Mundo Submerso

3 Toca De Um Coelho


Petter --^--

— Meu irmão se foi há dez anos Duncan, ele não vai voltar, talvez esteja morto. — Não sabia o que ou a quem dizer sobre esse assunto, só confiava nele. – Ele dizia ter partido em uma missão, a qual só ele sabia.

— Eu entendo Pit, mas você não pode mais ficar parado, todos eles precisam de um rei, independente de que lado do tabuleiro que estejam! – infelizmente ele estava certo, me pareceu irritado por falar isso pela provável milésima vez. Desde que meu irmão se foi cuido das duas partes do tabuleiro, porém não estou tão presente na parte preta. – Sei que está fazendo o seu máximo, mas precisa aceitar que ele não vai mais voltar. Precisa assumir ambos os tronos, Os habitantes do Castelo Negro estão planejando um Levante. – Duncan fica engraçado quando está irritado, sua franja cai sobre seu olho esquerdo e sua boca se contrai – Petter! – exaltou-se ele, sabia que eu estava o examinando.

— Ok... Ok – levantei as mãos em sinal de trégua e ele balançou a cabeça tirando seu cabelo incrivelmente negro do rosto e revelando seus olhos de um escuro marinho. Todos poderiam falar que aqueles olhos eram pretos, mas eu já tinha os visto de perto, era de um azul escuro como nenhum outro. – Sabe que não possuo tal poder pra assumir ambos os tronos. Sabe o que poderia acontecer comigo.

— Eu o ajudaria, sabe que estou aqui para lhe ajudar, aconselha-lo. – falando assim ele parece apenas um mero cervo, ele é o Príncipe de Espadas...

— Majestade! – interrompeu-nos Joana. Ela estava de armadura reluzente como sempre, era a Líder da Guarda Real, seu rosto era delicado e por mais que fosse uma guerreira sempre andava elegante, esbanjava poder. – Com sua Licença, o Chapeleiro está lá em baixo... Acompanhado. – A mesma sempre ficava nervosa quando tinha de interromper algo, seu cabelo castanho estava preso num coque e seus olhos dançavam pelo cômodo a nossa volta, ela era uma boa pessoa, e uma observadora melhor ainda.

— Me chame de Petter, por favor. – corrigi-a – O Chapeleiro, por aqui...? – olhei para Duncan como se falasse “Terminamos esse assunto depois!” – Vamos ver o que ele quer, não é mesmo Joana. – brinquei

~

Chapeleiro se vestia bem alegre, se mostrava muito feliz. Estávamos descendo as escadas que levam à frente do castelo quando o avistei, ao seu lado esquerdo a Lebre de Março, o Gato em cima de seu chapéu e uma menina ao seu lado direito.

— Meu caro amigo, a que devo a honra dessa visita? – Disse. Joana se abaixou e cumprimentou a Lebre que olhava para uma xícara vazia. A moça do seu lado direito usava um vestido azul, seus cabelos longos e loiros estavam rebeldes enquanto ela tentava ajeita-los, ela estava nervosa. Cheshire estava alisando o topo da cartola.

— Majestade! – disse o Chapeleiro e todos se curvaram

— Por favor, apenas Petter. – pedi sorrindo – E está, quem é? – levei a mão a frente para que a garota desse a sua e me dissesse seu nome.

— Alice. – Disse ela, beijei a sua mão e a mesma deu um pequeno sorriso.

— Ela não é daqui. – explicou o gato que flutuou até ficar entre mim e Alice. Chapeleiro pareceu-me irritado.

— Como atravessou a barreira? – perguntou Duncan levando a mão ao cabo da espada. Alice notou, mas não se assustou como o resto do grupo, sua mão estava no bolso do vestido. A Lebre de Março logo se voltou à xícara, ainda a olhava, uma bela é diferente xícara por sinal.

— Por favor, aqui não. – disse olhando para Duncan, Alice tirou a mão do bolso e segui até a pobre e triste Lebre, que olhava desapontada sua xícara vazia. – Minha cara, o que me diz de conversarmos isso lá dentro, tomando uma bela xícara de chá? – perguntei

— Eu adoraria! – respondeu ela se animando.

— Huuhuu. – riu Chapeleiro

Duncan --£--

Joana se juntou a Guarda Real e nos deixou na cozinha do Palácio. Petter os serviu com chá e bolo e foi então que perguntou.

— Como chegou aqui Alice?

— Eu estava no topo de um prédio quando cai, fui caindo por um buraco grande, semelhante a um buraco de minhoca, mas estava cheio de móveis, quando quebrei o teto de um cômodo com uma minúscula porta... – ela contou absolutamente tudo, não me pareceu esconder nada.

— Então você veio de fora. — afirmei — Como conseguiu tal magia para passar?

