Mundo Submerso
8 Que a Luz te Guie
Notas iniciais
Petter --^--
— Então assim será. – respondeu Absolem, jogando uma nuvem de fumaça em meu rosto e logo tudo ao meu redor se transforma em fumaça. Ele está me afastando, me levando para onde meus pensamentos estão.
— Não, não, Absoleeeeeeem! – grito, não o vejo mais, procuro por todos os lados quando esbarro em uma parede branca.
— Petter? – chama uma voz feminina. Olha para trás e lá está ela, usando uma camisola de seda, seu cabelo está solto e ela assustada. – Co..como? Sua testa.
— Joana. – digo surpreso. Estamos em meu castelo, no lado branco do tabuleiro, longe de Absolem e Copas, longe de tudo e todos. – Não se preocupe com isso. Preciso da sua ajuda.
— Como veio parar aqui? O que está acontecendo? – pergunta
— Absolem me trouxe ao castelo. Ainda não sei bem o que está acontecendo, uma tempestade de raios atingiu Copas, está vindo da Fortaleza. – explico
— Magia Negra. – diz ela. Estamos indo em direção à varanda do castelo. – A algum tempo os raios pararam, mas as nuvens estão vindo para cá.
— O que? – quando chegamos a varanda é visível a enorme nuvem vindo em direção ao tabuleiro. – Me desculpe, mas terei que pedir que troque de roupa e me ajude. – ela balança a cabeça em sinal de aprovação. – Toque o alarme vamos abrigar o máximo aqui dentro, irei para o Lado Preto e pedirei que façam o mesmo.
— E depois? – pergunta ela
— E depois eu terei que resolver algo.
Dandara ~¥~
Dor invade meu corpo, olho para cima e percebo o tamanho de minha queda, estou em um aposento desconhecido, procuro por uma tocha e tento acendê-la. No fim do aposento a vidraça com os símbolos das quatro divisões, duas delas estão quebradas, árvores e ouro, Copas estava trincada. Um arrepio atravessa todo meu corpo ao pensar o que poderia acontecer. Sigo pelo cômodo, uma tapeçaria com o retrato de Esther da época antes da Doença está na parede, queria te-la conhecido.
Veyr relincha, consigo ouvi-lo daqui. Devo estar próximo à ponte, procuro uma saída do aposento e vejo uma pequena janela, rastejo-me para fora e dou a volta pelo resto da Fortaleza, corro. Ele está bem, olho para o céu, a nuvem ainda está lá, porém, não a mais raios, algo aconteceu.
ALGUMAS HORAS ATRÁS
Duncan -£-
— Precisamos conversar. – diz Pit. Todos ainda estão meio assustados, mas não os culpo. O castelo ainda está totalmente trancado, apenas recebendo as pessoas que não estavam na festa para poderem se abrigar. Toda Copas e Espadas está aqui.
— O que houve? – pergunto, ele me olha e já sei sobre o que se trata. Não posso perder a oportunidade de tentar me desculpar. – Vamos. – Petter me leva até o quarto onde está hospedado, este tem uma varanda que dá para o campo na frente do Monte.
— Então? – digo
— Olha Duncan, eu realmente sinto algo por você, mas não quero estar sujeito a decepções.
— Petter, eu.. Eu.. – tento falar – Por favor, me desculpe, eu não queria ter dito aquilo.
— Mas você disse. E querendo ou não me decepcionou muito, eu realmente não te entendo mais. Eu não consigo entender mais nada. – Ele caminha até a varanda e olha para o campo. – Mas, não se preocupe, eu te desculpo. Resta saber se fará o mesmo. – olho de relance ainda dentro do quarto e de longe vejo dois cavalos no campo, um deles com algo azul. Petter entra novamente no aposento, só então percebo, ele estava me distraindo, Alice e Dandara estavam lá fora. Ele corre até a porta mas seguro seu sobretudo, ele se solta e me tranca ao aposento.
— Petteeeer! – grito.
— Me desculpe, estou fazendo o que julgo ser certo. – diz ele pelo outro lado da porta. Tento quebrar a mesma e só depois de muito tempo consigo, corro até um guarda. – Soem o Alarme. – ordeno furioso.
ATUALMENTE
Dandara ~¥~
Veyr e eu estamos chegando ao Monte, já está amanhecendo, porém as nuvens continuam. Levanto minha espada para que os guardas na entrada do castelo percebam o brilho, o alarme soa e toda a barreira começa a descer, transformando-se novamente no labirinto.
