Era uma terça-feira igual a tantas outras, do mês de Setembro, quando o meu telemóvel pessoal tocou a meio do expediente. Custei a encontra-lo no meio da montanha de papelada que tinha espalhada em cima da secretaria. Não reconheci onúmero: - Estou? - Estou a falar com a Alexandra? – Ouvi do outro lado a voz de um homem aparentemente ansioso. - Sim, com quem estou a falar? - Peço desculpa por lhe estar a ligar mas estou desesperado. Sou o pai da Catarina. O pai da Catarina? Que raio, pensei eu! Há que tempos que não a vejo. Agora pensando bem, há imenso tempo que nem no Facebook leio nada dela… - Muito prazer – disse eu meio desconcertada – Em que lhe posso ser útil? - Sei que é amiga da Catarina, ela fala muito de si e sinceramente não sei mais a quem recorrer e lembrei-me que ela diz sempre que a Alexandra tem muitos contactos e conhece muita gente e… Eu estava quase a explodir de curiosidade. A conversa era no mínimo estranha… - Sim, é verdade mas não compreendo em que o posso ajudar… - A Catarina desapareceu! - Como?????? Meio atrapalhado e muito ansioso, Mário, o pai da minha amiga Catarina contou-me que ela tinha tido um desgosto amoroso, que começou a andar com más companhias, que começou a consumir sangue de vampiro, que iniciou uma relação estranha com um homem que ele acreditava ser um dealer e…. Era muita informação para assimilar assim de repente. Combinei encontrar-me com ele após a hora de serviço em sua casa. O resto do dia correu-me mal. Não me conseguia concentrar no trabalho, enganei-me várias vezes e esquecia-me com frequência do que tinha para fazer. A Catarina não era uma amiga muito, muito chegada mas sempre gostei dela. Encarava a vida com muito optimismo e mesmo após a morte do seu companheiro, deu a volta por cima. Foi estudar, tirou um curso superior e arranjou trabalho. Ao fim de três anos da morte do companheiro tinha finalmente encontrado alguém e tudo corria às mil maravilhas a ultima vez que a ouvi. Tinham ido viver juntos e tudo era um mar de rosas. A informação agora recebida que a relação tinha terminado, que ela andava envolvida com um dealer e tinha desaparecido era um pouco demais para mim. Apesar de não fazer a mínima ideia de como poderia ajudar fui ter com o pai dela. Encontramo-nos num café perto da sua casa. O Mário apesar de ser a primeira vez que o via era obvio que estava um trapo humano. Passava as mãos nervosamente pelo cabelo grisalho e tinha umas olheiras que notava-se claramente que eram fruto de várias noites sem dormir. As suas mãos já algo enrugadas da idade tremiam enquanto falava. Depois de o ouvir contar-me todos os pormenores da depressão da filha e do seu inicio no mundo das drogas tive que o interromper… - Mário, posso trata-lo assim? - Claro – respondeu ele nervosamente - Mário, eu gosto muito da Catarina, sinceramente, e só lhe desejo o melhor mas não estou a ver como posso ajudar à situação. Não sei onde ela está, nem por onde começar a procurar. - Descobri nos últimos dias que ela ia com o tal dealer, um tal de João, a um bar de vampiros, o Fangtasia. A Alexandra já ouviu falar? Toda a gente que não está em coma já ouviu falar do Fangtasia. É um bar de vampiros, para vampiros, gerido por um vampiro. Em todos os sites onde se adora e procura vampiros se escreve sobre o Fangtasia. Os humanos vão lá na esperança de serem transformados em vampiros, de terem sexo com vampiros ou apenas para ser mordidos. É o fascínio pelo wild-side, brincar com a morte e sair vivo para contar!! - Sim ouvi, mas eu nunca lá fui. Apenas tenho lido umas coisas sobre o espaço e umas amigas de amigas já lá foram e vieram de lá ……como direi….excitadas …com o facto de terem estado rodeadas de vampiros e sobrevivido. - A Alexandra não poderia perguntar às amigas das suas amigas para elas