My Angelus

15 Chá com o rei


Notas iniciais
Heey Pimentinhas. Aqui esta o capitulo

Depois da conversa com Sam e da mensagem de Zoe nós fomos dormir e ele prometeu me acordar cedo para começarmos o dever de casa, do qual eu não fazia a mínima ideia do que seria.

Eu demorei um pouco a dormir por causa da enigmática mensagem da minha amiga, na verdade não era enigmática, era clara até demais, Ela iria atrás de mim em Winfield e daria de cara com uma casa vazia ou com outro locador e ficaria sem ter a tal conversa comigo, porque celulares nunca funcionam quando você precisa.

Sabe aquele momento em que você tem a sensação de ter acabado de fechar os olhos e já está na hora de levantar. Esse momento me causa sérios problemas comportamentais.

─ Liza, cinco minutos ou eu vou entrar ai e te puxar da cama. ─ escutei Sam gritar e depois seus passos sumirem no corredor.

Abri meus olhos meus olhos já esperando a habitual luz do sol me cegando mas por incrível que pareça o quarto estava escuro. Me sentei na cama me espreguiçando e olhei o relógio no criado mudo, marcavam 8:23. Fuzilei o relógio com o olhar na expectativa de que ele explodisse ou dissesse algo como ‘’ volte a dormir’’, mas isso não aconteceu então eu me levantei e tratei de ir fazer minhas higienes matinais.

Sai do banheiro e fui direto para a cozinha. Eu sou o tipo de pessoa que come um dinossauro de manhã.

─ Bom dia meninos! ─ falei meigamente ao entrar na cozinha e me deparar com Sam e Bobby sentados na mesa ─ que tinha um café da manhã tipicamente norte americano ─ e Dean encostado na pia com uma xicara nas mãos. Uau, ele ficava extremamente sexy nesta pose.

─ Bom dia! ─ responderam Sam e Bobby juntos e Dean acenou com a cabeça. Eu me sentei ao lado de Bobby e de frente para Sam e logo comecei a me servir de ovos mexidos e um café fumegante.

─ Hoje das nove as doze nós iremos pesquisar, depois você terá uma pausa para o almoço, e das quatorze as dezessete você irá praticar tiro com o Bobby. ─ falou Sam calmamente enquanto bebericava seu café.

─ Wow, isso aqui virou penitenciaria? Convento? ─ Eu perguntei arregalando os olhos e Sam riu pelo nariz.

─ Gostei da ideia do convento, você ficaria ótima de freira. ─ comentou Dean com um sorriso sacana brincando em seus lábios e eu corei violentamente, pude sentir o sangue se concentrando em minhas bochechas e orelhas mas agradeci a Dean mentalmente por ele não guardar ressentimentos depois do pequeno fora.

─ Sam falou qual o nosso novo ‘’ projeto’’ ─ falou Bobby me olhando de relance. ─ Se você quer entrar nessa mesmo, é melhor que seja esperta. ─ terminou de falar e se levantou colocando uma xicara dentro da pia e saindo da cozinha.

─ Eu serei a melhor. ─ sussurrei olhando para Dean, que pareceu entender o que eu disse pois o sorriso safado voltou a aparecer.

Era bom saber que o clima não estava pesado entre nós dois.

Depois de tomar meu café me encaminhei para a sala. Ao entrar no cômodo me deparei com Bobby sentado no sofá com o controle da televisão em uma mão, ele zapeava os canais freneticamente.

— Vai queima-la desse jeito. — comentei ao me sentar na poltrona que ficava ao lado do sofá e catar um livro da mesa próxima a mim. Ele soltou um resmungo em resposta e deixou no canal de esportes onde um comentarista tentava falar debaixo da chuva que caia. Não prestei muita atenção e foquei no livro em minhas mãos. Falava de mitologia grega então logo o larguei, não havia praticamente nada sobre mitologia que eu não soubesse... Modéstia à parte, é claro.

Dean saiu da cozinha passando pela sala com um sanduíche e logo sumiu no corredor a frente.

— Não gosta dos gregos? — perguntou Sam brotando na minha frente e me fazendo arfar de susto.

