My Fallen Angel

3 Chapter Three


Notas iniciais
Boa Leitura ♥

..my fallen angel..

Chapter Three

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.Há mais de um mês eu havia trocado os olhares através da minha, ainda adorada, janela por uma visão mais ampla daquele meu pedaço de paraíso. Foi um convite mudo feito pelo meu vizinho loiro e, de mesma mudez, a minha aceitação foi instantânea. Eu havia deixado, durante todos aqueles dias, minha morada sempre às seis horas da manhã para encontrar o loiro parado junto ao meu portão. Seguíamos, nós dois, quase mudos até a beira do mar.

E não era como se fosse necessário haver algum tipo de diálogo para que nos entendêssemos. Nosso objetivo era simples demais, comentários desnecessários estragariam a paz que aquela hora caminhando, pelo prazer de analisar as cores bonitas reluzindo seu esplendor pelas nuvens e refletindo-as no mar límpido, nos transmitia.

Alguma coisa havia mudado no loiro durante a passagem daquele tempo, mas eu ainda não sabia distinguir o que era. Só sabia que ele parecia menos apático do que no início de nosso passeio calmo. Eu desejava, em segredo, que ele tivesse encontrado seu motivo para sorrisos, sua parcela de alegria. Eu sabia que ele, mais do que ninguém, merecia uma vida de felicidades tão fáceis quanto os sorrisos que ele me exibia quando encontrava meus olhos a analisar-lhe com curiosidade.

-Yuu... – a voz leve me despertou dos meus pensamentos incessantes e, só então, notei seu corpo estendido sobre a areia. A água cristalina beijando seus pés e ele sorrindo sem um motivo aparente.

-O que foi? – ocupei o espaço vazio ao seu lado, deixando meus braços penderem preguiçosamente sobre meus joelhos. Eu também sorria.

-Você já... pensou em jogar tudo pro alto e... fazer a primeira coisa que vier na sua mente? Sem ter medo das consequências? Sem se importar realmente com elas?

-Você fala sobre seu trabalho?

-Tudo... Mulher, casa, trabalho... Menos o meu filho, ele é importante pra mim...

-Já...

-E o que você fez?

-Atirei tudo pros ares... Por isso eu estou aqui hoje... Eu que pedi o divórcio depois de uma conversa séria com a minha mulher... Pedi pro meu livro não ser lançado até que eu me sentisse preparado para a confusão que meus dias se tornam naquela época... Comprei minha casa por causa das vidraças e... Bom... Eu sinto que era isso o que eu mais precisava, uma mudança geral...

-Você... está feliz?

-Mais feliz do que isso é atingir um nível absurdo! Digo... Nem todos os dias eu estou tão bem, afinal os advogados ainda estão me perturbando por causa do divórcio, mas... É só uma dor de cabeça insignificante...

-Você acha que eu devia...? Você sabe... Mandar tudo à merda?

-Isso é você quem tem que decidir, Kouyou... Tire umas férias e decida.

-Eu não gostaria de ter que ficar sozinho... Você já viu o tamanho daquela casa?!

-Grande demais para uma só pessoa.

-Eu sei! – ele enrugou a testa, os olhos fixos na mudança de cores no céu quase totalmente azulado – Eu me sinto vazio quando estou lá... Aquele lugar não faz mais parte de quem eu sou...

-Então é melhor você mudar, mesmo.

-Pra onde?! Você se mudou para a última casa disponível na vizinhança... Eu não quero sair daqui e sim da casa... Eu... não quero deixar de ter você na minha vida... Eu preciso de você...

-Você tem que pensar no que é melhor pra você, Kouyou... Eu não quero afetar suas decisões futuras...

-Eu só... – ele mordeu o lábio de uma forma um tanto que nervosa, os orbes me analisando por algum motivo que eu sabia que não descobriria.

-Você só...?

-Me dá sua mão... – seus dedos longos tocaram meu braço direito, puxando-o sem vontade alguma. Ele me pareceu um tanto cansado naquele momento – Por favor... – ele me mostrou um pequeno sorriso após ter entrelaçados nossos dedos de um modo deliciosamente confortável. Rendi-me à pureza da curvatura leviana de seus lábios, deixando meu corpo cair ao lado do seu – Só fica aqui comigo, pode ser? Eu acho que não quero pensar em nada por enquanto...

-Então não pense... Só deixe a brisa morna mostrar quão maravilhosa ela pode ser...

-Eu já sei quão maravilhosa ela pode ser... Ela me visita todos os dias...

-E você abre a porta para ela?

-A janela, Yuu...

-Ahh, sim... Faz mais sentido... – mais um sorriso se espichando em meu rosto ao ter aquela risada sonora que me envolvia. Embriagava cada um de meus sentidos, por mais absurdo que soe.

-Yuu?

-Hmm?

-Você acha... que meu filho poderá algum dia se sentir orgulhoso de um pai como eu?

-Se ele não se sentir, eu mesmo dou uns petelecos nele, hum? – meu tom brincalhão provocando a volta da risada deliciosa do loiro. Apertei de leve sua mão morna, me entretendo com o modo distraído, quase automático, que ele afundava a outra mão na areia, erguendo-a para deixar os grãos miúdos escaparem por entre seus dedos – Você é uma pessoa admirável, Kouyou... Que filho não sentiria orgulho de ter você como pai?

-Eu só... não tenho certeza de que eu esteja fazendo as coisas certas, sabe?

-Você cuida do seu filho com carinho?

-Sim...

-Dá atenção a ele no tempo que ele passa com você?

-Sempre.

-Faz coisas divertidas com ele?

-Faço.

-O que mais uma criança pode querer de um pai, Kouyou? Se eu fosse seu filho, estaria mais do que satisfeito!

-Eu não sei... Eu sinto como se estivesse falhando em algo...

