Fecho a janela e as cortinas me escondo embaixo das cobertas, nunca mais quero sair dali. Choro convulsivamente, e acabo dormindo em meio ao desespero.

Não sei por quanto tempo estou trancada em meu quarto, não paro de olhar as roupinhas de Marina.

_Sofia, posso entrar? –pergunta Miguel, estou embaixo das cobertas.

Ele senta na cama e tira as cobertas do meu rosto, começo a chorar, ele enxuga as lágrimas:

_Calma! -sento na cama e Miguel me abraça. _Me conta o que aconteceu?

_Marina não é minha filha, é da minha irmã. Nós sofremos um acidente e ela ficou em estado de coma, minha mãe me culpou e a Marina de querermos tirar a única filha dela, a Carla. Cheguei em casa e ela estava com as minhas malas e as da bebê na sala, expulsou nós, então vim parar aqui! Prometi a minha irmã que cuidaria da Marina enquanto ela estivesse mal, mas quando ela melhorasse eu levaria pra ela a mãe.

_Mas se sua mãe expulsou vocês, por que voltou agora a procura da neta?

_Por que minha irmã saiu do hospital e pediu pela filha!

Continuamos abraçados enquanto Miguel tenta me fazer parar de chorar:

_Há quanto tempo estou trancada aqui?

_Dois dias! Está com fome?

_Estou! Tem comida pra mim?

_Não! Mas se você quiser eu faço!

_Quero! E vou com você! –levanto.

Só mesmo Miguel para me animar, fizemos algo para comermos:

_Por que você não vai visitar Marina?

_Não posso, não agora que ela se apegou tanto a mim, ela vai chorar quando eu for embora! Vou esperar mais um tempo!

Ficamos em silencio por algum tempo, onde será que Dora foi?

_Miguel?

_Oi!

_Quando eu for ver a Marina de novo você vai comigo?

_Mas é claro que sim, vou sempre que você quiser!

_Obrigado! E o ateliê, meus deus esqueci os meus alunos!

_Eu dei aula por você. Terminei o quadro! Mas acho que você vai ficar triste se eu lhe entregar ele!

_Por quê? v

A resposta foi me levar até a casa dele, lá me mostrou o quadro que guardou em segredo. Era Marina e eu sentadas no balanço, como aquele dia que nos conhecemos, eu estou com meu vestido preferido.

Percebi que um sorriso brotava de meus lábios, não sei como agradecer a ele. Então resolvo agradecer da forma que eu achava melhor.

Larguei o quadro no sofá e me aproximei dele.

Coloquei meus braços em seus ombros, ele retribuiu me abraçando pela cintura, chego perto e fecho os olhos, encosto meus lábios de leve nos seus.

Ficamos ali sem nos mexermos por alguns instantes, depois movemos os lábios de leve e em instantes estávamos já sem ar.

Afasto-me dele:

_Obrigado pelo quadro, adorei muito, vou levar para casa, é uma forma me lembrar sempre dos bons momentos com a Marina!

_De nada! Quer que eu te acompanhe até a porta?

_Não obrigado! –pego o quadro e vou para casa. Dora esta na cozinha:

_Esta tudo bem?

_Tudo criança, está melhor?

_Agora sim Dora!

_Que quadro é esse?

_O Miguel pintou para mim!

_Me deixa ver? Nossa que lindo!

Subo para meu quarto, abro as cortinas e a janela, arrumo a cama, tiro um quadro que tenho pendurado e coloco o que Miguel me deu.

Ficou perfeito no lugar onde eu coloquei. Desço para a cozinha, mas resolvo ir para o jardim, acabo no balanço. Dora se aproxima:

_Oi criança, como está se sentindo!

_Estou melhor. E você como está?

_Com saudade da pequena!

_É eu também!