jae pelo braço e o arrastou para o depósito.
– Do que você está falando? – questionou quando fechou a porta do depósito atrás de si.
– Não se faça de inocente. Eu sei o que houve aqui. Um dia eu cheguei e vocês não estavam em nenhum lugar lá na frente da loja. Vim andando para o depósito e ouvi uns gemidos estranhos, como a porta estava entreaberta, pela fresta vi você e o Kyu se agarrando no canto do depósito. Não comentei nada, pois isso não era da minha conta e vocês sempre foram bons funcionários. Resolvi apenas ficar de olho e se acontecesse de novo eu iria falar com vocês, porque apesar de tudo, aqui é um local de trabalho.
– Eu... Eu ... aquilo não foi nada. Foi apenas um mal momento, KyuHyun e eu nunca tivemos nada. – Chang tentava se explicar vendo que realmente havia sido pego.
– Pode parar Changmin! Eu não tenho nada haver com sua vida íntima. Só estou avisando que não vou desistir por nada deste mundo de ter a guarda de Junho. Nunca impediremos que você o veja, você pode ser realmente tio dele, como Junsu é, mas ele agora é meu filho. Então pense bem no que vai fazer, pois eu sou muito bom, mas não mexa com a minha família porque você vai ver o que é ter um inimigo! – Jae disse saindo e batendo a porta atrás de si. Changmin permaneceu imóvel, tentando controlar a raiva que estava transbordando de si. Jae pegou o filho , se despediu dos outros funcionários dando uma olhada longa para KyuHyun que estava aflito olhando para o corredor que dava acesso ao depósito.
No caminho de casa Jae ligou para Yunho e para Junsu, pediu que eles fossem para a casa dele imediatamente e sem dar mais explicações.
– O que houve? – Yunho entrou na sala de sua casa com o desespero estampado em sua face.
– Jae! Cheguei! Pelo amor de Deus, aconteceu algo com Junho? – Junsu entrou quase atropelando Yunho.
– Sshiii vocês dois! – Jae sussurrou. – Junho está dormindo. Ele está bem, não houve nada com ele, ainda.
– Então fala logo meu anjo, assim me mata do coração. Larguei uma reunião importante...
– Estamos com um problema. – Jae começou a falar ignorando o companheiro.
– O quee? – Junsu sentou-se ao lado de Jae, enquanto Yunho sentava do outro.
– Lembram que eu contei a história do sobrinho desaparecido do Changmim aquele dia?
– Sim, e daí? – Yun respondeu sem paciência.
– Pois é, o sobrinho dele é o Junho.
– O que? – Junsu e Yun disseram em coro.
– É isso mesmo. Hoje eu levei o Junho comigo na livraria e quando Chang o viu, quase voou no menino.
– Meu Deus, e agora? – Junsu perguntou. Yunho apenas esfregou a palma da mão no próprio rosto. Sabia muito bem o que tudo aquilo significava para deixar Jae tão apavorado.
– Nós tivemos uma discussão porque ele disse que o lugar de Junho era com a família, no caso, ele. Foi horrível, ele disse que nós éramos gays e não tínhamos chance por isso e que ele era o tio. Eu não agüentei, joguei um monte de coisa na cara dele. Disse que eu sabia que ele era gay também, pois já tinha visto ele se agarrando no depósito com o KyuHyun uma vez. Ele ficou mais nervoso ainda, eu apenas saí o advertindo que se ele quisesse continuar com isso, nós iríamos até o fim e nós não desistiríamos. – Jae disse tudo de uma vez e segurou a mão de Yun pedindo por ajuda silenciosamente.
– Peraí! – Junsu gritou de novo – Como assim Changmin com KyuHyun? Você não me contou isso.
– Ai, desculpa Su, é que eu achei que devia ficar calado, pois não era da minha conta, mas em todo caso ele parece estar disposto brigar pelo nosso filho amor. E não quero perdê-lo... – Jae disse enquanto as lágrimas chegavam e os braços de Yun o envolviam.
– Calma meu anjo. Vamos dar uns dias para Chagmin, talvez ele mude de idéia. Não se preocupe, eu nunca vou permitir que ninguém leve nosso filho.
Junsu abraçou o casal e disse palavras de conforto, apoiando-os e oferecendo a ajuda dele e de Yoochun. Interiormente já estavam se preparando para uma possível batalha gigantesca que viria caso o tio de Junho não mudasse de idéia.
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Junsu chegou em casa arrasado. Ficou muito preocupado com a situação em que os amigos estavam. Também amava muito Junho, como se realmente fosse seu sobrinho e se tivesse que deixar a criança sofreria muito. Entrou no quarto, tirou a roupa e foi tomar um banho.