verem por lá se alguém a viu ou se existe uma pista sobre a Catarina? – Disse Mário, obviamente à beira do colapso - Mário, não me parece que elas voltem lá…. Não era a resposta que o Mário queria ouvir e foi com surpresa (ou não) que vi um homem nos seus 60 e tal anos quebrar na minha frente em desespero. As lágrimas corriam-lhe pela cara abaixo e soluçava de absoluto desespero… E foi aí que eu fiz a mesma asneira de sempre. Oh que péssimo hábito que eu tenho de me envolver em situações que poderiam ser resolvidas por outras Já dizia a minha avó que quem nasce torto tarde ou nunca se endireita. - Mário, arranje-me uma foto da Catarina que eu vou ao Fangtasia ver se alguém a reconhece ou viu. – Mal acabei a frase já estava arrependida e com vontade de me espancar ali no próprio sitio. O Mário tirou uma foto dela da carteira e entregou-ma. Eu estava a ponto de começar a bater com a cabeça na mesa até sangrar. Porque raio me ofereci para isto? Não haverá um amigo homem disponível para esta missão? Mais vale meter um lacinho na cabeça e um letreiro a dizer ‘’jantar’’ ao peito. Ir ao Fangtasia fazer perguntas é o mesmo que procurar sarilhos!!! Apesar de estar naquela fase em que se arrependimento matasse eu estava mortinha e durinha no meio do chão do café já tinha dado a minha palavra e a minha palavra é só uma! Seja o que deus quiser. Apesar de que deus não ser uma figura em que acredite mas quem sabe? Eu também achava que não existia vampiros. Oh que se lixe, pensei eu! Aceitei a foto e prometi-lhe ir ao Fangtasia nessa mesma noite. Confesso que não foi por vontade de encontrar a Catarina mas sim porque se deixasse para outro dia perderia a coragem!! Sim, eu pareço muito corajosa mas é tudo uma capa. Até há poucos anos desmaiava de tirar sangue! Uma coisa é não temer os vampiros por aí, em sociedade, outra totalmente diferente é entrar num espaço deles e desatar a fazer perguntas no mínimo suicidas: Viram esta mulher? Costumava andar acompanhada de um tipo que se entretêm a matar vampiros para vender o vosso sangue…. Esperar que eles se comportem depois disto já é querer muito. Que raio, são seres habituados a viver escondidos, a matar para sobreviver, alguns nem concordam com toda esta grande REVELAÇÃO. Resolvi não pensar mais nas consequências da minha investigação e vamos lá antes que a pouca coragem que ainda me resta se desvaneça.Nas horas seguintes funcionei em auto-pilot. Fui a casa, tomei banho, mudei para uma roupa mais própria para uma saída à noite. Calças de ganga, botas de salto alto, um top preto justo e um blusão de pele bege. Alisei os meus cabelos loiros até à perfeição e pus uma maquilhagem mais pesada que a que uso para ir trabalhar. Quando me olhei ao espelho pensei para mim. Mas queres ficar mais apetecível ou devias ir com um ar desleixado para não haver ideias? Era tarde para mudar de roupa ou penteado. Eram quase meia-noite e no outro dia teria que estar a trabalhar às 9 da manhã. Sai de casa, desci no elevador até ao parque e entrei no carro. Conduzi nervosamente. O Fangtasia estava localizado num bairro antigo da capital, zona conhecida pela sua vida nocturna, tinha agora também o seu bar de vampiros. Liguei o GPS para me orientar. O centro da Cidade sempre foi um martírio, ainda para mais de noite e nervosa. Finalmente estava próximo e levei uma eternidade para encontrar um lugar de estacionamento. A noite estava fria neste fim do mês de Setembro. No entanto parece-me que não era pelo frio que eu me sentia gelada por dentro e com as mãos húmidas! Só espero que vendam álcool lá dentro – pensei — Preciso urgentemente de beber qualquer coisa para ganhar coragem. Ainda me passou pela cabeça, qual a razão no mínimo estranha me levou a empreender esta investigação sem ter pedido a um amigo que me