— Onde eles estão? – pergunta Duncan quando chego a entrada do castelo
— Alice, Chapeleiro, Cheshire e Março foram ao Oráculo. – respondo descendo de meu cavalo, algumas pessoas se aproximam. Meu vestido está rasgado, a sangue seco em minhas mãos e braços e estou sem sapato.
— E Petter? – surpreende-me ele
— Achei que Pit tivesse ficado. – respondo e logo penso no pior. Ele se aproxima de meu rosto, está com ódio no olhar.
— Se algo acontecer a ele. – balbucia próximo ao meu ouvido.
-Eu me responsabilizarei. – respondo – Agora... – tiro a pequena bolsa do cano da espada e pego o cristal, Duncan me olha surpreso. – Prepare-o, vamos terminar isso hoje.
— Dandara. – diz ele agarrando meu braço. – Tem certeza? – não era ódio, era preocupação, Duncan não se preocupava com qualquer um, na maioria das vezes fazia as coisas por que achava certo, quando estava preocupado estaria disposto a tudo, como me trancar junto a Petter no castelo para que nada nos atacasse.
— Sim. Ou pelo menos acho que sim, já está na hora.
— Preparem um banho para ela, e avaliem seu bem estar. – ordenou ele.
Depois de tudo, descubro que quebrei um osso devido à queda, porém, não tenho tempo para isso, ordenei que liberassem as pessoas, mas, elas decidiram ficar. Algumas pessoas estavam no castelo outras sentadas no Jardim, Duncan me esperava próximo a fonte, era onde deveria acontecer o Ritual. Desço com dificuldade e manco até o jardim, adultos e crianças seguram minhas mãos me dando palavras de apoio e agradecendo por tudo, o cristal está em minhas mãos, enfrente a fonte á um espelho quebrado de moldura desenhada e vermelha, no centro do mesmo falta uma única peça... O cristal.
— Dan – chama Duncan e lembro-me de quando éramos crianças. – Por favor, tenha cuidado. – ele não chora, mas me abraça, pela primeira vez em anos, tento não chorar.
— Eu terei – respondo e sigo ao Espelho! Encaixo o cristal no centro e logo ele se reconstrói,o brilho vermelho ainda permanece no centro do mesmo por um tempo até que se espalhar transformando todo o meu reflexo em luz, olho para trás e a última coisa que vejo é Duncan sussurrar “Que a Luz te guie”. Entro naquele vasto brilho e aceito, nunca mais serei a mesma.
Petter --^--
Cavalgo para fora do lado preto do tabuleiro, indo em direção ao Recanto, no topo da montanha onde Amy está adormecida, estou quase chegando a mesma quando avisto Joana.
— Não poderia deixar que fizesse isso sozinho. – diz a mesma
— Obrigado, por tudo. – respondo e então começamos a subir a montanha. A nuvem negra está cada vez mais perto, estamos no meio da montanha quando vejo um brilho vindo depois da Floresta Negra.
— O que é aquilo? – pergunta Srta. D’Arc
— Aquilo minha amiga, é o início de um novo reinado em Copas. – respondo e ela sorri.
— Então podemos esperar que o País tenha uma nova era de Paz e Magia?! – pergunta
— Espero que sim. – respondo e voltamos a subir a montanha.
Estamos quase no topo quando paramos.
— Daqui terei de ir sozinho. – digo
— Tudo bem, por favor só tenha cuidado. – fala ela.
— Não se preocupe. – digo
— Que a luz te guie. – Pede ela e então começo a subir até o topo da montanha.
É lindo, tudo está gramado e verde, a três templos, um de granito branco, outro de granito completamente preto e outro com ambas as cores, no centro da planície a um caixão com tampa de mármore, a mesma imita a imagem da Rainha Branca, e é lá onde ela dorme pela eternidade. Sigo para o templo do meio, o que possui Branco e Preto, não a nada nele a não ser um vidro com moldura desenha, dívida com ambas as cores, lembro-me de todos os bons momentos que passei e de todas as pessoas que conheci e amei, preparo-me para uma nova vida, um novo eu. Entro no templo e sigo até o espelho, encaixo o peão Branco que tenho desde criança no lado preto da moldura, pego no bolso o peão Preto que pertenceu a meu irmão e encaixo no lado branco, o espelho se enche de luz e é quando me preparo, hoje deixo a vida para entrar na história. Entro no Espelho e só então percebo; Petter esta morto.
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