Muller-Family Wolf
9 Charles
Charles levava Erike, lizzie e Rapha para o local onde havia perdido Camille. De lá, eles partiriam a pé pelo caminho que havia a rastreado. Durante o percurso, ninguém dizia coisa alguma. Erike agia como se nada tivesse acontecido, observando a paisagem pela janela do carona. Rapha estava claramente nervoso com sua nova categoria no bando. Charles queria ajudar o filho, mas não tinha noção de como era estar naquela posição. A única pessoa que poderia ajudar, estava incapacitada dentro de casa. Bem ou mal, Tyler era a melhor pessoa que poderia existir para ficar com Amy. Tinha com certeza, amor e um fanatismo pela espécie maior que os outros. Lizzie estava ao lado de Rapha arrumando suas armas. Para Charles, as luzes da cidade iluminando raramente seu rosto, a fazia ficar radiante.
–Chegamos! – anunciou ao estacionar em um café que já se encontrava fechado. Desligou o carro e saiu, doido para parar de pensar em Elizabeth.
–Vocês estavam aqui? — Lizzie desceu do carro e guardou uma arma na parte de trás da calça.
–La dentro, nos preparando para voltar para casa. Eu fui buscar o carro naquela rua – apontou para a esquerda – e ela ficou exatamente aqui me esperando. Quando eu voltei...
–Nós leve para o local que você a rastreou!
Ele assentiu e começou a caminhada com os três ao seu alcance. A rua deserta deixava o cenário mais assustador, cada barulho nas longas ruas deixava todos alertas.
Depois de trinta minutos, viraram em uma rua completamente vazia e escura, onde em um tempo muito distante existia uma fábrica.
–Com toda certeza é aqui, o cheiro dela está mais forte! — constatou Erike casualmente.
Eles continuaram até pararem no portão. Estava trancado, mas não era um grande problema para nenhum deles. Erike segurou o cadeado e o puxou. Ele balançou o objeto no ar, se gabando.
–Eu tenho uma ferramenta que faz isso rapidinho – disse Lizzie.
–Eu tenho unhas, e o processo também é bem rápido – garantiu Rapha dando espaço para a irmã entrar na propriedade.
–Esperem, ouçam com atenção! — ordenou Charles- Ouvem isso?
Os meninos concordaram juntos.
–O que? O que vocês ouvem? E porque estou sussurrando? — Lizzie olhava para todos esperando uma resposta com os olhos arregalados
–Pessoas, Lizzie! – Raphael colocou a mão no ombro dela.
–Ah, então é melhor eu continuar sussurrando, não é? E é melhor eu aprontar minha arma – ela carregou a arma distraidamente – E é melhor vocês…Ah, tá
Charles, Erike e Rapha não precisaram de aviso. Rapidamente assumiram suas formas de lobisomem, sem dor, apenas um desconforto passageiro. Charles era levemente cinza, Erike quase marrom e Rapha completamente preto.
Eles andaram da forma mais lenta que conseguiam para não fazer barulho, mas mesmo assim Lizzie ficava para trás. O andar lento deles, era a corrida de Lizzie, e caminhar daquele jeito era sufocante para um ser cujo o extinto era correr. Fora o homem vestido de verde escuro e boné laranja que Lizzie acertou com algo que ela jurou ser um tranquilizante com efeito de três dias, não encontraram nada do lado de fora que não fosse sujeira, ratos e ferro velho. Era hora de entrar.
Eles passaram cada um de uma vez pelo grande portão que uma vez havia sido utilizado por vários trabalhadores diariamente. A escuridão tomava conta do total do local, mas Charles não estava incomodado com isso, pois parte de si enxergava de noite como se fosse dia. Ele se sentiu feliz por isso, e então olhou para Lizzie, encontrando a garota com uns óculos que cobriam todo seu rosto. Ela tinha um ar confiante, e Charles sabia que era assim que ela estava por dentro, conseguia sentir o cheiro.
–Eu sinto minha mãe! — avisou Raphael com a voz mais grossa – Não parece estar ferida, mas está fraca!
–Acho que não tenho uns óculos para isso! – se queixou Lizzie provocando uma risada interna em Charles. –Quantas pessoas têm aqui além dela?
– Ouço sete corações!
–Ótimo!
Eles continuaram andando olhando para todos os cantos, mesmo que aquela parte da fábrica estivesse vazia. Em alguns pontos feixes de luz entravam pelo teto, Charles aconselhou Lizzie a retirar os óculos para não danificar seus olhos, mas assim que a menina o fez, tropeçou e caiu. Eles observaram ela levantar sem ajuda, não podiam correr o risco de a ferirem com aquelas grandes unhas.
Ao virarem em um corredor, encontraram uma luz ao fundo do imenso corredor. Raphael fez uma nova pausa e avisou que haviam quatro pessoas dentro da última sala, e que devia ser lá que prendiam Camille. Precisavam de um jeito para avisar Camille e as outras que haviam chegado.