acompanhasse. Sem querer perder muito tempo a pensar no assunto, cheguei rapidamente à conclusão que nenhum amigo me teria acompanhado. Pensei na Leonor e quase larguei uma gargalhada ao imaginar a sua cara se lhe tivesse feito semelhante pedido. É tarde para arrependimentos, vamos lá. Cheguei à porta negra do Fangtasia. O néon vermelho com o logótipo brilhava. À porta uma fila de humanos e vampiros à espera para entrar. Pus um ar submisso e inocente e esperei a minha vez. O porteiro era um vampiro alto, moreno, de olhos muito negros e tatuado. Olhou-me de alto a baixo e entregou-me o cartão de consumo sem dizer uma palavra. Entrei. Precisei de uns segundos para me adaptar. A decoração era no fundo o que eu esperava num bar de vampiros. Paredes vermelhas, mesas e cadeiras pretas. Diversos quadros e pinturas estranhas que não consegui descortinar o seu significado. Estava cheio e havia muitos clientes a dançar. Tentei perceber quantos desses clientes eram humanos. Não é fácil descortinar isso num espaço deste género. Os vampiros não são assim tão diferentes de nós. São pálidos mas muitos humanos também o são. Se duvidas houvesse, bastava ver-me de manhã ao espelho antes de me maquilhar. Após analisar a paisagem pareceu-me que a percentagem estava em 60% humanos, 40% vampiros. Não está mau! – Pensei eu. O método que encontrei para os diferenciar não foi o aspecto mas sim a forma de estar. Os humanos riam, falavam e dançavam, mais ou menos exuberantes. Os vampiros tinham um ar enfadado e ignoravam os humanos e a música. Estavam em grupos pequenos compostos por dois ou três e conversavam com um ar sério. Havia outro pormenor interessante. Só os humanos tinham um copo na mão. Pensei rapidamente que se o bar não tivesse consumo mínimo, estaria destinado à falência se só tivesse clientes vampiros. Ok, preciso de beber qualquer coisa forte. Aproximei-me do bar. Um vampiro olhou para mim e não me perguntou nada. Pus o cartão em cima do balcão e pedi um vodka. Ele assinou o cartão e colocou o vodka no balcão sem uma palavra.Peguei no copo e engoli metade do seu conteúdo de uma só vez. As lágrimas vieram aos meus olhos e quase perdi o fôlego. Virei-me e estudei o espaço sem fazer a mínima ideia de a quem deveria perguntar pela Catarina. Estudei os vampiros, depois os humanos, depois os vampiros outra vez e foi quando reparei nele.Ao fundo do bar, numa espécie de cadeira de madeira que mais parecia um trono estava sentado um vampiro de cabelos loiros bem compridos, lisos e que lhe caiam abaixo dos ombros. Parecia extremamente alto apesar de estar sentado. Era magro mas encorpado, de ombros largos. Parecia alheado do mundo, como se estivesse a dormir de olhos abertos. Os olhos eram lindos, de um azul quase néon. Parecia alemão, norueguês ou um qualquer habitante dum país nórdico. Tinha uma postura que fazia lembrar um rei antigo, de uma época distante enfadado enquanto a sua corte dançava para o animar. Estava todo vestido de preto. Calças, t-shirt de alças, botas e blusão de cabedal. Perdi-me uns segundos a olhar para ele. Era realmente impressionante e não evitei pensar que era o homem mais interessante que já vi, apesar de não ser humano. Enquanto o admirava, de repente ele saiu rapidamente do seu estado de apatia e olhou-me directamente nos olhos. Dei um salto, era como se ele soubesse deste sempre que eu estava a olhar para ele. O seu olhar era letal e parecia que me podia matar apenas por olhar para mim. Senti-me gelar desde os pés às raízes do cabelo e quebrei o contacto visual. O meu coração batia descompassado de terror. Pensei em fugir dali para fora naquele instante mas estava demasiado aterrorizada para dar um passo em que direcção fosse. Tentei acalmar-me, tinha uma missão a cumprir e não ia sair dali sem pelo menos tentar. O