—Ai meu Zeus, quase me matou. Os Winchester tem essa mania de assustar os outros, vou amarrar um sininho de vaca no pescoço de vocês. — repreendi o moreno que sentou em uma cadeira na ponta da pequena mesa e começou a rir. — E respondendo sua pergunta, pelo contrário eu sei tudo sobre mitologia grega. Sou apaixonada por história antiga. — conclui enquanto gesticulava com as mãos, o que era comum quando eu falava sobre algo que gostasse.

— Sério? Eu também acho muito interessante, mas é só eu falar sobre esses assuntos que o Dean começa a implicar e me chamar de Nerd. — falou ele se acomodando na cadeira e sorrindo.

— Aceita logo Sam, somos nerds. — falei tentando soar seria mas alguns segundos depois gargalhamos sonoramente, ganhando um olhar opressor de Bobby.

— Então... Vamos fazer o dever de casa ne. — falei lançando um olhar de puro tédio para Sam.

Discutimos sobre hipóteses malucas, mas nada parecia bater. Sam me fazia perguntas sobre o meu passado, mas sei lá, talvez fosse algo simples e nos estivéssemos complicando.

─ Sam eu sinceramente não sei por onde começar. ─ falei beirando o desespero.

Faltavam dez minutos para meio dia e nós não tínhamos nem descoberto algo para ‘’ pesquisar’’, muito menos a solução do meu problema.

─ Calma ok? Nós já sabemos que caçar demônios não irá adiantar muito já que eles estão tão no escuro quanto nós. Eu posso procurar notícias sobre a morte dos seus pais, ver se tem algo sobrenatural... mas isso é algo pessoal então quero que pense sobre isso antes de responder.

Agora ele havia complicado minha vida.

Entrei em um conflito interno.

─ Aceite a ajuda dele, você sempre quis saber a verdade sobre a morte dos seus pais, ai está a chance.

─ Mas querer, e saber a verdade, é diferente!

─ Claro que não, você está com medo!

─ Não é medo, é receio do que irei descobrir.

─ Então continue no escuro bobinha.

Era fácil. Eu aceitava a ajuda dele e pronto... Okay ! Na realidade eu tinha medo de descobrir coisas das quais meu psicológico não possa lidar.

Meu Deus ! Eu sou completamente louca... ─ pensei ao perceber que estava discutindo mentalmente comigo mesma.

─ Sam! Por que nós não caçamos O demônio, eu quis dizer, o tal Rei do inferno de que tanto falam. ─ falei animada como se fosse uma descoberta brilhante e tentasse esquecer de sua proposta.

─ O que? Não... ele com certeza é nossa última opção. ─ respondeu Sam arregalando os olhos. ─ É melhor você ir comer alguma coisa e se preparar, Bobby ira pegar pesado com você.─ disse ele fechando um livro, levantando-se e se espreguiçando.

─ È ... mas eu não preciso treinar, eu sou fodona com uma arma em mãos. ─ sai resmungando para a cozinha.

Bobby havia acabado de entrar, nós treinamos por 3 horas, claro que eu não voltei a fazer a mesma proeza como a da última vez e estourei tudo a minha frente, mas que eu era boa com uma semi automática era um fato.

Eu estava no quintal praticando postura e movimentos para sacar a arma mais rapidamente, mas ela insistia em se prender no cos da calça ou cair no chão.

Escutei passos atrás de mim e me virei abaixando a arma, mesmo estando descarregada eu me sentia perigosa demais com uma em mãos.

Me deparei com um homem baixo com a barba por fazer e com um terno preto elegante.

─ Então é você? ─ ele disse me olhando de cima a baixo.

─ Quem é você? ─ perguntei assustada e olhei ao redor para ver se algum dos garotos estavam por perto.

─ Eu sou o rei do inferno meu bem. ─ disse ele com com um sorriso presunçoso.

Institivamente ergui a arma e dei alguns passos para trás.

─ O que quer aqui? ─ perguntei já imaginando a resposta.

─ Conversar. ─ disse ele se aproximando e eu dei graças a deus por a resposta dele não ter sido ‘’ você’’.

Quando ele estava a um passo de mim ele ergueu as mão e a levou ate meu ombro, tentei me afastar já sabendo a intenção dele mas já era tarde.

