My Hands Are Tied

5 Ain't it fun when you're always on the run


Domingo pela manhã estava exausta e não havia compreendido muito bem que me aconteceu na outra noite. Resolvi ligar para Derek, que seria a melhor companhia para o momento. Meu irmão não havia sequer pensado em me ligar, imaginei. Deveria estar "ocupado" bebendo e usando drogas. Aquela não era mesmo a vida que desejava para ele. Chamei e finalmente Derek atendeu.

-Alô? — disse a voz do outro lado da linha.

-Oi! Aqui é a Liz!

-Oi Lizzy! E aí, o que fez de bom esse fim de semana?

-Queria falar com você sobre isso mesmo. Onde podemos nos encontrar?

-Que tal naquele restaurante perto de sua casa em vinte minutos? — falou, animado, mas um tanto preocupado.

-Tudo bem, vou me arrumar e estou indo. Tchau.

-Tchau — disse ele, desligando. Tinha ao menos alguém com quem conversar sobre Will.

Coloquei jeans e uma baby look preta básica e prendi meus cabelos. Estava quente. Coloquei o primeiro tênis que encontrei e peguei as chaves do carro. Em cinco minutos lá estava eu, no restaurante. Estacionei o carro e percebi que Derek estava em uma mesa lá dentro, me esperando. Entrei e logo ele me viu e acenou. Estava usando uma roupa simples, também jeans e uma camiseta. Sentei-me.

-Liz, está tudo bem? — perguntou ele.

-Sim! Por que a pergunta? — não esperava que me pedisse isso.

-Estava estranha quando falei com você hoje. Izzy me ligou e disse que te viu na casa dele com William ontem.

-Pois é, estava querendo falar contigo sobre isso. Ele me convidou para ir a sua casa ontem, conversar...

-E aconteceu alguma coisa mais séria? — perguntou, apreensivo. Ele não era meu pai!

-Por que fica tão preocupado? Sabe que não sou burra. Não aconteceu nada, só nos beijamos, mas consegui me controlar. Acontece que eu me sinto atraída por ele, Derek... Não sei como, eu sei de sua má fama, mas...

-Eu sei que ele tem seu jeito sedutor, Liz. Só não quero que caia nessa! — disse ele, alterando seu tom de voz. Parecia com ciúmes;

-Você não manda em mim, Derek! Eu não sou uma criança, tá legal? Pode ser o que meu irmão pensa, mas não é verdade. — disse, levantando-me da mesa. Eu tinha meus surtos. Ele parecia arrependido, mas não se pronunciou.

Peguei meu carro e fui para casa, brava. Não deveria ter feito aquilo, mas ele estava sendo muito controlador! Não era sequer meu namorado. E coincidentemente na mesma hora em que pensei isso, já em casa, recebi uma ligação, inesperada.

-Quem fala? — disse a voz masculina do outro lado da linha. Reconheci imediatamente.

-Dave! Por que me ligou?

-Liz! Me desculpe por ontem! Eu agi sem pensar, pensei em mim e não em você! Sei que não deveria ter falado aquilo de seu irmão, por favor, me aceite de volta!

-Você falou o que pensava, Dave. Não vou te julgar por isso, só não gostei de sua maneira de pensar. Agora se arrependeu e quer voltar para mim, né? Pois pense bem antes de agir instintivamente, imbecil. — desliguei em sua cara. Não aguentava desaforos como aquele. Ele havia me ofendido, e não aceitaria suas desculpas nem que se ajoelhasse pedindo perdão. Ele era um idiota, e não merecia meu respeito.

Não havia sequer almoçado, pois mal havia falado com Derek e já tinha saído do restaurante. Preparei alguns ovos, não estava com fome, e resolvi sair para caminhar. Fui até o apartamento de meu irmão, estava muito preocupada com ele. Chegando lá, bati na porta. Ninguém atendeu, então resolvi entrar. Lá vi Jack dormindo sobre um sofá, com várias seringas ao seu redor, além de pó branco.

-Jack! — disse, acordando-o. — O que fez noite passada?

-Elizabeth! O que está fazendo aqui? Quem te deixou entrar!

-Não preciso de permissão, Jack. Ainda está usando drogas descontroladamente, não é? Pois pare com isso! Olhe seus olhos, sua pele, está irreconhecível! Não é meu irmão, Jack — falei, e percebi que chorava. Saí de lá, magoada e continuei minha caminhada.

Chegando em casa, resolvi tomar um banho e fumar, para esquecer o que havia acontecido. Eu amava Jack, ele era meu irmão! Ao chegar lá percebi que a porta estava aberta, mas eu a havia chaveado antes de sair. Estranho, pensei, e continuei meu caminho.Mas ao entrar em meu quarto, algo totalmente inesperado aconteceu. Lá estava ele, sentado em minha cama, com um sorriso no rosto, me encarando. No mesmo instante gelei, e recuei para fora.