Mutantes

3 Capítulo 2 - Primeiro dia de aula.


Notas iniciais
Segundo capítulo da trama.
Boa leitura!

Abri meus olhos e fiquei olhando o teto branco e vazio do quarto, fiquei rolando na cama e tentando pegar no sono por algum tempo, mas ele parecia se distancia de mim a cada debruçada minha. Queria ter uma boa desculpa para dizer a minha mãe na hora em que ela me perguntasse por que eu não havia ido pra aula, queria poder dizer que peguei no sono e não consegui acorda a tempo.

Resolvi levantar. Tomei banho rapidamente.

A luz do sol já entrara pela janela do quarto aquecendo o ar frio que percorria no chão. Afastei as cortinas e saudei o dia ensolarado com a careta mais feia que pude fazer. Escutei o barulho lá em baixo dizendo-me que todos já estavam de pé. Desci para toma café, dizendo a mim mesmo – são só cinco hora de tormento, preso em uma escola, isso passa rápido – repeti isso pelo menos umas quatro vezes, tentando acalmar os nervos, porque eles me diziam: “sobe e vai dormi”. Tomei café tão rápido quanto queria ter demorado mais um pouco, mas a fome parecia acelerar meus movimentos.

Parecia só ter ficado eu e minha mãe na cozinha. Todos já haviam termina de comer.

– A propósito, como é o nome da escola nova? – perguntei assim que contive meu braço de tanto levar comida a minha boca.

Ela levantou uma pestana, percebendo o meu eu não entusiasmo.

– Seu pai disse que é algo como Padre Sérgio Gomes deve ser uma escola católica. – Respondeu ela tirando a mesa.

– E acho bom, vocês se esforçarem porque lá o ensino é puxado – completou meu pai voltando à cozinha.

Matheus desceu as escadas.

– Já estou pronto.

– Vamos, eu deixo vocês lá – meu pai pegou as chaves do carros se oferecendo. – vamos Line

Pensei em pergunta se Aline iria estudar também conosco no mesmo colégio. Mas ela estava uniformizada, enquanto a gente vestia roupas casuais.

Entrei no carro do meu pai, Isaac sentou na poltrona da frente enquanto eu, Matheus e Line nos expremiamos atrás. Eu estava 90% certo de que aquela escola era como a outra. Um saco, embora a frente fosse bem convidativa. Uma praça e um estacionamento enormes, estupidamente bem feitos nos esperavam como recepção. Fiquei boquiaberta com aquilo. A escola era feita a moda antiga ou era muito antiga e havia sido reformada. Parecia que tinham transformado uma igreja ou um museu em colégio. No portão da frente uma placa nos abordava com a frase de “Bem Vindos a Colégio Padre Sérgio Gomes”.

– Minha nossa – maravilhou-se Isaac saindo do carro.

Eu sai logo atrás tão impressionado quanto Isaac. Meu pai pós a mão esquerda em cima do meu ombro, enquanto olhávamos pro colégio. Eu me senti estranhamente ofendido com aquilo.

– Tudo bem – fui dizendo enquanto andávamos pelo gramado – agora pode abaixar isso aí.

Tirei a mão dele de cima do meu ombro.

– Que agora? – fez ele estranhando minha atitude.

– Não pode tratar agente assim, como criança.

Ele riu abertamente.

– Assim como?

Ele repetiu a cena. Mas dessa vez, eu já estava atento para esquivar-me.

– Meninos eu vou indo deixar a Line na escola – disse ele voltando para o carro, Aline rapidamente pulou para banco da frente onde Isaac estava sentado. – não arrumem confusão! – brincou ele.

A escola era ainda maior por dentro a cantina parecia um saguão de aeroporto, alunos pra tudo que é lado e jeito, as salas arrodeavam o salão fazendo quatro andares. Em todas as escadarias o fluxo de alunos era o mesmo, espalhando-se por todas as direções, apesar de ser uma escola católica, parecia que todos eram bem vindos aqui, os punks, roqueiros, neerd´s, góticos uma geração inteira dividindo-se em grupos. Achei que poderia pertencer a alguma deles.