De cabelos molhados e desordenados , vestindo apenas uma calça de moleton azul marinho, Junsu foi para a cozinha preparar alguma coisa para o jantar, pois já estava quase na hora de Yoochun chegar. Revirou os armários e a geladeira à procura de ingredientes que dessem alguma idéia do que fazer, mas desistiu ao ver que não teria sucesso. Resolveu pedir uma pizza, não estava com bom espírito para preparar o jantar. Depois que ligou e fez o pedido, deitou-se no sofá e ficou no silêncio aguardando o namorado.
Perdeu-se em seus pensamentos. Estava se sentindo mal há muitos dias. Depois da noite em que ouvira Yoochun dizer que não tinha pensado em formar uma família, não conseguiu mais recuperar o bom humor de sempre. Tentava disfarçar o máximo que podia para Yoo não perceber a tristeza em que se encontrava. E agora a notícia sobre o tio de Junho acabou de liquidar o restinho de beleza de seus dias.
Junsu foi tirado de seus pensamentos com um toque suave em seu roto. Abriu os olhos e viu o rosto da pessoa mais importante da sua vida. Yoochun estava com seu lindo sorriso estampado no rosto, seu olhar doce fez o coração de Junsu disparar. Nada havia mudado. Yoochun ainda era capaz de fazer o peito de Junsu doer por causa da agitação de seu coração cada vez que sorria ou o tocava. Junsu viu que apesar de tudo, amava aquela pessoa mais que tudo nesse mundo e tinha certeza que era amado. Por um instante lembrou-se da primeira vez dos dois na manhã parisiense. Naquele dia viu em Yoochun toda a seguranaça e amor que sempre procurou, deixando todos os medos e todas as angústias e se entregando por inteiro.
– Desculpa, não queria te acordar. – Yoochun disse baixinho.
– Tudo bem, eu não estava dormindo, apenas pensando.
– E em que essa cabecinha estava mergulhada hein?
– Muitas coisas, mas deixe para lá. Pedi uma pizza para nós, já deve estar chegando. Vai tomar um banho que eu te espero aqui. – Yoochun apenas sorriu e depositou um beijo nos lábios de Junsu. Retirou-se para o quarto e foi tomar banho.
A campainha tocou e Junsu foi receber a pizza. Arrumou tudo na mesinha de centro da sala de televisão e ficou esperando por Yoochun.
– Hum... que cheiro bom! – Yoochun apareceu na sala vestindo também apens uma calça de moleton branca. – O que houve para você pedir pizza? Você sempre preferiu preparar o jantar a ficar pedindo comidas calóricas. – Yoochun disse rindo e sentando-se ao lado do namorado no tapete da sala.
– É que hoje não estou bem para cozinhar.
– Por que? Aconteceu alguma coisa?
– Ai, eu estou triste. O tio de Junho apareceu. E adivinha quem é?
Junsu contou toda a história para o namorado enquanto comiam. Depois de satisfeitos, Yoochun retirou tudo da mesa e depois se acomodou no sofá, deixando Junsu deitar em seu colo.
– Ai que chato essa situação do Jae e do Yun hein... Imagino que devem estar sofrendo muito com tudo isso.
– É, eu estou! Imagine eles... – Junsu disse deixando transparecer sua tristeza.
– Mas tem mais alguma coisa, não tem? – Yoochun perguntou enquanto afagava os cabelos de Junsu.
– O que?
– Você. Está muito triste e não é de hoje. Você tenta sempre parecer alegre, mas eu sinto quando você não está bem. Tem algo acontecendo que eu deva saber?
– Não é nada não. Não se preocupe, é só uma fase. Às vezes penso demais e acabo ficando assim.
– Pensando em que? Posso saber?
– Nada demais. Você quer ir se deitar já? – Junsu perguntou se sentando rapidamente. Precisava mudar de assunto antes que deixasse seus pensamentos escaparem por sua boca. Estava vulnerável nos últimos dias e se alguém o pressionasse em qualquer coisa acabava fraquejando.
– Espere! – Yoochun o segurou pelo braço e o puxou para si. Virou-se no sofá ficando de lado e abrindo as pernas, fazendo Junsu sentar-se entre elas e se recostar em seu peito. O envolveu com seus braços e encostou seu queixo no ombro do namorado.
– Fique aqui comigo um pouco. Talvez se eu ficar assim com você, essa angústia toda que você sente passe um pouco para mim. – Yoochun disse baixinho. – Não gosto de te ver assim, me faz sofrer também. Fale comigo por favor, me deixe tentar tirar essa tristeza de você...
