My Fallen Angel
21 Chapter Twenty One
Notas iniciais
..my fallen angel..
Chapter Twenty One
–Você vai me demitir?! ME demitir?! EU?! Tem certeza disso, Elliot? – provoquei completamente indignado com as palavras recém-ditas. Akira estava impaciente ao meu lado, praticamente cuspindo fogo contra o telefone.
–Você se acha tão especial, Shiroyama Yuu... Eu não vejo grande coisa em você, realmente... Você não merece ter privilégios diante de nenhum outro escritor dessa empresa. Ou você cumpre nossos prazos, ou está demitido. Simples assim.
–COMO ASSIM ELE NÃO MERECE PRIVILÉGIOS?!
–Akira... – alertei-o com medo de que ele acabasse sem seu emprego também. Eu podia me virar facilmente, mas ele teria que praticamente começar do zero em outra empresa. Não queria isso para ele.
–Escute aqui, Elliot... O Yuu é responsável por pelo menos metade das vendas que vocês fazem. Sempre que ele lança um livro novo vocês têm que mandar fazer três ou quatro vezes mais logo na primeira semana! Vocês não dão o devido valor ao trabalho dele! Tudo o que ele sempre fez por todos nós merece ao menos um pingo de retribuição e acho que o momento é agora. –Akira falou da maneira mais crua e séria que eu havia visto em anos. Ele havia ficado mais preocupado com aquilo do que eu e devia mesmo... Ele dependia mais de mim do que eu dele...
–Se você quer babar nas bolas dele, Akira, isso não é problema meu! Mas eu não vou cancelar programas importantes e que alavancarão as vendas por causa de uma audienciazinha que nada tem a ver com a vida do Shiroyama!
–Audienciazinha?! Audienciazinha?! Escuta aqui uma coisa...!
–Não tem importância o que você pensa ou deixa de pensar, Elliot... Mas se dessa vez, dessa única vez que eu estou pedindo algo em troca, você não pode fazer nada por mim... Sinto muito, mas eu vou cair fora... – soltei um suspiro, olhando de modo entregue para Akira. O engraçado é que ele não estava chocado, abalado ou se sentindo traído. Ele estava era me incentivando a continuar.
–Shiroyama...
–Não, agora me escute. Se meu trabalho não é bom o suficiente para vocês, se todos meus esforços não passam de absolutamente nada, eu poupo seu trabalho e eu próprio me demito. Eu sei que serei mais bem valorizado estando em outro lugar... Mesmo que não venda tanto, mesmo que acabe esquecido. Não posso trabalhar com pessoas como você, me desculpe.
–E eu vou junto. – aquela declaração repentina de Akira me surpreendeu. – Insultar meu melhor escritor e melhor amigo é como insultar a mim mesmo. Sabe bem disso, Elliot, e essa decisão não será mudada na cabeça de nenhum de nós a partir do momento em que esse telefone se desligar. A decisão é toda sua... – decretou, exibindo um sorriso completamente malicioso quando um suspiro cortou o silêncio que havia predominado.
–Bom... – e o silêncio voltou, como se nosso chefe estivesse ponderando bem a respeito da nossa rebeldia tão recente. Nos olhamos com sorrisos gêmeos.
–“Bom”? – Akira incentivou, cruzando os braços e relaxando contra o sofá. Nós bem sabíamos o que aquilo queria dizer.
–Quanto tempo você precisa, Shiroyama?
–Depois dessa afronta?! Você espera que eu retorne a fazer propaganda e participar de todos aqueles programas que me ajudam muito pouco nas vendas? Meu nome se vende sozinho, Elliot... Eu só concordei com isso primeiramente por ser de praxe, mas agora... – me servi de café, quase não contendo o riso quando ele voltou a suspirar. Havíamos derrotado nosso inimigo.
–O que espera que eu faça por você, Shiroyama?
–Cancele tudo. Invente qualquer coisa, mas cancele tudo. Eu não estou mais aberto para esse tipo de evento. Só participarei de encontros com outros autores e farei sessões de autógrafos algum tempo depois do lançamento. Nada imediato, entende? Só quando eu realmente estiver pronto para isso. – ele confirmou com um “sim” derrotado e Akira deixou a sala com um sorriso quilométrico no rosto, puxando o celular. Ligaria pra Takanori dando as notícias, eu sabia. – Obrigado, Elliot... É importante pra mim...