Passamos pela secretaria para pegar nossos horários. Isaac afogou-se no enxame de estudantes, agora só restava eu e Matheus.

O sinal tocou, apressando todos que ainda andavam pelos corredores, avisando que era hora de encontrar um lugar. A sala do Matheus foi a primeira que encontramos, ficava logo no segundo andar. Eu segui em frente junto a outro fluxo de alunos, subindo escadas e mais escadas, pensei que um elevador naquela escola seria ótimo, a cada corredor que as escadas me levavam era extenso fazendo a volta completa salas e salas, até chegar em mim de novo, encontrei minha sala quando todos os outros alunos aviam encontrado a sua. Sala número 34, perguntei-me quantas escadas eu já havia subido, já tinha perdido a conta, olhei por cima do muro e contei os andares, eu estava no quarto – reclamei comigo mesmo – eu teria que subir todas aquelas escadas, todos os dias – tentei não ocupar meus pensamentos com isso.

Ao entrar na sala a bagunça dominava todos. Pessoas tagarelavam ao mesmo tempo, uns faziam guerra com bolinhas de papel e outros reversavam-se em grupinhos de meninas que conversavam algum assunto que devia ser o tema do dia, presumi que fosse os novatos. Quando entrei todas me olharão e cochicharam algo que não escutei é claro, mas duvidava que fosse algo de bom ao meu respeito. Assim que sentei num lugar vago, não muito atrás, duas carteiras a frente da parede dos fundos o professor entrou dizendo:

– Bom dia! – toda a turma se aquietou e tomou seus lugares – sou o professor de língua portuguesa. Chamo-me Geovane Lucena. Esse é o 1° ano do ensino médio, certo?

Toda a turma respondeu que sim, num coral impecável.

– Bem – continuou ele – então começaremos com o assunto...

Blá, blá, blá...

Para mim não existia dia pior na escola do que o primeiro dia de aula – ninguém merece – abrir minha mochila e retirei o mp3 player, aumentei o volume até que machucassem os meus ouvidos, fiquei escutando música enquanto fingia estar prestando atenção na aula. Percebi que todos na sala eram veteranos, era possível notar pela intimidade que tinham um com os outros, pareciam que já estudavam juntos a um bom tempo. E eu era o único novato ali.

Demorei um pouco para perceber que o Sr. Lucena chamava minha atenção só percebi quando ele se posicionou na minha frente e começou a balançar uma das mãos como se eu não o pudesse enxergá-lo.

Tirei os fones de ouvido.

– Sim, Sr. Lucena? – murmurei.

Focalizei o Sr. Geovane Lucena de uma forma peculiar e só então pude perceber que ele era meio estranho para um professor. Ele era alto branco e barrigudo, tinha uma mochila bem grande e um jeito não muito espontâneo. Nada de óculos, roupas sócias e maletas ou até mesmo um jeito que lembrasse um professor.

– Você estar escutando música na minha aula? – ele deu uns três passos na minha direção.

Limpei a garganta antes de falar, na tentativa de não transparecer nervosismo.

– Sim... quero dizer, desculpa – senti o nervosismo tomando conta de mim, esperei um momento antes de falar procurando uma resposta convincente. Agora toda a sala me olhava de um jeito que por um segundo me fez surta. Tentei começar de novo – sou novato e não sei...

– Bom senhor... – ele parou no meio da frase.

Guardei o mp3, procurando por palavras que me ajudassem.

– Eduardo... me chamo Eduardo Versaly – gaguejei.

– Eduardo Versaly – repetiu ele – aqui na escola Padre Sérgio Gomes existem normas e essas normas costumam serem compridas, e uma delas é a proibição do uso dos celulares em sala de aula – ele fez uma pausa esperando

que eu dissesse alguma coisa. O silêncio se prolongou.. – não sei onde estudava antes e não sei os costumes de sua escola antiga, mas aqui será diferente.

