Muse
13 Capítulo XIII - Tamanha Fúria e O Louro Sonegado
Notas iniciais

Muse
“Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e ver um anjo e, tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam”
Pablo Neruda
Capítulo XIII:
Tamanha Fúria e O Louro Sonegado
Turno: Naruto Uzumaki
– ... E então o Shikamaru passou a bola pro Kiba e a gente fez mais um gol. Na verdade aquilo não foi um gol, aquilo foi um golaço! Legítimo de reprise!- Fazia o caminho de volta para casa, carregando Sakura nas costas que havia machucado o tornozelo na aula de educação física de hoje, segunda-feira. Só que ela parecia não dar ouvidos á minha animação.- Você ta quieta desde o sábado. Pode me contar o que aconteceu?- Ela era mais leve que uma pena, mas eu podia sentir que sua consciência estava suja e pesada. Senti os braços dela que envolviam o meu pescoço, se apertarem um pouco e ela se remexer.- Não quer falar né? Tudo bem por que eu nem queria saber mesmo todos os detalhes de como é beijar o Sasuke e tal.- Revelei descontraído, soltando uma risada sacana.
– Como você sabe?!- Sabia que isso iria causar uma agitação da parte dela; seu tom de voz já estava altíssimo.
– Eu tenho meus contatos.- Achei essa resposta perfeita e o meu ego estava visivelmente estourando lá em cima.
– Foi sem querer. Veja, ele me pegou de surpresa. Você sabe que eu nunca beijaria outro garoto depois...- A voz dela se entrecortou. Uma manha de choro pareceu vir de sua parte. Assim Sakura pareceu dar um ponto final a discussão. E eu só pensava naquela noite em que ela chegou carente para cima de mim. Entendi desde o princípio que ela estava nervosa com tudo isso; a viagem, a escola, o acidente e tudo mais. No entanto, suas palavras de agora pouco contradizem que ela nunca mais teria a capacidade de beijar outra pessoa. E isso me incomodava; e tenho certeza que á ela também.
[...]
Flash Back On
– Sakura?- Ouço sua voz e saio daquela espécie de transe que eu tinha uma vez ou outra.
– Sim?- Voltei meus olhos á seus lindos orbes que mais pareciam redondas e castanhas avelãs. Ele sorriu. Mostrou cada dente daquela linda boca e começou a rir.- O que foi?- Não pude deixar de conter o riso por algo que eu nem sabia o que era. Mas ele me fazia assim.
– Nada, é só que...- Seu rosto pareceu se escurecer. Ele ficou batendo com a caneta em seu caderno de estudo; parecia mais do que indeciso.- Eu te amo muito Sakura.- Um sorriso agradável brotou de seus lábios. Mas eu não acreditei naquelas palavras que ele tanto repetia; não acreditei.- É só isso.- Selou seus lábios que estavam frios nos meus e tornou a brotar um sorriso no rosto. Então seus olhos se pregaram á matéria do caderno e eu o olhava sem quaisquer discrição; preocupada.
Flash Back Off
– Acha que pode andar sozinha?- Naruto me descarregou ao pé da escada. Tsunade nos observava por debaixo de um livro.
– Sim, obrigada Naruto.- Subi os degraus sem muita dificuldade. Eu nunca gostei muito de educação física; parecia que a bola me perseguia e eu sempre acabava me atrapalhando e caindo feio no chão. E, óbvio, não demorou muito para isso acontecer e cá está inchado o meu tornozelo.
Desamarrei a atadura antiga, trocando por uma nova que Tsunade me deu. Fiz um curativo novo com todo o cuidado; espalhando pomada pela região mais escura e amarrando a atadura por cima. Fiquei em minha cama, com um saco de gelo no pé e abaixo dos mesmos um travesseiro para servir de apoio. Respirei fundo por uns momentos, pensando em coisas aleatórias. O beijo de Sasuke passou como um furacão destruindo as outras memórias mais puras. Aquela fumaça que me invadia maravilhosamente...
– Merda...- Xingo, cerrando os dentes. Como me sinto culpada.
Lembro-me de que o empurrei longe; pareceu culpado mas eu via um “quê” que ofensa naquele rosto pálido. Aposto que já comeu todas as esquizofrênicas daquela porra de escola.
Esqueço esses pensamentos odiosos, suspirando pesadamente. Aquelas criaturas me vêem a cabeça; eu ainda não sabia que havia salvado a minha vida e a de Tsunade. Parecia ser um pássaro gigante e cinzento. Aquele ciclope era realmente amedrontador...
Decido ir para a varanda tomar um ar gelado. A vista da sacada era realmente boa; conseguia-se ver parte de um campo e logo aquela mata fechada. Tudo parecia calmo, até que vejo um vulto correndo no contorno da floresta. Desencosto da cadeira, estreitando meus olhos. Era uma pessoa e parecia estar fugindo de alguém.
– Droga!- Xingo baixo voltando ao meu quarto, calçando meus sapatos e agarrando minha katana fortemente. Meu tornozelo reclamava a cada degrau que eu descia. Tento esquecer a dor por poucos minutos e vou para trás da casa, onde pulo a cerca e parto para a floresta. Ao chegar lá tudo estava tranqüilo; no entanto, um vulto com risadas maldosas passa por minhas costas. Adentro a mata mais fechada, até que encontro a pessoa que estava fugindo, cercada por pequenos homenzinhos. Sim, muito pequenos, deveriam ter 50 cm ou menos.