-Procure falar com seu filho a respeito disso se incomoda tanto assim... Mas eu aposto como ele não vai dizer nada além de como está sendo uma boa relação.

-É tudo o que eu mais desejaria ouvir dele...

-Diga que o ama muito... Ele vai saber que está sendo verdadeiro e vai querer retribuir... Eu adoraria ouvir um “Eu amo você, papai” do meu filho.

-Você tem um filho?!

-Não... Mas se eu tivesse, adoraria... – expliquei em meio às gargalhadas dele.

-Você não existe, Yuu!

-Às vezes eu penso o mesmo de você.

-Hmm?? – sua surpresa genuína me fazendo sorrir.

-Você já percebeu que, nesse mundo inteiro, não existe uma única pessoa que chegue a ser um por cento parecida com você? Ninguém tem um sorriso tão puro quanto o seu, uma risada tão fácil, olhos tão profundos e luminosos... Você é quase uma obra de arte, Kouyou...

-É por isso que você me olha tanto?

-Eu fico me indagando sobre... como tudo parece se transformar quando você está por perto... Minha atmosfera fica mais... livre... É quase como se fosse proibido ser menos do que totalmente verdadeiro ao seu lado... Você é um anjo enviado pra salvar esse lugar?

-Anjos não sofrem, Yuu...

-Eles devem estar sofrendo por verem você sofrendo... – um meio sorriso ocupou meu rosto assim que meus lábios tocaram a pele macia de sua mão entrelaçada com a minha. Ele tinha um olhar grato nas íris tão doces.

-Paaaai!

-Ah! Gabriel! – meu vizinho loiro sentou rapidamente na areia, recebendo o filho com um abraço apertado e, eu sabia, repleto de saudade – Como você está, meu pequeno?

-Bem! – o moreninho exibiu um sorriso largo e eu o reconheci na hora. Era um sorriso quase idêntico ao do pai. Talvez esse garoto seja destinado a ser tão doce quanto o pai e minha teoria sobre a singularidade daquele homem ia por água abaixo – Oi!

-Oi, pequeno Gabriel... – dei uma piscadela marota para o garoto risonho.

-Filho, esse aqui é o Yuu... Um grande amigo do papai...

-Eu sei! A tia Consuela disse que você fica sempre com ele, né? De manhã...

-Ela disse, é?

-Uhum! Eu também tenho um amigo...

-E qual é o nome dele?

-É Daniel... A gente sempre brinca no parquinho juntos!

-Que bom, filho... Cuide bem do seu amigo, hum? Você não sabe quando vai precisar dele pra segurar suas lágrimas...

-Ah, não fale de tristeza perto do garoto! Assim ele vai ficar insuportável feito você!

-Lucy...

-O que acha de um sorvete, baixinho? Vamos deixar a mamãe e o papai conversando, hum?

-Ahhh... Eu posso, pai?! – foi impossível conter um sorriso diante da excitação dos olhinhos azulados, herança da mãe.

-Yuu?

-Eu cuido dele... Ela parece ter algo pra falar pra você... – levantei do chão, batendo no meu calção coberto de areia, antes de segurar na mãozinha pequena do filho de Kouyou – A gente vai estar lá na sorveteria... Okay?

-Eu não demoro...

-Quer que eu peça algum sorvete pra você?

-Não, Yuu... Tudo bem... – ele suspirou com pesar, pondo-se em pé ao meu lado – Obrigado por isso...

-Não agradeça... – acenei para ele e, em seguida, para sua quase ex-mulher, desviando toda minha atenção para a pequena criança ao meu lado – Quer colo?

-Não... Sou grande!

-Às vezes crianças grandes também precisam de colo, hum? – pisquei de leve para o garotinho que, prontamente, ergueu os bracinhos para que eu o acolhesse – Assim a gente chega antes na sorveteria, não é pequeno?

-Será que tem sorvete de chocolate? É meu favorito!

-Com certeza! O que seria de uma sorveteria sem sorvete de chocolate, hãn? Todo mundo adora sorvete de chocolate!

-O papai não... Ele gosta de macarujá...

-Hmm... Seu papai precisa voltar a ser criança, então!

-Você é criança?

-Não, mas meu espírito muitas vezes pode ser! E convenhamos, até adultos gostam de sorvete de chocolate, hum?

-Eu nunca quero crescer se eu não gostar mais de sorvete de chocolate...

-Olha só pro tio Yuu... Pode ter crescido, mas ainda adora um sorvete de chocolate...

-Será que o papai nunca gostou?

-Talvez... As pessoas gostam de coisas diferentes...

-É... meu amigo tem um gato, mas eu gosto de cachorros...

-Exato... Assim também é com o sorvete...

-Tio Yuu?

-Hmm?

-Dá sorvete de macarujá pro papai? Ele parece um pouco triste hoje...

-Seu pai só está um pouco cansado... Não se preocupe com isso, ta baixinho?

-Ta... – os braçinhos miúdos dele envolveram meu pescoço de um modo tão similar que eu tive que olhar duas vezes para ter certeza de que não era meu vizinho loiro pendurado ali.

A dor do pequeno me afetava quase tanto quanto a dor do grande...

Notas finais
Buenas, tchê! :D
Espero que não achem que esqueci de vocês! Voltei mais uma vez! UASHUDHUAHSUDHUSAUDHA
Só queria agradecer aos que leram e principalmente aqueles que tiraram um pouco do seu tempo pra deixar aqueles reviews lindos! Sério gente... Me inspiraram a postar em um dia tão polêmico quanto esse IJASIODJIAOSJIODJAISOJDOAJO
MUITO OBRIGADA, SEUS LINDS *----*
Vejo vocês no próximo? ♥
2O11, DEZEMBRO O4 @le_akita