My Best Friend... Pansy?
5 Are you going to make me go out?
Notas iniciais
-Ok, então lembre-se de puxar o R e de ficar em dúvida entre algumas palavras, afinal, você está aqui faz pouco tempo.
-Sem problema. Ou melhor, sem prroblema.
Sorri. Até que o plano de Gerard poderia dar certo, afinal, ela não parecia mesmo ser daqui. Porém, o problema ia ser arrumar roupas para ela.
-Por que a gente não... Sei lá... Vai lá comprar. – sugeriu Gerard.
-Ah é, super normal dois caras irem para a seção feminina comprar roupas, não é?
-Ou isso ou ela não sai do quarto.
Bufei. Tem horas que eu queria ter guardado aquelas roupas femininas que eu obriguei Gerard a usar no Halloween passado.
-Tá legal, tá legal. A gente vai comprar a droga da roupa. Mas mais tarde. São quatro da manhã e nada abriu ainda.
De repente ouvimos um barulho.
-O que foi isso?! – exclamou Pansy.
-Foi seu estômago.
Ela me olhou, curiosa.
-Você está com fome, Pansy.
-E... Como isso passa?
-Comendo, oras. Ah é, esqueci que você não precisava disso antes.
Ela me lançou um olhar sarcástico.
-Eu e Gerard vamos lá embaixo pegar alguma coisa pra você.
Ela assentiu e se sentou na cama para aguardar. Gerard me seguiu e fechou a porta atrás dele.
-Ela até que é bonitinha...
-Bonitinha? Pff, é porque você não viu o... Gênio dela. Ela é bonitinha por fora, mas aquela pequena peste me deixou com vários hematomas.
Ele arqueou as sobrancelhas.
-Não, não! Não é o que você está pensando. É que eu comentei que fui eu que fiz o pedido e foi por minha culpa que ela ficou assim... Aí ela ficou com raiva de mim e começou a me bater.
-Ah sim. – disse ele procurando qualquer coisa comestível nas gavetas – Por que a gente simplesmente não dá uma tigela de cereal pra ela?
-É, tanto faz. Pode ser. – abri a geladeira e peguei o leite enquanto Gerard pegava uma caixa de cereal qualquer. Peguei uma tigela no armário e despejei um pouco do cereal e do leite. Gerard pegou uma colher e colocou na tigela enquanto eu guardava tudo.
-Se ela não gostar... Problema é dela. – resmunguei enquanto fazíamos o caminho de volta para o meu quarto. Ouvi ele dar uma risadinha baixa.
Quando abri a porta, vi um milagre: Ela estava sentada na cama, comportadinha.
-Graças ao bom deus. Você não saiu do quarto ou fez bagunça. Isso é um milagre! – exclamei ironicamente. Ela me lançou um olhar gélido que me fez tremer.
Ela olhou para a tigela.
-O que é isso?
-Comida.
-Ah, jura, Sr. Einstein? Que tipo de comida?!
-Cereal.
Ela franziu a testa levemente e pegou a tigela, colocando a colher com cereal e leite na boca.
Eu e Gerard a olhamos, esperançosos. Ela deu de ombros.
-É, é bom. – e continuou a comer. Dei graças a deus, porque se não eu seria obrigado a fazer panquecas.
E eu não sou muito bom na cozinha.
Ela comeu e todos ficamos em silêncio. Quando ela acabou, Gerard se levantou e pegou a tigela da mão dela.
-Eu levo lá para baixo.
-Valeu... – respondeu ela, meio aérea. Ele assentiu e desceu.
-O que aconteceu? – perguntei.
-Ah, sei lá... Acho que eu sinto falta de ficar pendurada na parede... – ela deu um sorrisinho sem graça. Eu assenti, sem ter o que dizer.
Olhei a rua vazia pela janela.
Claro que está vazia, é madrugada, o que eu queria?!
Os únicos barulhos que eu podia escutar eram alguns passarinhos (malditos bichos que acordam cedo) e, vez ou outra, algum bêbado que voltava para casa a essa hora da madrugada.
De repente, a porta se abriu e Gerard apareceu.
-Agora esperamos? – perguntou ele, fechando a porta.
-Agora esperamos. – assenti lentamente para confirmar o que ele disse.
-X-
Então nós fizemos qualquer coisa para tentar nos distrair: Jogamos videogame no wii do meu quarto, jogamos jogos de tabuleiro, lemos livros e revistas, ouvimos música... Tudo. Até que, finalmente, deu oito horas da manhã.
-Finalmente! – olhei para cima, cansado. Finalmente era a hora do shopping e das lojas abrirem. Peguei minha jaqueta jogada em cima da cama e vesti-a.
-Olha, Pansy, fique quietinha aqui. Se ficar com fome, vá até a cozinha, mas tome cuidado para a minha mãe não te ver, ok? Pode mexer em qualquer coisa aí contanto que não quebre.