–É, é... Vou providenciar o que me pediu... Nos falamos em breve...
–Certamente... Até logo. – desliguei, bem em tempo de ouvir um berro vindo do aparelho de Akira e ver a careta de desconforto que ele fez.
–Porra, diz pro Kouyou não gritar feito uma gazela, por favor? – ele brincou, arrancando risos tanto de Takanori quanto do meu anjo. Eu o havia feito feliz, finalmente...
Depois de quase três semanas de trevas, havia surgido alguma luz...
Desde que eu havia partido, Kouyou havia se tornado mais melancólico e frágil. Ficava com medo de todas as possibilidades do que pudessem lhe dizer no dia da audiência e mal conseguia conversar comigo sem que estivesse nervoso. E eu me sentia culpado...
Se eu estivesse lá sabia que seria diferente... Eu seria a fonte de sua força, seria quem diria que estava tudo bem... E ele acreditaria em mim... Não que ele não confiasse em Takanori, mas ele ficava repetindo: “Não é você, Yuu... Eu não consigo ver uma saída... Por favor, não me deixe sozinho...”. Eu estava morrendo com aquilo!
O pior de tudo foi quando meu chefe não quis prorrogar minhas atividades como disse que faria. Foi aí que tudo começou a piorar. Kouyou chorou desesperadamente no telefone, tanto que Takanori teve que desligar, acalmá-lo para depois ligar me dizendo que ele havia dormido de exaustão...
Eu achava que ele não estava dormindo direito, que não estava se alimentando direito e que não estava se dando uma chance de acreditar. Ele sabia que daria tudo certo, todos nós sabíamos, mas se eu não estivesse lá... ele nunca teria certeza... Eu não estaria lá para ver o que aconteceria, as reações das pessoas, e isso debilitava meu crédito ao tentar acalmá-lo.
Eu o entendia... Conseguia compreender seu desespero e sua imensa tentativa de não me pressionar a voltar. Só que eu não aguentava mais! Não aguentava de saudade, não aguentava de angústia e, principalmente, não aguentava de remorso por abandoná-lo...
Foi quando falei com Akira e, juntos, decidimos que aquela ameaça era o melhor a ser feito. Embora poucos na empresa admitissem, nós dois éramos a maior fonte de renda que eles tinham. Akira tinha certeza que não iriam nos dispensar. Como sempre, ele estava certo...
E agora... Agora eu estava voltando para casa... Voltando para os braços daquele a quem eu pertenço... Voltando para salvar o meu anjo caído... Por ele e por mim...
Sentia o cheiro do mar me envolvendo cada vez mais... Me recheando com o doce aroma de casa... Aquela doce fragrância da maresia que já era parte de mim... Que me fazia ter certeza que eu estava a poucos minutos do lugar ao qual pertenço...
Eu avistei o mar beijando a areia e a lembrança dos beijos, que me faziam ver que eu beirava ao desespero de tanta falta que sentia, foram inundando minha mente pouco a pouco, enlouquecendo mais a ansiedade que gritava em meu peito. Era incessante e doloroso... E a saudade nunca me pareceu mais bonita do que parecia agora.
Akira, ao meu lado, checou mais uma vez o relógio, sua carranca crescendo dez vezes mais do que o normal. E aquele era o jeito dele demonstrar o desespero pela ausência de Takanori.
Ao longe pude ver o imperioso prédio cinza ao qual nos dirigíamos. Loucos de vontade de ouvir a palavras “recesso”, sentir a quem tanto amávamos e receber suas boas notícias (porque simplesmente não poderiam ser ruins de jeito nenhum!).
As escadarias pareciam intermináveis e as portas monumentais. E embora o prédio intimidasse muitos, eu sentia indiferença a respeito dele. Achava-o simplesmente belo, mesmo que trouxesse sofrimentos a alguns. Acreditava cegamente que ele de nada faria mal ao Kouyou. Ele era um anjo e anjos eram parte da lei.
Eu sentia, de alguma forma, que estava certo sobre aquilo...
–Por aqui, senhores. – um homem engravatado estava ali nos esperando. Eu sorri.
Estava, finalmente, em casa.
–Eu fui a melhor mãe que uma criança poderia querer! – vi Lucy. Minha primeira visão ao entrar... Sua expressão poderia ser bela, se aquela mentira não fosse cômica.
