Mundos Colidem
2 Percy- Mundos diferentes.
Notas iniciais
A exatos 75 anos atrás a guerra entre os Titãs e os deuses havia chegado à um fim. Zeus me recompensará com a imortalidade pela minha ajuda na guerra, mas eu somente aceitei pois eu convenci Zeus a deixar Annabeth ficar comigo no Olimpo com sua imortalidade, ela estava reconstruindo tudo que fora destruído pela guerra, realizando seu sonho de ser arquiteta, e criando novos projetos melhorando a cidade. Não via a terra dos mortais desde que havia subido no Olimpo, não tive curiosidade de olhar de novo para lá, não queria ver as tristezas e coisas ruins que por lá se alastravam. Mas, o destino não cooperou com a minha falta de curiosidade.
Eu me perdi em meus pensamentos, estava olhando o horizonte do olimpo em um parque, onde eu e Annabeth havíamos nos casado, estava com um vento gélido que lambia a minha pele, e sussurrava coisas indecifráveis, estava tão perdido que não percebi Annabeth chegando por trás de mim:
“Percy?” ela disse me abraçando por trás “Perdido em seus pensamentos de novo?” ela disse soltando uma risada no canto da minha orelha.
“Sim, um pouco.” eu me virei e lhe dei um leve beijo deixando que nossos lábios se tocarem durante alguns segundos.
“Ei, cabeça de alga, Zeus quer falar com a gente.” ela desfez seu abraço e pegou minha mão me fazendo andar em direção a sala dos tronos.
“Sabe o que ele quer com a gente?” andávamos em passos lentos e tranquilos.
“Não, minha mãe, Atena, veio me chamar e avisou-me sobre o chamado de Zeus, não me disse nada mais, além de ter que chamar você.” rapidamente começamos a ver a Sala dos tronos surgindo no horizonte.
Logo mais chegamos as escadas que levavam para onde Zeus estaria a nossa espera, sem hesitar entramos, e logo de cara vimos Zeus andando de um lado para o outro murmurando coisas para ele mesmo, quase inaudíveis, com uma cara de preocupação até perceber a nossa presença:
“Oh! Annabeth, Percy, bem-vindos.” ele disse desfazendo a cara de preocupação o melhor que ele conseguiu, e não foi muito convincente “Bem, preciso falar com vocês sobre coisas sérias, que possivelmente cheguem a interferir em algumas vidas, tanto no Olimpo tanto no mundo mortal.”
“Sobre o que exatamente o senhor está falando, com todo o respeito.” eu disse com o olhar sério.
“O mundo mortal... Saiu dos limites. Eles estão muito além dos limites, e eu só consegui ver isso agora depois de tanto tempo, setenta e cinco anos se passaram e eu não dei olhos nem ouvidos. Os semi-deuses abandonaram seus pais, sua origem, não nos ouvem mais, somente alguns poucos ainda seguem nossos conselhos como seus pais e mães, e muito pior, agora eu preciso que você e Annabeth voltem ao mundo mortal e deixe tudo como era, os mortais estão fazendo jogos, e tento prazer em ver a morte de seus iguais, eu preciso dar um jeito nisso, mas eu não posso interferir em assuntos humanos, mas... Vocês dois podem!” ele disse como se tivesse chegado a conclusão perfeita “e agora eu lhes peço que desçam ao mundo mortal e arrumem tudo o que eu não tive o poder de arrumar!” meia explicação, não entendi nada, mas acho que o tempo me diria. Certo? Bem, não podia recusar um pedido direto de Zeus podia?
“Eu acho que não posso recusar não? Um pedido direto seu. A situação deve estar feia.” eu disse com um sorriso torto.
“Se Percy vai eu vou” respondeu Annabeth.
“Desçam ao mundo mortal, mas cuidado, os semi-deuses não sabem que você continua vivo Percy Jackson, eles sabem de suas histórias e lendas, mas não sabem que vai voltar a andar sobre aquelas terras, não sabem da sua imortalidade” então ainda ouviam falar de mim?” Quatro imortais, três feras, dois mortais e um filho da guerra marcados pelo seu passado, coisas novas irão conhecer, não duvidem na palavra daquele que tem poder sobre grandes feras, na terra de mortais, preparem-se para segurar suas espadas pois sangue derramaram e lágrimas chorarão, não confiaram em nada e em ninguém, somente aqueles ditos anteriormente poderam residir sua confiança, não se iluda com falsas esperanças, que os jogos comecem, e que a sorte esteja sempre ao seu lado.” ele apontou para a saída indicando que deveríamos voltar para o mundo mortal.
