Mula de Guerra

26 Capitulo 22: Sob o Toldo


Joseventina estava revoltada, duas visitas à Manny em menos de uma semana, e, para melhorar a situação, desta vez escoltando Nenhumcórnio. Ela ainda nunca imaginou que veria de novo tão cedo aquele que tanto a fez sofrer, mas não havia outra opção, se Quintocórnio estiver certo, e ele sempre está, Nenhumcórnio é o único capaz de derrotar o grande mal que ameaça o Reino.

O deserto da Sarna não tinha mudado nada desde as desventuras com o finado Desbocórnio, em um momento Godofredo pensou ter ouvido o som de um corvo, mas preferiu não comentar nada.

Já era quase meio dia quando avistaram as barraquinhas do grande festival circense, lugar aonde iriam se encontrar com o profeta e confirmar ou não as suspeitas de Quintocórnio.

“Eu odeio cada vez mais aquele cara!” exclamou Joseventina “Não podia ter escolhido um lugar mais perto?”.

“Na realidade aquele é o melhor lugar onde ele poderia estar para ganhar dinheiro, o festival reúne todo ano seres de todos os cantos dos Reinos.” disse Nenhumcórnio com um tom de superioridade.

“Na realidade ninguém pediu a sua opinião!” resmungou Joseventina.

“Seja como for, nós já chegamos mesmo, agora é só achar esse tal de Manny e vermos o que podemos fazer.” disse Fumiga, calma como sempre.

“Mas antes eu quero um algodão doce!” Godofredo parecia feliz como nunca “Eu sempre quis ir a um circo!”.

“Godofredo, prioridades, por favor!” exclamou Otávio “Quanto mais cedo falarmos com Manny mais cedo poderemos aproveitar o festival!”.

O sorriso de Godofredo desapareceu, ele concordou. Passaram no estande de informações, pegaram um mapa e se dirigiram para a barraca de Manny. A área do festival era imensa, dezenas de barraquinhas ao redor de um enorme toldo onde eram apresentadas as principais atrações.

No caminho avistaram os mais variados tipos de coisas, desde aranhas de nove patas até um show de marionetes vivas, mas nada os deixou mais intrigados do que uma moeda de 25 centavos coberta por um líquido viscoso semelhante a suco de groselha.

A barraca de Manny era uma das menores do festival, por dentro havia apenas uma pequena mesa e duas cadeiras, em uma delas estava o profeta.

“Vocês vieram mais cedo do que imaginei.” disse Manny “Coloque o suspeito na cadeira.”.

Nenhumcórnio se sentou, o profeta continuou calmo, ergueu sua bola de cristal e invocou os espíritos. Ele abriu a boca e estava prestes a revelar a verdade quando um raio o atingiu

“O mal se aproxima!” gritou Manny com o corpo caído no chão “Fujam enquanto podem!”.

Nossos heróis saíram da barraca, tudo estava um caos, barracas caindo por todos os lados, animais, monstros e outros diversos seres corriam sem rumo. Joseventina olhou para cima, o motivo de tanto desespero era obvio. O toldo central estava voando e se expandindo, logo cobria toda a área do festival. Quando desceu novamente tudo fiou escuro por alguns segundos.

Luzes se acenderam por todos os lados.

Otávio correu na direção da saída e tentou levantar o toldo para sair, mas não conseguiu. Joseventina, Fumiga e Godofredo tentaram ajudar, mas foi em vão, eles estavam presos.

Presos sob um enorme toldo de circo, e o pior, Nenhumcórnio aproveitou da confusão para escapar.

Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.