–Uiva! – Lizzie disse para Charles, mas ele não entendeu e continuou observando a menina no escuro – Uiva, Charles! Quando um uiva o outro responde!
Charles obedeceu o comando da caçadora. Uivou o mais alto que conseguiu, por Camille, para ela saber que ele estava lá. Voltou a repetir o gesto mais alto ainda, mas dessa vez havia a companhia de Erike e Raphael. Lizzie carregou sua arma, fazendo um clique em meio aquele barulho todo.
Quatro homens saíram da sala segurando shurikens, chakram e outras armas. Dentre elas, Lizzie denominou uma como Kusari-fundo, fascinada pelo objeto. Um rapaz alto e negro correu atrás de Lizzie, provavelmente pensando que a humana era a mais fraca. Mas em um movimento audacioso, ela acertou o rosto do rapaz.
Erike já estava se engalfinhando com um outro homem, enquanto Rapha cuidava de um casal. O menino tentava ir atrás de Charles, mas Raphael sempre desviava sua atenção. Era hora dele procurar Camille.
Correu para a sala onde os quatro haviam saído. Haviam uma mesa com armas, papeis, copos de cerveja pela metade e cigarros. Parecia apenas uma sala comum, com nada especial, se não fosse pela porta de madeira na parede oposta.
Charles estava em sua forma humana quando abriu a porta e desceu as escadas. Na época que a fábrica se encontrava ativa, aquele lugar deveria ser o encarregado pela energia, onde só os especialistas podiam entrar, e um erro faz tudo parar de funcionar.
Podia sentir o cheiro de Camille, mais perto do que conseguia ver. Ele andou lentamente pelos corredores entre máquinas cheias de poeira, mas não se ouvia uma só voz. Resolveu fechar os olhos e deixar que seus instintos o levassem. Quando abriu os olhos, estava a passos de mais uma porta. Quantos lugares secretos e intactos haviam naquele lugar? Se perguntou.
Seu coração bateu forte quando colocou a orelha na porta e ouviu a voz de Camille.
–Você não vai ter chance contra eles! – dizia ela mais forte que ele achava que a encontraria.
–Você acha que sou tão despreparado assim? Eu consegui te capturar! Acha mesmo que não dei um jeito na sua família? – ironizou um homem.
Então ele havia colocado os Danvers na casa? Charles não podia ter ficado mais furioso. Não quando estava a ponto de perder duas irmãs e sua prima. Sem plano algum ele abriu a porta com tamanha força, pondo ela a baixo. O rapaz que falava com Camille olhou espantado para a porta, e vendo quão louco ele parecia, Charles quis agarrar o pescoço dele e o matar, e teria feito se outro homem não tivesse invadido seu campo de visão.
Charles sentiu um soco em seu estomago que só contribuía com sua raiva. Sentia seus olhos queimarem enquanto agarrava o homem pelos braços e enfiava suas garras nele. Ele olhou para Camille para lhe assegurar que tudo ficaria bem, quando o grito dela cortou os gritos do homem cujo braços perdiam a utilidade. Não deu tempo de Charles compreender. Logo sentiu algo perfurar seu pescoço e suas forças se reduzindo. Wolfsbane.
Suas garras foram se transformando em unhas pequenas, suas presas em dentes humanos, e caiu nu no chão frio. Sentia suas forças serem drenadas pelo veneno. Do chão ele pode analisar Camille amarrada pelas mãos em um ferro, com a camisa rasgada e ferimentos já cicatrizando pelo corpo. Ela estava se curando.
O homem pulou seu corpo e agachou ao seu lado.
–Sei que você não está na melhor condição, mas, prazer, meu nome é Toby- ele sorriu – Sua prima, esposa, seja o que ela for sua, é bem difícil, sabia? — ele deu tapinhas no rosto de Charles e levantou.
Passou pelo corpo do homem que se encontrava agonizando, e lamentou. Não deu nenhum ao apoio ao capanga, apenas chegou perto de Camille.
–Eu te dei escolha, sabia? Quando me chamaram, queriam eu apenas a matasse, mas eu vejo algo mais em você, Camille. Eu fui até a lanchonete porque sabia que estaria lá, te dei uma escolha e você simplesmente me tratou como lixo – disse calmo rondando a lobisomem que permanecia quieta.
–Você não deve subestimar aqueles que você não conhece! — gritou
Charles queria levantar e acabar com aquele falatório desnecessário. Ele avistou uma faca no chão, e tentou se esticar para pega-la, mas isso apenas chamou a atenção de Toby. Todos os dedos da mão esquerda de Charles foram esmagados pela sola suja do sapato de Toby. Ele abaixou e pegou a faca.
–É isso que você quer? Então talvez você tenha! –ele cravou a faca na mão de Charles que gritou de dor. – Você. Não. Deve. Jamais. Me Subestimar!
–Você acha que eu vim sozinho? –perguntou Charles em voz baixa.
–Nenhum de vocês é o suficiente para mim! — garantiu.
–O que você acha de um alfa?