Com o passo apressado eu e Annabeth seguimos em direção ao elevador, tentando entender o enigma passado por Zeus, e rapidamente estávamos ouvindo a irritante música dentro do elevador, o tempo desgastou o mundo mortal, como será que ele estaria agora? Não demorei muito tempo para descobrir porque logo as portas se abriram, e mostraram algo que eu preferia não ver. Ruínas, não havia mais Empire States não havia mais Nova Iorque, havia somente ruínas. A cidade estava dizimada, os arranha-céu não mostravam mais sua beleza, estavam caídos no chão, perdendo sua magnitude:
“O que aconteceu aqui?” Annabeth disse entre os dentes.
“Guerras.” eu disse com lágrimas no canto do olho, o lugar onde tudo aconteceu, o lugar que eu cuidei, o lugar que eu cresci, o lugar que eu protegi com todas as minhas forças, estava caído. As minhas forças se esvairão, meu coração batia mais rápido que o normal a raiva tomava meu corpo, até que eu ouvi uma voz em minha mente:
“Percy porque você resolveu ir embora? Eu fico aqui sozinho enquanto você aproveita sua imortalidade no Olimpo, eu aproveito para ser pego por um otário como esse cara. Odeio admitir, mas desde que você foi embora não tenho muita vontade de continuar vivo! Eu perdi um pouco de minhas forças ultimamente, preciso voltar a lutar um pouco.” BLACKJACK?
“É mesmo, que interessante, eu sou tão importante assim?” Eu disse em meus pensamentos rindo.
“Percy? É você mesmo? É claro que é você, claro que não, deixe de ser idiota eu estou falando isso em um momento de desespero, agora por favor se puder me ajudar eu fui capturado por um babaca, agora venha aqui, estou no litoral, não muito longe de você pelo que posso ver, consigo ouvir você falando comigo” eu ouvi um relinchando, provando que as palavras de Blackjack eram verdadeiras “o homem que me capturou é filho de Ares, não subestime ele.”
“Não se preocupe comigo. Acho melhor você tomar conta de você mesmo” eu soltei uma gargalhada alta.
“Tudo bem Percy?” Annabeth, eu tinha esquecido totalmente dela.
“Tudo maravilhoso, acabei de achar um antigo amigo nosso, e acho que nossa primeira missão começa agora. Blackjack, ele foi capturado” não pude deixar de soltar uma risadinha disfarçada “ele estava no litoral, não deve ser muito longe, ele foi capturado por um filho de Ares.
“Blackjack? Que saudades desse grandão” ela disse sorrindo.
“Então vamos lá salva-lo.” estamos indo Blackjack.
Eu e Annabeth andamos juntos e em silencio tentando disfarçar os rastros que deixávamos para trás. Em menos de cinco minutos eu sentia o cheiro do mar mais forte do que nunca. Era como estar em casa novamente, aquela brisa batendo no meu rosto, eu fechei os olhos e a apreciei por um segundo, e logo voltei ao mundo e vi o litoral da antiga Nova Iorque. Não demoramos muito para avistar Blackjack, e ao seu lado um moreno alto, com cabelos negros e olhos esverdeados com manchas azuis a sua volta. Músculos torneados, e bem definidos [pareço um pouco gay falando isso, mas foi o que Annabeth comentou comigo], uma espada embainhada em sua cintura. Ele preparava uma fogueira e tinha ao seu lado um veado morto, com o couro arrancado, e alguns pedaços cortados.
Eu toquei em Annabeth para chamar sua atenção, e fiz sinal para nos aproximarmos daquele homem, ela concordou com a cabeça e saímos do nosso esconderijo atrás dos arbustos, não demorou muito para o homem nos perceber e levantar levando a espada em mãos:
“Quem são vocês? O que querem? Sumam daqui, essa comida é minha!” Ahn? Que confuso que ele era.
“Você quer que eu responda as perguntas ou suma da sua frente e não roube a sua comida?” eu disse soltando um riso “Eu? Me chamo Percy, prazer, qual é o seu nome? Ah, quero meu cavalo de volta” disse apontando para Blackjack.
“Ele não é seu cavalo, eu o achei no meio da mata e agora é meu” ele avançou com a espada quase me acertando, só que eu desviei em um leve movimento.
“Não vou bater em alguém que eu nem sei o nome.”
“Não lhe interessa” ele desferiu um novo golpe, só que desta vez em Annabeth, que facilmente desviou.
“Não se meta com ela!” ela soltou um riso.
“Você sabe que eu sei me cuidar!” ela disse sorrindo.
“Agora, vai me dizer seu nome ou não, não quero bater em alguém desconhecido.” eu disse olhando profundamente em seus olhos;
“Meu nome? Jason, agora lute como um homem, não fique desviando como uma gazela.” Gazela? Mesmo? “Tem um espada?”
“Sim, mas não quero usa-la agora.” a caneta estava em meu bolso da calça.
