Quando regressamos ao nosso quarto com vista para a Torre Eiffel faltavam minutos para o sol nascer. Apesar de estar muito mais forte, até os vampiros precisam dormir e dava o meu reino por umas boas horas de sono. Foram muitos dias e muitas horas a pensar que tudo terminaria ali. Agora que o pesadelo tinha acabado a calma provocava-me um sono descomunal.

O Eric sentou-se na cama com a cabeça apoiada nas mãos e os cotovelos nos joelhos. Parecia perdido no mundo dele.

— Que se passa? – Perguntei

— Tu sentiste, não foi?

— Sim – soube imediatamente a que ele se referia. Os breves batimentos cardíacos que ouvi no seu corpo

— Nunca pensei em toda a minha existência que poderia sentir algo como o que senti esta noite. Quando o meu coração bateu, mesmo que apenas por duas ou três vezes e os meus pulmões se encheram de ar pela primeira vez em mais de mil anos, pensei sinceramente que estava a morrer. O Ar a entrar no meu corpo queimou-me por dentro e o coração ao bater parecia que ia rasgar o peito e saltar. Foi sem dúvida a sensação mais dolorosa e no entanto mais extraordinária que já senti.

— Eu vi a lágrima que escorreu pela tua face – disse-lhe

— É verdade, a dor de sentir o meu corpo em funcionamento foi tal que os meus olhos encheram-se de lágrimas. Tu deste-me realmente vida, nem que fosse apenas por segundos.

Ficamos a olhar-nos longamente. Tínhamos atingido a equivalência. Por breves segundos, fomos seres iguais. O seu sangue aproximou-me dele e o meu fez algo quase considerado um milagre. Por segundos o seu corpo ganhou vida.

Sorri para ele e disse-lhe:

— Sabes, isto foi um problema, virou uma catástrofe e agora é a bonança depois da tempestade. Eu e tu somos iguais, ou pelo menos fomos iguais por segundos. Tu és o único vampiro que pode dizer que o seu coração bateu e eu sou a única humana que pode levar um tiro e sobreviver. Há maior certeza que estávamos destinados um ao outro?

— Nunca tive dúvidas disso! — E abraçou-me

— Eric – tinha acabado de ter uma ideia louca – sentes ainda o meu sangue no teu corpo?

— Sinto e vou sentir uns tempos tenho a certeza!

— Então anda! – E estendi-lhe a mão

— Onde? O sol não tarda a nascer!

— Confia em mim!

Ele deu-me a mão e saímos do quarto. Ele hesitou quando transpusemos a porta do hotel mas acabou por não resistir e acompanhar-me.

Caminhamos pelas ruas na direcção da torre. Chegamos lá antes de o nascer do sol. Subimos com facilidade. Quando a luminosidade do nascer do sol apareceu no horizonte ele hesitou e protegeu os olhos com um braço.

— Vê – disse-lhe

Ele retirou o braço e viu o nascer do sol pela primeira vez em mais de 1000 anos. Os seus olhos ficaram brilhantes e as lágrimas escorreram-lhe pela cara.

A luz do sol não o cegava e a sua pele não queimava. Ficamos sentados ali durante longos minutos enquanto o sol se erguia no horizonte.

Ocorreu-me que o poderíamos fazer muitas e muitas vezes. Nada nos impedia de voltarmos a cortar o corpo e a aproximarmo-nos enquanto espécie. Se o Tomas tivesse razão, se eu queria manter as minhas características vampiras tinha que continuar a entrar em contacto com o sangue dele. Assim sendo porque não proporcionar-lhe a ele também alguns momentos como este que partilhávamos agora?

Ele pareceu entender os meus pensamentos.

— Vai ser interessante ver o sol nascer contigo, nem que seja de vez em quando.

— Meu amor – disse-lhe – temos todo o tempo do mundo à nossa frente. Haveremos de ter muitas alvoradas como esta!

E com a cidade da Luz a acordar debaixo de nós ele beijou-me como se fosse a primeira vez.

FIM

Notas finais
Obrigado a todos que leram esta minha primeira fanfic e um especial obrigado às pessoas que comentaram. Esta foi a primeira vez que tentei escrever uma fanfic mas já estou a pensar em outra, também com o Eric. (só ele me dá vontade de escrever) Na proxima tentarei escrever melhor, com mais pormenores e criar umas quantas personagens interessantes. Vou também escrever partes segundo o POV de Eric pois ele é a personagem mais interessante e aquela que nós queremos entender melhor. Até lá, um grande abraço a todos aqui no site Nyah!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!