–Amy está ferida!
–Ele não falava da Amy! — informou Rapha parado na porta.
Toby virou-se para trás a tempo de ver o pequeno Raphael se transformar em um grande lobisomem preto. Charles arrancou a faca da mão ignorando a dor e fez o mesmo com o sequestrador. Lizzie entrou correndo na sala com a roupa colada no corpo e manchas de sangue nas mãos. Olhou para Charles no chão, mas ele indicou Camille amarrada no ferro olhando embasbacada para Rapha que segurava Toby pelo pescoço.
Lizzie correu até Camille, deixando Charles se recuperar do efeito. Toby passou voando por cima de Charles e deu de encontro com a outra parede. Antes que pudesse se virar para ver, um casaco foi jogado em cima de Charles, por ninguém menos que Erike. Ele vestia a roupa de um dos caras com quem havia lutado, e deu uma virada para mostrar como haviam servido perfeitamente. Ele deu uma calça para Raphael que se vestiu em um piscar, um pouco envergonhado por estar nu. Raphael ajudou Charles a levantar e deu uma calça para ele se vestir.
Camille firmou seus pés no chão e girou os pulsos, mas Lizzie a enlaçou em um abraço amoroso. Ela olhou para cada um deles, e então percebeu.
–Cadê Amy, Holly e Tyler? Amy está realmente ferida? Por favor, me digam que estão bem! — os olhos dela marejavam.
–Mãe, nós fomos atacados por um grupo de vampiros, e.... Nós perdemos a Holly! — disse Lizzie, segurando Camille nos braços
Mas Camille não chorou, mesmo que Charles soubesse que ela queria. Ele olhou firme para Lizzie dizendo para que ela continuasse.
–Amy foi ferida e Tyler está levando-a para o Alasca!
–Alasca... – ela soltou Lizzie e se afastou, parando sozinha em um canto da sala.
–Ele está acordando! — anunciou Lizzie.
–Eu dou um jeito nele! — Camille andou na direção de Toby, mas Lizzie segurou seu braço
–Espera! O que você vai fazer?
A lobisomem pareceu pensar, e então sorriu para Lizzie.
–Ele tem parte nisso tudo, ele não merece viver- ela sacudiu o braço e se soltou, agachando ao lado de Toby.
Em outras ocasiões, Charles não deixaria aquilo acontecer, tentaria conversar com Camille e a fazer repensar seus atos. Daria um castigo para Toby, mas o deixaria viver. Porém, Toby confessou ter sido um dos responsáveis pela morte de Holly e o ferimento de Amy. Mesmo que ele estivesse apenas blefando, ele havia prendido Camille e a torturado. Na cabeça de Charles aquilo não podia estar mais claro: Havia sido uma distração para que pudessem entrar na casa.
–Acorda! – ela deu um tapa no rosto dele
O rapaz acordou desnorteado, olhou para cada um que se encontrava ali e sorriu debilmente.
–Diga-me, Camille; Você acha que vai terminar assim? Tão fácil? Eu sou um caçador, e existem milhões de mim por aí. Se eu morrer, outros virão em meu lugar, loucos para acabar com a sua raça e com traidores – na sua última fala ele olhou para Lizzie
–Verdade? Então, deixa eu lhe dizer uma coisa- ela segurou o pescoço dele – Pode vim mil de vocês que nós continuaremos, de pé, prontos para acabar com a vida de cada um. Não subestime os Muller! — então ela rasgou a garganta dele com as garras.
Charles já estava melhor, sem nenhum vestido de wolfsbane em seu sistema. Mesmo assim, Lizzie se ofereceu para dirigir, mandando Charles e Camille sentarem atrás, já que provavelmente eram o que estavam mais cansados. Ninguém dizia nada. Mesmo que estivessem felizes com a volta de Camille, sabiam que não tinha acabado ainda, precisavam salvar Amy.
Assim que Lizzie estacionou, Camille passou por cima de Rapha e correu para dentro da casa. Quando os outros a alcançaram sem o mesmo entusiasmo, a céu já clareava. A encontraram descendo as escadas sem animo, com os cabelos soltos e bagunçados olhando a sala destruída.
–Eles não estão aqui! – constatou.
–Eu sei! Tyler a levou! — disse Charles.
–E a Holly? — perguntou Erike olhando o sofá onde antes Holly descansava.
–Ele a enterrou no quintal. — Lizzie saiu da cozinha, usando um pano molhado para limpar seus braços.
Ninguém disse nada. Ninguém sabia o que dizer. Tinha várias coisas passando pela cabeça, mas ninguém se atrevia. Raphael foi quem quebrou o silêncio.
–E agora, o que a gente faz? — olhou para Charles em busca de resposta.
Charles permaneceu quieto, pensando nos últimos momentos. Ele colocou a mão no ombro de filho e forçou um sorriso.
– Agora nós salvamos a família, porque é isso que a gente faz!
Camille desceu as escadas e sorriu para cada um.
–Juntos, não importa o quê!
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