Notas iniciais
É, eu posto duas ones seguidas. Tenho problemas.
Então... Eu tive essa ideia enquanto estudava pra espanhol ontem e só hoje de noite consegui terminar... Porque né?
Ah, by the way, acho que vou tirar nota boa na minha prova de espanhol amanhã, considerando que eu não sou a melhor do mundo em espanhol *-* Torçam por mim, viu? *-*
Enjoy!

E lá estava eu.

Mais um dia para sofrer.

Por que continuo fazendo isso?

Não sei.

Talvez eu seja masoquista.

Talvez eu seja muito piedoso.

Mas acho que a principal razão é simples:

Eu te amo.

Sim.

Eu te amo mais do que eu mesmo. Acho que é por isso que, todos os dias, faço o mesmo caminho tão conhecido até sua casa branca e simples. Acho que é por isso que, todos os dias, abro sua porta e te encontro no sofá da sala, olhando para o nada, como sempre.

Acho que é por isso que, todos os dias, assisto você sofrer por dentro e por fora.

Abro a porta e vejo-te na mesma posição de sempre: jogado no sofá, enrolado em um cobertor cor de creme, com os olhos fixos na TV à sua frente, mas eu sei que você não está realmente assistindo-a. Quando fecho a porta, vejo seu par de olhos cor de avelã me encarar e seu peito subir e descer em um suspiro de desapontamento.

-Bom dia, Frankie. – falo, como sempre.

-Gee, é você.

-Claro que sou eu. Sempre venho aqui, esqueceu?

-Achei que fosse... Fosse ela.

Suspiro. Estou cansado disso.

-Ela não vai voltar, Frankie. Jamia está morta... Por causa do acidente de carro, lembra-se?

Você faz que não com a cabeça.

-Ela não está morta. Ela vai voltar. – um sorriso brota inesperadamente em seus lábios – Ela vai voltar sim... Haha... Voltar... – você levanta e começa a andar por aí, com o mesmo sorriso estampado em seu rosto. Corro para seu lado, pego sua mão e faço você sentar no sofá novamente e sento-se ao seu lado.

-Frankie, olhe pra mim, ela não vai voltar... Entendeu? Não vai. Ela morreu. Está morta.

-Não, não está! – você teima, ainda sorrindo – Ela vai voltar para mim... Vai sim... – você olha para o lado, seu sorriso desaparecendo lenta e subitamente.

-Frankie, por favor, fique normal...

-Não há nada de errado comigo! É assim que eu tenho que ser!

Ignoro todos os seus apelos. Era difícil para mim, mas já havia me acostumado, afinal, você só falava coisas sem nexo desde a morte de sua noiva.

Você começa a observar a TV que passava algum seriado bobo e começa a sorrir mais uma vez.

-Somos dementes ou eu estou perturbado? No espaço que está entre a insanidade e a insegurança...

Suspiro novamente e levanto-me em direção à cozinha. Encho um copo com água, volto para a sala e entrego-o em suas mãos, observando-o carinhosamente. Sonho com o dia em que voltarás ao normal, mas esse dia está longe, bem longe daqui.

-Acalme-se, ok?

-Se acalmar para quê? No fim, todos vamos morrer! – a frase ficou mais sombria sabendo que você a dizia com um sorriso bobo e lunático no rosto. Estremeci discretamente. Você bebeu a água em um gole só e me entregou o copo novamente – Vamos lá, Gee! Vamos ficar felizes, porque todos nós vamos para o inferno!

Enrugo a testa e, mais uma vez, ignoro o que você diz. Ponho o copo na mesa e volto a me sentar ao seu lado. Assisto você se balançar para frente e para trás, murmurando alguma coisa sem sentido, como sempre, até que um grito escapa de seus lábios. O grito não era tão alto para que os vizinhos ouvissem, mas foi bem alto. Arregalo os olhos.

-O que foi isso?!

-É-é... É ela! – você diz, apontando tremulamente para o nada.

-Frank, não há nada ali. Só uma porta.

-N-não! Não está vendo?! É ela! Ela diz que é minha culpa ela ter morrido.

-Como pode ter sido culpa sua? Você não estava lá na hora do acidente. – tentei manter minha voz o mais compreensiva e doce possível, mas não sei se foi possível, afinal, minha paciência com você era enorme, mas já estava nos limites.

-É tudo minha culpa, Gerard! Tudo minha culpa, tudo minha culpa... – você ficou repetindo essas três palavras por um longo tempo, até que eu bufei audivelmente e me virei em sua direção.

-Frank, olha pra mim.

Você não ouviu.

-Frank. – repeti – Olha pra mim.

Você virou o rosto em minha direção. Seus olhos esbugalhados não demonstravam expressão alguma, ou demonstravam um misto de expressões tão grandes que eu não conseguia identificar quais eram.