– Hey!- Pulo ao centro, assustando aquelas criaturinhas pequenas. Eles pareceram ter se assustado no momento porém, não dei importância e tornei a agarrar o pulso do fugitivo. Meu tornozelo reclamou pela volta da corrida; eu estava fugindo sem rumo e aquelas criaturinhas pareciam furiosas.- O que eles querem de você?!- Perguntei em meio a corrida. Eu conhecia aquele garoto de algum lugar...
– Eu não sei!- Não confiei muito em suas palavras, estreitando os olhos e voltando os olhos para o meu caminho. Porém, me vejo em um beco sem saída. Não havia para onde fugir. Era cair num imenso abismo que eu nem sequer podia enxergar o fim ou aquelas criaturinhas.
– E agora o que fazemos?- O garoto me perguntou, rangendo os dentes. Aos poucos as criaturinhas chegavam com cara de poucos amigos. Pareciam realmente furiosos e eu não podia combate-los. Eram muitos.
E então um deles tomou uma iniciativa para nos atacar. Eu levanto minha katana na intenção de defender eu e o fugitivo ao meu lado. Porém, sinto um forte vento vindo de cima.
– Se abaixe!- Peço ao garoto do meu lado, prensando seu pulso. Eu nem poderia ver o que era aquele forte vento, mas ele parecia nos forçar ao chão. Olhei estreitamente para frente; era uma outra criatura com cinzentos pés de águia. Pelo visto aquele vento era feitor de suas grandes asas que nos protegiam e espantava aqueles homenzinhos. Assim, a movimentação passou e já me senti mais a vontade para levantar-me. Eu e o fugitivo fomos nos levantando em posição de defeso. A criatura ainda estava de costas para nós, só que suas asas estava juntas, cobrindo seu próprio corpo. Foi aí que a imagem daquela criatura salvando eu e Tsunade do ciclope me veio á tona. As asas gigantes e cinzentas; as garras curvadas para baixo como pés de águias. Era aquela criatura só poderia ser! Porém, a criatura parecia estar diminuindo de tamanho tornando a se transformar em outra coisa. Curvei as sobrancelhas e protegi o fugitivo com a katana novamente. Aquele enorme pássaro tornou a forma de uma pessoa...- Não pode ser...- Disse surpresa, assim, a pessoa se virou, deixando seus curtos cabelos loiros esvoaçarem com o vento. Ela colocou a mão na cintura, deixando cair o outro ombro.- Sentinela Samui.- A loira manteu sua expressão séria e carranca.
– Diga garoto, o que você fez pra deixar os Leprechauns tão fulos assim?- Ela agarrou o colarinho daquele garoto. Tive a oportunidade de vê-lo melhor, quando seu capuz do casaco caiu para trás. Tinha cabelos castanhos desgrenhados e seus olhos pareciam de ferozes lobos.- Ou melhor, o que você roubou?- O moreno mordeu a língua, tirando do bolso uma moeda de ouro do bolso do moletom.
Samui tomou a moeda de ouro do garoto, a analisando e virando-se num rebolado. Parecia bem brava e frustrada com o moreno, o olhando de rabo de olho.
– Venha cá, duende.- Estreitei os olhos para ver que ela chamava. Um dos homenzinhos se escondia atrás de uns arbustos; continuava com aquela cara de poucos amigos.- Tome de volta e nunca mais volte á nos perturbar.- Ela entregou a moeda de ouro para o homenzinho ruivo que batia o pé. Antes de sair soltando fogo pelas têmporas, ele nos lançou um olhar muito assustador. Mas não tão perturbador quanto o de Samui á o fugitivo.
– Garoto, você não sabe que é burrice roubar de Leprechauns?!- Abaixei minha katana, prensando-a no terreno.
– Desculpe, pensei que poderia fugir mas eles eram muitos...
– Mesmo assim, não se brinca com essas criaturas da natureza. Não podemos perturbar o equilíbrio...- Neste momento ela olhou para baixo pensativo; estreitei meus olhos desconfiada e curiosa.- Esqueça.- Samui subiu os olhos para o garoto distraído e cobriu o rosto do fugitivo com a palma da mão, desacordando-o em um passe de mágica. Fiquei surpresa com tal habilidade.
– E você mocinha...- O garoto caiu desmaiado no chão e então a loira voltou-se a mim.- Esqueça o que você viu aqui, certo?- Estreitou os olhos para ter certeza sobre a minha concordância. Engoli em seco.
A sentinela Samui carregou facilmente o fugitivo nos ombros. Cheguei na casa de Tsunade e a loira depositou o menino alí no sofá mesmo. Pediu para que eu cuidasse dele até que acordasse.
– Ele não lembrará de nada quando acordar, não se preocupe.- Concordei com a cabeça, olhando para o mesmo que dormia graciosamente.- Eu estou indo. Dê um olá para sua tia por mim.- Ela chegou á porta e instintivamente eu a chamei de volta.
– Samui!- Assim, a loira voltou um passo para trás.- Obrigada por aquele dia do acidente.- Respirou profundamente, mantendo a carranca no rosto e fez um manear de concordância; logo, simplesmente, indo embora.
* * *
There's such a fooled heart
Beatin' so fast
In search of new dreams
David Bowie – Trecho de As The World Falls Down
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