–E não é verdade, senhora Takashima, que você se deitava com aquele homem, – Takanori desviou o olhar para o pequeno público e vi sua razão se perder por um instante. Fato que, é claro, preocupou meu Kouyou e guiou seus olhos diretamente para os meus. Óbvio que me derreti naquele segundo em que seu sorriso ganhou proporções inimagináveis e iluminou todo o meu redor. – ...Campbell John, antes mesmo de estar separada do meu cliente? – voltei a acordar daquele pequeno vislumbre do paraíso com a voz levemente falhada de Takanori. Acabei por lhe dar um sorriso e ele meneou a cabeça em uma afirmação positiva. Estava tudo conforme o previsto. – É ou não é verdade, senhora Takashima?
–Objeção!
–Indeferido. Responda à pergunta, senhora Takashima. – observei a seriedade da juíza (provavelmente devia ser ela que substituía o juiz mais conservador do Estado, que estava ausente há alguns dias – isso tinha dedo de Akira e seu pai, eu acreditava) e sorri completamente satisfeito com isso.
–E-eu...
–Tio Yuu! – e o silêncio presente no local fez com que a voz do pequeno anjo ecoasse vibrante em meus ouvidos.
Vi seu corpo miúdo deixar o assento ao lado de uma mulher loira (que eu apostei ser a Assistente Social) e sua animação inocente o guiou até mim.
Tudo naquele instante parou por quase uma eternidade antes que a realidade me voltasse coerente e meus reflexos me levassem a segurar com firmeza a mão que tentava tirar de mim o meu Gabriel.
Encarei os olhos escuros e devassos daquele homem. Cheguei a achar que ele recuaria, mas não o fez, apenas continuou a apertar o bracinho em seus dedos raivosos até que um choro infantil enchesse nossos ouvidos e Kouyou se pusesse em pé, desesperado.
Firmei minha mão em seu pulso, sabendo bem em que ponto poderia lhe fazer gemer da mais pura dor. E ele o fez, e se afastou, e foi pego.
–Nunca mais, ouviu? Nunca mais. – soube que era o suficiente. Vi o medo transpassar por seus olhos, que encaravam os meus com violência. Era como eu lutava, como eu me defendia. Com o mínimo, com o suficiente.
–Pegue o meu bebê daquela aberração!! – ouvi Lucy presa em seus pensamentos, que eu sabia, eram de puro ódio contra mim. Senti nojo de Lucy. Odiei-a mais uma vez. E desviei das mãos que tentaram tomar meu pequeno protegido. Ninguém encostaria nele... Não enquanto eu me mantivesse alerta, não enquanto Akira se mantivesse entre nós dois e todos os outros.
–Senhor Smith, controle seus clientes, por favor... – a juíza ordenou, mas eu sabia que agora de nada adiantava. E estava imensamente feliz por isso. – Teremos um recesso de meia hora. Estejam aqui calmos e controlados, por favor.
A mulher loira se aproximou com uma delicadeza gentil. Jessie Brown era o nome do crachá de Assistente Social. Seus olhos calmos e carinhosos me pediram permissão e ela estendeu os braços para o pequeno, que se agarrou mais ao meu pescoço, tentando –acredito – se esconder da jovem mulher. Ele chorou mais uma vez, me apertando fortemente e implorando para que não o deixasse ir. Que ele seria um bom menino. E doeu em mim... Tanto que eu não soube o que fazer.
Mas isso tudo foi um mero vislumbre ligeiro como a luz. No piscar de olhos eu tinha um anjo caído abrindo caminho até mim e seus dedos macios a acalmar seu filho. Sua voz doce e suave era uma mistura de palavras que eu não ouvi, mas Gabriel o aceitou como sempre aceitaria.
A preocupação do meu anjo loiro foi-se embora pelo tempo em que me olhou, como que para apenas verificar se era verdade. Sorri. Sorri e acarinhei os fios negros de seu filho, me preocupando com seu estado tão abalado.
–Não se preocupe, meu amor... Logo estará acabado, hu? – Kouyou beijou-lhe o topo da cabeça e fez um sinal para que seguisse com a senhorita Brown e foi o que ele fez sem dizer uma única palavra.
Soltei um suspiro desgastado, cansado e nervoso com tudo. Queria tomar o loiro em meus braços ali mesmo, naquele instante... Queria tomar seus lábios nos meus e fazer com que ele se desmanchasse na frente de todas aquelas pessoas. Mas apenas sorri... Sorri e indiquei Takanori e Akira que nos esperavam na entrada. Ele deu um pequeno riso e estapeou meu ombro, seguindo com calma até eles, comigo indo logo atrás.
