My Great Love
1 Capítulo 1 - A Novidade
MÔNICA POV
"Pois é, fofos. Em pouca carne, muito osso e glamour de sobra, eu, Denise diva, disse à todos vocês sobre como algo estava estranho entre a Mônica e o Cebola. E ninguém acreditou em mim, não foi? Haha! Vocês viram hoje na entrada do colégio, não viram aquela cena? A Mô dando uma de dramática, com os olhos prontos pra soltarem umas lágrimas fake, e o Cebola com carão, mandando o maior terror pra quem encarasse ele de volta!
"Então, agora eu afirmo pra vocês, meus divos, com a prova gravada e postada no Youtubo! (não esqueçam de ir lá rever o momento tenso, ok?) Mônica e Cebola não estão mais namorando! Quer dizer, pode ter sido só uma briguinha, mas vocês acham que aquilo tava com cara de ser tão mole assim? A louca! Quem souber mais detalhes, já que os dois estraga-prazeres não abrem a boca, me mande um e-mail aqui, tá? Estou morreeendo de vontade de saber deste babado! Por favor, por favor, hoho!"
– Ah, fala sério. Tá tudo escrito aqui na internet, sobre o que aconteceu hoje de manhã, no blog da Denise! Nossa, quando eu ver aquela menina, vou esganar ela! Quem ela pensa que é, pra falar assim de você, Mô? — Magali, se remoendo de raiva, terminou a frase com um longo suspiro, como se estivesse tentando tirar todo o estresse da cabeça. Ela estava usando o meu computador, na minha casa.
– Não tem problema Magali. Já imaginava que isso ia acontecer mesmo. — Respondi, ainda com a cabeça enfiada no travesseiro, deitada na minha cama e fazendo força para não chorar. Não sei se ela me entendeu, já que a minha voz estava meio tremida e bloqueada, por estar naquela posição.
Eu sabia que ia atrair a atenção da turma do Limoeiro, quando eu avistasse o Cebola passando ao meu lado, no caminho pra escola. Uns dias atrás, nós estávamos andando pelo mesmo percurso, mas de mãos dadas. Juntos, como um casal mesmo. E agora, tudo desfeito. Até mesmo nossa amizade. Pois é, uma desgraça, eu sei. O cara que eu mais gostei até hoje, me odeia agora. Mas não posso dizer que é só uma coisa dele, porque eu também o odeio nesse momento. Eu... amo e odeio ele. Isso faz algum sentido, por acaso? Claro que não, Mônica. Eu sou jovem, sou complicada, não me entendo.
– Mô, pode me contar agora... o que aconteceu? Por favor, eu, eu estou preocupada! Nunca vi você e o Cebola assim antes.
Te contar? Não, Magá, por favor. Não me obrigue a falar tudo aquilo que, agora, eu só quero esquecer. Honestamente, eu queria estar do outro lado do universo agora. Não queria ver ele, depois de tudo... Mas seria covardia, não? Afinal, acabou o que a gente tinha, mas não a minha vida aqui no Limoeiro. As coisas vão melhorar, não vão? Elas tem que melhorar...
E assim, começei a chorar mais uma vez, debaixo do travesseiro. E dessa vez extravasei mesmo, não dava mais pra me segurar. Além disso, só tinha a Magali aqui. Meus pais estavam fora, então não ficariam preocupados. Minha boa amiga se levantou da cadeira perto do computador e me abraçou, por um longo tempo. Que droga, queria parar de chorar, parar de preocupar ela, mas não dava!
– Não se preocupa amiga. Seja lá o que for, vai passar. E vocês, com certeza, vão voltar a se falar normalmente. — Ela disse, com a voz meio chorona, como se estivesse se segurando pra não se juntar ao meu mar de lágrimas. Ah, como eu só queria dizer pra ela que as coisas não seriam mais assim, nunca mais...
Eu também já podia imaginar que, no dia seguinte, teria um monte de gente olhando pra mim, tentando adivinhar o que aconteceu, cochichando com os amigos. Até Denise, aquela monstra, já estava montando conspirações. Felizmente, o fato de ter Magali em minha casa para uma festa do pijama me deixou um pouco mais tranquila pra aguentar tudo aquilo. Ah, fala sério, esse povo não podia ser mais discreto?
Além de toda essa conversinha sussurrada, as meninas ainda inventaram de fazer um interrogatório comigo. Pois é, e eu querendo uma trégua desse sofrimento, mas parecia impossível. Elas aproveitaram o começo das aulas, enquanto ninguém mais estava na sala, para fechar a porta e começar com as perguntas.
– Mônica, o que aconteceu amiga? Pode desabafar com a gente, agora por favor! — A Marina começou.
– Calma, acham melhor trancar a porta? Quer dizer, e se a boboca da Denise ouvir alguma coisa? — Cascuda parou pela porta.