Junsu não estava suportando mais. Ouvir as palavras doces do namorado fez com que se coração doesse mais. Sentiu suas forças deixarem seu corpo e as barreiras de seus pensamentos serem derrubadas de uma só vez. As lágrimas molharam seu rosto e seu corpo todo começou a tremer pelos seus soluços. Yoochun não disse nada. Apenas apertou mais seus braços em torno de Junsu e o deixou chorar por um longo tempo.
Yoochun passou a acaricionar os cabelos do menor novamente, até que este adormeceu em seus braços. Yoochun não se mexeu. Passou horas ali ninando o namorado. Por dentro estava aflito por ter testemunhado o choro doloroso do namorado e não saber o que se passava. Ficou remoendo os últimos dias para pensar se tinha feito algo errado para magoá-lo, mas não pensou em nada que fosse plausível.
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Junsu despertou com os primeiros raios de sol do dia. Abriu os olhos e viu que ainda estava no sofá, envolvido pelos braços do namorado que dormia com a cabeça encostada no encosto do sofá. Ficou triste por ter feito o namorado dormir tão desconfortavelmente, apesar de também sentir uma leve dor no corpo por ter dormido no sofá.
Resolveu ficar mais um pouco daquele jeito. Não se levantou, não chamou pelo outro e nem se moveu. Ficou esperando e pensando no que falar para Yoochun para justificar o acesso de choro que teve na noite anterior.
– Bom dia meu amor! – Yoochun disse quando acordou e viu refletido na janela de vidro à sua frente os olhos de seu namorado encarando o nada.
– Bom dia. – Junsu disse com a voz fraca.
– Está com fome? Eu preparo o café hoje, ok?
– Não, obrigado. Estou sem fome. – Junsu respondeu em tom monótono.
– Pelo amor de Deus Junsu, converse comigo. Eu quase morri ontem vendo você chorar daquele jeito. Não sabe como dói te ver assim. Você está pálido, abatido, e agora não quer comer. Não sei o que fazer, me sinto um idiota. Fale comigo, eu imploro.
Junsu apenas puxou o ar para seus pulmões e se aconchegou mais nos braços do outro. Precisava de forças, não queria causar problemas com o outro, mas precisava de ajuda. Aquele sofrimento estava o matando por dentro e por fora.
– Junsu... – Yoochun sussurrou mais uma vez.
– Eu... Eu não sei o que dizer. – Junsu disse baixinho sentindo as lágrimas umidecerem sua face mais uma vez. – Dói tanto... Eu não posso perder você...
– E quem disse que você vai me perder? Por favor, me diga o que há, eu quero te ajudar, eu quero te proteger, mas assim eu não consigo.
– Eu estou com medo... – Junsu começou e Yoochun permanceu quieto, deixando Junsu achar seu próprio tempo e organizar suas palavras. – Eu tenho medo de te dizer algo as vezes e fazer você me deixar. Mas eu estou sofrendo assim, não posso mais sozinho... – Mais alguns minutos de silêncio e soluços, Yoochun mal respirava.
– Eu tenho sonhos sabe Yoo... Às vezes não sei bem lidar com isso, porque você faz parte de todos os meus sonhos, mas eu não me sinto à vontade em sonhar tendo você em meus planos. Não sei se você estará lá para realizá-los comigo. Tenho medo de querer ter mais de você, uma parte sua que não me pertence... – As palavras de Junsu começaram a ficar confusas, mas Yoochun o deixou continuar. – Até há poucos dias eu nem sabia nada de você da época que veio antes de me conhecer. Parece que tudo está tão distante de nós... Dói e eu não sei fazer parar, não sei falar, não quero te perder...
Yoochun apertou mais ainda seus braços em torno de Junsu que agora estava encolhido com a cabeça descansando em seu peito.
– Você sabe que eu te amo mais que qualquer outra pessoa nesse mundo. Não sei mais viver sem você, sem seu sorriso, sem sua voz, sem seu cheiro... Tudo de você faz parte de mim. Não quero te ver sofrer assim. Eu não sei o que há de errado, mas eu estou aqui e vou querer sempre estar. Nada vai mudar isso, entendeu? Às vezes eu não falo muito, mas isso não significa que eu não sinta. Eu te amo muito e nada vai mudar isso.
Junsu se ergueu por um instante e olhou nos olhos do namorado.
– Você disse que estará sempre aqui? – Junsu disse com o olhar surpreso. Yoochun sentiu a dor no peito mais uma vez. Agora que olhava diretamente para o rosto do namorado, via que ele realmente estava bem pior do que pensava. Sua palidez e suas olheiras estavam muito acentuadas e o brilho de seus olhos não era o mesmo.
