My Dear Lyrics
1 Annelise
Notas iniciais
Era uma vez um diário. Um simples diário de uma garota que, parentava não ter nada de especial. Essa garota escrevia tudo naquele diário, tudo o que acontecia, tudo o que sentia e tudo o que a machucava e curava-a. Fora desse diário havia um mundo...um mundo especial.
Nesse mundo só havia três coisas; a garota, o diário e a caneta. Porém a garota não sabia disso. Na visão dela, o mundo era como qualquer outro, como o seu ou o meu. Ela tinha amigos e uma vida de verdade. A garota era minha protegida. Annelise era o nome dela, Annelise Autumn. Chamada só de Ann pelos mais próximos. Eu costumava dizer que ela era filha do sol com a lua, Ann era feliz. Eu a criei para ser feliz. Estava tudo bem, até que um dia eu me descuidei, e deixei que Ann caísse no limite de seu mundo. Me sinto um mostro por isso. Eu sinto por você Ann, nunca deveria ter a deixado sozinha...
Quando ela caiu, o mundo atrás dela desapareceu, ou seja, não poderia voltar, e eu...bem, eu não poderia simplesmente criar outro. Não é assim que o universo age, cada ser, até os unicelulares são únicos, não posso criar um idêntico, isso não existe. Assim como o mundo dela não existia mais, Ann levava o diário para todos os lugares, então podemos dizer que aquele mundo estava vazio quando desapareceu. Quando ela chegou ao limite, conseguiu ver o que estaria hipoteticamente perdendo. Lá Ann encontrou o universo humano, esse mesmo que você vive. Ela se encantou com aquilo, por mais que sua visão de seu antigo mundo fosse parecido com aquela, no mundo humano há imperfeições. Imperfeições tão pequenas e tão grandes ao mesmo tempo, imperfeições que fazem o seu mundo ser perfeito. Imperfeições constroem a perfeição.
Vendo toda aquela perfeição, Ann resolver descobrir novos horizontes e entrou nesse universo. Aquele lugar eu não podia intervir, lá as coisas funcionam sozinhas, sem ajuda de ninguém. Não que eu seja alguém. Lá Ann era como um fantasma, ninguém podia vê-la , literalmente invisível , ela rodou por algumas horas observando cada detalhe e expressão do lugar e das pessoas, Até que ela chegou numa casa, afastada de tudo, isolada, ali havia uma pequenina casinha. Tinha uma família, mas ele não a viam também. Mas então ela viu um ser, era um garoto, ele a olhava, observando cada detalhe seu, porem era um olhar sereno, calmo e inocente. Ele não a olhava como se ela fosse um ser de outro universo, a olhava com carinho, como se a conhecesse a anos, talvez décadas.
Depois de muito observar e apreciar, ele se aproximou de Ann e perguntou:
— Quem é você?
— Eu? — Ann perguntou
— Quem mais seria? – o jovem brincou
— Por acaso você é um filósofo? – ela perguntou intrigada
—O que? — o garoto disse confuso
— É que você só me faz perguntas... – Ann disse com tom engraçado, como se aquilo fosse obvio.
— Oh, não eu não sou um filosofo, me chamo Antony.
— Muito prazer Antony – Ann disse calmamente
— E você é....? — garoto perguntou novamente
— Meu nome é Annelise, mas me chame de Ann, não sei exatamente quem sou ou de onde vim, mas sei meu nome. Você pode me chamar só de Ann.
Quando eu ouvi essa frase senti como se todo o meu trabalho de faze-la feliz tivesse sido em vão. Me senti triste por deixa-la triste. Eu amava Ann, uma amor tão platônico que acho desnecessário dizer o quão platônico é. Enfim, isso eu lhes conto depois. Ann sempre foi muito sociável, muitas vezes, ela era a luz na “vida” das “pessoas” de seu mundo. Ela irradiava um tipo de energia positiva que era realmente especial, só ela que não achava isso. Mas voltando ao assunto, Antony disse a Ann:
— O que faz aqui?
—não sei- responde Ann
— Não sabe? – Antony diz surpreso
— Não, não sei- ela responde novamente
—Como não sabe? — Antony disse ainda mais surpreso
— Eu estava andando pela aquela cidade e no final acabei parando aqui –Ann disse apontando para a direção da cidade onde apareceu.
— Cidade? — Antony perguntou
— Sim, uma gracinha de cidade. — Ann disse
— Mas, nós estamos a quilômetros de distância da cidade mais próxima.
Nesse momento Ann percebeu que estava longe de casa, ou que apenas não sabia onde ficava sua casa, seu coração se apertou, eu sei disso pois, o meu o fez também.
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