– A Denise nem chega na escola cedo! E para de falar no nome dela, só vai fazer a Mônica fechar a boca. Pronto amiga, é melhor você nos contar tudo que aconteceu. — Marina, de novo.
– Não foi porque você está comendo muito, não é? É tão magrinha... — A Maria Mello disse, como se quisesse me tranquilizar... Mas, ei!
– O QUE VOCÊ QUER DIZER COM ISSO?! — Eu levantei um punho na frente do rosto dela, o que a fez recuar bem depressa. Marina suspirou aliviada e Cascuda deu uma risadinha.
– Pois é, pelo menos continua a mesma, ainda bem. — Magali falou, me olhando toda meiguinha. Ai, que ótimo ter uma amiga assim. Sorri para ela, mas logo fiquei quietinha na minha cadeira de novo. — Mas não adianta, meninas. Ela não quer falar, então pronto. Não podemos ficar fazendo isso com ela.
– Mas pelo menos uma explicação! — Cascuda retrucou. — Não queremos ver ela assim, nesse estado. Se foi uma briga séria, fala pra gente! Nós queremos arrumar um jeito de fazer você feliz, mesmo que seja se vingando do Cebola!
– Gente, valeu mesmo, mas deixa isso pra lá. Não quero ver vocês fazendo nada com o Cebola, pelo amor de deus! Quanto a mim e ele, nós só... — Naquele instante, a porta abriu. E eu pensando que a Cascuda tinha trancado a porta mesmo, droga.
E adivinha quem passou por ali? Te dou uma dica — é o dito cujo. Poooois é vida, o que é que eu fiz pra você ficar me avacalhando, hein? O problema mesmo foi que, assim que ele pisou na sala, todas elas se viraram pra ele, e eu ainda estava terminando a minha frase. Ou seja, ele ouviu e percebeu que eu estava falando sobre nós dois.
Ele foi cabisbaixo até a carteira dele e deixou suas coisas lá, e assim que foi dar meia volta pra sair da sala, cruzou seu olhar com o meu. Eu não consegui decifrá-lo. O Cebola parecia surpreso de me ver, antes que todas as outras na sala. Depois, seu rosto ficou mais frio, e então parecia entristecido e raivoso ao mesmo tempo. Não consegui entender mesmo, mas se parecia muito com a minha cara ontem, enquanto todos estavam sabendo da notícia. Ele deve estar sentindo o mesmo que eu, com certeza. Eu sei como é ruim, Cê. Queria acabar com tudo isso e poder te abraçar de novo, bem forte, pode apostar que eu queria! Mas, infelizmente, não é tão simples assim, não é? Se não, acho que você já teria feito o mesmo comigo.
E assim, o Cebola saiu da sala. As meninas todas me encararam, e eu já estava com a cabeça baixa, mordendo os lábios. Isso era uma droga mesmo. Com certeza sentiram o olhar que nós trocamos.
– Vocês precisam conversar, é isso. Vai melhorar tudo!
– Não, Cascuda. Já estamos conversados até demais. E, enfim, quando será que o nosso maldito professor vai chegar aqui?
Foi só eu falar que, em pouco tempo, o professor Licurgo chegou, aquele louco. Pelo menos as bobagens que ele falava me distraia de olhar para o lado esquerdo, onde o Cebola estava. A galera toda ficou num clima esquisito, só por causa da gente. Aff...
Quando bateu o sinal do recreio, sai bem depressa com Magali ao lado, tentando despistar a Denise, que ficou na minha cola a aula inteira. Me mandou mais de cinco bolinhas de papel, perguntando o que aconteceu, o que nós falamos um pro outro, se terminamos ou só brigamos... Argh, eu não sei nem responder essas perguntas para mim mesma, imagine só pra ela!
Foi só pisar no pátio que veio mais uma pra me consolar. Era a Aninha, que já chegou me abrançando com a maior força do mundo. Tinha que ser a ex do Titi, né?
– Fofa, tudo bem com você? Pode contar tudo pra mim, Mô, principalmente o motivo de vocês terem terminado.
– Terminado? Mas nós não... Quero dizer, quem é que te disse que eu e o Cebola terminamos? — Já até imagino a resposta pra minha pergunta...
– Tá na nets, amiga! Tudo detalhado no site da Denise. Como ela também é nossa amiga, eu pensei que era verdade, né?
– Não, Aninha, não! Aquela monstra da Denise inventa tudo, aquela fofoqueira do mal! — Disse, no meu famoso tom agressivo.
– E bota fofoqueira nisso! — Magali acrescentou, com menos raiva que eu.
– Bom, de qualquer maneira, você realmente continua a mesma. Olha só o brilho que apareceu no olhar quando você xingou a Denise! É, a Mônica briguenta, minha querida amiga, não pode ser derrubada nem por um garoto, mesmo que ele seja o Cebola! — Ela terminou com uma risada, feliz da vida. Ué, acho que não estou tão ruim assim, então. Ainda bem!