Ele olhou com um olhar maligno para mim e começou a desferir golpes em sequencia, com uma velocidade assustadora para um mortal, mas para mim foi extremamente fácil desviar. Depois de algum tempo fazendo isso, ele acertou a espada em meu ombro direito fazendo com que eu ficasse com alguns tendões e nervos cortados, eu perdi o movimento do meu braço esquerdo por completo, bem mas eu era imortal mesmo, então rapidamente meu braço começou a se curar e eu percebi que não poderia mais perder tempo com ele.
Ele olhava para o meu braço com um olhar horrorizado, claro ele havia se refeito em questões de segundos, eu não perdi tempo, Jason havia se distraído, eu corri em sua direção e desferi-lhe um golpe na barriga fazendo com que ele caísse gemendo de dor no chão.
“Não acha que exagerou um pouco?” Annabeth olhava preocupada para Jason.
“Calma, eu ajudo ele.” Eu o coloquei de pé, e o levei até a beira do mar, fazendo as águas me obedecerem, cuidei de seu ferimento, sarando-o por completo.
“Novinho em folha, agora se puder fazer o favor de devolver o meu cavalo.” eu disse com um sorriso.
“Percy Jackson é você mesmo? Boatos irão surgir se você começar a lutar com qualquer um assim.” ele sorriu “ Pegue seu cavalo logo, mas antes me explique. O que exatamente você está fazendo aqui?”
“Sim eu mesmo. Ei, eu não estou lutando com qualquer um assim do nada, eu só quero meu cavalo de volta. Bem eu não vim aqui só para isso, mas eu vim para botar ordem nesse mundo” eu sorri.
“Quando você diz isso, você quer dizer acabar com os Jogos Vorazes e a capital certo?” ele se sentou e me apresentava um olhar sério.
“Acho que sim, Zeus não explicou direito, ele só falou que as pessoas do mundo mortal haviam passado dos limites e que faziam jogos todos os anos, vendo pessoas iguais a elas serem mortas e eles apreciavam isso.” eu tirava tudo da memória tentando lembrar o que Zeus disse.
“Sim, os Jogos Vorazes, deixe-me explicar.” ele ficou com uma expressão nervosa “Todo ano a Capital faz a Colheita que é a escolha de uma menina e um menino, para serem tributos e lutar numa arena até a morte com tributos das outros 12 distritos sendo 24 participantes no total. Somente um sai vivo, mas ano passado a Capital sofreu certa pressão por dois jovens que são aqueles que estão agitando uma rebelião, bem eles não estão nem perto de conseguir já que agora vão voltar a arena. Quem dera eu pudesse salva-los eu realmente tinha esperança neles.”
“Bem, acho que era isso que Zeus falava.” Annabeth concordou com a cabeça “acho que teremos que derrotar a capital, e o melhor jeito de começar uma revolução é achando pessoas para participar dela, e acho que as pessoas certas para isso são aquelas que vão para esses Jogos, destruiremos a capital de dentro para fora.”
“Espere, se vocês vão destruir a Capital eu vou ajudar ela matou a minha família” Jason poderia ser de grande ajuda.
“Então Jason, você poderia nos guiar para um Distrito?” eu perguntei.
“Sim posso, mas o problema é que por terra existem muitos perigos além de guardas da Capital, o jeito mais fácil seria se fossemos pelo mar, mas não vejo muito jeito de conseguirmos um barco.” eu soltei uma risada irônica.
“Eu sou filho de Poseidon!” eu soltei um alto e longo assovio e logo três golfinhos apareceram a nossa frente.” Jason sorriu. “Poderiam dar uma carona para nós?” eu soltei uma risadinha. “Jason lidere o caminho!”
“Vamos Percy, Jason, temos uma profecia a cumprir!” gritou Annabeth já em cima de um dos golfinhos.
“Blackjack vá voando certo?” eu o soltei das amarras.
“Com certeza não estarei muito longe de vocês.” ele relinchou e levantou vôo.
Eu comecei a pensar um pouco, a profecia falava de um filho da guerra, pode ser ele não?
“Annabeth! A profecia falava sobre um filho da guerra, não pode ser ele, pode?” que fácil.
“Muito fácil essa parte não acha?” ela riu “Da próxima peça para Zeus algo mais complicado.
“Sim, sei, mas não quero algo mais complicado não.” eu ri.
“Jason vamos?” eu subi em um golfinho e pedi para o outro que se dirigi-se mais perto de Jason.
“Claro” ele sorriu.
“Para onde iremos?” Annabeth indagou.
“Nada mais nada menos que a Capital.” ele subiu no golfinho e apontou para onde deveríamos ir. E assim seguimos viagem para o desconhecido.
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