Ela assentiu.
-E em que loja nós vamos? – perguntou Gerard ao sairmos de casa.
-Esse é a pergunta. – resmunguei.
Rodamos pelo shopping inteiro, procurando por uma loja que parecesse boa.
-Ah, Gerard, desisto! Eu não sei escolher roupa de menina! – sentei-me em um dos bancos, resignado. Ele se sentou ao meu lado e segurou meu rosto, forçando-me a olhar para ele.
-Frankie, você vai mesmo desistir depois de todo o trabalho que tivemos para ensinar a Pansy a falar inglês como uma francesa, depois de todas essas horas esperando o shopping abrir... ?
-Talvez você tenha razão... – olhei para baixo com os olhos tristes. Gerard deu-me um beijo e sorriu.
-Agora nós vamos achar uma roupa para ela nem que demore cinco anos.
-Se demorar cinco anos ela já vai ter voltado a ser uma guitarra. – sorri sarcasticamente. Ele revirou os olhos.
-Você entendeu.
-X-
Finalmente encontramos uma loja que parecia ter alguma coisa. Andamos entre os cabides debaixo de olhares confusos das vendedoras.
-Sinceramente, depois dessa eu nunca mais mando você se travestir. – murmurei baixinho.
-E como comprou as roupas?
-Eu não comprei. Eram da minha mãe, mas não cabiam mais nela.
Ele me lançou um olhar irritado.
-Ei, tem que admitir que foi engraçado!
-Aham. Hilário. Só se foi pra você.
-Eu sei que você ainda me ama apesar disso.
-E o pior é que eu amo mesmo... – ele murmurou para que ninguém ouvisse, mas eu ouvi e dei um sorrisinho de lado.
Fui olhando as roupas e nenhuma parecia que ia ficar boa nela. Até que Gerard me chamou.
-Sim?
-Que tal esta?
Ele me mostrou uma blusa preta de mangas longas, escrito Punk Rock.
-Humm... É, gostei. Mas e a calça?
Passei os olhos rapidamente pela loja e localizei uma legging de couro.
-Yes! É isso! – saí correndo e peguei a legging.
-Agora só precisamos de um coturno e ela será uma perfeita roqueira. – disse ele, irônico.
Fiz uma cara pensadora.
-Você não vai fazer isso com ela... ?
-Por que não? Ela é uma guitarra, vai fazer sentido! – meus olhos brilharam enquanto eu pegava meias e uma bota com fivelas.
-Fechou. Vamos pagar.
-Espera aí, você viu o preço disso tudo?!
-Não. Por que?
-Porque você não trouxe tanto dinheiro assim!
-Ah, não? – tirei o cartão de crédito de minha mãe do bolso. Gerard arregalou os olhos.
-Frankie, você é mesmo um sem-vergonha.
-Aprendi com você. – abri um sorrisinho safado enquanto dava as roupas para a menina no caixa.
-X-
Pansy estava deitada na cama, lendo uma das minhas revistas.
-Pansy, trouxemos as roupas.
-Sério? – os olhos dela brilharam.
-Claro. Está... – ela pegou a sacola plástica e correu para o banheiro antes que eu pudesse terminar a frase – ... Aqui. Nossa, pouca pressa.
Minutos depois, ela saiu de dentro do banheiro.
Eu tinha que admitir que ela tinha ficado bonitinha...
... Mas eu nunca admitiria isso na frente do Gerard.
-E aí, como estou? – perguntou ela, aflita.
-Ah, você está ótima. – eu falei, abrindo a porta do armário para ela se ver no espelho. Ela se examinou de cima para baixo e, por fim, se deu por satisfeita.
-É, eu gostei. – ela abriu um sorriso.
Estávamos avançando no quesito “sorrisos”, hein?
De repente ouvi um barulho de uma porta se abrindo.
-Ih, deve ser minha mãe.
Pansy ficou pálida, mais pálida do que ela já é.
-E-eu não sei se quero fazer isso... Eu... Eu vou ficar aqui dentro. É, eu vou ficar aqui dentro. – disse ela se sentando.
Não dá pra acreditar nessa menina.
-Ah não! A gente demorou séculos pra achar uma roupa decente, gastei o maior dinheiro com isso e você vem dizer que não vai mais sair? Vai sair sim senhora.
-Ah é? E você vai me obrigar?
Arqueei as sobrancelhas e lancei ao Gerard um olhar significativo. Segundos depois, levantamos Pansy e a levamos em direção à porta.
-AAH NÃO! SOLTA! LARGA! EU NÃO SOU UMA GUITARRA PRA SER CARREGADA POR AÍ!
-Agora é. – resmunguei enquanto abria a porta e dava de cara com uma Linda Iero muito chocada.
Notas finais
É. Beijos e até o próximo *-*
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