Olhei ao redor, estávamos em uma sala sofisticada com estilo da era da monarquia. Tudo era de madeira escura e detalhada a ouro. Havia uma estante de livros imensa a direita, e a esquerda havia uma janela com as laterais em inox e vidro blindado, que era a única coisa que denunciava o local não sendo antigo como parecia. E no meio da sala havia uma mesa de mogno negro com um pequeno ‘’ trono’’ de um dos lados ─ sim era um trono. ─ e uma de cadeira do outro.

─ Sente-se. ─ Disse ele enquanto se sentava no trono.

Fiquei parada de frente para ele, sem reação alguma. É incrível como você treina para algum tipo de situação, e na hora... na merda, da hora H, você, simplesmente, trava.

─ Eu não quero te matar ou torturar, estripar ... nem nada do gênero, até porque os Winchester ficariam muito irritados... ─ disse ele como se estivesse pensando alto. ─ Só conversar mesmo. ─ terminou enquanto servia um liquido em duas xicaras maravilhosas ─ devo admitir ─.

Me aproximei receosa e me sentei de frente para o rei do inferno que acabara de colocar uma das xicaras na minha frente, provavelmente com chá.

─ O que quer conversar? Como sabia onde eu estava? ─ perguntei ainda receosa.

─Coisas. Vocês exorcizaram um demônio meu, deveriam ter matado. ─ disse enquanto bebericava o chá. O demônio linguarudo foi logo contar pro chefe e só não matamos o filho da mãe porque eu insisti achando que a casca estava viva.

─ Coisas? É melhor começar, como você disse, os Winchester podem ficar irritados ao reparar que eu ... sumi. ─ falei tirando coragem de Nárnia e tentando pressiona-lo.

─ Ah claro... ─ disse ele revirando os olhos. ─ E a grande pergunta, o que é você? Humana eu sei que não. ─ disse ele apoiando os cotovelos na mesa e me encarando de perto.

─ Eu não sei ok? Porque todo demônio diz isso? Eu me sinto humana... ate porque não sei como é se sentir não humana... ─ falei entrando em uma pequena confusão mental.

─ Isso que nós vamos descobrir, a única coisa que posso dizer sobre você, é que tem muito poderzinho ai dentro. ─ falou o rei apontando para mim.

Minha garganta secou. Certo, eu não sou um ser humano. ? ... ? ... ?

Peguei a xicara e dei um grande gole do chá, que pelo meu paladar diria ser de camomila.

─Digamos que isso seja verdade, o que quer comigo? ─ perguntei arqueando a sobrancelha.

─ Mas não é obvio? Não quero uma garota super poderosa andando com meus inimigos amigáveis ─ Oi? ─ mas, como não é possível tira-la deles eu quero apenas garantir que meus outros inimigos não tão amigáveis, não botem as mãos em você. Ah, e é claro que ser amiguinho de alguém poderoso te dá alguns benefícios.

─ Os Winchester? Seus amigos/inimigos? Okay... Que outros inimigos iriam querer a mim ? E eu não vou ser sua amiguinha. ─ falei rapidamente.

─ Sim, os Winchester e bom, o rei do inferno tem muitos inimigos querendo colocar a bunda em meu trono, e uma arma como você seria bom demais para eles. ─ falou ironicamente. Agora eu sou uma arma?

─ Certo rei do inferno...

─ Pode me chamar de Crowley.─ falou ele dando um sorrisinho e fechando a expressão novamente.

─ Certo Crowley, é melhor você me levar de volta. ─ eu disse me levantando e tentando acabar com aquela visitinha o mais rápido possível.

─ Já que insiste. ─ falou ele rodeando a cadeira e tocando meu ombro, e no instante seguinte estávamos no quintal de Bobby. Olhei para Crowley e me despedi com um aceno de cabeça, era melhor ser educada com o Rei. O mesmo estreitou os olhos para um ponto atrás de mim e desapareceu no ar.

─ O que foi isso? ─ escutei uma voz conhecida atrás de mim. Zoe.

Me virei com a respiração falha. Ela tinha visto... um cara sumir no ar. E... como diabos ela me achou aqui?

─ Zoe? ─ perguntei com os olhos franzidos.

Nós ficamos ali, paradas sem reação alguma por longos minutos até que um dos Winchester, eu não me lembro qual deles, nos levou para dentro e só mais tarde saímos do estado catatônico. Será uma longa noite... Com certeza.

Notas finais
Eitaa, e agora Liza ? Haha, ate mais Pimentinhas