Mundo Submerso
6 Nuvens De Tempestade
Notas iniciais
Petter --^--
A água bate no meu rosto e segue por todo meu corpo, minha cabeça está a mil, não sei o que fazer nem como fazer. Abro os olhos, meu cabelo está sobre eles, jogo ele para o lado e procuro algo para lavá-lo, o liquido é rodeado, logo, não posso usá-lo. Desde criança meu cabelo possui um tom platinado e quanto mais o tempo passa mais branco ele fica. Uso espuma para lavá-lo e então termino de me banhar. Antes de sair do banheiro olho o reflexo de minhas costas no espelho, o símbolo de um Peão Branco de Xadrez permanece próximo ao meu ombro esquerdo.
Minha vestimenta está na cama. Uma camisa e calça branca, gravata carmim, um sobretudo de couro e sapatos brancos. Termino de me vestir e vou ao encontro de Alice, Chapeleiro e Dandara lá em baixo no salão.
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Alice está linda, escolheu um vestido azul longo de seda com detalhes prateados e um sinto que semelhante a um galho de roseira, seu cabelo está preso num coque com um trança dando a volta no mesmo.
— Está Linda, minha cara. – digo e dou um beijo em sua mão.
— Obrigada. Você também. – responde ela. – Digo, não linda, lindo.
— Eu entendi – riu um pouco. – Quer uma dica? – ela balança a cabeça concordando.
— Como estamos em Monte Carmim, deve usar algo que homenageei o lugar e seu representante. – tiro uma rosa do bolso de dentro do sobretudo e coloco no lado esquerdo do coque em sua cabeça. – Pronto. – pego um prato de prata e mostro a ela seu reflexo.
— Obrigada! Ficou lindo.
— Onde está Chapeleiro? – Pergunto.
— Arrumando Março. – responde ela se referindo a Lebre.
Trombetas começam a tocar e todos os olhares no salão se vão para a escada, Dandara logo aparece, seu cabelo está preso num rabo de cavalo, a uma trança pequena em cada lado de seu rosto, cada uma com um fio de ouro que se torna vários ao decorrer do penteado. Ela desce as escadas e a vejo por completo, seu vestido é carmim e longo, suas costas estão nuas e o que segura o mesmo são duas pequenas correntes de ouro, o vestido possui um corte na lateral deixando sua coxa direita nua.
— Ela está linda. – diz Alice, boquiaberta
— Sim. – concordo. Dandara segue pelo salão cumprimentando todos à sua volta, Chapeleiro finalmente chega junto a Lebre que está de smoking, deixo-o com Alice e vou cumprimentar os convidados. Quando finalmente chego a Dandara.
— Me pergunto como consegue ser tão linda. – brinco, mas digo a verdade.
— Huum – pensa ela – Exercícios, muitos legumes, frutas, descanso... – rimos – Ah, sei lá, eu meio que, acordei assim, perfeita. – brinca ela. E rimos novamente.
— Venha, vamos dançar. – a música no salão toca ao som de pianos, saxofones e violinos. Vamos para o centro do salão e começamos a dançar, chamando todos ao redor para fazer o mesmo, logo, todos já estão dançando até Chapeleiro e a Lebre, Alice esta dançando com um senhor e me olhando como quem diz "Ele esta me cantando".
— Acho que tem alguém querendo dançar com você. – diz Dandara.
— Todos querem, Dan. – brinco
— Exibido. – rimos. – Olhe para trás por favor.
Olho e ele está lá, está com uma blusa vermelha, sobretudo, calça, sapato e gravata preta, seu cabelo está como sempre e seus olhos ainda mais azuis. Olho para Dan e ela sumiu, estamos só eu e ele.
— Poderia pegar sua mão? – pergunta ele
— O que faz aqui? – pergunto dando-lhe a mão.
— É o Dia da Paz, todos estão aqui. – começamos a dançar.
— Duncan, e o Reino? – pergunto
— Está sobre boas mãos, Joana está cuidando dele, quando o baile acabar eu voltarei. – responde.
— Certo. E agora me fale o real motivo de você estar aqui. – pergunto novamente.
— Precisava te pedir desculpas, eu... Eu menti sobre aquilo. Eu sinto muito, muito mesmo. – fala ele. – Não peço que seja o que era comigo antes, só peço que me perdoe.
— Não sou eu que deixei de ser quem eu era! – afirmo olhando para os lados.
— Estou tentando me desculpar. – diz ele
— E eu estou tentando entender a situação por completo. – digo
Trombetas tocam e todos olhamos em direção ao final do Salão.