– É, eu acho que sim... — Magali colocou a mão no meu ombro e deu o típico sorriso fofo dela, que eu adoro.
– Pois é Mô, as notícias correm rápido e já me falaram que você não vai abrir a boca pra ninguém. — Ela deu uma piscadinha pra Magali. — Então, eu só queria que você me contasse... Vocês terminaram mesmo, ou foi só uma briga? — Eu fiquei em silêncio, sem saber o que responder. Acho que ela confundiu minha incerteza com desconfiança. — Eu juro que não conto pra Denise, nem pra baranga da Carmem! Quer saber, vem cá!
Eu e Magali fomos puxadas para dentro da sala de informática, que estava vazia no momento. Acredito que ela fechou a porta pra compartilharmos um segredo, apesar de não ter ouvido aquele click que a porta faz quando a fecham. A gente se sentou em um cantinho.
– Pronto, Mô. Agora ninguém pode nos ouvir. Por favor, desabafe com a gente. Enquanto a Magá estava na sua casa, ela me mandou uma mensagem, toda preocupada. Agora, quer parar de nos matar de medo? Você e o Cebola assim... Tá muito estranho.
– Eu... eu não sei o que te falar, Aninha. É sério, pra vocês pode estar difícil de entender, mas pra mim... Tá uma confusão dentro da minha cabeça, que vocês nem imaginam.
– Entendi, mas me responde aquela pergunta agora. Terminaram, ou só brigaram? — Eu demorei um tempo pra raciocinar o que ia responder.
– Terminamos. Mas não só o namoro, a amizade também. — As duas pareciam um pouco surpresas.
– Mas como? Foi numa discussão feia, mesmo?
– É, tipo isso. — Eu respondi, coçando a cabeça. Não foi uma discussão feia, foi um super barraco mesmo, que já estava pegando fogo. Sorte a nossa que estávamos sozinhos na hora... Mas espera, como a Denise espalhou o boato antes de ontem? Será que ela ouviu tudo que nós falamos?!
– Bom, eu tenho uma certa experiência com separações com o primeiro namorado, você sabe. — Ela disse, parecia estar pensando nos olhos do Titi agora, já que dava um sorriso todo apaixonado. — É difícil demais no começo, ainda mais pra gente que já conhece os caras desde a infância, eu entendo como é. Mas o importante é seguir em frente agora, se ocupar mesmo, para esquecer o que você quer esquecer! E assim, sai tudo de ruim da nossa cabeça, acredite.
– Own, valeu Aninha. — Eu a abracei, e puxei Magali também. As melhores amigas que eu podia ter no momento. — E eu já até sei com o que vou me ocupar. — Em desmascarar a Denise, é claro. Quero ouvir a história dela direitinho, como ela sabia de tudo, antes de todo mundo? Como ela lançou aqueles boatos? Eu vou arrebentar ela, isso sim.
O sinal tocou e eu e Magali voltamos pra sala. Eu juro que vi um vulto atrás de mim, que veio me perseguindo desde que eu saí da sala, mas deixei pra lá, devia ser só minha imaginação.
As aulas continuaram numa chatice de sempre. As meninas — Cascuda, Marina e Maria Mello — já estavam mais tranquilas, já que Magali contou pra elas como eu soltei um pedaço da história. Bem, elas estariam ali me ajudando a seguir em frente, com certeza.
Quando as aulas acabaram, Magali insistiu que eu fosse para a casa dela dessa vez, mas eu disse que tinha um compromisso — agora nem me lembro mais do que inventei — e segui meu caminho sozinha. Não fui direto pra minha casa, mas sim para uma praçinha que teve muita participação na infância da turma do Limoeiro. Ali estava, quase do meu tamanho e com uma tinta desgastada, o muro, onde o Cebola escrevia provocações sobre mim.
"Baixinha, gorducha, dentuça!" Era sempre assim. Eu ainda me lembro o quanto aquilo me irritava, mas por baixo de toda a raiva, existia um pouco de tristeza. Não é bom receber insultos de uma das pessoas mais importantes na sua vida, pode apostar. Se já era assim quando criança, imagine a minha situação agora. O Cebola disse coisas bem piores de mim na noite em que terminamos o nosso namorinho. Doeu bastante, e o pior de tudo, é que eu fiz o mesmo. Ele nunca vai me perdoar. Nunca vai me chamar de Mô de novo e me abraçar igual amigo, eu tenho certeza.
Dei um longo suspiro e, quando desviei meus olhos do muro só um pouquinho, percebi que tinha uma sombra vindo em minha direção, poucos passos de distância nos separando. Só quando levantei os olhos é que descobri de quem se tratava.
– Do Contra?
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