que diria eu ao Mário no dia a seguir? Ninguém me parecia ver, nem humanos nem vampiros, excepto a criatura quase gigante para quem eu agora estava de costas. Apesar disso parecia que sentia os seus olhos azuis a trespassarem o meu corpo, como se me estivesse a despedaçar pedaço a pedaço. Ok, agora já estou a ser maricas – Pensei. Bebi o resto do vodka, virei-me para o vampiro barman e fiz-lhe sinal que queria mais um. Quando ele colocou o copo em cima do balcão, coloquei-lhe à frente a foto da Catarina e uma nota de 50 euros. Ele olhou-me com desconfiança mas pegou na nota e meteu-a no bolso das calças. De seguida agarrou na foto e disse com uma voz grave: - Sim, esteve cá na semana passada atrelada a um tipo. - Humano? Perguntei eu. – Sim, Humano…respondeu ele secamente. Enquanto pensava na pergunta a fazer a seguir, uma mão gelada agarrou-me pelo ombro e obrigou-me a virar e ele estava agora encostado a mim rosnando e a esmagar-me a omoplata. Sentia-me presa numa tenaz de ferro! - Quem és tu e a que propósito estás a subornar o meu empregado? Perguntou-me com a maior violência – És da polícia? Fiquei sem pinga de sangue, não literalmente, mas estava quase sem reacção. O ‘’empregado’’ atrás de mim disse: ‘’Peço desculpa Amo!’’ ‘’Amo’’ ??? Credo! Que forma de tratar o patrão. - Estou à espera duma resposta! – Disse ele quase gritando. Confirmava-se que a criatura era alta, provavelmente quase 2 metros de altura. Eu com o meu reles 1,65 m ficava-lhe quase a meio do peito. Precisei de toda a minha força (ou talvez o vodka ingerido quase de penalty estive a fazer efeito) para responder: - Peço desculpa. Não, não sou agente de autoridade. A minha amiga desapareceu — disse, mostrando-lhe a foto – e ando à procura dela. - No meu estabelecimento não desaparece ninguém! – Gritou. - Nem eu afirmei isso — retorqui agora fingindo estar mais calma. A mão dele continuava a pesar-me no ombro e eu pensava quanto mais tempo aguentaria a dor – A minha amiga desapareceu e o pai dela pediu-me para eu tentar saber se alguém a tinha visto, em vários sítios, para tentar encontrar uma pista para a procurar. – Aldrabei um bocadinho a historia mas queria ver se saía inteira do meu primeiro encontro com um vampiro irritado. – Nunca pretendi causar problemas a ninguém. - Aqui há regras! Se queres fazer perguntas dirige-as a mim que sou o dono deste espaço! O Vampiro não parecia estar mais bem-disposto mas a mão estava a apertar-me com menos força (ou era eu que estava a ficar dormente com a dor) - Desculpe! – Lá dizia a minha avó que não é com vinagre que se apanham moscas – Vamos começar do princípio, chamo-me Alexandra e estou aqui porque a minha amiga Catarina desapareceu. Sabemos apenas que ela andava com um humano chamado João (acrescentei esta informação ainda assim ele não perguntasse se eu estava a acusar um vampiro de rapto). Os pais dela estão muito preocupados e pediram-me o especial favor de tentar saber se alguém a tinha visto e principalmente com quem. A polícia não está a investigar da forma que eles pretendiam e eles esperam conseguir alguma pista por eles mesmos. - Sabes o que é que eu penso? – Disse ele, enquanto fez questão de estender as presas para eu ver – Que isso é tudo uma treta que estás a inventar. Na realidade estás cansada da vida e resolveste, vir aqui arranjar problemas, na ânsia de encontrares a morte e a resolução para os teus probleminhas! Não passas duma pobre desgraçada em busca de suicídio assistido! Opá, agora fiquei irritada. Vampiro ou não, que raio é isso de me achar tão desgraçadinha que entrava ali em busca da morte??? - Olhe ‘’senhor’’, eu não o conheço de lado nenhum nem sei o seu nome. Já pedi desculpa por ter entrado num espaço que é seu para fazer perguntas, coisa que obviamente não é bem vista. Tive