– Estar bem... – ele me interrompeu de novo.

– Por favor, saia da sala e se encaminhe a diretoria – ele saiu abrindo o caminho para mim – e não pense que é o único novato nesta sala – ele se direcionou ao lado direito da sala – a senhorita...

– Alice Baker – disse uma menina.

Aquela voz não me era estranho, pensei por uma fração de segundos onde eu havia ouvido aquela voz, até olhar o seu rosto. – a livraria, eu a tinha visto na livraria. Olhei-a fixamente por uns cinco segundos até resolver sair da sala de aula.

Fiquei martirizando-me mentalmente, isso era meio masoquista – como eu conseguia ser expulso de sala de aula, na primeira aula, do primeiro dia em uma escola nova. – bom pelo menos eu iria conhecer o diretor. – tentei tirar vantagem daquilo.

Eu estava nos últimos degraus quando uma mulher me parou. Os corredores da escola e estavam desertos, só ela parada lá em baixo, a uns cinco degraus de mim, percebi que ela era funcionária por que sua blusa tinha o símbolo da escola, ela usava uma travessa ou faixa de pano para prender os cabelos algo que não consegui identificar se era parte do uniforme ou se ela usava por vaidade, pela cara dela ela devia ter uns 30 anos. Quando ela me viu cruzou os braços numa atitude autoritária e disse:

– O que faz aqui? Não era para estar na sala de aula? Por acaso estar matando aula?

Antes fosse isso e não tivesse pagado o maior mico em sala de aula – foi o que pensei, mas não foi o que eu disse em voz alta. Ela ainda continuava me olhando de um jeito intrigante. Contei a ela o que avia acontecido, ela levou-me para sala do diretor onde eu tive que recontar a história, o diretor não era bem o que eu esperava, porque eu esperava um padre ao invés de um homem executivo, um diretor normal. Mas ele pareceu bem mais compreensível que ela.

– Então Sr. João Batista, o que irá fazer com esse? – bufou a mostrenga que parecia não ter ido com a minha cara.

O diretor estreitou os olhos e me fuzilou de uma forma compreensiva.

– Eu não sei, ele é novato aqui, isso e relevante senhorita Ernestina – ele disse a ela e ficou um pouco pensativo. Nesse momento minhas mãos vazias começaram a formigar – acho melhor você espera aqui para ir para sua próxima aula – disse – espero que já tenha aprendido a lição.

Assenti em silêncio.

A o vez de continuar no meu extinto masoquista, fiquei crucificando a Srta. Ernestina mentalmente – a vaca devia querer que eu fosse expulso – pensei.

– O senhor devia dar uma suspensão a ele – murmurou ela – não se pode escutar música na sala de aula.

O Sr. João Batista a olhou como se quisesse dizer algo.

A Srta. Ernestina saiu da sala murmurando algo que eu não consegui ouvir. Virei o pescoço e dei uma olhada fugaz, e percebi que no seu uniforme estava escrito “Inspetora”.

...

No intervalo desci para cantina, encontrei com Matheus pelo caminho, e alguns minutos depois vimos no corredor Isaac já enturmado com alguns caras, uns babacas é claro, ele acenou pra gente quase de uma forma imperceptível, até duvidei que ele tivesse acenado mesmo pra gente.

Esperamos que a fila do refeitório diminuísse um pouco, para poder encara-la. A medida que ela se desfazia eu e Matheus entramos nela, apenas para ter alguma coisa para fazer. Pegamos nosso lanche e sentamos na primeira mesa vazia que avistamos.

O Silêncio mórbido entre mim e Matheus se alastrava e estava-me incomodando. Não tinha muita coisa com que conversar com ele, então resolvi contar o que avia acontecido, apesar de saber que seria um tiro no meu próprio pé.