Sorri diante da leveza que parecia ter tomado o meu anjo. Da sua alegria quase infantil que guiava nosso grupo, conversando com Akira enquanto Takanori vinha ao meu lado quieto e cauteloso.
–Como estamos indo? – perguntei, percebendo que seguíamos para o café do outro lado da rua.
–Muito bem pelo que deu pra notar no desenrolar das últimas horas... E graças à sua chegada triunfal posso dizer que ganhamos mais alguns pontos. – ele deixou, então, um tímido sorriso surgir. E aquilo era difícil de acontecer enquanto um caso ainda não estava encerrado. Takanori era extremamente cuidadoso. – Ele esteve desesperado por todo esse tempo, Yuu... Fique o mais perto que puder...
–Acha que vou desgrudar dele? Eu lá sou louco?! – rimos juntos, adentrando o pequeno café como se tivéssemos acabado de ganhar na loteria. E eu podia dizer que estava muito além disso.
Nos aconchegamos na mesa escolhida por Akira e Kouyou e eu fui recebido com um brilho intenso nos olhos amendoados do meu anjo. Aquele olhar tinha um toque pedinte e eu tive certeza absoluta disso quando ele cochichou algo com Takanori e se levantou para ir ao banheiro, em seguida.
Ele me chamando daquele jeito delicado e silencioso era tão bonito que eu não pude deixar de colocar um sorriso bobo no rosto. Ele era lindo daquele jeito... Me dizendo sem palavras que me queria, que precisava de mim... Como sempre, palavras não eram realmente necessárias para nós dois.
–Alguém me chamou? – perguntei, não mais alto que um sussurro, contra sua orelha. Ele acenou positivamente, se deixando levar pelos meus braços a se enroscar em sua cintura. Sinto que se fosse uma situação “comum” ele me pediria para não fazer aquilo. Felizmente não era...
–Você não sabe o quanto sinto sua falta...
–Pelo menos você não morreu como disse que iria, lembra? – brinquei arrancando-lhe um riso instantâneo. – Também senti sua falta, Kouyou... Enlouquecidamente... – resmunguei, me permitindo aquele momento para aspirar seu perfume gostoso, decorando-o outra vez. Feliz por senti-lo e não ter que imaginá-lo me envolver apenas.
–Quando vi você chegando hoje... Que vontade insana de largar tudo e correr para os seus braços! Tão mais forte do que sempre foi! – seus olhos, reflexo no espelho, pareceram relutar um pouco. Mas, corajoso como só ele, virou-se na minha direção e segurou meu rosto entre suas mãos mornas e macias (que tanto me deixavam louco de falta!) – Eu acho que amo você, Yuu...
–Eu certamente amo você também, meu anjo...
–Não! – ele cortou-me. Seus olhos estavam sérios como nunca antes e, apesar do rubor intenso de suas bochechas, eu soube que ele tinha reunido toda sua coragem só para me falar aquelas palavras. – Eu amo você como jamais amei a outro ser humano. Amo com o coração todo, com a alma toda, com cada poro do meu corpo! Eu... não consigo passar um dia mais sem ter você na minha vida, Yuu... Eu... Eu...
–Kouyou... Meu bem... – sorri-lhe o sorriso mais sincero que já havia sorrido em toda minha vida. Se eu pudesse ver seu reflexo, iria vê-lo tomando todo meu rosto e se alastrando para tomar o rosto lindamente rosado do meu anjo loiro. Seus olhos amendoados me diziam: eu sei. Mas não era o bastante, tive que verbalizar (e com todo gosto!) – Você sabe que eu sinto o mesmo... Que eu jamais, em todos esses anos, fui tão feliz quanto fui nesses poucos meses com você... Eu me sinto desse exato mesmo jeito... Eu amo você mais do que a mim mesmo.
–O que eu faria sem você, meu amor? O quê?! – ele me sorriu mais, embora isso parecesse ser impossível. Seus dedos afoitos se embrenhando rapidamente pelos meus cabelos e antes que eu percebesse nos beijávamos feito loucos no banheiro daquele café.
E era como se o mundo atrás daquelas paredes não importasse... Como se apenas nós dois ali, trocando aquelas carícias de saudade, como se apenas nós dois e aquele instante estivesse acontecendo...