motivos para o fazer. Aceito que errei. O espaço é seu e você decide as regras do local. No entanto isso não lhe dá o direito de fazer julgamentos disparatados sobre a minha pessoa, sobre os meus motivos e muito menos ofender a minha inteligência. Não sou nenhuma coitadinha destrambelhada e você não tem o direito de me ofender ou pensa que por ser vampiro está acima dequalquer um de nós? Eu já tinha dito que quando fico furiosa me passo completamente? Pois… O Loiro olhou-me por uns segundos sem uma expressão definida no rosto. Parecia….surpreendido ou pensativo. Seja como for largou-me o ombro e pegou na foto. Olhou rapidamente e disse: A tua amiga esteve aqui na quarta-feira passada com um tipo de cabelo preto e estatura média. Ok, agora era eu que estava surpreendida dele se ter dado ao trabalho de me responder. - Já a tinha visto por cá mais vezes? - Mais uma vez, há coisa de três semanas, com o mesmo tipo. - Conhece o homem com quem ela estava? Queria encontra-lo para saber se ele sabe algo sobre o desaparecimento dela. - Ouve miúda – (miúda??? Haja paternalismo) – Não sei onde podes encontrar o tipo mas ele não é bem-vindo a este espaço e aconselho-te a esqueceres a tua amiga. Ela não é uma criança que precise de ama-seca. Engoli em seco. Saberia ele do tráfico? - Não posso fazer isso….senhor…bolas, como é que você se chama? Já me irrita trata-lo por ‘’senhor’’ quando me estás a tratar por tu! – Assoprei de raiva. O loiro arqueou as sobrancelhas, agora sim surpreendido e esboçou um leve sorriso. - Aqui todos me tratam por Amo. - Sim mas eu não sou ‘’todos’’ e disse-te o meu nome… - Eric – Respondeu visivelmente divertido com o meu mau humor. - Eric, não posso esquecer a minha amiga. Ela passou maus bocados na vida e todos temos direito a errar e sermos perdoados e ajudados. Se ela está a precisar de mim farei tudo ao meu alcance para a ajudar. - E ela faria o mesmo por ti? Boa pergunta! Provavelmente não. Aliás se pensar rapidamente quem seria o amigo ou amiga que se meteria em tamanha situação para me ajudar a mim? O livro da minha vida tem muitos capítulos iguais. Eu a fazer imensos sacrifícios pessoais para ajudar os outros e quando preciso, ninguém está disponível. Seja como for não lhe ia dar isso de borla! - Isso não interessa. Não ajudo as outras pessoas esperando algo em troca. - Que fofa que é a humanazinha! – Disse ele sarcasticamente. Isto já esteve a correr melhor – pensei eu. - Não é uma questão de ser FOFA, é uma questão de consciência, de ficar bem comigo mesma. Olha Eric, obrigado pelo teu tempo. Obrigado pelas respostas. Vou continuar a procura-la em outros lugares. Posso deixar o meu número de telemóvel para que se o tal tipo aparecer por aí alguém me contactar? O Eric pareceu pensar na minha proposta por uns segundos e acenou-me que sim com a cabeça. Eu abri a minha mala, tirei um cartão meu e entreguei-lhe. Ele olhou para o cartão e os meus contactos, virou costas e foi para o seu ‘’trono’’ no fundo do bar sem me dizer nenhuma palavra. Bolas! Este gajo merece o premio da simpatia! – Pensei eu e sai também do bar. Já na rua, com a brisa nocturna respirei fundo. Parecia que não respirava deste que tinha entrado no Fangtasia. Caminhei apressadamente para o carro. Entrei, tranquei as portas e conduzi desesperadamente de volta a casa. Quando entrei em casa, tranquei a porta – coisa que raramente faço, apesar de viver sozinha. Pouco depois sorri para a minha atitude e lembrei-me da Leonor outra vez. Ok, se continuo assim ainda deixo de sair à noite. Fui tomar um duche bem quente e comecei a ficar mais calma. Afinal enfrentei um vampiro e sobrevivi para contar a história! Com a calma veio o cansaço. Com todo o nervoso nem me apercebi que eram quase 4 da manhã e teria que me levantar dali a 2 horas e meia.