– Você não sabe o que aconteceu hoje na minha primeira aula com o professor Geovane Lucena. – comecei a tagarela enquanto Matheus se esbaldava com seu sanduíche – o professor é simplesmente um saco, todo estressadinho e ainda tem uma tal de inspetora Ernestina.. – percebi que Matheus não estava dando a mínima pro que eu falava – Eu fui expulso da sala de aula – tentei.

Dei de ombros e me concentrei no meu sanduíche que por sinal eu ainda não havia tocado nele. Por um tempo fiquei expressamente concentrado no meu lanche, até levantar a vista e dar de cara com Alice Baker, ela estava sentada em uma mesa a frente da minha, me perguntei se ela já estava ali há muito tempo. Ela me olhou apenas de leve, de um jeito sútil.

Eu recuei uma vez e olhei novamente pra ela.

Desviei o olhar na mesma hora, um pouco confuso. Esperei que um tempo se passasse até que eu pudesse olhar de novo... E então de novo ela continuava me encarando. Os olhos dela pareciam dois faros de um carro mirando-me numa noite escura. Senti a vontade de querer me esconder. Me ocupei com a comida novamente e tentei esquecer que seus olhos ainda continuavam em mim.

– O que você tem? – Sibilou Matheus.

– Nada.

– Está agindo como se estivesse envergonhado.

Meus olhos se estreitaram.

– Por que aquela garota esta te olhando? – perguntou ele.

Senti minhas bochechas ficarem rosas. Abaixei a cabeça, constrangido.

Ele riu abertamente entendendo.

– Não vai dizer quem é?

Não respondi, só entupi minha boca de comida novamente.

– Tudo bem – fez ele – ela já estar vindo pra cá mesmo.

Havia uma pontada em meu peito pra cada passo que ela dava. Meu rosto parecia estar queimando. E agora mais do que tudo eu queria desaparecer.

– Oi – sua voz era doce e musical como na sala – ainda estar bravo por ter sido expulso da sala no primeiro dia de aula – a olhei enquanto sentava-se na mesa junto a gente – você sempre costuma bater de frente com os professores? – brincou ela.

Matheus olhou surpreso para mim.

– Você foi expulso da sala de aula! – exclamou ele e confirmando minha dúvida de que ele não prestava atenção em mim – como foi? O que você fez?

A garota mordeu os lábios.

– Desculpa entregar você assim pro seu amigo... pensei que estivessem falando sobre isso – ela deu um meio sorriso.

Fechei a cara e serrei os punhos esperando a situação piorar.

Mesmo lutando para que meus olhos não escorregassem pra cima dela, não pude deixar de nota que ela estava bem vestida, incrivelmente linda deixando-me bestificado.

– Meu nome é Alice Baker – ela estendeu a mão no modo de cumprimento – seu nome é Eduardo, não é?

Dei um meio sorriso em resposta.

– As pessoas costumavam aperta a mão umas das outras – ela disse meio sem jeito e recolheu a mão.

Era incrível o jeito como ela me deixou, não conseguir falar, respirar ou mover-me, estava paralisado. Alice me deixou tão nervoso que tive dúvida se meus olhos estavam mesmo piscando, se tivesse controle da minha pulsação cardíaca, meu coração com certeza também teria parado. Senti-me a pessoa mais retardada naquele momento.

– Meu nome é Matheus – interveio meu irmão estendendo a mão para tocar a dela.

Alice apertou a mão dele e assentiu com um sorriso. Depois riu de sim mesma por agi daquele jeito, estilo anos 80. Por uma distração causada pela entorpecia de sua beleza, não percebi que o mesmo cara que avia a chamado na livraria, já avia se materializado ao lado dela.

– Alice onde você estava? Estou a um tempão de procurando — ele olhou pra mim e depois para o Matheus.

Apertei os lábios como por habito, e praguejei-o mentalmente sem intender o porquê estava fazendo aquilo.

– Quem são eles? – quis saber ele.

Dessa vez apertei os olhos com repulsa.

– Estava lanchando com meus novos amigos – Alice disse dando uma olhadela para mim – esses são Eduardo e Matheus.

