My Angelus
17 Caldeirão da Magia
Notas iniciais
─ Eu acho que seria mais seguro caso ela não ficasse próxima a você. ─ Sam sussurrou olhando de esguelha para Zoe, que estava do outro lado da sala.
─ Eu discordo. Ela vai estar sozinha. É melhor na companhia de vocês. ─ eu insisti.
─ Não Liza, ninguém sabe da existência dela e...
─ Perfeito. ─ exclamou Zoe olhando animada para Dean, que sorria galanteador. Lancei um olhar duro em direção aos dois que estavam de segredinhos desde de manhã, e olha que haviam apenas dois dias que ela estava aqui.
─ Sam... O Crowley sabe da Zoe. ─ falei esperando a reação dele, que ficou alguns segundos me encarando.
─ Como assim Liza ?! ─ perguntou o moreno elevando um pouco a voz e atraindo um breve olhar da dupla no lado oposto da sala.
─ Ele apareceu aqui ontem a tarde, me levou para tomar chá e depois me trouxe de volta, bem na hora em que Zoe havia chegado. Por isso ficamos em estado catatônico. ─ soltei as palavras rapidamente, uma atropelando as outras.
─ Você tomou chá com o rei do Inferno? ─ perguntou Sam arregalando os olhos e elevando muito o tom de voz. Senti o olhar de Dean e Zoe sobre nos. ─ E não nos contou? ─ voltou a perguntar Sam olhando para Dean, como se o convidasse para participar da conversa.
─ Estou contando agora! ─ respondi arregalando os olhos, não queria um discussão.
Mas foi inevitável.
☾ ✹ ☾
Depois de decidido que era necessário que Zoe ficasse conosco por algum tempo e os ânimos se acalmassem a morena propôs assistirmos a um filme de terror. Os Winchester relutaram mas acabaram cedendo e Bobby disse que filmes de terror eram patéticos.
Eu não fazia a menor ideia de qual era o filme de terror e acabava prestando mais atenção na reação das pessoas ao meu redor do que no próprio filme. Sam ria das cenas patéticas que as pessoas intitulavam de terror. Dean franzia as sobrancelhas frequentemente, intrigado com as mesmas cenas patéticas. E Zoe escondia os olhos com o antebraço toda vez que algo ‘’ sobrenatural’’ acontecia, o que era patético. Tirei a conclusão de que a vida era irônica e filmes de terror eram patéticos.
─ Zoe? ─ chamei observando-a.
─ Hum?
─ Quando você disse que iria me visitar, também disse que precisava conversar comigo, sobre o que é? ─ eu perguntei mesmo na frente dos irmãos, talvez o assunto a se tratar não pudesse ser dito na frente deles, mas eu estava tão curiosa que acabei perguntando assim mesmo.
─ Ah ! ─ ela disse fazendo uma expressão séria. ─ Nós vamos conversar hoje à noite, fique pronta as 21 horas. ─ terminou de dizer em um tom sombrio.
─ O que? Não estou entendendo...
─ Shiii! ─ chiou Dean me lançando um olhar sério. ─ Fique pronta as 21 horas e não questione, é um assunto sério.
Okay, eu já estava assustada. Voltei a prestar atenção ao filme contando as horas para saber do que estavam falando.
Depois que o filme havia acabado começou uma certa agitação na casa. Todas as vezes em que eu tentava entrar no banheiro para tomar meu banho, um deles entrava na frente.
Eram quase nove horas da noite quando consegui entrar no banheiro, mas acabei tomando um banho demorado demais, o que me deixaria atrasada para a convocação deles.
Mas que droga estava acontecendo? Seria o rei do inferno aprontando alguma coisa?
Meu coração estava acelerado, eu tinha um mal pressentimento.
Entrei em meu quarto pensando no moletom que iria usar mas me deparei com um lindo vestido preto com detalhes brancos. Me aproximei e ao lado do mesmo havia um sapato de salto vermelho, junto a um bilhete.
Sapatos rubros para combinar com o sangue, e vestes negras para usar em luto.
Está chegando a hora amor...
Assim que li aquelas palavras eu tive a sensação de congelar no tempo. Haviam meses em que eu sonhava com esta frase. Está chegando a hora amor. Não sabia que tipo de brincadeira era essa que Zoe estava propondo mas estava me assustando.
Me arrumei depressa e passei uma maquiagem leve, quando desci, a casa estava completamente vazia. Exceto por um loiro elegantíssimo que olhava o relógio com impaciência.
Ele vestia uma blusa social preta com as mangas dobradas até a parte superior do antebraço, uma calça jeans escura e um sapato preto que entrava em total harmonia com seu visual.
─ Que droga está acontecendo? ─ perguntei quando desviei o olhar dos musculos dele e me aproximei. Corei ao receber um olhar intenso de Dean sobre meu corpo.
─ Você está muito bonita. Mas precisamos ir, estamos atrasados. ─ disse ele estendo o braço para mim.
Eu o questionei sobre Sam e Zoe mas ele disse que já haviam ido. Eu o questionei sobre nosso destino e ele disse que logo iria saber. Mas quando eu o perguntei sobre qual o motivo disso tudo ele simplesmente sorriu e negou com a cabeça. Passamos o resto da viajem em silencio e uns 30 minutos depois Dean havia estacionado na frente de ... um galpão abandonado? Não acredito que havia me produzido para isso.
Dean tirou o seu cinto e olhou serio para mim.
─ Olha, isso tudo é coisa da sua amiga. Ela me pediu uma ajuda, mas foi apenas isso. Não se assuste certo? Vai dar tudo certo. ─ ele disse com um olhar penetrante e pousou sua mão em minha perna esquerda. Meu coração deveria estar a mil bpm, talvez pela frase do loiro, talvez por sua mão roçando minha pele, ou pelos dois.
Olhei para sua mão emitindo calor sobre a minha pele e depois para os seus olhos, que parecia causar o mesmo efeito. Quebrei o clima tirei o meu cinto abrindo a porta do carro e saindo. Ele fez o mesmo e nós nos encaminhamos para a pequena porta de ferro do galpão.
Entrando por ali, havia um corredor, e no final do mesmo um idoso, que parecia guardar a outra porta.
─ São tempos difíceis, não? ─ perguntou o velhinho que parecia ter quase noventa anos de idade. Olhei assustada para ele e depois para Dean.
─ Nada que um lugar prefeito não resolva. ─ disse Dean com um sorriso. O velho lhe lançou um olhar estranho. ─ Ahn, nada que um lugar magico não resolva. ─ falou o loiro e desta vez o velhinho sorriu. O que diabos estava acontecendo?
O senhor fez uma pequena reverencia.
─ Bem vindos ao Caldeirão da Magia. ─ disse ele e logo em seguida abriu a porta.
Olhei para dentro do local e fiquei chocada. Tudo fez sentido. Como eu pude me esquecer?
Fale com o autor