Murmúrio
17 Dia das bruxas - Parte I
5 º Dia.
Marcie havia deixado um convite em meu armário. Era um convite roxo, revestido de veludo preto por dentro. Abóboras com sorrisos medonhos estampavam o envelope. Halloween, só de pensar na palavra meu corpo inteiro estremecia. Por algum motivo essa data me lembrava tradições, nefilins, as coisas que eu estava tentando evitar.
— Você vai? — Vee me perguntou ao final da aula.
— Não sei ainda. E você? — Eu não dava a mínima para as festas de Marcie.
— Eu odeio aquela vadia, mas festas são festas. — Ela fazia um barulho alto com seu chiclete. Mastiga, estica, enche e estoura. — Que tal um pulo na loja de fantasias?
— Eu adoraria, mas não estou me sentindo muito bem desde ontem. — Não era mentira. — Se você for, escolha uma pra mim, tudo bem? — Meus olhos imploravam. — Você sabe meu número, e desde que não seja muito cara e não chame atenção, confio totalmente em seus dotes.
— Ok, baby. — Vee adorava quando alguém elogiava seu gosto para roupas. — Comprarei e depois te ligo.
Dirigi até em casa, sem prestar muita atenção no caminho.
— Nora? — Minha mãe apareceu, entre risadas.
— Sim. — respondi. — O que houve?
— Temos visita. — Eu não precisava nem chutar. Segui até a cozinha.
— Olá, Scott. — Acenei com a cabeça. Mas não foi o suficiente, não pra ele. Scott me puxou para um abraço e beijou minha testa.
— Como foi a aula? — Ele parecia realmente interessado.
— Boa. — Independente se eu tivesse morrido de rir com Vee, aprendido algo interessante ou apenas passado o dia contando quanto demorava para o ponteiro do relógio dar uma volta, eu sempre dizia que a aula foi boa. — Olha o que recebi. — Coloquei o convite em cima da mesa.
— Marcie Millar… — Scott sibilou como se tentasse se recordar do nome. Um choque atravessou seu olhar e eu apenas confirmei com a cabeça.
— Se quiser ir, Nora. — Blythe começou. — Eu não me importo.
— Eu vou. — Falei. — Desde que Scott vá comigo. — Se era pra por a mão no fogo, por que não por o corpo inteiro logo? Isso teria que ter algum resultado.
— Ta falando, sério? — Ele parecia surpreso. Seu sorriso se estendeu de orelha a orelha, parecia uma criança.
— Uhum. — Concordei, abri a geladeira e peguei uma maçã. — Vee foi ver nossas fantasias.
— E eu vou procurar as minhas. Se importa, Blythe? — Scott disse, levantando-se e dando um abraço de urso em minha mãe.
— Claro que não, Scott. — Ela retribuiu, pareciam até melhores amigos. — Volte sempre, gosto de tê-lo aqui, Nora precisa de boas companhias.
— Tchau, Grey. — Scott andou em minha direção e procurava minha boca.
— Mas que droga é essa? — Perguntei, com a boca cheia e os olhos arregalados.
Ele e minha mãe caíram na gargalhada.
— Eu não disse, Blythe? — Por que ele estava se referindo a minha mãe assim?
Ela apenas riu. Scott beijou minhas bochechas e prometeu um telefonema a noite.
— Viraram amigos? — Havia uma nota de sarcasmo em minha voz e minha mãe percebeu.
— Sempre fomos. — Ela sorriu amigavelmente. — Você deveria dar valor. Ele é um ótimo rapaz, já cogitou a ideia de virarem namorados?
Me engasguei com um pedaço de maçã.
— Nem repita isso, mãe. — Eu estava enchendo um copo com água, para desentalar o pedaço da fruta que havia agarrado em minha garganta.
Peguei a bolsa e o convite e subi para o meu quarto, considerando as chances de Patch estar nessa festa. Meu interesse estava aumentando, peguei o telefone no bolso da calça e disquei desesperadamente.
— Vee? — Ela atendeu no primeiro toque, como sempre. — Já comprou as fantasias? — Minha voz transbordava a ansiedade .
— Já, baby. — Ela fazia aquele barulho irritante com o chiclete. — Será que vai ter caras gatos?
— Pior que vai. — Eu ri. — Convidei Scott.
— Você, o que? — Vee deu um berro do outro lado da linha. — Mande ele levar Jason.
— Ok.
— Você vai se arrumar aqui, certo? — Acho que havia alguém mais empolgada que eu. — Comprei alguns acessórios e pretendo fazer você arrasar.
— Vou sim. Tenho que ir, Vee. Amo você. — Eu estava tentando imaginar qual seria a fantasia que Vee havia comprado.
— Também te amo, baby. — Ela fez aquele barulho irritante com o chiclete, antes de desligar.
Eu sabia que não havia uma grande chance, mas era considerável. Eu esperava encontrar Patch, e levando Scott isso seria mais fácil. Parte de mim estava se sentindo mal. Eu estava usando Scott? Claro que não, eu gostava da sua companhia e se ele atraia Patch, que mal havia? Nenhum. E lá se vão dois coelhos com apenas uma cajadada.
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