– Sim, eu disse. E não é verdade? Não há nada nesse mundo que vá fazer eu te deixar. Apenas se você quiser isso. Eu vou estar aqui para sempre.
Junsu começou a chorar de novo e se jogou nos braços de Yoochun, deixando suas lágrimas molharem o peito nu do namorado.
– Eu te amo... – Junsu conseguiu dizer entre os soluços
– Meu anjo, pare de chorar, por favor. Qual é o problema, eu disse algo errado?
– Yoo... – Junsu disse ainda abraçado com o maior. – Eu também quero você para sempre. Eu tenho medo, mas eu vou continuar... Pelo amor que eu sinto por você, eu vou...
– Continuar o que meu bem?
– Yoo, eu quero uma família. Eu quero ser seu de todas as formas possíveis, eu quero ter um lar, e não apenas uma casa. Eu preciso tanto disso, eu não me sinto completo. Está faltando alguma coisa... Eu ... eu ... – Junsu falava tudo de forma rápida entre seus soluços, deixando Yoochun mais confuso ainda. – C comigo, me dê um filho, mesmo sendo adotado, eu quero ter uma família com você!
Yoochun ficou imóvel. Junsu realmente o pegou de surpresa com a aquela declaração. Nunca imaginou que Junsu queria tanto ter uma família assim, ter filhos e se casar. Tentou respirar fundo para responder à tudo aquilo, mas o ar sumiu. Depois de alguns minutos de silêncio, finalmente a voz foi achada.
– É isso? Essa tristeza toda, essa angustia dos últimos dias é por isso?
Junsu não respondeu, sabia que o outro já tinha a resposta.
– Não precisava sofrer assim, por que não me falou?
– Eu ía... Mas ... Mas, no dia que eu resolvi falar eu te perguntei se você algum dia sonhou em ter uam família, se casar, ter filhos e tal. Você apenas disse que não havia pensado nisso. Depois desse dia eu não consegui mais falar disso.
– Ah meu anjo, eu disse isso porque realmente nunca parei para planejar isso. Não quer dizer que eu não queria uma família com você. É claro que eu quero. Quero me casar com você, quero ter filhos e ser feliz ao seu lado para o resto da minha vida. Eu não disse ainda, pois achei que poderia deixar isso um pouco mais para frente. Mas se você tivesse falado que estava se sentindo assim, nós teríamos conversado. Não esconda as coisas assim, olha o tanto que te fez mal! Você está quase doente meu amor.
– Me desculpe... – Junsu disse fazendo biquinho e deixando-se cair nos braços do maior.
– Tudo bem, eu não estou zangado, só sofro por ver você assim. Eu quero te fazer feliz, quero te amar para sempre e te dar tudo o que puder, o melhor de mim.
– Você não se importa mesmo? Eu tive tanto medo de te dizer que eu queria um filho. Eu fico vendo Junho com Jae e Yun, e confesso que senti um pouquinho de inveja.
– Olha, nós vamos realizar isso tudo meu amor. Eu prometo à você que te farei a pessoa mais feliz desse mundo. Nós nos casaremos e adotaremos uma menina muito linda! Ou você quer um menino? – Junsu apenas deixou-se cair sobro corpo do outro, sentindo seu tronco nu tocar a pele nua do outro.
O coração de Junsu começou a palpitar com força novamente. Como se a vida tivesse retornado àquele corpo. Junsu não se importou coma fraqueza de seu corpo, apenas se deixou sobre o corpo do outro, esperando pelos toques tão desejados que o outro lhe dava. Queria amá-lo naquele instante, mostrar tudo o que seu coração sentia e pedia.
– Eu te amo...
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Fim de tarde na casa de Junsu e Yoochun. Passaram o dia todo na cama planejando um futuro próximo e também namorando. Junsu se levantou por um instante para atender a campainha que soava insistentemente.
Quando abriu a porta deu de cara com um homem de meia idade. Ele estava muito bem vestido e segurava nas mãos uma pequena mala.
– O Yoochun está? – ele perguntou em um tom arrogante, olhando para Junsu de cima à baixo, vendo que ele vestia apenas uma calça e estava todo amassado.
– Amor, quem é... – Yoochun parou instantaneamente quando viu quem estava à porta.
– Amor? – O homem disse em tom de sarcasmo.
– Pai? – Yoochun disse involuntariamente, desviando seus olhos rapidamente para Junsu, que mantinha uma expressão curiosa, mas ainda tranqüila.
Continua...
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