Mutative Life
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Chego à portaria do condomínio, o porteiro Sr. João me cumprimenta:
_Boa tarde Senhorita Paula!
_Senhor João, uma ótima tarde! Mas acho que vai chover no fim do dia!
_Será!
Sorrio e subo para o apartamento, assim que abro a porta, minha mãe está na sala, e com ela uma mala e uma bolsa de criança, Marina, filha de minha irmã mais nova, está chorando muito na cadeirinha:
_O que está acontecendo aqui, mãe a Marina esta desesperada! – vou na direção da menina e a pego no colo.
_Não sou sua mãe, minha única filha é a Carla, que por sua culpa está no hospital, muito mal! Por sua culpa e dessa criança. Você sempre teve inveja de sua irmã, por que ela sempre foi melhor do que você Paula, ela é uma campeã em natação e você é simplesmente um nada!
_Não é verdade, eu amo minha irmã, e o acidente não foi minha culpa!
_Mentira! Você atirou o carro no lago pra se desfazer da Carla e eu só dar atenção a você, mas isso não vai acontecer! Carla é minha única filha! Única! – minha mãe grita comigo, assustando Marina:
_E a Marina! Você vai expulsar sua neta!
_Essa menina também é culpada pelo estado da minha filha, por culpa dela, você salvou ela e deixou a Carla lá!
_Ela é um bebê!
_Não importa não quero mais as duas aqui! Por isso pega a sua mala e a bolsa dessa criança e vai embora daqui!
_Quando Carla chegar, vai sentir falta da filha!
_Eu vou a fazer se esquecer dessa bastarda!
_Mas o Bruno, o pai da Marina, vai procurar por ela!
_Então entrega ela pro pai e depois some!
Estou na rua, com uma criança chorando muito, com apenas a bolsa de roupa dela, não quis levar nada de meu daquela casa.
Minha mãe sempre preferiu a filha caçula, Carla, mas eu e minha irmã, apesar disso, sempre fomos muito unidas. Um ano e meio atrás, quando ela engravidou do namorado, eu fui à primeira a saber, e a apoiei muito.
Minha mãe ficou louca com ela e teve uma idéia maluca. Fui contra, mas minha mãe falou que eu só estava com ciúmes da minha irmã.
Não sei para onde ir agora, pego um taxi e vou para o hospital ver Carla, ela está na UTI, muito mal, entro no quarto:
_Olha Marina, é a mamãe! –aponto para minha irmã. _Carla, eu prometo que vou cuidar muito bem da minha sobrinha tá! E assim que você melhorar, eu volto para lhe entregar ela. A nossa mãe me expulsou do apartamento, na verdade, eu e a Marina. Eu... nós, vamos, mas sua filha vai voltar para você, eu prometo minha irmã. Eu já não sei se volto! Te amo muito tá, e vou cuidar bem da nossa Marina! –termino com os olhos cheios de lágrimas, lhe beijo e digo para Marina fazer o mesmo.
Saímos do hospital e pegamos outro taxi, digo para ele seguir para o aeroporto. Não sei para que destino ir, mas de preferência para uma cidadezinha pequena:
_Obrigado! –desembarco do taxi e pago. _ Marina, agora esqueceremos o passado e viveremos só o presente pensado no futuro. v
Comprei uma passagem para uma cidade qualquer como Marina tem apenas um ano, não paga.
Horas de viagem depois, chegamos à cidade de Honrada, mas era grande demais para nos escondermos, vou até um mercado comprar algo para comermos, e aproveito para pedir uma informação:
_Tem alguma cidadezinha pequena aqui por perto?
_Bom, tem a cidadezinha de Esperança, fica a uns cinco quilômetros daqui. – responde a balconista. _Não é bem considerada uma cidade, é cercada por fazendas e campo, e só tem alguns estabelecimentos pequenos!
_É o lugar perfeito para a Marina crescer! Para que lado fica?
_Siga está estrada e vire à direita e continue seguindo! Melhor pegar um meio de transporte, o caminho é longo e a criança parece pesada! –ela olha para o relógio. _ Um ônibus vai passar daqui quinze minutos, pede que ele para em Esperança!
_Muito obrigada! Mesmo!
Vamos até a parada, sentamos no banco, Marina está chorando de fome, lhe dou um pedacinho do sanduíche que comprei.
Logo o ônibus aparece falo com o motorista e ele diz que vai me avisar quando passar por Esperança. Todos os bancos estavam ocupados, mas uma moça cedeu um banco para mim:
_Obrigada! Marina, vida nova!
Meia hora depois, e muitas paradas, o motorista anuncia o nome do lugar: Esperança! Antes de desembarcarmos agradeço a moça novamente.
A cidade realmente é pequena, não sei o que fazer agora, o tempo está fechando, sinal de chuva. Logo caem os primeiros pingos.
Começo a seguir uma direção, uma direção qualquer. A chuva aumenta, os pingos engrossam, corro, muito!
Finalmente encontro uma casa, pequena e linda, abro o portão e corro até a porta, Marina chora e treme muito, estamos ensopadas.
Uma Senhora de idade abre a porta.
_Meu deus, entrem crianças! Calma, eu vou cuidar de vocês!
Não tinha percebido que estava chorando, até ela falar, a Senhora tenta tirar Marina dos meus braços, mas por causo do desespero estou agarrada a menina:
_Calma menina, solta ela, eu vou ajudar vocês!
Meus braços amolecem ao poucos e Marina passa para o colo dela. Quase nem escuto quando a Senhora pergunta onde estão às roupas do bebê, ela repete:
_Na bolsa! Desculpe estou desesperada, eu e Marina não temos onde ficar sou nova por aqui e...
_Pode ficar aqui, me sinto sozinha e a sua companhia e a dessa adorável criança podem me fazer bem!
_Aqui! Obrigada, muito obrigada, prometo que vou fazer de tudo para ajudar a Senhora no que você quiser!
_Pode me chamar de Dora! E o seu nome?
_Desculpe nem me apresentei. Sou Sofia! – mudança de vida, mudança de nome, Sofia, meu nome agora é esse.
_Prazer querida, o nome da menina é Marina! Ela é sua filha?
_Sim, amo muito ela, minha mãe nos expulsou de casa e resolvi viajar pra longe dela! Assim não influência na educação dela!
_Muito bem querida. Mas e o pai da menina?
_Não queria falar sobre ele!
_Desculpe querida! Vou pegar uma roupa quente para você, só vou colocar água para um chá!
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