Mas eu não conseguiria evitar... Kouyou não conseguiria evitar... Por mais arriscado, por mais insano... Precisávamos daquilo tanto quanto precisávamos de ar para respirar! Era o maior e mais verdadeiro dos fatos para nós dois! Talvez por isso que nenhum de nós pudesse conter a euforia que havia se criado e crescido por mais tempo do que o saudável... Talvez por isso que aquilo parecesse ser a coisa mais certa a se fazer naquele momento...
Por nós dois... Nossa sanidade... Nossos desejos... Nossos corações embebidos daquele amor total e completamente demente...
Por sua força...
Isso até...
–Oh, caramba! Senhor Shiroyama! – o homem parou na porta de olhos arregalados, enquanto Kouyou e eu virávamos duas grandes estátuas humanas. Paralisamos os três, aliás.
O que fazer?! Deus, eu não conseguia pensar naquele momento! Lembro da onda de pânico que me engolfou e atirou para longe toda a felicidade que eu estava sentindo há poucos minutos antes daquela interrupção abrupta. Havíamos congelado no tempo.
–Hmm... Err... Oi... Hm... Eu... Eu sou Takashima Kouyou e... Err... – Kouyou coçou a nuca, mordendo os lábios. E se a situação não fosse tão delicada eu certamente descreveria minuciosamente o quão deslumbrante eu o achava daquela forma.
–Ah! Senhor Takashima! – o moreno, que eu conhecia de algum lugar e não fazia ideia de onde, se aproximou, apertando a mão que Kouyou havia estendido timidamente – Sou Uke Yutaka... Me desculpem... Não queria interromper vocês, sinto muito mesmo!
–Mercado!
–O... que foi, Yuu? – Kouyou me olhou como se não entendesse e só então percebi que havia falado aquilo realmente.
–Oh... Sim... O senhor Uke me atendeu no mercadinho uma vez, não foi?
–Sim! Mas pode me chamar apenas de Yutaka, eu não me importo! – e ele sorriu-nos um sorriso de covinhas tão doce e gentil que me fez pegar confiança nele, embora a situação ainda fosse terrivelmente constrangedora.
–Então me chame de Yuu também.
–E Kouyou! – meu loiro sorriu daquele seu jeito único, e olhou em minha direção. Eu soube que ele confiava também em Yutaka e me senti bem por não ser o único. – Err... Yutaka... Sobre... o que você viu agora a pouco...
–Estou torcendo por vocês! – ele revelou, fazendo com que um sentimento agradável se espalhasse por meu corpo. Era carinho. – Eu... estou acompanhando a audiência...Desde cedo, aliás... Eu... Eu já sabia sobre... Bem... – ele deu de ombros e eu me senti grato por seu silêncio.
–Desde quanto? – meu Kouyou perguntou, tão curioso quanto uma criança. Eu ri.
–Desde o dia no mercado... – me espantei com aquela informação, mas o sorriso aconchegante do moreninho me acalmou. – Eu vi o jeito que o Yuu olhou pra foto de vocês no jornal... Eu sabia que era amor então... Algo que... bom... Eu também sinto por alguém do mesmo sexo... Sou... exatamente como vocês... O nome dele é Naoyuki... Seu segredo está bem guardado!
–Seu Naoyuki está aí com você? – Kouyou pediu, enlaçando nossos dedos daquele jeito que me fazia sentir em casa. Finalmente em casa...
–Ali fora...
–Querem se juntar a nós? – cortei Kouyou, sabendo bem que era esse o convite que estava na porta de seus lábios bem feitos. – Seria uma honra ter as pessoas que nos apoiam por perto!
–É muita gentileza de vocês! Muito obrigado!
E a partir daquele dia... Daquele reencontro... Achamos mais um amigo...
Um importante amigo... Pra mim...
Notas finais
Desculpem a demora, mas estive repensando MUITA coisa sobre essa fic e só postando agora por causa da ajuda da koi ♥ HSAUDHUAUDHUAHHDUA Empaquei feio dessa vez ;;
Então, agradeçam a ela e /RUN UAIDIHUHASHDUIAHSUIHA
Muito, muito, muuuuito obrigada pelos comentários, gente... Foram muito estimulantes pra esse momento de mudanças ♥ *A* E vou responder eles assim que possível, okie? *U* ♥
Bom... Era isso... Espero que tenham gostado... Falta pouco agora ;3;
Até o próximo, nee... ♥
2O12, AGOSTO O5 @__bloody_hell
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