– Oi.

Seu oi forçado não exigiu que nós respondêssemos.

– Preciso falar com você – ele se virou para ela ignorando eu e Matheus totalmente.

Ela se retraiu.

– Tudo bem. Tchau meninos – dessa vez ela não olhou pra traz.

Viraram-se e foram embora.

Não demorou muito para o Matheus me encher-o-saco

– Mas o que deu em você? – disse ele seco, olhando-me pesaroso.

– Eu vou pra sala – bufei – estar na minha hora.

– Eduardo... hei, volta aqui, Eduardo!

Dei de ombros.

Enquanto a voz do Matheus era afagada pelo barulho matinal da escola, regressei a minha sala e meus pensamentos puderam arrancar-me do meu estado sóbrio. Eu não era muito bom em fazer amizades, na verdade nunca fui bom nisso, mas dessa vez me superei. Fiz amizade logo no primeiro dia de aula ou pelo menos fizeram comigo. E isso era algo incomum para mim, quase que algo novo. Ri de mim mesmo. Na sala, fiquei ali sentado em silêncio os minutos se passavam e eu quase me esquecera de quantos professores já passara por mim e que a última campa estava perto de bater. No fim da aula aquela grande escada botava-me um pouco de medo, mas desce-la era bem melhor do que subir. No estacionamento encontrei Isaac e Matheus sentados na praça da escola.

– Por que você demorou? – quis saber Isaac.

– A mãe já chegou? – Rebati.

– Por que você nunca responde as minhas perguntas?

– E você as minhas?

Um minuto se passou arrastadamente parecendo hora.

– A mãe chegou – gritou Matheus.

Isaac encarou-me por mais um tempo até virar o rosto.

...

Os dias que se seguiram foram claros e calorosos em Florianópolis, a nebulosidade no fim da tarde me coagia a trancar-me no quarto e esperar pela chuva, no colégio sempre havia uma certa magia no ar. O vento da noite soprara todas as madrugadas para longe as nuvens de chuva, produzindo uma manhã firme e ensolarada. Aquilo não me animava muito, mas o dia ficava muito bonito e me encorajava a sair da cama. O bom era que o sol nunca estava sozinho sempre havia algumas nuvens que sobravam da noite, e de dia prometia um pouco de sombra pra minha pele psicologicamente albina.

Nosso pai ainda continuava, nós deixando na escola, Isaac era o único que ainda reclamava. Ocorria tudo bem, Alice parecia inflada pela atenção das amigas dela. Eu ia pra aula cada vez mais confiante. Em casa todos percebiam cada vez mais meu interesse em ir a escola, mas ninguém comentava nada a não ser Matheus com seus comentários sutis.

Quando o dia de aula em fim havia terminado, eu me demorava cada vez mais na sala, sempre ficava vendo-a arrumando suas coisas e só saia quando ela passava pela porta. Acompanhava seu andar de longe e a vontade de ir falar com ela era aplacada pela minha vergonha e timidez – Eu sempre me escondia nas sombras do meu medo. – Depois disso corria para o estacionamento que sempre estava abarrotado de alunos indo embora. Matheus me perguntava quando eu iria criar coragem para ir falar com ela, fingia não dar importância, enquanto víamos as meninas manhosas e os meninos na doença da adolescência que se abraçavam forte e preparavam-se para despedir-se.

Em casa Matheus quase não ficava no quarto, eu me sentia aliviado por tê-lo só pra mim. Dava-me tempo pra estudar, procurar algo para atarefar-me. Sem ter que pensar na Alice e me prepara para o dia seguinte.

À noite eu sempre dormia escutando os galhos baterem na janela com o vento forte e gelado ameaçando chover. Eu esperava por isso. Mas nunca chovia. Ainda faltava muito para o outono. A mulher da previsão do tempo, sempre dizia que haveria rápidas pancadas de chuvas e trovoadas, mas eu nunca as via. Deviam ser rápidas mesmo.