-Não foi culpa sua e ela não vai voltar, ok? Você acha que ela ia gostar de te ver assim?

-Ela não se importa! Nada importa, Gerard! Nada! Eu não me importo se você não se importa! – você começou a rir de um jeito lunático e a olhar de um lado para o outro, como se estivesse se certificando de que não havia ninguém nos olhando.

-Por favor, mantenha-se calmo... – eu podia sentir lágrimas em meus olhos, mas tentei retê-las, obtendo algum sucesso.

Eu odiava ver você assim.

Eu queria você de volta.

O “você” era feliz, engraçado e divertido... E com a mente no lugar.

Eu não queria que você acabasse consigo mesmo dessa forma. Eu só quero...

-Eu só quero meu Frankie de volta. – murmurei. Você olha para mim.

-Do que está falando, Gee? Eu estou bem aqui! Eu estou bem! Estamos todos bem! Hahahaha! – você começa a rir abobadamente enquanto eu suspiro e libero as lágrimas, sentindo-as deixarem rastros em minhas bochechas.

-Você não entende, não é? É óbvio que você não está bem! Admita logo! – imploro. Você não me dá ouvidos e continua a rir como um louco.

-ESTÁ TUDO BEM, GERARD! TUDO ESTÁ SEMPRE BEM! ESTAVA TUDO BEM QUANDO JAMIA MORREU POR MINHA CULPA! POR MINHA CULPA!

-Frankie... – murmurei, chorando abertamente. Você já estava de pé, gritando essas coisas sem nexo. Aproximei-me cautelosamente e abracei-o – Por favor... – você se esquiva de mim e me olha de um jeito perigoso.

-POR FAVOR O QUE, GERARD?! EU ESTOU BEM! EU SEI QUE ESTOU BEM! ESTOU TENDO PENSAMENTOS POSITIVOS, ESTOU SEMPRE BEM!

-Pelo amor de deus, não foi culpa sua, entenda isso! Nada disso foi culpa sua!

-FOI SIM, GERARD. EU SOU O FILHO DO AMOR E DO ÓDIO, EU SOU UMA TRAGÉDIA COMPLETA! NINGUÉM NUNCA MORREU POR MEUS PECADOS NO INFERNO, DEVE SER POR ISSO QUE EU SOU ASSIM!

Suspiro tremulamente, tentando me acalmar e organizar meus pensamentos de forma coerente. Era horrível ver você assim... Ver meu maior amor deslizar lentamente até chegar à loucura... Era simplesmente uma tortura para mim. As lágrimas já descem livremente sobre minha face. Eu não sabia mais o que fazer, mas não quero admitir que você é um caso perdido e que nunca mais vai se recuperar. O choque foi enorme, eu sei, mas eu ainda mantinha a esperança de que voltarias ao normal...

... Vejo que minha esperança foi em vão.

Vejo você andar em círculos, murmurando palavras sem ligação alguma, até que vai até a cozinha e pega uma faca.

-F-Frank... O que vai fazer com isso? – minha voz não passa de um sopro. Você sorri maniacamente e se aproxima.

-Nada, meu bem... Nada vai acontecer! Estamos tendo pensamentos positivos, não? Então nada vai acontecer! Nada nunca acontece! Nada! – dito isso, vejo você se aproximar mais ainda de mim. Tento andar para trás, mas não consigo, parece que estou travado naquele lugar e não conseguia sair dali. Vejo o brilho da faca contra a luz fraca da lâmpada e penso em tudo o que nós passamos juntos... Os momentos tristes... Os momentos felizes...

Penso também em se você se lembra deles ou se a loucura já havia dominado todos os seus pensamentos a ponto de esquecer toda a nossa amizade antes do acidente acontecer.

-Nós só temos uma chance para pôr um fim nestas coisas!

-Frankie... – murmuro. Você não me dá ouvidos.

-Adeus e boa noite. – vejo, pela última vez, seu sorriso maníaco antes de tudo ficar escuro. Porém, consigo sussurrar mais uma vez, antes de cair morto:

-Eu te amo...

-X-

POV Narrador

Frank parou de rir no momento exato em que a faca afundou no corpo de Gerard. Arregalou os olhos, mas logo voltou a sorrir de maneira lunática e disse:

-Vou deixar para trás esse furacão de mentiras!

O baixinho pegou a faca e a observou por uma fração de segundo, antes de gritar:

-Vou trespassar essa faca em meu coração! Vai ser divertido, oh, vai sim! Hahahaha!

E a faca afundou no corpo de Frank e este último caiu, finalmente se sentindo em paz consigo mesmo após tudo o que fez.

Notas finais
Hmm...
Ficou meio sombria...
Meio (:
É...
AH eu coloquei partes de músicas aleatórias aí. Acho que vocês perceberam né? -q
Enfim.
Beijo -q
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!