Dandara ~¥~
— Senhoras e Senhores! – afirmo em cima do palco improvisado no salão. – É com um imenso prazer que os recebo hoje aqui em Monte Carmim para comemorarmos este dia. Primeiro queria me desculpar pelo longo caminho até aqui em cima. – brinco e todos rimos juntos. – Espero que se divirtam. Hoje como todos sabemos foi o dia que Esther deu fim a sua própria Guerra. Hoje comemoramos a Vitória do amor por um todo. Desde aquele dia o País Das Maravilhas tem estado em paz e tranquilidade. “Hoje marca o fim e o começo de uma nova Paz.” — Um trovejar me corta e um Às chega até mim.
— Minha senhora um tempestade – afirma ele.
— O que? – surpreendo-me
— Dandara. – Peter e Duncan me chama em uníssono e juntos vamos para a varanda no fim do salão.
Uma nuvem enorme cobre o céu, raios e trovões cortam o ar, tudo está escuro e o vento está frio.
— Leve todos para dentro. Ninguém sai desde castelo. – ordeno. – Isso não é uma tempestade, é magia.
— Magia Negra. – completa Petter e olha para mim. Raios partiam o céu, todos vindos das montanhas, não havia sinal de chuva, apenas vento e trovão, um vento congelante e maligno.
— Preparem a Carruagem! – ordeno a Yé, minha eterna Braço direito.
— Dandara, você não pode sair com algo deste porte acontecendo. – disse ela e Pit juntos
— Tenho que ver o que está havendo. Praticamente todos do País estão aqui, não posso colocar a vida deles em risco.
— Petter. – escuto a voz de Alice e me viro, ela está linda – São as rosas, elas estão ficando sem cor.
— Impossível não tem água. – disse Duncan, vejo logo que ele não gosta muito da garota.
Um estrondo nos tira atenção, para além das montanhas, como algo se partindo.
— A represa. – digo chocada. Um liquido grosso e vermelho invade o fim do penhasco e segue em direção ao mar.
— A..Aquilo é.. – gagueja Alice
— Sangue. – reponde Duncan, fechem as cortinas, tranquem as portas e soem o alarme. Ninguém sai desse Castelo ou de qualquer lugar com um teto. – ordenou ele olhando para mim.
Alice ~*~
Eu não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que estava envolvida, eu sentia. Já estávamos a algum tempo dentro do salão, estão todos assustados, Dandara chega junto a Pit.
— Precisamos sair. – anuncia Petter
— Eu para a Fortaleza Vermelha, além das montanhas e você para o Oráculo. – conclui A Rainha de Copas
— Você não vai sozinha vai? – pergunto
— A dois dias Alice, ordenei que dez de meus homens fossem a Fortaleza e voltassem. Desculpe-me Pit, antes que chegassem aqui, um cavalo trouxe um dos meus guerreiros mais forte, estava ferido, e cego.
— O..que? – cortou Petter – Por que não me disse?
— Ele foi o único sobrevivente dos que mandei, e no momento está em coma. Não sei o que será dele e não posso arriscar mais vidas. Irei sozinha todos querendo ou não, e você irá para o Oráculo o mais rápido possível.
— Eu não me importo mais com voltar pra casa. Há uma guerra acontecendo. – digo
— Você não vai para perguntar sobre “Como ir pra casa”, você vai perguntar sobre “O por que está aqui”. – disse Pit
— E como vamos? Duncan está nos vigiando – questiono
— Lá em baixo, Yé deixou dois cavalos, Chapeleiro, Março e Cheshire esperam você em um deles. Tentarei distrai-lo até que saiam. – descreve Petter
— Quando iremos? — pergunta Dandara
— Agora. Ele logo fechará a barreira. – respondeu-me ele
Pit foi até Duncan e ambos subiram para os aposentos, fomos juntos até a entrada do castelo e Chapeleiro me agarrou pelo braço e subi no cavalo, fomos rápido até a entrada do labirinto, Dandara nos aconselhou a pegar um caminho mais fácil e em menos de cinco minutos já estávamos no campo das rosas. Dandara seguiu para as montanhas, sentido contrário ao nosso. Demos a volta pelo campo e entramos numa névoa espessa, Cheshire ficou em cima da Cartola e começou a sobrar, um caminho surgiu por entre a névoa. Um estrondo veio da montanha. O Alarme, Duncan sabia. Olho para trás e vejo a cerca viva do labirinto se transformar em enormes galhos cheios de espinhos que iam do campo a entrada do castelo. A Barreira.
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