— Acha que eu fiz tudo aquilo? – sugeriu ela

— Alice, o País todo está protegido, nada entra e nada saiu. Apenas alguém muito poderoso poderia trincar o escudo. – ele era tão doce, até mesmo com quem não conhecia. Pergunto-me todos os dias como ele consegue ser tão calmo.

— Então alguém a trincou. E me usou como cobaia. – exaltou-se ela – Só me digam como voltar pra casa. – antes que terminasse Joana apareceu na porta da cozinha e só então percebi que Petter a havia chamado.

— Organize uma busca por toda a floresta, por favor. – pediu Pit. – Alice, eu não posso levá-la para casa, mas posso ajudá-la a encontrar o caminho. O lugar que você se refere como “Buraco de Minhoca”, na verdade é a toca de um coelho.

— Eu pensei que ele havia... – começou Chapeleiro

— Eu também. – disse o Rei.

— Ele quem? Do que estão falando? – perguntou Alice

— Por que não os leva ao Oráculo? – sugeriu Chesheri

— É uma alternativa, mas ele não pode dizer muita coisa, e a floresta é perigosa. – disse

— Eu não estou entendendo mais nada. – assumiu Alice

— Mandarei arrumarem os cavalos! – afirmou Petter – Vamos atrás de resposta Alice.

~

— O que está fazendo? Ficou louco? – briguei com Petter

— Estou fazendo o que julgou ser certo. – disse ele tirando os olhos do espelho de moldura desenhada e escura

— Não! Você está se arriscando! – fui a sua direção e ficamos frente a frente. Ele estava me analisando, olhando meus olhos, minha cicatriz... Minha boca.

— Do que você tem tanto medo? – perguntou ele observando cada músculo do meu rosto. Estávamos em seu quarto, só ele e eu. Ele se aproximou demais e sorriu

— Tenho medo de que você deixe o Reino sofrer sem um Rei. – falei afastando-se dele, seu sorriso desapareceu.

— Se esse é seu único medo, não se preocupe. O Reino não ficará sozinho. – Eu o havia deixado bem chateado, não era minha intenção. – Só me responda. Por que é tão difícil pra você? Não percebe o que eu sinto? Ou o que você sente?

— Sim, eu percebo. Só não me importo. – respondi sem pensar. Ele abaixou a cabeça e colocou a ombreira de sua armadura. Eu não queria ter dito aquilo, ele não pode ir, o Oráculo é muito perigoso.

— Já que se importa tanto com o reino, você ficará no meu lugar até minha volta. – disse ele

— Não, eu vou com você. – respondi

— Eu sou o Rei, portanto irá me obedecer. – nunca o vi daquele jeito. O que foi que eu fiz.

Ele foi em direção à porta e ao sair se esbarrou em Joana, ela ficou sem reação ao vê-lo, ele disse algo a ela e ambos foram pela porta. Um tempo depois Joana voltou ao aposento estava preocupada.

— O que houve? – perguntou ela sentando do meu lado no sofá

— Eu fiz algo horrível Senhorita D’Arc — confessei tudo que aconteceu. Pit confiava nela e eu comecei a confiar também.

Alice ~*~

Estávamos esperando no pátio do castelo quando Petter surgiu montado em um cavalo branco, sua armadura era completamente branca e não o deixava enorme, só havia uma ombreira e nela uma capa descia.

— Estamos prontos? – disse ele olhando para nós, Chapeleiro logo pegou um cavalo dado por um dos guardas e subiu junto a Lebre. – Acredito que a donzela não saiba cavalgar. – Não eu não sabia, ele deu-me a mão e eu a segurei, dei um impulso para cima e quando percebi já estava junto a ele encima do cavalo.

— Para onde vamos? – perguntei

— O Oráculo fica na Floresta de Cogumelos, será uma viagem longa Alice. Teremos que passar pelo Baralho, provavelmente levará uns dói ou três dias.

— O Baralho? – me lembrei da história que Chapeleiro me contou

— Vamos fazer uma visita a uma velha amiga. – comentou ele, e sorriu – Não precisa ter medo, iremos com uma patrulha.

— Aaaah eu amo tanto esse chapéu. – ouviu o gato dizer pela centésima vez.

— O castelo ao qual vamos, pertenceu a... – tentei falar quando interrompida

— Xiiiiiiu. – fez Chapeleiro, Petter olhou para mim como se me repreendesse por tentar falar sobre aquilo.

— Fica tranquila Alice. Não passaremos onde acha, você verá que o baralho é algo bonito. – Me pareceu suspeito, mas acreditei no Rei. – ou o que restou dele. – sibilou o mesmo. Fingi não ter escutado e ele acreditou. Estava com medo do que aquilo realmente poderia significar, mas precisava ir, tudo nesse lugar me parece muito perigoso, tudo parecia... ... Perseguir-me.

— Abram os Portões! – disse Petter. – Vamos para Montanha Carmim.